MACUNAÍMA
Eu não vim ao mundo para ser pedra!”. Deparei-me com a frase escrita em um banner posicionado ao lado da caixa cênica e imediatamente percebi que ali começava uma aventura inusitada, através do folclore e cultura brasileira e baseada no livro de Mário de Andrade.
A segunda provocação feita na ocasião foi que a narrativa de “Macunaíma” recai sobre o nascimento de um velho em uma tribo amazônica, mas diferente do filme “O curioso caso de Benjamin Button”, o protagonista não vai rejuvenescendo com o passar dos anos e é retratado como sendo um índio arteiro, egocêntrico, preguiçoso e chegado no nheco-nheco com as cunhãs da aldeia.
A história é ambientada na floresta e no que deveria ser o habitat natural desse povo, mas o personagem principal é empurrado a desbravar outras matas, ou melhor, a cidade grande, partindo para São Paulo em busca do muiraquitã (amuleto da sorte) dado pela sua amada Ci e que está de posse do gigante Venceslau Pietro Pietra.
Muitas pedras surgem em seu caminho até o sudeste do país, como o enfrentamento de Macunaíma com deuses e mitos nacionais, tais como Caipora (guardião da floresta), Iara (sereia que vive nas águas amazônicas), deus Sol, além da fome e do confronto direto com seu irmão depois de ter matado equivocadamente sua própria mãe.
E como todo bom filho, ele também retorna para sua aldeia e para a Amazônia depois de ter acumulado várias cicatrizes pelo corpo e alma, frutos das pedradas levadas pela vida.
Ao todo, 14 atores preenchem o palco, cantando, dançando, tocando instrumentos musicais e interpretando trechos originais da obra de Mário de Andrade, sendo sete deles pertencentes à companhia “A Barca dos Corações Partidos”, a mesma que encenou “Suassuna: O auto do reino do sol” e que comentei algum tempo atrás neste mesmo espaço.
O espectador acompanha a execução de 70 músicas ao vivo, sendo que a maioria delas foi criada especialmente para a obra e são canções com aquela pegada popular, assim como outras estrangeiras e mais outras de autoria de artistas como Rita Lee e Caetano Veloso.
Já a cenografia da obra é construída com corpos nus, aparentes e pintados nas extremidades, ou seja, os pés dos atores estão pintados de vermelho. Além disso, há a presença de 350 m de plástico preto que se molda conforme a cena, transformando-se ora em corpo, ora em mata, ora em rio, além de caixas de papelão e outras feitas de plástico inflável e sombrinhas.
Aliás, as soluções cênicas vistas são os pontos de destaques da produção, especialmente a criada para o nascimento de Macunaíma nos primeiros minutos da peça.
Fiquei admirada com a concentração, energia emanada, desprendimento e vivacidade dos atores em cena. Confesso que em alguns momentos achei que eles tinham feito algum pacto com satã, especialmente as meninas ou eles tinham tomado um goró para enfrentar três horas sob os holofotes sem deixar a peteca cair.
Preciso dizer que a cena em que os atores representam a morte maciça de peixes e adentram o palco se debatendo no chão como se fossem animais nos seus últimos instantes de vida é de uma beleza ímpar.
A verdade é que eu reverenciei o grupo em vários momentos do show interpretativo, especialmente no seu primeiro ato, mas achei que ele desandou no segundo momento e quando a peça estava ambientada em São Paulo.
Tanto é verdade que na sessão em que eu estava presente, várias pessoas deixaram o teatro e não viram o final da peça, provavelmente porque se sentiram agredidas ou ofendidas com alguns excessos cênicos presentes.
O fato é que a obra conta sim com um bom desfecho, boas passagens e boa técnica, assim como o filme feito pelo diretor Joaquim Pedro de Andrade, em 1969, e que foi protagonizado pelos atores Grande Otelo e Paulo José e tinha no elenco nomes como Jardel Filho, Dina Sfat, Joana Fomm, Hugo Carvana, Rodolfo Arena, entre outros.
Agora, o melhor é que o espetáculo atual nos faz refletir a respeito da situação dos índios no Brasil e de como ainda temos muito que aprender com eles, principalmente a respeito de seus costumes, seus saberes culinários, sobre ancestralidade, biodiversidade, bem-estar, valores e ciclo de vida.
Eu não quero perder isso e nem deixar que toda essa cultura seja apagada, pois também faço parte e tenho orgulho dela e gostaria que ela fosse preservada, sim!
Apesar de ser de difícil digestão, “Macunaíma – Uma rapsódia musical” é um espetáculo que vale a pena ser visto!
Maria Oxigenada

Elenco: Adren Alves, Alfredo Del-Penho, Beto Lemos, Eduardo Rios, Fabio Enriquez, Renato Luciano, Ricca Barros, Angelo Flavio Zuhale, Hugo Germano, Lana Rhodes, Lívia Feltre, Pedro Aune, Sofia Teixeira e Zahy Guajajara. Direção Bia Lessa.
Próximas apresentações:
Onde: No teatro Carlos Gomes, localizado na praça Tiradentes s/n, na cidade do Rio de Janeiro.
Quando: a partir de 05 de setembro de 2019.
Informações: (21) 2232-8701.
Foto: reprodução
 
ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD
O nono filme do diretor Quentin Tarantino acaba de estrear nos cinemas e coloca sob os holofotes os bastidores da indústria cinematográfica americana, tendo como pano de fundo alguns acontecimentos reais ocorridos nas décadas de 60 e 70, como as atrocidades praticadas pela família Manson, o movimento hippie, a consolidação das séries televisivas, além da guerra do Vietnã.
A película acompanha o dia-a-dia do ator Rick Dalton (Leonardo DiCaprio). Profissional com anos de estrada, ele já foi o galã e o mocinho em muitas produções, mas no momento está em decadência e assumiu a faceta de vilão coadjuvante em filmes de bang-bang.
Dalton não circula sozinho pelos estúdios americanos. Ele sempre está na companhia de Cliff Booth (Brad Pitt), seu dublê e pau para toda obra, pois o estepe precisa complementar sua renda mensal com a realização de pequenos serviços de manutenção na casa de Dalton.
“Era uma vez em Hollywood” também mostra o surgimento de uma nova musa para os americanos. Trata-se de Sharon Tate (Margon Robbie), atriz e esposa do diretor Roman Polanski (Rafal Zawierucha). O casal, aliás, é vizinho de muro de Rick Dalton na Cielo Drive, rua de um bairro nobre da cidade de Los Angeles, Califórnia.
Mas o pontapé inicial da obra acontece com o protagonista recebendo uma proposta de Marvin Maunder (Al Pacino), seu agente, para estrelar filmes de faroeste na Itália, os famosos spaguetti western, e sua relutância em aceitar a empreitada logo de cara.
Outro fato interessante da película é observar os bastidores de séries de super-heróis como “O Besouro Verde” e acompanhar o trabalho de preparação física e as primeiras atuações de atores como Bruce Lee. Aliás, o mestre das artes marciais foi quem treinou alguns golpes com promessas como a atriz Sharon Tate.
“Era uma vez em Hollywood” conta com cenas de flashbacks, diálogos afiados, humor, narrador onisciente e, é claro, muita violência. Caso contrário não seria um filme de Tarantino, né! E toda a brutalidade vista, suas consequências e seus efeitos no público são questionados por alguns dos personagens presentes na obra.
Agora, o melhor do filme é a parceria cênica vista entre os atores Brad Pitt e Leonardo DiCaprio. Pitt está muito bem no papel, mostrando sua veia cômica e funcionando como escada para DiCaprio deitar e rolar em cena. Juntos, eles têm os melhores diálogos do longa metragem.
Margot Robbie também se faz notar pelo seu carisma e beleza. Entretanto, quem me chamou a atenção foi à atriz mirim Julia Butters como Trudi, colega de elenco de Ricky Dalton. Muito descolada para a sua idade!
Outra participação que não passou despercebida foi a do ator Luke Perry, intérprete de Wayne Maunder. Este é o último filme feito por ele antes de seu falecimento ocorrido no último mês de março devido a um AVC (acidente vascular cerebral).
Tarantino também fez questão em tocar em alguns ritos de passagem, crises existenciais de artistas, na cultura pop, na liberação sexual da época, além de fazer piadas visuais, assim como ressaltar como a indústria cinematográfica pode ser ferina e toxica com quem faz parte dela, mas também fica evidente a declaração de amor feita pelo diretor à sétima arte.
“Era uma vez em Hollywood” tem 2h45 minutos de duração e um ritmo um pouco mais lento do que os demais filmes em cartaz na atualidade, contudo eu estive tão envolvida com a narrativa que não percebi o tempo passar, nem a existência de barrigas na história.
A boa fotografia da obra colabora para isso, assim como sua trilha sonora, a recriação de época e os figurinos usados pelos personagens. As peças vestidas por Margot Robbie representam todo glamour de uma atriz jovem, bem casada e em ascensão no meio. Enquanto isso, as peças usadas pela galera hippie é uma ode a vibe paz e amor que eles pregavam com o desfile de shorts curtos, coletes, botas, macacões, chinelos de couro, bolsas a tiracolo e cabelos ao vento.
E é sempre bom lembrar que esta é uma obra de ficção e algumas passagens existentes nela e que envolvem personagens que realmente existiram não são verídicas, assim como algumas marcas de produtos que são fruto da imaginação do diretor e foram criadas especialmente para a película, como as latas de comida para cachorro nos sabores de guaxinim, rato, passarinho ou lagarto.
Diferente de outros filmes de Tarantino, este não sucinta a vontade do espectador de sair da sala de exibição antes da subida dos créditos finais pelo excesso de violência. Aliás, há uma cena pós credito interessante, viu! Não deixem de conferi-la.
Quanto a mim, eu adorei mais essa aventura metalinguística construída pelo diretor, especialmente porque ele mesclou fatos reais com fictícios, por isso saí satisfeita e rindo a toa do cinema!

Beijos,

Maria Oxigenada
 
CASTELO RÁ TIM BUM
Bum, Bum, Bum, Castelo Rá Tim Bum! O jingle era quase um mantra durante a minha infância e sintonizava perfeitamente com as batidas do meu coração na época, pois bastava ouvi-lo que eu saía correndo para frente da televisão.
Sucesso dos anos 90, o programa foi criado por Cao Hamburger e Flávio Souza para a TV Cultura. Ao todo, foram 90 episódios protagonizados por Nino, Pedro, Biba, Zequinha, além do Dr. Victor, da mística Morgana, do Sr. Abobrinha, da cobra Celeste, do Gato Pintado, do monstro Mau, da ratazana Godofredo, do Porteiro, do Relógio, dos gêmeos Tap e Flap, do Ratinho, da gralha Adelaide, das fadas Lara e Lana, dos passarinhos João de Barro e as Patativas, do alienígena Etevaldo, da Caipora, do jovem Bongô e da repórter Penélope.
No musical em cartaz no teatro Net SP, eles estão todos reunidos sob os holofotes e fazendo a alegria de saudosistas como euzinha e também de crianças da geração atual que nunca tinham se divertido em suas companhias.
A história contada nos palcos gira em torno do aniversário de 300 anos de Nino e apesar da data comemorativa, o aprendiz de feiticeiro está triste, cansado de seu isolamento e esperançoso de que a partir daquele momento ele possa ter uma vida como qualquer outra “criança”, como ir à escola, brincar fora do castelo em que mora e circular pela cidade com seus amigos.
Seus desejos mais íntimos são atendidos e o trio formado por Pedro, Biba e Zequinha acaba atraído para o castelo, conhecendo Nino e sua família e se divertindo com todos os seres mágicos que circulam pelo local.
O problema é que coisas estranhas estão acontecendo por lá, além da pressão enfrentada por Nino para provar que é capaz de realizar um feitiço completo. Uma das ameaças aos moradores da fortaleza encantada é o Sr. Abobrinha que quer porque quer comprar o castelo e construir no espaço um prédio com mais de 100 andares.
O vilão não mede esforços para convencer o bruxinho da venda do imóvel e faz várias tentativas de enrolar seus tios, entretanto elas são mal sucedidas, pois Nino recebe vários alertas dos frequentadores do local em relação à idoneidade e caráter do Sr. Abobrinha.
E para não pesar à narrativa, respiros cômicos e educativos foram acrescentados ao musical como as intervenções feitas pelo ratinho e pelos passarinhos que surgem, por exemplo, ensinando as crianças como escovar os dentes corretamente.
Outro fato interessante do espetáculo é que ele trabalha a questão étnica e cultural, através da presença de atores com diferentes biótipos e de personagens como a Caipora que carregam todo um imaginário popular consigo.
O elenco escolhido para encenar o musical também é formado por pessoas parecidas fisicamente com os atores que faziam a série infanto-juvenil na década de 90, reforçando ainda mais as memórias afetivas dos espectadores presentes.
A graça da produção está na recriação dos cenários e figurinos encontrados no Castelo Rá Tim Bum original e, especialmente, na manutenção do caráter lúdico, colorido e fantasioso do programa, através da presença de absurdos como uma cobra cor de rosa ou de um monstro peludo roxo, há, há, há...
Dentre todo o show visto, destaco duas cenas: A primeira é a construída com notas musicais inseridas em uma partitura, pois o jogo de luz usado na ocasião e o balé realizado pelas notas estão demais! A outra é o encerramento do primeiro ato com todos os personagens em cena, cantando conjuntamente e convidando a plateia a soltar a voz e aguardar pela segunda parte do espetáculo.
Confesso que me diverti horrores! E dei muitas risadas com as tiradas dos personagens, com as interpretações dos atores e com todo o circo colorido armado para a ocasião!
O melhor de tudo é saber que isso é produto nacional e fruto de mentes criativas como a de Cao Hamburger e Flávio Souza. Não é a toa que Cao Hamburger é ganhador de dois Emmy Kids, prêmio concedido aos profissionais atuantes na televisão, pelas séries “Pedro e Bianca”, em 2014, e “Malhação: Viva a diferença”, em 2019.
Um dia eu chego lá! Há, há, há...
Eu indico o musical.
Maria Oxigenada

Serviço:
Onde: teatro Net SP, localizado na rua das Olimpíadas, 360.
Quando: sexta, às 20h30; sábado, às 16h e 20h; e domingo, às 18h.
Temporada: até 22 de setembro de 2019.
Preço: entre R$ 25,00 (meia) e R$ 120,00.
Foto: reprodução
 
SIMONAL
"É muita malemolência!
Malemo, malemolência...” (Dynho Alves).

É disso que eu tô falando! No passado essa malemolência atribuída às “cachorras” de bailes funks de hoje era chamada de swing. E Simonal o tinha de sobra, né! Ele esbanjava charme, talento musical, esperteza e parecia um bagre ensaboado em algumas situações. Além disso, foi um dos primeiros showman da historia nacional.
O problema é que faltou a tal da malemolência quando ele estava no auge do sucesso e passados 15 anos de sua estreia nos palcos cariocas. Na época, ele suspeitou que tinha sido roubado pelo seu próprio contador porque apareceu um rombo financeiro em sua empresa.
E como o artista não tinha sangue de barata, ele se enrijeceu todo, perdendo  parte de sua malemolência e pediu para um agente do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) dar uma prensa no queridão responsável pelos números e que era chamado Taviani (Bruce Gomlesky). E adivinhem só o que aconteceu?
O agente, interpretado na obra pelo ator Caco Ciocler, exagerou no susto, torturou o contador e a história vazou para a imprensa e fedeu para o lado de Simonal, pois o artista foi acusado de ser delator da ditadura e não só a classe artística, como também a sociedade reagiu contra o episódio, fechando as cortinas para o cantor e compositor.
“Simonal” mostra isso e também o calvário enfrentado pelo artista porque a partir desse ponto os seus shows começaram a ser cancelados, as empresas e marcas deixaram de patrocina-lo, os holofotes começaram a se apagar um a um e os dias de inverno instalaram-se definitivamente em sua vida. Que triste!
A película não tem a preocupação de retratar a infância e nem os últimos dias dele, mas mostra como foi o seu primeiro encontro com sua esposa Tereza (Ísis Valverde), com o empresário Carlos Imperial (Leandro Hassum) e com artistas como Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Elis Regina e Jorge Ben Jor.
O bacana da obra é que ela utiliza-se de algumas imagens reais e de apresentações feitas pelo próprio Simonal como, por exemplo, a realizada no estádio do Maracanãzinho, onde ele regeu um coro com 30 mil vozes enquanto cantava a música “Meu limão, meu limoeiro”. 
É possível também ver imagens do encontro de Simonal com a diva do jazz Sarah Vaugh, da cidade do Rio de Janeiro nas décadas de 60 e 70, do subúrbio carioca e acompanhar planos sequências que deram um plus no filme. 
Outro ponto interessante é a caracterização dos personagens, especialmente no que tange ao figurino usado por cada um deles com muitos ternos, camisas sociais e de gola alta, calças boca de sino, vestidos tubinhos, caftas, além de cabelos femininos desfiados, o uso de chapéus, de pérolas e correntão de ouro.
Quanto às interpretações, o ator Fabrício Boliveira está soltíssimo no papel título e encarna não só a malandragem do protagonista com desenvoltura como também as oscilações emocionais de Simonal. Seus olhos chegam a brilhar diante das câmeras e apesar de não se parecer fisicamente com o cantor, em alguns parece incorporar o próprio, há, há, há...
A atriz Ísis Valverde também se mostra confortável no papel de Tereza, provavelmente porque já tinha contracenado com Fabrício Boliveira no longa “Faroeste Caboclo”. Entretanto, achei a interpretação de Leandro Hassum excessiva! Já a participação de Mariana Lima, como a socialite Laura Figueiredo, faz um bom abre para a obra. 
Agora o ponto alto do filme é mesmo a sua trilha sonora, compostas por Caetano Veloso, Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Carlos Imperial, Jorge Ben,  entre outros artistas e que ganharam voz através de Wilson Simonal, tais como: “Balanço Zona Sul”, “Terezinha”, “Lobo Bobo”, “De Manhã”, “Mamãe passou açúcar em mim”, “Vesti Azul”, “Carango”, “Nem vem que não tem”, “Tributo a Martin Luther King”, “Sá Marina”, “Walk Right In”. 
Pelo que foi retratado no longa metragem, achei que o artista foi um azarado! Azarado por ter nascido em uma época em que não havia profissionais da área de comunicação que pudessem ajuda-lo no resgate de sua carreira, como fez atores, jogadores de futebol e cantores que também pisaram feio na bola no passado e também na atualidade ou que foram vítimas de episódios de racismo, preconceitos ou ataques virtuais. 
Fiquei triste de saber que uma voz de sua magnitude foi sendo calada aos poucos porque o cara era muito alto astral, carismático e seu desejo maior era  cantar, assim como exteriorizou Elis Regina. Simonal é a prova de que na vida nós precisamos ter jogo de cintura, a tal da malemolência citada no início deste texto para não perder o swing, a razão em alguns momentos críticos e conseguir surfar pelas oportunidades oferecidas pela vida por um tempo ainda maior.
Cheguei ao cinema achando que não curtiria, mas gostei bastante do filme! 
Maria Oxigenada   
 Foto: reprodução 
  
   
  
 

 
 
JÓIAS DO BALLET RUSSO
Todo mundo teme o mês de Agosto e eu não sei bem o motivo disso. Para mim, o período é um dos mais esperados do ano porque é quando começa a temporada de dança em São Paulo e são tantos espetáculos interessantes oferecidos que eu preciso escolher quais irei assistir e comentar.
O pontapé foi dado com o espetáculo “Jóias do Ballet Russo” e a tradição do país em dança clássica foi uma das principais razões de eu ter escolhido iniciar a aventura em boa companhia e observando a técnica e a leveza de integrantes do balé Bolshoi, Mariinsky e Mikhailovsky.
Outro motivo foi que depois que eu li o livro “Bolshoi Confidencial”, de Simon Morrison, eu percebi quão rigorosas são as companhias russas, o que a dança significa para os governantes e a população local e como seus bailarinos são artistas incansáveis, treinando em média dez horas por dia durante seis dias na semana.
Para ficar mais digerível ao público pouco acostumado com espetáculos de balé clássico, a apresentação contou com um pout pourri com trechos de “O Lagos dos Cisnes”, “A Bela Adormecida”, “Corsário”, “Sheherazade”, inspirado no conto “As mil e uma noites”, “Chamas de Paris”, “O Quebra Nozes” e também uma dança típica russa.
Ao todo, são sete bailarinos que ocupam toda a caixa cênica e dentre eles está o veterano Alexander Volchkov com mais de 20 anos em cima dos palcos e um dos integrantes mais velhos do Bolshoi. Para completar o time em cima das sapatilhas de ponta estão: Oxana Bondarev e Mikhail Venschikov, Boris Zhurilov e Tatyana Tiliguzova, Natalia Ledovskaya, Puklov Mikhail e Maksim Marinin.
E apesar do grupo apresentar um show de encher os olhos do público com tantos rodopios, saltos, jetés, adágios, entre outros passos, eu confesso que prefiro espetáculos onde há o desenrolar de uma narrativa, com começa, meio e fim e não recortes de vários outros com seus melhores momentos.
A verdade é que fico com a sensação de estar diante de retrospectivas, bem ao estilo das vistas no último dia do ano em canais abertos da televisão. Mas achei incrível a encenação da morte do cisne, assim como a apresentação do solo da dança típica e o trecho extraído de “Sheherazade”.
E quem realmente brilha sob os holofotes é o bailarino Alexander Volchkov! É perceptível sua satisfação de estar no palco e seu amor pela dança, pois esteve sempre sorridente em cena e é muito expressivo corporalmente. 
Também achei a bailarina Oxana Bondarev encapetada! Quando já estava encerrando as apresentações, ela voltou ao palco parecendo que tinha baixado uma pomba gira em si e fez uma sequencia de piruetas usando um leque vermelho que parecia não ter fim, há, há, há...
Senti falta de uma cenografia para alegrar e acompanhar frame a frame o show visto, entretanto seu figurino estava luxuoso e ousado. Sim, ousado! Não esperava ver uma bailarina russa de barriga de fora e vestindo apenas um bustiê bordado em parceria com uma calça, numa inspiração direta a personagem Jasmine, de “Alladin”. Incrível!
“Jóias do Ballet Russo” é um programa para quem gosta de ver um show de graça, sutileza de movimentos, além de acompanhar a suavidade com que os bailarinos profissionais dançam.
Eu amei!
Maria Oxigenada
Próximas apresentações:
Dia 13 de agosto – CIC, em Florianópolis (SC).
Dia 14 de agosto – Cine Teatro Central, em Juiz de Fora (MG).
Dia 15 de agosto – Palácio das Artes, em Belo Horizonte (MG).
Dia 16 de agosto – Teatro Positivo, em Curitiba (PR).
Foto: reprodução        
 
TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA
Nelson Rodrigues sempre é uma boa pedida para assistir em qualquer época do ano, né! Tanto é verdade que mesmo após sua morte, suas peças continuam sendo montadas e arrancando aplausos da plateia.
“Toda nudez será castigada” conta a história de um homem puritano chamado Herculano (Felipe Moura) que perde sua mulher para o câncer de mama e promete para o filho Serginho (Leonardo Silva) que jamais irá se casar novamente.
A promessa é quebrada depois que Patrício (Alex Slama), irmão de Herculano e “encosto” da família deixa, propositalmente, uma foto de Geni (Dandara Terra), cantora e prostituta do inferninho da cidade sobre a cama do brother para incentiva-lo a abandonar o luto e sair da toca.
Após tomar um porre, Herculano vai ao bordel, encontra Geni e passa a noite com ela. Quando acorda, ele faz o desmemoriado e diz que não se lembra de nada do que aconteceu entre eles, mas retorna outras vezes ate se declarar apaixonado para a meretriz, propondo-lhe casamento.
O dilema presente na vida de Herculano se acentua depois da promessa feita ao filho, pois o jovem e suas tias tentam jogar areia no romance do casal e a solução encontrada pelo patriarca é enviar Serginho para um intercâmbio na Europa.
Neste interim, o rapaz se envolve em uma confusão, vai preso e é estuprado na cela por um ladrão colombiano. Quando toma ciência do fato, seu pai fica transtornado e com sede de vingança, mas o delegado (Carolina Rossi) fecha os olhos para os recentes acontecimentos na delegacia, colocando em liberdade o tal estuprador.
Agora, o destino de Serginho é mesmo o hospital psiquiátrico para conseguir elaborar o trauma e a violência vivida, mas mesmo no lugar ele é agredido pelas palavras ferinas de seu próprio tio Patrício. O queridão começa a implantar a discórdia e persuadi-lo a trair a confiança de seu pai, chifrando-o com Geni. Tá bom para vocês?
O desfecho da peça é bem rodriguiana, mas o interessante da obra é que ela trabalha com sentimentos antagônicos, conta com reviravoltas e um final inesperado.
Na montagem assistida, os diretores Victor Moreno e Carolina Guimarães optaram por usar a técnica de animalização dos personagens, ou seja, cada um dos atores assume os trejeitos e a personalidade do animal que representa. Herculano, por exemplo, assume a postura e as características de um porco. Geni de uma cabra, enquanto que Patrício é o verdadeiro gatuno da história. Já
as tias carolas de Serginho são representadas por galinhas, o médico por um hipopótamo e o padre da comunidade por uma coruja.
O bacana é que alguns atores fazem mais de um papel na peça e usam mascaras para facilitar ainda mais a identificação com a bicharada. Fruto da criação do cenógrafo, figurinista e artista Clau Carmo, elas cobrem apenas metade dos rostos dos atores e suas cores são neutras.
E falando em cenografia, ela é simplista, conta com uma cama de casal, além de alguns bustos posicionados nas laterais da caixa cênica que abrigam as peças de roupas e as mascaras usadas em cena, além de poucos objetos cênicos como um telefone, uma garrafa de aguardente, leques e chapéus.
Quanto aos atores, eles começam a peça vestindo apenas macacões nudes como se estivessem despidos e, aos poucos, vão entrando nos seus personagens com a colocação de algumas roupas.
Em relação às atuações, o melhor sob os holofotes é mesmo o ator Alex Slama. A malandragem de seu gato vira-lata é incrível! A atriz Carolina Rossi também não faz feio, não! Ela mostra toda a sua versatilidade interpretativa através de três papéis distintos: a tia, o médico e o delegado.
Leonardo da Silva e Felipe Moura cumprem o esperado em cena, entretanto a escalação da atriz Dandara Terra se mostra errônea, pois a personagem Geni necessita ser interpretada por alguém que tenha mais “borogodó” sob os holofotes e com outro biótipo porque a cabra incorporada é um animal que transpira docilidade, leveza e certa promiscuidade, há, há, há ...
Apesar disso, “Toda nudez será castigada” é um bom programa para quem deseja conhecer a faceta trágica do autor que também escreveu “O beijo no asfalto”, “Bonitinha, mas ordinária”, “A Serpente”, “A mulher sem pecado”, “Vestido de Noiva”, “Valsa n 6”, “Viúva, porém honesta”, “Boca de Ouro”, “Os Sete Gatinhos”, “Perdoa-me por me traíres”, “A Falecida”, “Álbum de família”, “Anjo Negro”, “Senhora dos Afogados”, “Doroteia”, etc.

Eu indico.

Maria Oxigenada

Serviço:
Onde: teatro Sérgio Cardoso, localizado na rua Rui Barbosa, 153.
Quando: segunda, às 20h; sábado, às 18h30; domingo, às 20h.
Temporada: até 26 de agosto de 2019.
Preço: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia).
Duração: 75 minutos.
Foto: reprodução
 
ARE BABA
Há, há, há, vocês não vão acreditar no que aconteceu! Lembram que nos primeiros dias do ano eu ajudei a Lígia, irmã da Fernanda e fotógrafa, a fazer um filme? Pois é! Enquanto todo mundo amargava a ressaca de ano novo, nós já estávamos com a mão na massa, ou melhor, com os refletores posicionados e filmando em uma antiga e desativada fábrica de cerveja.
E após editar a película, nós a inscrevemos em festivais de cinema nacionais e internacionais, fomos selecionados em alguns deles como o independente de Lisboa (Portugal) e, por incrível que pareça, saímos vencedores do Festival de Cinema de Nova Délhi, na Índia.
A notícia chegou durante o último final de semana e nos pegou de surpresa! Para falar a verdade, eu já tinha ido para cama e estava babando nos meus travesseiros quando meu celular vibrou com a chegada de várias mensagens sequenciais.
Confesso que demorei alguns segundos para checa-las, mas quando as abri achei que ainda estivesse sonhando, mas passado o torpor momentâneo eu percebi a veracidade das palavras.
Liguei imediatamente para a Lígia e a louca estava em uma loja de conveniência comprando um espumante de quinta para comemorar o feito com o Gabriel, seu namorado.
Ela me disse que só tinha ficado feliz assim quando ganhou sua primeira máquina fotográfica, aos 14 anos, em uma rifa feita pelas carolas do bairro para ajudar uma instituição carente, há, há, há...
A premiação acontecerá no início de dezembro em Nova Delhi e nós estamos pensando sim em ir até lá para receber a estatueta. Seria uma experiência completamente diferente de qualquer outra já vivenciada. Dei uma pesquisada em algumas companhias aéreas que fazem à rota São Paulo-Nova Delhi e os tickets são mais baratos do que para Nova Iorque, Roma ou qualquer outro destino turístico.
 todo, são 18h30 no ar e é bom a gente nem pensar a respeito para não amarelar de vez, né! Como nunca fui para Índia, seria a desculpa perfeita para turistar pelo local, visitar alguns mercados de especiarias e ouro e aproveitar a ocasião para fazer um retiro espiritual em algum ashrams, além de praticar ioga de raiz, há, há, há. Acredito que não teria problemas porque sou adepta da atividade, curto meditar, lugares simples e amo a culinária vegetariana e vegana.
O único problema será convencer a mamãe da aventura. Logo que exteriorizei a minha vontade, ela me falou que eu estava louca e que jamais me deixaria
viajar para lá, alegando que eu poderia passar por maus bocados, caso adoecesse ou contraísse alguma infecção intestinal por causa do excesso de condimentos e massalas (mistura de especiarias) encontrados nos pratos indianos ou pela falta de saneamento básico presente em alguns lugares.
O que ela não sabe é que tenho algumas economias no banco, fruto da venda das minhas sobremesas e do estagio que fiz recentemente e que estava guardando para viajar com o Fê no final do ano...
E vocês sabem que o premio chegou exatamente no momento em que estava pensando em investir em algum curso de especialização. Eu acho que o leque se abriu e a partir de agora a sétima arte pode ser mais uma alternativa para mim além da arquitetura e da gastronomia.
Ele também deu um gás extra na criatividade da Lígia e em sua vontade de escrever e rodar histórias humanas e tocantes. Tá, tá, eu sei que o filme vencedor tinha outra temática e falava sobre dois fantasmas presos na fábrica e no passado, mas o próximo será lindo, rodado em branco e preto e mudo. É isso mesmo que vocês leram! Vamos rodá-lo sem que os atores falem uma única palavra sequer e focado no gestual e nas expressões corporais de cada um deles.
O processo está adiantado e a Lígia já escolheu até a sua locação. Será em apartamentos vazios, vetados pela defesa civil e que são de propriedade de um conhecido dela. Vocês perceberam que as locações têm importância no sucesso da obra e foram elas quem nos diferenciaram de outros concorrentes em Bollywood, né!?
Falando nisso, se quisermos fazer sucesso por lá nós teremos que investir em musicais e em filmes dançantes parecidos com videoclipes porque é disso que a galera gosta, além de conflitos familiares envolvendo gerações e tradições.
O melhor seria se colocássemos uma pitada dramática, mesclada com outra de comedia, além de uma porção de romance ou ação em cada filme pensado para mercado indiano. O fato é que a misturinha precisa ser colorida, repleta de texturas e rica em imagens distintas, assim como são os pratos da culinária local.
Que tal conhecer as particularidades da Índia com a gente? Bora lá!
Partiu, Nova Delhi!

Maria Oxigenada

Foto: reprodução
 
PIPPIN
Estava faltando este clássico para eu acrescentar no meu currículo cultural! “Pippin” estreou na Broadway em 1972 e tornou-se um dos musicais mais bem sucedidos da história e ganhador de cinco Tony Awards.
Para quem não conhece seu enredo, ele é passado na era medieval, durante o reinado de Carlos Magno (Fernando Patau) e após o retorno de seu filho primogênito Pippin (João Felipe Saldanha) para casa depois de ter finalizado seus estudos universitários.
Logo que chega, o personagem principal estranha bastante o instinto bélico de seu meio irmão Lewis (Thiago Machado). Estranha mais ainda o comportamento de sua madrasta Fastrada (Mariana Gallindo) que o incita a destronar o seu próprio pai, bem como estimula o filho a ter sede por sangue.
Desconfortável, ele faz de tudo para encontrar um sentido para sua vida através das artes e da religião, mas acaba indo para as batalhas e é tomado pelo horror e a violência das guerras, porém encontra calor humano nos braços de prostitutas e em tabernas. Com o passar do tempo, o vazio se faz presente na vida do personagem e Pippin fica desmotivado e questionando sobre o sentido de tudo.
Para colocar ordem nessa bagunça cênica e costurar o espetáculo a presença de um mestre de cerimônias se faz necessário. Na obra, ele é interpretado pela atriz Totia Meireles, porém o espetáculo ainda conta com a presença de outros personagens, tais como: Berthe (Mira Haar), a avó de Pippin que tem a missão de trazer alívios cômicos ao musical e ainda, mostrar ao jovem que a felicidade nem sempre é encontrada no luxo e sim na trivialidade do dia-a-dia.
Tanto é verdade que Pippin se sente acolhido por Catharina (Bel Lima) em sua fazenda após fugir do reino em circunstâncias duvidosas. Ela amarga uma viuvez recente e se interessa pelo protagonista logo de cara, imaginando-o como futuro padrasto de seu filho Theo (Pedro Burgarelli) e ainda, o companheiro ideal para ajuda-la com as tarefas braçais de sua propriedade.
O problema é que Pippin tem duvidas a respeito de sua missão e se deveria ou não jogar fora tudo o que estudou, bem como sua coroa em detrimento de uma vida simplória ao lado de uma mulher do campo e seu filho, mas o interessante do espetáculo é que ele vai aos poucos desconstruindo o personagem principal e tornando-o cada vez mais humano e conectado consigo.
O ator João Felipe Saldanha possui sim uma boa presença cênica, voz afinada e manda bem diante do público, especialmente quando está cantando, mas acredito que sua escalação para o papel foi equivocada porque este precisaria ser feito por um ator mais velho e com maior bagagem interpretativa.
E apesar da obra contar com um viés político e trazer referências com a situação atual do Brasil, como a interferência das fake news em nossas vidas, eu achei que algumas piadas acrescentadas na montagem nacional são desnecessárias e ruins!
Outro problema do espetáculo é que o seu segundo ato é pior do que o primeiro, havendo uma queda no ritmo e na energia empregada pelos artistas em cena.
Em contrapartida, não há como não comentar a respeito das coreografias vistas; tudo obra de Bob Fosse, diretor da montagem original, coreógrafo, dançarino e criador de um estilo próprio de dança que se utiliza de acessórios como chapéus de coco, barras e cadeiras (chair dance). Eu amo Bob Fosse! Especialmente porque ele desenvolveu números sensuais, onde o destaque são as mãos das dançarinas, assim como outros para musicais, tais como “Cabaret”, “All that Jazz” e “Sweet Charity”.
Outro ponto positivo de “Pippin” é o clima circense construído para alegrar o show com acrobacias feitas pela trupe de atores que ajudam na contagem dessa história secular, além de seu figurino feito com peças coloridas e exemplares luxuosos para melhor identificar os personagens da corte e diferencia-los do restante da população. Aliás, o povo veste roupas modestas feitas com tecidos naturais como malha de algodão.
Quanto às interpretações, Totia Meireles tem total domínio cênico e voz potente para levantar as oscilações presentes e afastar as dispersões do público. Gostei também da vibe em cena da atriz Mira Haar, mas desta vez os meus olhos fixaram na direção da atriz e cantora Bel Lima. Ótima!
Ah! Eu quase ia me esquecendo de comentar. “Pippin” não é aquele tipo de musical com um final apoteótico e sim, um espetáculo que carrega uma mensagem forte e que nos faz refletir durante todo o tempo. Por esse motivo, o seu final não poderia ser o mesmo encontrado em outros espetáculos do gênero e nem é o imaginado previamente pela plateia e sim, algo fora da caixinha e é aí que recai a graça e beleza desta obra, além de suas músicas, é claro!
Ao todo, são 15 canções executadas ao vivo por uma banda posicionada ao fundo e no alto da caixa cênica. Elas foram traduzidas para o português e são: “Temos mágicas”, “Meu canto sob o sol”, “A ciência da guerra”, “Glória”, “A vida é uma só”, “Com você”, “Dádivas”, “Vem, amanhã’’, “Vai com calma”, “A mulher igual às outras”, “Extraordinário”, “Canção de amor” e “Eu vou sofrer”.
Para quem deseja conferir um musical com referencias aos anos 70 e que vem agradando gerações, eu indico “Pippin”.

Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: teatro FAAP, localizado na rua Alagoas, 903 – Higienópolis.
Quando: sexta, às 21; sábado, às 17h e 21h; e domingo, às 15h e 19h.
Temporada: até 18 de agosto de 2019.
Preço de ingressos populares: a partir de R$ 37,50 (meia) e R$ 75,00 (inteira)
Duração: 120 minutos

Foto: reprodução
 
AS TRAPACEIRAS
Nadou, nadou e morreu na praia! Bem isso! O filme “As Trapaceiras” faz uma tentativa de ser a comédia mais divertida dessas férias, especialmente porque é estrelada pelas atrizes Rebel Wilson (Penny) e Anne Hathaway (Josephine), mas não consegue arrancar risadas ininterruptas de seus espectadores e nem se transformar em assunto do momento. 
Sim. Ela é engraçadinha, mas não chega aos pés de “Os Safados”, película em que foi inspirada e que contava com os atores Steve Martin e Michael Caine como a dupla de trambiqueiros-mor.
É fato que nesta as duas protagonistas deitam e rolam em cima da homarada na intenção de aplicar golpes e extorquir o máximo de dinheiro deles, mas agem distintamente. Josephine, por exemplo, é sofisticada, puxa a ficha de suas vitimas antes de fincar seus caninos em suas jugulares, pois são velhos ricaços que vivem ou estão de férias pela Riviera Francesa. Ela costuma começar seus ataques fingindo ser uma donzela frágil e indefesa e quando eles menos esperam...nhac! Os devora, ou melhora, os depena, há, há, há...
Já Penny é a versão bagaceira da dupla, truqueira e que se utiliza de aplicativos de encontro e redes sociais para atrair os homens para encontros às cegas, tirar onda com eles e também o máximo de dinheiro possível com a alegação de que este será usado na cirurgia de sua irmã.
De comum, as duas têm o mesmo pensamento de achar que as mulheres são mais espertas que os homens e que os queridões subestimam a inteligência, o poder persuasivo e as verdadeiras intenções femininas.
Casualmente, as protagonistas se conhecem dentro de um trem e, em um primeiro momento, elas se unem para aplicar golpes nos marmanjos. Entretanto, uma aposta faz com que as duas se transformem em rivais; tudo porque a presa da vez é o jovem bilionário Thomas Westrburg (Alex Sharp) que está no local com o intuito de apresentar seu novo projeto, ou seja, o protótipo de um novo aplicativo a possíveis investidores.
E é aí que está a graça desta película porque as personagens fingem ser o que não são, forçando sotaques, inventando problemas de saúde, histórias da carochinha e principalmente, criando situações das mais inusitadas possíveis.
Confesso que achei que a atriz Rebel Wilson entrega uma interpretação exagerada e um pouco acima do necessário, além de permanecer em sua zona de conforto e insistir em piadas sobre seu biótipo e excesso de peso. Já Anne Hathaway surfa melhor pela onda cômica criada pela obra e faz um contraponto interessante aos excessos de Rebel Wilson.
O ponto positivo de “As Trapaceiras” é a sua fotografia, especialmente quando explora as belezas naturais da Riviera Francesa, assim como o seu figurino. Algumas peças vestidas por Anne Hathaway são de cair o queixo e as usadas por Rebel são boas sugestões para o dia-a-dia.  
Durante os dias de descanso a vontade de fazer programas despretensiosos é quase uma unanimidade, por isso “As Trapaceiras” é o filme ideal por não querer ser levado a sério. Apesar disso, ele poderia ter um desfecho melhor porque seu ponto final é ruim e não faz com que os espectadores torçam por outras aventuras da dupla de trapaceiras. 
Vale a pipoca.
Maria Oxigenada
Foto: reprodução  
  

      
       
 
 
OXIGENADA SEREIA
Gente, fiz m*! Confesso que as baixas temperaturas das últimas semanas influenciaram a minha decisão de aquecer meu visual e trocar minhas oxigenadas madeixas por uma tonalidade mais enrubescida.
É! Isso mesmo! Eu pintei meus cabelos de ruivo depois que vi algumas transformações bem sucedidas de celebridades na atualidade e após observar que as heroínas do momento estão ostentando cabelos avermelhados.
Tanto é verdade que o próximo clássico que irá ganhar versão live-action é “A Pequena Sereia" e a princesa Ariel tem que cor de cabelos? Vermelho. Isso sem contar na destemida Merida, de “Valente”, que encantou milhares de espectadores com seus cabelos de fogo bagunçados.
O tom que eu pintei não é tão chamativo como o das personagens citadas acima. Na verdade, ele está mais para a cor ostentada pela Anna, de “Frozen”, mas mesmo assim foi uma mudança radical para mim.
Eu levei um susto depois que me vi no espelho pela primeira vez e me arrependi imediatamente, mas não fiz nenhum comentário enquanto estava no salão e muito menos cortei a empolgação do cabelereiro que ficou horas trabalhando na minha transformação.
Outro que gostou da metamorfose foi o Fê. Depois que enviei uma foto minha, ele me ligou todo empolgado dizendo que estava adorando a possibilidade de ter uma nova mulher ao seu lado na cama e com visu maduro e menos praiano.
Já o Almôndega me reconheceu na hora! Quando eu cheguei em casa ele apenas deu uma cheiradinha nos meus sapatos para ter certeza dos odores  de sua dona e começou a abanar o rabo e fazer a festa de sempre.
A minha sorte é que eu optei por usar um tonalizante ao invés de tinturas convencionais já prevendo meu descontentamento com o resultado final. O tempo de duração desse tipo de produto é menor do que das tinturas tradicionais e a cor obtida dura cerca de 10 a 15 lavagens antes de desbotar por completo.
Os tonalizantes também são boas opções para quem deseja esconder os primeiros fios brancos, funcionando como maquiagem para as madeixas. Outra boa notícia é que eles são mais leves, menos abrasivos e por isso, estragam menos os fios. Alguns até ajudam a tratar os cabelos, dando mais brilho e maciez a eles.
O problema é que com as baixas temperaturas e o frio que anda fazendo por aqui está impossível de acelerar a retomada da cor original porque não ando lavando meus cabelos diariamente e sim a cada dois dias e muito menos tenho jacarezado por horas no ofurô da academia.
Eu também não sei o que a minha arte resultará, se meus cabelos ficarão manchados, se eu precisarei radicalizar na minha próxima ida ao cabelereiro e descolorir por completo os fios à la Monica Iozzi ou Marina Ruy Barbosa ou se apenas precisarei matizá-los, ou seja, aplicar algum produto para corrigir sua coloração, evitando tons alaranjados.
Desde que me tornei Valente, percebi outra mudança no meu dia-a-dia. Eu ando chamando menos atenção do que quando era loira. As viradas de cabeça, os assobios e os elogios na rua diminuíram gritantemente e minha autoestima despencou, há, há, há...
Independente de ser loira, ruiva, morena, ter cabelos compridos, curtos ou raspados, o que importa é que estejamos confortáveis conosco e orgulhosas de nossas imagens, né! 
Somente por uns dias, estou surfando pelas ondas ruivas, mas espero que Iemanjá traga-me de volta a suavidade das madeixas claras porque descobri que amo ser Oxigenada. 

Beijocas,        
Maria Oxigenada     
Foto: reprodução
 
CASAL IMPROVÁVEL
Confesso que eu passei várias vezes pelo cartaz do filme e o ignorei nas últimas semanas até que chegou o momento de dar aquela chance para uma comédia romântica, pois fazia muito tempo que não investia no gênero.
A primeira vista, achei que veria uma releitura da animação “Shrek” ou do filme “A princesa e o plebeu” porque a dupla de protagonista é formada pela atriz Charlize Theron (Charlotte Field) e pelo ator Seth Rogen (Fred Flarsky).
Os dois personagens se conhecem desde a infância, mas não se viam há muitos anos. Neste interim, ela se tornou Secretária do Estado americano e candidata a presidência da república e ele um jornalista investigativo que acaba de se demitir do veículo em que trabalha por não aceitar a nova gerência e a nova linha editorial.
O encontro do casal acontece em uma festa e de maneira despretensiosa. Ela é uma das convidadas principais do evento e ele vai ao local na companhia de seu melhor amigo Lance (O’Shea Jackson Jr) para desanuviar o péssimo dia que teve.
A partir daí é um pulo para que os dois comecem a trabalhar juntos, pois Charlotte contrata Fred para redigir seus discursos de campanha com a obrigação de inserir algumas piadas e referências da cultura pop neles para suavizar sua imagem perante a população.
A diversão da película está em acompanhar a aproximação do casal, o interesse de uma mulher “empoderada” por um homem comum, além de ver a inversão dos papéis e, é claro, os momentos de diversão dos dois, especialmente os que Fred apresenta algumas drogas para Charlotte.
E não se enganem, não! “Casal Improvável” é uma obra que também faz críticas a atual política americana, assim como aos crescentes movimentos de nacionalismo e supremacia branca existentes em pleno século XXI nos Estados Unidos, além de contar com piadas sujas, com diálogos ácidos e com cenas onde a protagonista chuta o balde para a opinião pública.
O grande acerto do diretor Jonathan Levine recai sobre a escolha do elenco, especialmente sobre o casal protagonista porque a dupla tem boa química em cena. Charlize Theron mais uma provou ser uma atriz multifacetada e conseguiu equilibrar bem o lado sério de sua personagem com o “bagaceira”. Já o ator Seth Rogen conhecido por atuar em outras comédias aproveitou a oportunidade para evidenciar o lado mais sensível e inteligente de sua personagem. 
É claro que o roteiro do filme apresenta alguns problemas e excessos como cenas de tombos em escadas ou atentados, mas o seu barato é que ele faz uma homenagem às comédias românticas dos anos 90 e é um programa leve de ser feito. 
Então, para quem quer desopilar seu dia, para quem deseja dar boas risadas e ver um filme divertido, eu indico “Casal Improvável”.

Maria Oxigenada
Foto: reprodução           



     

      
 
ACRO YOGA
Julho é mês de férias e período ideal para passear e se aventurar em atividades distintas. E mesmo quem não viaja durante o mês de folga tem condições de se divertir em São Paulo. 
O mais bacana de tudo é que boas academias da capital paulista montam uma programação diferenciada aos seus alunos durante o mês de julho com aulas especiais e outras que não fazem parte da grade oficial da unidade.
E é aí que eu entro, pois adoro variar meu treino, desafiar meu corpo e testar aulas que nunca fiz anteriormente. Ontem, eu experimentei uma aula de acro yoga e me encantei com a modalidade! 
Tanto a ioga quanto a dança são paixões antigas e eu não fico sem. Semanalmente, eu mesclo a prática de superioga com de swásthya ioga, mas já me aventurei por muitos anos pela vinyasa e pela hatha ioga e também já testei uma aula de kundalini.
Diferente das outras, a acro yoga é praticada em dupla e não solitariamente, pois as posturas são feitas em suspensão, ou seja, no ar. Para isso, um dos dois precisará trabalhar como a base para o outro, segurando-o e levantando-o em suas pernas e mãos. 
É claro que há similaridades com as aulas de circo e é aí que está a graça do acro yoga porque a primeira lição aprendida foi da necessidade de entrega e confiança no parceiro (a) para se jogar como deve ser na atividade.
O bacana é que os praticantes têm a possibilidade de intercalar suas funções durante a aula, sendo ora base, ora voador (a) e nesse momento você percebe o quanto seu corpo é trabalhado fisicamente e o quanto a atividade exige força, habilidade, flexibilidade e o quanto é necessário ter autocontrole, foco, determinação, além de respirar corretamente durante a prática. 
Eu iniciei a aula como voadora, tendo como minha base a Rafaela, colega de academia. Não demorou muito para que nós duas nos encaixássemos e começássemos a nos arriscar em algumas posturas.
Primeiro, eu literalmente voei e fiquei suspensa horizontalmente por ela pelos seus pés e mãos como se fosse um avião. Na sequencia, o professor nos ensinou a deixar a prática mais dinâmica, sugerindo que eu levantasse meu corpo e com isso, retirasse dois dos quatro apoios existentes. 
Confesso que deu medinho, mas ele estava ao lado servindo de anjo da guarda no caso da Rafaela se desequilibrar com minha movimentação e me lançar ao chão como manga podre, há, há, há... 
Na hora de invertermos as posições, veio uma menina que também estava fazendo a aula e pediu para ser a minha base. Aceitei e foi ai que os problemas começaram...
Ela era pequenina e ficou claro que ela não estava aguentando meu peso, pois teve dificuldades de me erguer com seus pés e estava tremendo igual à vara verde, me desestabilizando pouco a pouco. 
Não me acidentei nem nada, mas me arrependi de ter trocado de dupla porque ela me deixou com vários hematomas nas coxas de tanto que forçou nosso encaixe.
Nesta primeira experiência nós não passamos do primeiro nível, mas os professores nos demonstraram que é possível evoluir muito nas aulas de acro yoga e aprender a realizar giros, inversões e saltos. Uhu!
Alguns minutos de exercícios de alongamento e meditação finalizaram o encontro e vocês sabem que nesse instante eu fui tomada por um bem-estar enorme, apesar de estar bem cansada mental e fisicamente.
Depois disso, nós pedimos ao coordenador da unidade que ele inserisse a atividade na grade oficial da academia ou, pelo menos, que fizesse outras aulas especiais dela.
Eu gostei!
Maria Oxigenada           
Foto: reprodução
           
            
 
O REI LEÃO
O filme mais aguardado destas férias estreou no último final de semana em uma versão live-action. Isso sim é novidade, pois a história conhecida já foi contada através de animação e é baseada em “Hamlet”, de Shakespeare, ou seja, irmão que mata irmão para ficar com a coroa de rei. Já em “O Rei Leão” é leão que mata leão para ocupar seu lugar na pedra do reino.
Aliás, a pedra também se transforma em palco em ocasiões especiais, sendo a mais emblemática da película quando o macaco Rafiki (John Kani) levanta o filhote de leão Simba (Donald Glover) para toda a bicharada conhece-lo. A ferinha é filho do rei Mufasa (James Earl Jones) e da rainha Sarabi (Alfre Woodard).
Entretanto, a pedra também é o local onde Simba anuncia através de um potente rugido seu retorno para casa depois de anos de exílio voluntário e ela é o espaço da batalha final, onde o herdeiro do trono desafia o seu tio Scar (Chiwetel Ejiofor).
Diferente da história original, o longa metragem é ambientado nas savanas africanas e por isso ele conta com tonalidades quentes e uma diversidade de espécies animais e vegetais existentes no local. Vez ou outra, nós até pensamos que são imagens verídicas, tamanha a perfeição dos movimentos e gestos dos animais presentes na obra, mas na verdade tudo que é visto foi construído a partir da realidade virtual e em três dimensões.
E como todo bom drama, há aquele respiro cômico necessário para desanuviar as tensões presentes dentro do cinema. Em “O Rei Leão” isso chega aos espectadores através da presença do javali Pumba (Seth Rogen) e do suricato Timão (Billy Eichner) que é uma dupla de amigos que vivem seus dias sem grandes preocupações. 
Outro que chega para extrair algumas risadas do público é o pássaro Zazu (John Oliver) com seus relatórios matinais ao rei e sua vontade de proteger os filhotes em suas aventuras e artes pelas savanas.
Agora, o ponto alto do filme continua sendo suas músicas. Compostas por Hans Zimmer, a trilha sonora de “O Rei Leão” conta com canções conhecidas do público e criadas para a animação de 1994, tais como: “I just can’t wait to be king”, “The lion sleeps tonight”, “Can you feel the love tonight”, “Simba is alive”, “Reflections of Mufasa”, “Battle for pride rock”, “Never too late”, “He lives in you”, “Life is not fair” e, é claro, “Hakuna Matata”. Isso sem contar a nova “Spirit” com Beyoncé. Aliás, a cantora é quem dá voz a Nala, amiga de infância e namorada de Simba.
Já a presença dos atores Billy Eichner, Seth Rogen e James Earl Jones joga para cima a vibe do filme. O ator Chiwetel Ejiofor também faz bonito dublando  o vilão mor, mas a cantora Beyoncé não consegue manter-se na mesma frequência dos demais, destacando-se somente nas cenas em que ela canta sua canção.  
De negativo, este filme é menos lúdico e colorido do que a animação de 1994 e conta com 30 minutos a mais que a primeira versão da história. Confesso que eu também estranhei ver os animais falando, como se isso só fosse permitido aos desenhos e cartuns.
E diferente das outras vezes em que assisti “O Rei Leão”, seja no teatro ou no cinema, eu não me acabei em lágrimas, não! Tudo porque na cena crucial da película e que envolvia a morte do rei Mufasa, eu precisei sair da sala correndo porque o alarme de incêndio foi acionado, cortando o barato e a emoção de todos que estavam presentes. Passados alguns minutos, nós retomamos ao filme, mas sem a mesma expectativa de antes, pois a imersão no drama vivido por Simba tinha sido tolhida. Uma pena!
Apesar disso, a mensagem deixada pela obra é de reconhecer o ciclo da vida, a importância de todos os seres vivos, além de nos fazer refletir sobre perdas relevantes, sobre ambições, sobre o valor das amizades e do amor.
Eu indico.
Maria Oxigenada  
Foto: reprodução      
       

   
 
 
HEDDA GABLER
Vira e mexe, diretores e alunos de artes cênicas recorrem às obras de Henrik Ibsen para lembrar alguns assuntos que continuam incomodando em pleno século XXI ou sendo tabus como é o caso do suicídio. Já a reflexão feita com esta obra é outra e diz respeito ao papel feminino desempenhado na sociedade através da personagem Hedda Gabler (Mel Lisboa).
A protagonista da obra é uma mulher insatisfeita, manipuladora e que está presa as convenções de seu tempo, pois no final do século XIX as mulheres não trabalhavam fora, não eram “empoderadas” como hoje e precisavam se dedicar à casa, a criação dos filhos e a sua família.    
Próximo de completar 30 anos e sem receber herança alguma depois da morte do pai, Hedda aceita se casar com o acadêmico Jorgen Tesman (Dudu Pelizzari). Ele está longe de ser um homem atraente ou um intelectual brilhante, mas tem potencial para ocupar uma cadeira na universidade e proporcionar uma vida digna para ela, pois a protagonista está grávida de outro homem. 
A peça começa com o retorno do casal para terra firme, pois os dois passaram os últimos seis meses viajando e em lua de mel em alto mar. No entanto, o que era para ser um período feliz e alegre para o casal se tornou uma época tediosa, especialmente para Hedda porque Tesman aproveitou a viagem para pesquisar e escrever. 
Não tarda para que amigos e conhecidos do casal comecem a dar boas vindas e coloca-lo a par das novidades. Uma delas é que a vaga disponível na universidade precisará ser disputada com Ejlert Lovborg (Rafael Maia), escritor que acaba de lançar um novo livro em parceria com sua amante Thea Elvsted (Carol Carreiro), bem como escrever duas teses distintas.
A ironia é que Lovborg é um beberrão, frequentador assíduo do prostibulo da cidade e, é claro, antigo admirador de Hedda. Depois de uns goles a mais, ele perde a compostura e o rascunho de seu novo livro que vai parar nas mãos de Jorgen Tesman. É claro que as páginas escritas vão de encontro com Hedda que não pensa duas vezes antes de atirá-las na fogueira e começar a manipular quem está em seu entorno.
Paralelamente, Lovborg leva um tiro acidental dentro do bordel que frequenta e este é dado pelo revolver do pai de Hedda. Reconhecendo a propriedade da arma, o juiz Brack (Samuel de Assis) começa então a chantagear a protagonista para que ela se transforme em sua amante.
O que a autoridade não contava é com a “voadora” dada por Hedda e a reviravolta que isso proporciona em todos os personagens dessa história passada durante dois dias apenas. 
O ponto forte da peça é a presença de Mel Lisboa como protagonista. De inicio, a gente pensa que ela está muito canastra no papel, mas com o passar do tempo é possível acostumar com as caras e bocas feitas pela atriz e até admitir seus gestuais excessivos no seu final. Agora, eu gostei bastante foi da atuação do ator Dudu Pelizzari: tímida, contida e coerente com o perfil do acadêmico.        
No entanto, a peça apresenta diálogos de difícil digestão, que prejudicam o desenrolar da historia e que cansam o espectador. Outro ponto questionável é a cenografia da obra, pois ela está confusa e construída com peças já existentes no teatro como suas cortinas e outras improvisadas e feitas com caixas.  
Mas o maior mérito do espetáculo é que ele não teve patrocínio algum para ser montado e contou somente com os esforços e boa vontade dos integrantes da “A Não Companhia de Teatro” de levar aos palcos outra peça de Henrik Ibsen, além de “A Casa de Bonecas” que é uma das mais conhecidas do autor.    
Eu indico o programa.  
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: Espaço Parlapatões, localizado na praça Franklin Roosevelt, 158 - Centro.
Quando: sexta e sábado, às 21h; e domingo, às 20h.
Temporada: até 28 de julho de 2019.
Preço: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia).
Foto: reprodução  
 
MENSAGENS DE MOÇAMBIQUE
Eu estou ansiosa com o lançamento do live-action de “O Rei Leão” na próxima quinta-feira e já entrei no ritmo dos tambores e da canção chiclete “Hakuna Matata”. Tanto é verdade que fui conferir ao espetáculo “Mensagens de Moçambique” e consegui identificar similaridades entre as duas obras.
Ambas são ambientadas na África. As duas lançam um olhar para as heranças deixadas e sobre a soberania de um território, além de evidenciar as tensões surgidas a partir de mudanças de lideranças, assim como mostrar que a vida não se finda com a morte e sua continuação é feita em duas dimensões distintas: na material e na espiritual.
Neste momento, irei focar no espetáculo teatral que mistura dança, performance e dramaturgia. Protagonizado pelo ator/dançarino Jorge Ndlozy, “Mensagens de Moçambique” começa com o personagem evocando seus ancestrais através de danças típicas e de passagens históricas significativas do período pré-colonial.
Na sequencia, a obra ressalta a chegada, a ocupação e o domínio dos portugueses no local e tudo o que disso resultou, desde a imposição da língua portuguesa como língua mãe no lugar da macua, do tsonga e do sena, línguas nativas que eram definidas por linhagens étnicas e tribais. Isso sem contar com a exploração das riquezas naturais como o marfim obtido dos dentes de elefantes.
A terceira parte do espetáculo perpassa pelo período pós-colonial e depois de quatro séculos de domínio português, além de fazer um mergulho pelo país depois de uma guerra civil intensa que durou 15 anos. Não nos esqueçamos de todo o processo de redemocratização que o país tem passado como a realização das primeiras eleições multipartidárias e a manutenção de uma república presidenciável.
Hoje, a agricultura é a base de sua economia, mas o setor industrial especialmente aquele vinculado ao desenvolvimento de alimentos e bebidas, alumínio e petróleo estão crescendo por lá, assim como o turismo. 
É claro que as desigualdades sociais e econômicas é uma realidade em Moçambique, pois é um dos lugares mais pobres do mundo, segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas).
“Mensagens de Moçambique” conta com uma cenografia construída com a exploração de uma iluminação eficaz feita de tonalidades diferentes e com poucos objetos cênicos, somente painéis ao fundo, instrumentos musicais como tambores e uma lira, além de um figurino simplista montado a partir de peças feitas de papel alumínio, uma calça camuflada e um terno preto; tudo para dar mais mobilidade para o ator/dançarino e facilitar seus passos de dança em cena.
Não preciso nem dizer que Jorge Ndlozy conta com uma boa expressão corporal, especialmente enquanto realiza passos de street dance no palco ou quando se propõe a expressar seus pensamentos e sentimentos através de gestuais e mímicas. Entretanto, em algumas passagens do espetáculo ele misturou conhecidos passos de dança com outros que beiravam ao amadorismo, como giros feitos no chão.
A verdade, verdadeira é que eu estava esperando por um show semelhante ao feito pela personagem Alex Owens (Jennifer Beals) no filme “Flashdance” durante sua audição para a escola de dança e acabei me decepcionando com o que vi presencialmente.
“Mensagens de Moçambique” é um espetáculo interessante e sensorial, mas indicado para os habitués do teatro porque ele exige certo escopo cultural do espectador para conseguir acompanha-lo e compreender todas as suas nuances. 
Por ora, eu vou me agarrar à música “Spirit”, entoada por Beyoncè na animação todas as vezes que quiser invocar os deuses africanos e puxar na memória alguns costumes e comportamentos oriundos de nossos ancestrais para enriquecer ainda mais o meu caldo cultural.
Eu gostei!
Maria Oxigenada
Foto: reprodução
 
FRALDÃO
Que cinturão de couro, o quê! Eu me cerquei foi de plástico e com uma fralda geriátrica messs. E não tenho vergonha alguma de compartilhar com vocês meus dramas pessoais.
A verdade é que resolvi dar um tempo nos contraceptivos e já faz alguns meses que voltei a lidar com cólicas mensais e a montanha russa emocional que fico sujeita todas as vezes que estou prestes a menstruar.
Para amenizar os sintomas característicos e não ficar me entupindo de remédios, estou fazendo sessões de osteopatia. A prática é indicada para qualquer pessoa que queira entrar no prumo, pois trata o corpo como uma unidade.
O problema é que as primeiras estimulações locais e nos meus ovários fizeram com que meu ciclo encurtasse e por isso, eu estou menstruando a cada 20 dias. Meu fluxo nunca foi pouco ou fraco e um dos motivos de eu usar anticoncepcional sem interrupção era para segurar sua onda e amenizar os sintomas da TPM.
E após carimbar meus lençóis várias noites seguidas, eu resolvi apelar para a fralda do vovô para ter uma noite tranquila. Ledo engano! Primeiro porque precisei me despir de preconceitos para encarar o cinturão de plástico, depois eu fiquei encanada com o barulho feito todas as vezes em que me virava na cama e por fim, eu não gostei da sensação de liquido escorrendo pelo meu corpo durante toda a noite.
Resultado da experiência: tive uma noite mal dormida e estou ostentando olheiras de panda hoje, há, há, há. Honestamente, eu não limei por completo a opção, mas farei diferente da próxima vez. Vou prender a calça plástica em baixo de uma mega calcinha e adeus as inseguranças atuais.
Por esses dias, minha melhor amiga tem sido minha bolsa térmica de painço porque troquei a bolsa de água quente por outra recheada com a comida para passarinhos ou destinada a quem deseja desintoxicar o organismo e ter uma alimentação saudável. Ela mantém por muito mais tempo a temperatura aquecida, relaxando a musculatura local e amenizando as dores quando o bicho tá pegando de verdade nas partes baixas.
Com o aquecimento inferior há uma descamação mais rápida das paredes do útero e muitas vezes, blocos inteiros ou pequenas bolsas de sangue saem de uma única vez como se fosse placenta. Argh!
Depois que mamãe fez aquele retiro junto à natureza durante o feriado de Corpus Christi, ela veio com uma “cabeçagem” de que eu deveria realizar alguns ritos ancestrais, como plantar a lua para melhor me conectar com meu corpo e essência. Vocês já ouviram falar do assunto? Eu nunca até então, mas ele consiste em jogar parte do fluxo que está armazenado no coletor menstrual ou que foi recolhido durante o banho na terra com o intuito de ressignificar a menstruação, enxergando a terra como um útero gigante que germina, assim como nosso ventre. 
Menstruar em alguns lugares como a Índia continua sendo um tabu. Quem de vocês já assistiu ao documentário “Absorvendo o tabu” que foi ganhador do Oscar 2019 e que está disponível no Netflix? 
Tudo isso nos ajuda a compreender que menstruar é algo natural, biológico e que não devemos ter vergonha ou encará-lo como bicho de sete cabeças e muito menos, precisamos nos sentir culpadas pela nossa queda de desempenho ou atividades.
A única coisa que desejo é que meus dias sangrentos sejam mais leves que os atuais e se isso requer que eu use fraldas geriátricas para dormir, além de coletores no lugar de absorventes convencionais ou mesmo, tenha que passar o dia agarrada a minha bolsa de painço, eu não me importo! Assim como não me importo de fazer sessões de acupuntura, osteopatia ou massagens relaxantes; todas com o objetivo de reequilibrar minhas energias diante de desequilíbrios que me são apresentados a todo o momento.
Hoje, meu compromisso é respeitar meu organismo, construir uma realidade mais afetiva, viver mais leve e achar graça nas fases da lua e, vez ou outra, plantar novos comportamentos e atitudes. Por que não?
Pensem nisso.
Maria Oxigenada
Foto: reprodução
 
 
HOMEM ARANHA-LONGE DE CASA (COM SPOILERS)
O próprio nome já diz. O filme se passa fora do cenário conhecido e longe da escola de segundo grau de New Jersey onde Peter Parker e seus amigos estudam. Desta vez, a aventura foi ambientada na Europa, pois a galerinha do bem está de férias e passeando pelo Velho Continente.
A estratégia é para desopilar um pouco a rotina do teioso depois que ele se tornou um dos Vingadores, está cheio de responsabilidades e ainda sofre com o luto e a perda de seu mentor Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr).
O filme começa fazendo referências ao que aconteceu em “Os Vingadores: o Ultimato” e as confusões provocadas pelo retorno das pessoas a Terra depois da eliminação de Thanos (Josh Brolin) e a recuperação das joias do infinito pelos nossos heróis.
É claro que vocês irão acompanhar o amadurecimento do personagem principal, bem como o desenvolvimento dos seus sentimentos em relação à MJ (Zendaya) e o que tem passado na sua cabecinha de aranha.
A graça da película se dá com o protagonista vacilando diante de problemas surgidos ou vez ou outra fugindo do contato com outros heróis como Nick Fury (Samuel L. Jackson) que o procura após tomar ciência do ataque de parte dos Elementares, como o monstro da água.
Já a novidade da obra é a presença de um personagem chamado Quentin Beck/Mysterio (Jack Gyllenhaal). Figurinha conhecida das HQs desde a década de 60, ele faz a linha irmão mais velho do personagem titulo, mas na verdade é aquele amigo da onça que ninguém merece ter e que faz de tudo para atrapalhar as ações do Homem Aranha, manipulando a realidade através de truques ilusionistas criados a partir do uso de ferramentas tecnológicas.
Aliás, os efeitos especiais do filme são incríveis, especialmente aqueles em que tentam recriar as vertigens do personagem e a espiral emocional que o cabeça de aquário mergulha juntamente com o personagem titulo ao relembrar traumas do passado.
Outro fato interessante é o paralelo feito com a atualidade e a presença de fake news (notícias falsas ou boatos) divulgadas principalmente pelas redes sociais e que não tem nenhuma base na realidade, confundindo-nos frequentemente.
“Homem Aranha – Longe de Casa” é uma obra que também está inserida em uma névoa romântica e bem humorada, pois conta com cenas de romance teen e com boas tiradas cômicas. Mérito da participação dos atores Martin Starr e J.B. Smoove como os professores da turma, assim como as cenas que insinuam um relacionamento entre a tia May (Marisa Tomei) e Happy Hogan (Jon Favreau) ou aquela em que Peter Parker monta um novo traje para si, assumindo os trejeitos vistos anteriormente por Tony Stark.
O maior ganho da película é mesmo poder contar com o carisma do ator Tom Holland que traz um tom mais humano ao Aranha, assim como Jake Gyllenhaal que teve a oportunidade de transitar pelo papel, mas Zendaya está muito carrancuda na obra e poderia ter suavizado sua atuação com expressões mais empáticas.
Eu também achei o ritmo inicial do filme lento e com muitas pitadas saudosistas. Eu sei que elas são necessárias para costurar uma ligação entre o longa metragem e outros filmes do universo Marvel, mas achei um pouco excessivo!
Para quem for assistir ao filme durante o feriado, eu sugiro esperar as duas cenas pós-créditos existentes que são reveladoras, contam com presença de personagens sumidos e que dão gancho para as próximas aventuras do teioso ou de outros heróis do mesmo universo lúdico.
Eu gostei!
Maria Oxigenada  
Foto: reprodução
 
ALTA COSTURA PARIS
Com ou sem drama? Com drama, sempre! A teatralidade das passarelas de Paris foi construída com cenários que dialogavam com as propostas das artes cênicas, mas os figurinos vistos...nossa! Eles estavam carregados de referências e excesso de tecidos típicos de operetas e peças melodramáticas.
A simplicidade e o minimalismo foram deixados nas coxias e o que se viu sob os holofotes foi um entra e sai de tules, rendas, plissados, plumas, fendas profundas, blazers, capas, mangas bufantes, ombros arredondados, transparências, peplums e peças balonês.
Metros e metros de tecidos foram gastos para criar toda esta dramaticidade, mas não foi só isso, não! Makes e acessórios colaboraram para carregar ainda mais o climão dos desfiles.
A Dior, por exemplo, exagerou no olhar fatal de suas modelos, além de esconder seus rostos em baixo de véus. Outro destaque da marca foi colocar para jogo as pernas da mulherada com meias desenhadas e seus colos com pingentes dourados.
Já Schiaparelli apostou em maxi brincos, em colares fixos nos colos femininos, em correntes coladas nas unhas e, especialmente, em tapa seios estampados, pois a label não os escondeu. 
Em contrapartida, a marca Miu Miu pesou o caminhar feminino com o uso de sandálias e tênis plataformas usados em parceria com meias listradas. E Armani Privé com a presença de casacos longos e peças com poás de todos os tamanhos no intuito de diversificar a estampa geométrica.
Chanel não fugiu da proposta e também levou para as passarelas várias peças P&B, feitas de veludo como o smoking visto, assim como outras com botões frontais à mostra e a presença de sapatos Oxford, mas com o decorrer dos minutos ela foi suavizando sua participação no evento com a presença de looks feitos com um mix de estampas, o uso de tecidos no formato de pétalas e decotes estilo princesa.
Givenchy empenhou seus esforços em recriar o gênero artístico através de capas, casacos casulos, volumes nas barras de seus vestidos, no casamento de calças com caldas, no uso de botas transparentes, mas especialmente nas mangas statement.
Aliás, as mangas se tornaram pontos focais dos convidados na ocasião e marcas como Alexandre Vauthier, Alexi Mabille, Ralph e Russo, Ulyana Sergeenko e Iris Van Herpen também extrapolaram o volumo costumeiro dos ombros femininos. Destaque para o visu angelical construído pela marca Iris Van Herpen. Incrível!
Agora, não podemos ignorar as mangas feitas com armações, com sobreposição de tecidos, longas e amplas da marca Elie Saab. A label foi buscar inspirações na cultura japonesa para montar sua coleção que também contou com releituras de quimonos, com casacos com ombreiras, cintos dourados e, é claro, com muito vermelho. Quer cor mais dramática do que essa?  
Entretanto, a marca Giambattista Valli foi uma fofurice sem fim! Ela preferiu apresentar sua coleção discretamente e longe do burburinho tradicional da  semana de moda francesa, mesmo assim estava na mesma frequência do evento oficial e abusou dos volumes através de peças feitas com mil folhas de tule, laços enormes posicionados nas costas, silhuetas imitando o formato de flores, drapeados e punhos fofuchos.
Delicadeza também fez parte do desfile de Ralf & Russo, pois a marca apresentou várias propostas para as futuras noivas, especialmente o uso de tiaras de pérolas, de flores na cabeça ou colares de diferentes tamanhos usados conjuntamente. Além disso, ela soube como dar um up nos vestidos através de bordados que escorriam e tomavam conta do colo feminino.      
Se a intenção é “causar” quando as temperaturas caírem neste e no próximo inverno, então a minha sugestão é seguir à risca o script desenvolvido durante o desfile da Valentino com chapéus exóticos, toucas chullu, vestidos de tafetás, mantôs com patchwork florais. Destaque para as toucas que molduraram os  rostos das modelos. Diferentonas!   
Pelo visto, a discrição passou bem longe das passarelas francesas, então que tal pegar uma ideia aqui e outra ali e ousar durante este inverno!
Beijos,
Maria Oxigenada  
Fotos: reproduções
                     


CONSTRUÇÕES E GEOMETRIAS
Caminhando para o polo oposto da exposição “Bjork Digital”, a exposição “Construções e Geometrias”, em cartaz no MuBE (Museu Brasileiro de Escultura), é um exemplar de como a arte também pode ser concreta e tangível.
As obras que ali estão utilizam-se de diferentes materiais, tais como: madeira, gesso, lâmpadas, fios, azulejos, vidros, fios de lã, além de areia de fundição e tintas no intuito de construir desenhos geométricos, produtos com formas imperfeitas, com contornos irregulares e que não respeitam os limites impostos ou que criam uma esfera tridimensional. 
A narrativa construída no local conta com obras de 55 artistas distintos, tais como: Adriana Varejão, Cildo Meireles, Nuno Ramos, Vik Muniz, Waltercio Caldas, Amalia Giacomini, Amilcar de Castro, Antonio Lizarraga, Arthur Luiz Piza, Arthur Lescher, Caetano Almeida, Carla Chaim, Carlos Garaicoa, Carlos Fajardo, Carmela Gross, Cassio Michalany, Cintia Marcelle, Debora Bolsoni, Dudi Maia Rosa, Edgar de Souza, Eduardo Sued, Eliane Prolik, Ernesto Neto, Ester Grinspum, Fabio Miguez, Fernando Gomes, Flávia Ribeiro, Guilherme Peters, Iole de Freitas, Iran do Espírito Santo, José Damasceno, Laura Vinci, Gisela Motta e Leandro Lima, Lúcia Kock, Lydia Okumura, Marcelo Cidade, Marcelo Moscheta, Marcia Pastore, Marcius Galan, Marcus Vinícius, Marepe, Nelson Leirner, Paulo Monteiro, Paulo Pasto, Pedro Cabrita Reis, Raul Mourão, Rodrigo Andrade, Rodrigo Bivar, Rodrigo Matheus, Sandra Gamarra, Sergio Sister, Sérvulo Esmeraldo, Tatiana Trouvé, Vanderlei Lopes; todas do acervo pessoal de Dulce e João Carlos de Figueiredo Ferraz.
Destaque para a obra “Zero Hidrográfico”, de Gisela Motta e Leandro Lima, feita com lâmpadas fluorescente que simulam as oscilações naturais de um colchão de água.
Outra interessante é a obra “Shackleton”, de Nuno Ramos, construída de duas partes diferentes, uma de madeira e outra com areia de fundição numa referencia direta as expedições feitas à Antártida pelo explorador britânico Ernest Henry Shackleton.
A escultura branca de gesso da artista Marcia Pastore também não passa despercebida pelo seu tamanho e formato, assim como a mesa alongada curvilínea de madeira de Edgard de Souza ou ainda, a rede feita com facas e persianas de Eliane Prolik.
“Construções e Geometrias” é indicada para quem curte design e diferentes formas de utilização de materiais. 

Beijão, 
Maria Oxigenada


Serviço:
Onde: MuBE, localizado na rua Alemanha, 221.
Quando: terça a domingo, das 10h às 18h.
Temporada: até 18 de agosto de 2019.
Preço: Grátis. 
Foto: reprodução      
 
BJORK DIGITAL
Taí uma aventura diferente de qualquer outra que embarquei recentemente! A exposição “Bjork Digital” não conta com fotos do início da carreira da artista, nem com capas de seus LP’s ou imagens de seus primeiros shows feitos na Islândia, mas sim com uma narrativa construída visualmente e utilizando a tecnologia a seu favor.
Tanto isso é verdade que os dois andares do Museu de Imagem e do Som (MIS) que abrigam a exposição estão ocupados por salas praticamente vazias e recheadas apenas por banquetas, fones de ouvido e óculos RV (realidade virtual) disponíveis aos visitantes.
A largada é dada em grupos formados por 20 pessoas e depois que vocês se sentam na banqueta, posicionam os fones nos ouvidos e os óculos no rosto. Daí em diante é um mergulho pelas seis faixas de “Vulnicura”, nono álbum de estúdio da artista e que foi lançado em 2015. Através das músicas é possível observar as dores e fissuras surgidas nela após o final de seu casamento com o artista plástico Matthew Barney com quem ficou casada por 13 anos e teve uma filha.
O fundo do poço atingido por Bjork virou arte, onde o visitante entra em contato com um mosaico de estímulos, desde imagens do país de origem da cantora ou através de uma aventura por sua boca até o contato com letras melancólicas que estão acompanhadas de bases orquestrais, arranjos de cordas e batidas eletrônicas.
O interessante é que a tecnologia ajuda na criação de um campo de visão expandido e na aproximação do luto vivido pela artista, assim como na sua maneira de expressar as dificuldades com a criação de seus filhos. Fiquem tranquilos porque a experiência não é para cortar os pulsos, não!
Ao contrário! Ela é uma aventura repleta de cores e interativa, pois no segundo andar do museu é possível explorar as músicas do álbum “Biophilia” através de aplicativos, além de entrar em contato com outros elementos explorados na sua trajetória profissional como a força da natureza, a beleza da vida e, é claro, a capacidade do ser humano de renascer das cinzas como uma fênix. 
O mergulho pelo universo da artista tem duração de 80 minutos, entretanto a passagem do tempo não é percebida por quem ali está envolvido no universo criativo de Bjork. A única ressalva recai aos portadores de labirintites e vertigens que talvez precisem sair antecipadamente da imersão proposta pela artista, pois alguns videoclipes podem provocar tonturas ou náuseas pelas imagens rodopiantes vistas. Nesse caso, os monitores do museu estão à disposição para socorrê-los.
Ah! Não é permitido fotografar ou filmar a exposição. Isso nem seria possível porque não há nada de concreto exposto no local. Se vocês quiserem sair do MIS com uma lembrança da cantora, então a única solução é clicar uma foto de Bjork encontrada na entrada do local.
Para quem deseja conhecer o sensível trabalho da multiartista que continua na vanguarda do mercado, para aqueles que nunca viram uma exposição inteiramente virtual, eu indico o passeio.
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: MIS, localizado na Avenida Europa,158.
Quando: Terça a sábado, das 10h às 20h. Domingo e feriado, das 10h às 19h.
Temporada: até 18 de agosto de 2019.
Preço: R$ 15,00 (meia) e R$ 30,00 (inteira). Grátis na terça-feira.            
Fotos: reproduções


DOR E GLÓRIA
Será que o filme “Dor e Glória” é o ponto final na trajetória profissional de Pedro Almodóvar? Acredito que seja o ponto e vírgula que estava faltando para ele tomar fôlego e produzir por mais alguns anos, apesar de seus 70 anos.
A película é baseada nas memórias afetivas do diretor espanhol, mas não as lembranças tingidas de cores fortes, nítidas e que são sua marca registrada, mas sim aquelas sutis, pequenas e escondidas em cantos empoeirados da mente, que costumam ser pouco revisitadas e que só veem à tona com a passagem do tempo.
Um exemplo dado na obra é o cheiro de urina e jasmim sentido no entorno do cinema frequentado na infância ou o pão recheado de chocolate oferecido pela sua mãe como lanche da tarde ou ainda, os banhos de sol tomados em casa e através das grades de segurança.
Nesta película, o peso da melancolia é o mais sentido porque o personagem principal Salvador Mallo (Antônio Bandeiras) sofre com dores físicas constantes, especialmente na coluna, impossibilitando-o de produzir e dirigir longas metragens.
Salvador é um diretor de cinema renomado, assim como Almodóvar e está com bloqueio criativo e imerso em crises existenciais. Entretanto, o convite para rever o filme “Sabor” rodado 32 anos antes, além da participação em uma conversa com fãs sobre a película pós sua exibição põe o dedo em algumas de suas feridas mais profundas como a briga entre ele e o protagonista da obra Alberto Crespo (Asier Etxeandia).
O reencontro dos dois é inevitável, servindo não só para a lavagem de roupa suja acumulada por anos como também para o desenvolvimento de um novo projeto em conjunto. Acreditem se quiser!
Aliás, este não é o único reencontro significativo para Salvador. Ele também fica diante de Federico (Leonardo Sbaraglia), seu amor do passado e que após mais de uma década sem vê-lo tem a oportunidade de conversar, colocar os pingos nos is e se perdoarem mutuamente.
O interessante da obra é que ela faz um paralelo entre o amor maduro e o amor precoce do personagem principal, através da descoberta de sua sexualidade e das lembranças dos primeiros desejos sentidos por um pintor e aluno. 
O terceiro reencontro visto na telona é com sua própria historia pessoal, especialmente com as lembranças de sua mãe Jacinta, interpretada na obra pela atriz Penélope Cruz, bem como os primeiros anos passados em um colégio para padres e da descoberta de seu amor pelas artes.
É claro que todas essas paixões e reencontros foram capazes de reacender a criatividade do diretor, incentivando-o a escrever e voltar a rodar suas historias, além de buscar ajuda médica para apaziguar as dores físicas sentidas.
Destaque para a interpretação do ator Antônio Bandeiras que construiu seu personagem com gestuais contidos, olhares distantes, poucas palavras, com nuances deprê e muito humano. Acredito que esse feitio de camadas extras seja porque ele conhece Almodóvar mais do que qualquer outro ator, pois participou de vários de seus filmes.
A verdade é que com “Dor e Glória” Pedro Almodóvar passou a limpo sua própria historia com coragem e delicadeza. Se ele está zerado e pronto para colocar ponto final em sua trajetória profissional, isso é outra história, né! Acho que ele próprio não tem essa ciência porque deixou um final aberto e feito com reticências para que os espectadores tirem suas próprias conclusões.
Para quem deseja embarcar em uma aventura emotiva, voltada ao passado e que caminha com naturalidade pela maturidade do diretor espanhol, eu indico o filme.
Maria Oxigenada 
   
Foto: reprodução
 
OUNJE - ALIMENTO DOS ORIXÁS
A culinária dos terreiros das religiões afrodescendentes, em especial a cultural do candomblé, é o eixo da mostra “Ounje – Alimento dos Orixás”. Logo de cara, quem ali está visitando o local entra em contato com um conjunto de obras que vai desde um galpão cozinha que compõe o terreiro artístico até instalações espalhadas pelo pátio. 
Os curadores do evento tiveram o cuidado de construir uma programação paralela com atividades feitas em conjunto com os artistas, cozinheiros, atores, músicos e dançarinos no intuito de realizar trocas sobre a temática da mostra e aprofundar os conhecimentos dos visitantes sobre o assunto.
Flanando pelo local, é possível ainda tomar ciência sobre quais são os pratos ofertados para Exú, Ogum, Oxóssi, Logum Edé, Ossaim, Xangô, Oyá/Iansã, Oxum, Obá, Omolu/Obaluaiê, Nanã, Oxumarê, Ewá/Euá, Oxalá e Iemanjá, assim como quais as cores, cânticos, saudações, danças, mitos e outros símbolos que os representam.
As comidas representativas da rainha do mar, por exemplo, são: peixe cozido com pirão, manjar, canjica e acaçá (creme de arroz feito com leite de coco). Já Oxum come doce de banana e ovos cozidos, ipeté (purê de inhame com azeite de dendê, camarões secos, pimenta e sal), omolocum (feijão fradinho cozido e refogado com cebola, pó de camarão defumado, sal e azeite de dendê). 
Enquanto isso, os pratos que agradam Oxalá são: milho branco, acaçá branco, clara de ovo e arroz. E as comidas associadas a Ogum são: feijoada, vatapá, inhame com feijão preto e farofa de carne de frango desfiada. Oxóssi, por exemplo, é chegado em um axoxô (feijão fradinho com carne seca, cebola, pimenta do reino, cheiro verde, tomate e pimentão), frutas, espiga de milho cozido e pamonha. 
E Ossaim se contenta mesmo é com feijão preto, acaçá, farofa e mel. Já Iansã com acarajé, feijão fradinho e rodelas de inhame refogado no dendê e Nanã com acaçá, arroz, mungunzá (doce feito com milho, leite de coco, açúcar, canela em pó, cravos da índia) e sarapatel (ensopado feito com tripas e vísceras de animais como porco ou cabrito, sangue, toucinho, hortelã e pimenta de cheiro).
O interessante é que cada prato de santo é feito a partir de cortes diferentes dos alimentos e há proibições de ingredientes ou pratos a Orixás específicos. O azeite de dendê, por exemplo, não pode ser oferecido a Oxalá.   
Uma coisa é fato: não podemos negar que muito de nossa cultura gastronômica foi construída da miscigenação culinária de povos distintos, além da mistura de técnicas diante do fogão, resultando em delícias que continuam marcando presença não somente em terreiros, mas também em nossas mesas e na de restaurantes de todo o país. 
Para quem curte embarcar em uma aventura sensorial que navega pela tradição, ancestralidade, bem como pelas memórias e saberes de vários povos, especialmente os africanos, o passeio pela mostra “Ounje - Alimentos dos Orixás” é um prato cheio para ser degustado!   
Serviço:
Onde: Sesc Ipiranga, localizado na rua Bom Pastor, 822.
Visitação: terça a sexta, das 9h às 21h30; sábado, das10h às 21h30; e domingo e feriado, das 10h às 18h30.
Temporada: até 25 de agosto de 2019.
Preço: Grátis.  
Foto: reprodução
 
MERLIN E ARTHUR-UM SONHO DE LIBERDADE
Quem não gostaria de ter uma bola de cristal para consultar diante de problemas governamentais e dúvidas amorosas? O rei Arthur (Paulinho Moska/Rodrigo Salvadoretti) não tem o objeto mágico em mãos, mas o monarca possui bons ouvidos para escutar as premonições e os conselhos dados por Merlin (Vera Holtz), misto de feiticeiro e sacerdote.  
Se vocês acham que pertencer à realeza é moleza, estão redondamente enganados! Na verdade é punk! Primeiro você precisa conquistar a confiança de seu povo, depois precisa ter coragem de participar de batalhas sangrentas, além de desviar-se de intrigas, do mal olhado de inimigos, assim como ignorar paixões e compreender os mais distintos sentimentos existentes nos seres humanos. 
Ainda bem que o rei Arthur pode contar com a amizade e lealdade de seu fiel escudeiro Lancelot (Gustavo Machado/Saulo Segreto) e com o amor de sua esposa Guinevere (Larissa Bracher/Natália Glanz) para manter a ordem na cidade de Camelot, a harmonia da população e a sensatez do seu reinado. 
O problema é que os dois tem um passado juntos e que é de total desconhecimento do rei, mas de ciência de Dreadmor (Patrick Amstalden), seu conselheiro e de Anamorg (Kacau Gomes), ama da rainha. Os vilões passam o tempo todo armando para que a paixão da dupla volte à tona e o rei perca completamente sua compostura diante de todos, assim como sua coroa.  
Vocês já entenderam quais são as intenções do musical “Merlin e Arthur, um Sonho de Liberdade”, né? A obra tem a missão de discutir o amor, a amizade e a busca pela liberdade, através de uma narrativa ambientada na era medieval, mas que conversa com os acontecimentos de hoje e faz algumas previsões sobre o futuro.
Para ajudar nessa costura das esferas temporais vistas em cena o uso de linguagens distintas e empregadas tanto no cinema quanto no teatro e no design, além de 25 canções do cantor e compositor Raul Seixas. Dentre elas estão: “Maluco Beleza”, “Mosca na Sopa”, “A Maçã”, “Metamorfose Ambulante”, “Gita”, etc.  
Já os efeitos visuais, a cenografia e a plasticidade da peça são de responsabilidade de um trio de profissionais formado por Camila Schimidt, Anna Turra e Roger Velloso. A riqueza visual do espetáculo é um de seus pontos altos, especialmente porque possibilita que a atriz Vera Holtz participe de todas as sessões através de imagens holográfica que são projetadas e  interagem com os demais personagens no palco. 
Retomando o enredo do musical, o interessante é que ele também aborda a formação da Távola Redonda, ou seja, a criação de um conselho administrativo real, onde todos os seus membros ou cavalheiros pertencentes possuíam o mesmo grau de importância e igualdade de voto numa referencia direta a equidade buscada em pleno século XXI.
Destaco o discurso empoderado feito por Paulinho Moska no final do primeiro ato e que foi seguido pela execução da música “Sociedade Alternativa” e a participação de todos os atores sob os holofotes. 
Outra coisa que não passou despercebida ao meu olhar foi à atuação do ator Patrick Amstalden que, por sinal, está ótimo no papel de Dreadmor! Ele já tinha chamado a minha atenção durante o musical “Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812” e agora voltou a se destacar no grupo de profissionais presentes.
Gostei muito do dueto feito pelas atrizes/cantoras Larissa Bracher e Natália Glanz pela sensibilidade e delicadeza com que as duas construíram o numero musical apresentado. E especialmente da presença de Vera Holtz como o fantasminha camarada Merlin. Impagável a cara de deboche da atriz nas cenas de agradecimento no final do espetáculo.        
Entretanto, eu achei que o musical poderia ser reduzido alguns minutos e não ultrapassar aos 90 minutos para ganhar mais dinamismo e evitar o surgimento de barrigas no meio da narrativa. Além disso, o show poderia ser encerrado com um número mais alto astral e que catapultasse a plateia das cadeiras,  cantando conjuntamente com a banda. 
Mas para quem busca por aventuras poéticas, sensíveis, que encham os olhos e nos façam sonhar acordadas, eu indico “Merlin e Arthur – um Sonho de Liberdade”.     
Eu gostei!
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: teatro Shopping Frei Caneca, localizado na rua Frei Caneca, 569.
Quando: sexta, às 20h; sábado, às 16h e 20h; domingo, às 19h.
Temporada: até 18 de agosto de 2019.
Preço: a partir de R$ 50,00.
Duração: 2h30 com intervalo de 15 minutos.
Foto: reprodução
 
TOY STORY 4
Nã nã ni nã, não! Pode até parecer uma comemoração de 10 anos de formatura de faculdade, mas a verdade é que a reunião entre amigos aconteceu novamente depois de quase uma década e foi na telona e diante do público.
Apesar da lacuna, o tempo foi generoso com a galera e o que se pode perceber é que não houve acumulo de quilos extras, surgimento de linhas de expressão ou doenças crônicas no xerife Woody, Buzz Lightyer, Betty e suas ovelhas, Jessie, Slinky, Hamm, Dolly, Espeto, Sr. e Sra. Cabeça de Batata, Rex, entre outros personagens. Ao contrário! Alguns deles como a Betty até ganharam uma camada extra de brilho em sua pele de porcelana.
Agora, a turminha da pesada pertence a uma garotinha chamada Bonnie (Madeleine McGraw), pois Andy (John Morris) já está adulto e na faculdade e doou seus brinquedos para ela. Aliás, eles continuam com o mesmo proposito de vida: o de cuidar e alegrar o cotidiano da criança.
Tanto é verdade que Woody (Tom Hanks) a acompanha em seu primeiro dia de aula no jardim da infância e observa a criação de seu novo brinquedo, pois Bonnie constrói o Garfinho a partir de materiais reciclados, sobras de barbante e massinha de modelar. 
E está justamente na simplicidade estética e comportamental de Garfinho que reside a maior graça do quarto filme da franquia, pois o novo personagem não se sente um brinquedo de verdade e sim, lixo. Seu desejo é ser acolhido e estar em contato com sobras de materiais desprezados pelos humanos, há, há, há...
A loucura do Garfinho é tanta que ele foge para bem longe de Bonnie e dos demais brinquedos e cabe ao xerife Woody resgatá-lo, mostrando para o talher de plástico sua finalidade, bem como ensinando o valor da amizade.
O problema é que sempre há um vilão na historia e nesta animação ele responde pelo nome de Gaby Gaby (Christina Hendricks), boneca criada na década de 50, mas que saiu defeituosa da fábrica e foi parar em um antiquário. 
Gaby Gaby faz a cabeça de Garfinho e o esconde no local porque, na verdade, ela está de olho em algo que Woody carrega consigo. Para enfrentar a boneca, o cowboy precisa da ajuda de Buzz, da dupla formada pelos lunáticos Duck (Michael Keegan) e Bunny (Jordan Peele), do dublê Duke Caboom (Keanu Reeves) e da pastora Betty.
Aliás, Betty ressurge repaginada esteticamente, independente, um verdadeiro exemplar de Girl Power. O interessante da obra é que cabe a ela liderar a aventura, assumindo o protagonista em vários momentos do filme no lugar  Woody. Aí sim!
Ah! Eu quase ia me esquecendo, o interesse amoroso de Woody por Betty volta com força total depois que eles se reencontram e o romance entre os dois personagens finalmente engata antes de nós vermos o ponto final desta aventura que se iniciou em 1996 com o primeiro filme.
A mensagem deixada por “Toy Story 4” é do real valor da amizade, assim como da importância de sermos leais e honesto com quem nos cerca, bem como da necessidade de enfrentarmos nossos medos e descobrimos novos objetivos de vida conforme ela vai se modificando com o passar dos anos.
O filme continua dinâmico e comovente como os anteriores e indicado não somente para crianças e adolescentes como também para adultos. Entretanto, achei que os roteiristas pecaram ao criar uma atmosfera nostálgica para “Toy Story 4”, onde as crianças retratadas brincam somente com brinquedos feitos de espuma, porcelana, corda ou plástico e não têm contato algum com outras formas de diversão virtual, como jogos, aplicativos e filmes tão presentes na vida dos pequenos do século XXI.
Para quem deseja ver o ponto final da franquia, se despedir dos personagens que tanto nos encantaram ao longo de décadas e para aqueles que querem embarcar em uma montanha russa emocional, eu indico a ida ao cinema.
Confesso que ri, chorei, mas me diverti horrores com a aventura!
Maria Oxigenada   
Foto: reprodução     
       
  
 
NAMÔ
Há, há, há, eu estou arrumando as minhas malas para viajar e comemorar o Dia dos Namorados atrasado. Eu e o Fê iremos para Lima, no Peru, e ficaremos por lá durante uma semana.
Acho que teremos tempo suficiente para turistar pela cidade, conhecer um pouco da história Inca através de visitas a museus, especialmente o Lacoir e as ruínas e sítios arqueológicos existentes na região (Huaca Pucllana e Pachacama), além de experimentar as delicias locais através da sua gastronomia, pois ela é conhecida por ser uma das mais saborosas da América Latina.
É claro que eu irei cair de boca em ceviches, batatas de tudo quanto é tipo, milhos coloridos, grelhados e servidos com creme azedo por cima e pisco sour (drinque tradicional feito com pisco, limão, gotas de angostura, açúcar, cubos de gelo e clara de ovo), mas a minha intenção é aprofundar meu conhecimento culinário e fazer um visita técnica ao restaurante “Astryd & Gaston”, casal responsável por divulgar a cultura gastronômica local e desenvolver projetos sociais interessantíssimos e bem parecidos com os feitos pela Gastromotiva no Brasil.  
Como não sou boba, nem nada já fiz reserva no restaurante da dupla porque sei que a concorrência é grande e sei o que iremos degustar na ocasião porque perguntei antecipadamente como foi construído o menu degustação para esta estação.
Para vocês terem ideia da diversidade de pratos e sabores, eles abrem a refeição servindo uma cesta com pães diferentes como o de beterraba com maçã e pêssego, depois iniciam os trabalhos com um prato com lagosta na emulsão de limão e feijões e continuam surfando pela maresia com outro prato feito com corvina. Na sequencia, eles contrastam sabores, fixando-os em terra firme através da oferta de ancho com molho de cogumelos e arroz e termina o encontro à mesa com duas sobremesas diferentes: uma feita de figo e outra com cacau e nibs. Aí sim, eu vi vantagem!
 Outro local que eu gostaria de conhecer é o restaurante “Central”, do chef Virgilio Martinez e Pia Leon, considerado um dos melhores da América Latina segundo o Guia Michelin, mas a aventura que estou querendo embarcar logo de cara é mesmo a feita em uma van de turismo gourmet. Acho que será no mínimo curiosa essa experiência, né!
As negociações com o Fê já começaram, pois caso contrário a balança penderá para o meu lado. Ele me confidenciou que gostaria de separar um dia para surfar no oceano Pacífico. Não quero jogar areia em seus planos, mas acho que ele não conseguirá, não! No máximo, irá praticar um stand-up porque pelas pesquisas feitas, as ondas são pequenas por lá, quase marolinhas.
O meu gato é tão sem frescura e simples que ele comentou que além de molhar a buzanfa na água fria do Pacífico também deseja fazer alguns passeios ao ar livre e em parques e mercados para sentir os aromas da cidade e experimentar frutas exóticas. Olha só isso, gente!
E sabe o que é mais curioso? Por lá, os patinetes elétricos continuam rodando e servindo como transporte alternativo. As perguntas que me vêm à mente são: Será que eles respeitam as leis de transito e os pedestres? Será que eles possuem ciclovias? Será que trafegam nas calçadas como aqui? E será que por lá há a obrigatoriedade de usar capacetes e outros acessórios de proteção que estão começando a serem exigidos no Brasil? Veremos...
O que foi determinante para nós escolhermos o país para comemorarmos a data especial foi: suas cores, cultura e costumes que são típicas de países ensolarados, voltados para o externo e onde a oralidade se faz presente até hoje. 
Sinceramente, não sei se os moradores irão compreender o nosso espanhol  porque nenhum de nós dois fala fluentemente o idioma, mas ainda bem que sempre há o inglês, as mímicas para nos salvar e as ferramentas tecnológicas e aplicativos para nos ajudar no deslocamento local.
E falando em comunicação, a gente ficará uns dias sem interação e contato porque não postarei nenhum texto na próxima semana. A intenção é desconectar e curtir, mas na segunda-feira, dia 24 de junho, retomo as postagens para oxigenar o final do mês de todxs vocês.
Beijos,
Maria Oxigenada
Foto: reprodução do "Parque del amor"
 
TOLKIEN
Eu sempre fico me perguntando o que passa pela mente de grandes escritores e roteiristas, onde eles buscam inspirações para suas histórias e aventuras ou como eles se tornaram pessoas criativas?
As respostas costumam divergir de um para outro e surpreender, mas normalmente foram crianças muito estimuladas na infância ou passaram por episódios traumáticos e precisaram recorrer à escrita para expurgar os próprios medos, demônios ou para desatar nós emocionais.
O escritor John Ronald Tolkien não foge a regra. Sua vida foi marcada por tragédias. Para inicio de conversa ele precisou deixar sua casa e a vida pacata que tinha no campo para se mudar para a cidade em busca de melhores oportunidades para a família. 
Ainda muito jovem virou órfão de pai e de mãe e juntamente com seu irmão caçula foi adotado por uma aristocrata inglesa chamada Mrs. Falkner (Pam Ferris), tendo o padre de sua comunidade como seu tutor e conselheiro.
O mundo de fantasias sempre esteve presente na vida da dupla, pois a matriarca da família Mael Tolkien (Laura Donnelly) antes de falecer lia diariamente para os dois, além de incentiva-los a desenhar, escrever, brincar ao ar livre, imaginar cenas e situações lúdicas.
E foi dessa maneira que Tolkien começou a criar idiomas inteiros e sonhar com lugares distantes, como a Terra Média, nome dado ao território antigo que foi dividido em varias Eras e que está presente em obras como “O Hobbit” e “O Senhor dos Anéis”. Tá bom pra vocês?
Mas o caminho percorrido pelo personagem até se transformar em um escritor e professor da Universidade de Oxford (U.K.) foi longo e repleto de pedras e buracos. Uma das maiores que ele precisou ultrapassar foi a Primeira Guerra Mundial, pois foi convocado para servir nas trincheiras juntamente com seus melhores amigos: Robert Gilson, Geoffrey Smith e Christopher Wiseman.
E ainda teve o plus do protagonista ficar doente no local e sofrer com devaneios proporcionados pela febre das trincheiras, pela perda numerosa de conhecidos e com as saudades de seu grande amor Edith Bratt (Lilly Collins).
Aliás, Edith foi outra pessoa que sempre o motivou a escrever, desde a época em que os dois dividiam a mesma casa, ou melhor, mansão porque ela também era órfã, também foi adotada pela ricaça, servindo como dama de companhia para a senhora.
Ah! Eu quase ia me esquecendo de comentar com vocês que na adolescência John fundou com seus amigos um clube de leituras com cheirinho de irmandade. Os encontros da galera aconteciam em casas de chá, onde eles liam sua produções pessoais, como poemas, contos, crônicas e artigos escritos na semana, além de ouvir opiniões e sugestões de como melhorá-los.
Quando adolescente, o personagem principal é interpretado pelo ator Harry Gilby com sensibilidade, entrega e vigor físico. Já na fase seguinte e em sua juventude, ele é encarnado pelo ator Nicholas Hoult que acrescenta camadas de sofrimento, resiliência e criatividade a ele.
A obra conta com um ritmo compatível com a época retratada. Apesar disso, o filme não dá sono e está longe de ser cansativo porque tem uma historia interessante de superação, com cenas de flashback e outras de delírio do personagem titulo que são puro deleite aos que curtem viajar por cenários fantasiosos.
Destaque para as cenas rodadas nas trincheiras de guerra e que são povoadas de imagens fantasmagóricas, bem ao estilo das vistas no filme “Macabeth: Ambição e Guerra”, de 2015.
Confesso que depois que eu assisti ao filme fiquei com vontade de conferir novamente a trilogia de “O Senhor dos Anéis” e fazer tentativas de identificar algumas passagens citadas em “Tolkien”. Uma coisa é fato: o autor mergulhou de cabeça no realismo fantástico e se deu muito bem!
Eu gostei da viagem!
Maria Oxigenada        
Foto: reprodução
 
ROCKETMAN
O amor. Sempre ele. No filme “Rocketman”, o sentimento pode ser percebido através de várias facetas. Dentre elas: o amor fraternal entre dois amigos. O amor pela música. O amor entre pessoas do mesmo sexo. O amor açucarado e compassivo oferecido pelos avós, mas também é possível observar sua outra superfície, ou seja, o desamor através do desprezo e intolerância de um pai pelo seu filho, o descaso da própria mãe e as consequências dessa falta de amor na psique da pessoa. 
E nada mais coerente do que tocar na temática às vésperas do Dia dos Namorados, né! De maneira lúdica e interessante, a película constrói no formato de musical a biografia do cantor inglês Elton John, interpretado na obra por três atores distintos: Matthew Illesley (criança), Kit Connor (adolescente) e Taron Egerton (adulto).
E ela não poupa ninguém! Literalmente “descasca” tanto o protagonista da história como os demais personagens. Em seus 91 minutos de duração, o espectador acompanha desde a infância de Reginald Dwight/Elton John passada no subúrbio da Londres, como também pega carona nas primeiras aventuras homossexuais do cantor e compositor até culminar no seu envolvimento com as drogas, além de sua dependência alcóolica e por sexo. 
Isso tudo é admitido logo de cara e nos primeiros minutos da obra, pois esta começa com Elton John (Taron Egerton) adentrando um encontro dos alcóolicos anônimos e começando a contar para os presentes quais foram os motivos que o levaram até o local.
A partir desse momento, o publico começa a conhecer o ser humano por trás de tantos óculos coloridos e roupas espalhafatosas e perceber que existe uma pessoa vulnerável, solitária, sensível, fiel aos amigos, mas também muito aberta às novidades do mercado fonográfico, a outros ritmos musicais e artistas.
Para quem for ao cinema conferir ao filme, uma das coisas mais bacanas de acompanhar é a amizade e a parceria profissional firmada entre Elton e o compositor Bernie Tapin (Jamie Bell) que perdura por mais de 50 anos e até hoje. Vocês acreditam que durante todos esses anos os dois nunca brigaram e Tapin sempre esteve ao lado de Elton, mesmo nos momentos mais difíceis de sua jornada como quando esteve internado em clínicas de reabilitação. Pois é! 
Em contrapartida, o pop star também teve por muito tempo uma sanguessuga para chamar de sua, pois o empresário John Reid (Richard Madden) fez questão de vampirizar o artista por anos a fio. A relação dos dois começou com um affair entre eles e terminou com a criatura mostrando o fio de seus caninos e embolsando quantias e porcentagens generosas da venda de discos e realização de apresentações. 
A narrativa é costurada com números musicais e com os atores cantando e dançando em cena. Músicas, tais como “Your Song”, “Goodbye Yellow Brick Road”, “Saturday Night’s Alright”, “The Bitch is Back”, “I Want Love”, “Border Song”, “Rock and Roll Madonna”, “Don’t Go Breaking Mu Heart”, “Honky Cat”, “I’m Still Standing” são algumas das 21 presentes na obra.            
Agora, o ponto alto da película é mesmo seu figurino. Colorido e fiel ao que foi usado pelo cantor e compositor desde as primeiras vezes em que esteve sentado diante do piano até as apresentações em grandes estádios e para um público numeroso. São peças feitas com lantejoulas, penas, plumas e bordados, calças boca de sino, macacões, entre tantas outras. 
Já os acessórios são os queridinhos de Elton, desde as plataformas, assim como chapéus, bonés, brincos de diamantes, anéis, mas sua marca registrada são seus óculos coloridos, adornados de strass, feitos com armações grossas ou em formatos diferentes como coração, árvore de Natal, etc.
E para sustentar tanto glamour em cena, nada mais previsível do que a presença de uma fotografia de cair o queixo! Especialmente, a recriação cênica da década de 50 e da periferia londrina e, é claro, de atores talentosos. 
Todos os holofotes recaem para a interpretação de Taron Egerton que está incrível no papel, assumindo trejeitos, o modo de andar e até de falar do artista. Em muitas cenas, a gente tem a sensação de estar diante do verdadeiro Elton, tamanha a profundida descida pelo ator para incorporá-lo. Aliás, a voz ouvida durante o filme é de Taron Egerton, pois ele realmente cantou todas as músicas do longa-metragem.
Mas eu não posso ignorar a interpretação comovente do ator mirim Matthew Illesley, especialmente nas cenas em que divide com o ator Steven Mackintosh, seu pai na ficção. Eu também tiro meus óculos glam de grau para o ator Jamie Bell que construiu seu personagem com muita sensibilidade, delicadeza e carinho. Outra pessoa que está muito bem é a atriz veterana Gemma Jones que faz a avó incentivadora de Elton. 
“Rocketman” é muito mais crível e verdadeiro do que “Bohemian Rhapsody”, cinebiografia de Freddy Mercury e que saiu ganhadora do último Oscar. Apesar disso, eu achei algumas cenas repetitivas, o que acabou prejudicando o meu veredito final sobre a obra.
Eu indico o filme para quem não conhece a importância de Elton John para o cenário musical porque o cantor não é pouca coisa, não! Ele é um dos dez artistas que mais vendeu discos e CD’s nos últimos 50 anos em todo mundo. Eu também sugiro a película para quem curte os musicais, para aquelas que gostam de obras visualmente bem feitas e para tantas outras que desejam injetar alegria e purpurina ao seu dia ou mesmo, tem a intenção de celebrar o amor através do cinema.
Eu amei!
Maria Oxigenada  
Foto: reprodução
            
   
  

      
   

     
 
LANTERNAS VERMELHAS
Em um final de semana com tantos espetáculos de balé interessantes em cartaz, eu dei uma chance ao Balé Nacional da China. A companhia oriental está realizando uma pequena turnê pelo Brasil depois de uma lacuna de nove anos sem aportar por aqui e trouxe em sua bagagem dois espetáculos distintos: “Lanternas Vermelhas” e “O Lago dos Cisnes”.
Resolvi jogar todas as minhas fichas no primeiro espetáculo por vários motivos. Primeiro porque ele é baseado no filme de Zhang Yimou, de 1991 e, principalmente, porque constrói um dialogo entre a cultura oriental e a dança clássica ocidental, mesclando referencias desses dois universos.
A história contada por “Lanternas Vermelhas” é ambientada em 1930 e acompanha a vida e as aventuras da terceira esposa de um velho senhor feudal, desde o seu casamento forçado, perpassando pela violência sofrida durante a noite de núpcias, assim como os atritos existentes com as outras duas esposas, além dos momentos em que o quarteto fica sentado frente a frente jogando mahjong (jogo de tabuleiro) ou quando vai aos espetáculos da Ópera de Pequim até culminar no seu desfecho trágico.
Aliás, são as idas à ópera que possibilitam a terceira esposa conhecer e se apaixonar por um especialista em artes marciais. A partir daí, os dois iniciam um relacionamento e se encontram às escuras. O problema é que a segunda esposa do senhor feudal descobre a relação paralela e confidencia a seu marido as chifradas sofridas.
Daí para frente vocês já podem imaginar o que acontece, né! A plateia fica diante de cenas de ciúmes, episódios de feminicídio, embates corporais masculinos e ao jorro volumoso de sangue.
Plasticamente, o espetáculo é incrível! Com figurino colorido e peças que vão desde quimonos de seda pintados à mão até uniformes grosseiros de soldados que mais parecem armaduras. Isso sem contar nas soluções cênicas trabalhadas que são bem interessantes e fazem referencias ao teatro das sombras, as artes marciais e a ópera com a presença de painéis móveis, detalhes e objetos cênicos como lanternas, leques, fitas, lençóis, tintas frescas e sapatilhas coloridas para reforçar ainda mais o caráter trágico de cada uma das passagens.
Destaque para o fechamento do primeiro ato, onde todos os bailarinos concentram-se em cima de mesas formando uma verdadeira pintura viva. Eu também amei o desfecho surpreendente de “Lanternas Vermelhas” com os prints feitos pelos soldados chineses em painéis brancos localizados ao fundo do palco em uma referencia direta aos tiros trocados entre os personagens. 
Entretanto, eu cheguei ao Credicard Hall com expectativas muito elevadas e esperando por um espetáculo animado e tecnicamente perfeito! Na verdade, achei seu início moroso e em vários momentos da obra, eu peguei as bailarinas dessincronizadas. Em contrapartida, o corpo de baile masculino quando em cena injeta vigor ao show visto através de movimentos e passos vigorosos que nos ajudam a ficar de olhos bem abertos durante os 115 minutos de duração do espetáculo.
Durante esta semana, o Balé Nacional da China fará apresentações em Curitiba, nos dias 5 e 6 de junho, no teatro Guaíra. Já em Belo Horizonte, ele estará nos dias 8 e 9, no Palácio das Artes.
Não percam a oportunidade de assisti-lo!
Maria Oxigenada                  
Fotos: reproduções


UÍSQUE E VERGONHA
Sem vergonha! Charlotiê é aquele tipo de personagem principal que não tem pudor algum ao narrar suas aventuras e desventuras por São Paulo, especialmente quando flana pela rua Augusta, visita o cemitério do Araçá ou quando resolve ir a escola, passar o final de semana na praia ou mesmo, cair na balada na boate Uhu .
Sim. Ela é uma adolescente rebelde, irreverente e com um jeitinho todo particular de ver a vida e observar os acontecimentos ao seu entorno, por isso vive lançando um olhar curioso sobre as pessoas, especialmente sobre quem está mais próximo como sua mãe, tia, terapeuta, diretora da escola, namorados e até sobre sua boneca.
Ao todo, são 21 personagens que cruzam o caminho da protagonista em cena, alguns deles bem surreais e com traços de personagens de HQ. Já outros desenhados com características comportamentais e camadas críveis e de fácil identificação na vida real.    
A graça do espetáculo está justamente em acompanhar a história desta maluquete sem limites que ora beira ao absurdo, ora é recheada de passagens fantasiosas, bem humoradas, mas que também conta com uma pitada ácida e de critica social.
No palco, a atriz Alessandra Negrini assume o papel de Charlotiê, mas outros quatro atores também estão em cena. São eles: Erika Puga, Gui Calzavara, Carcarah e a veterana Ester Laccava. 
A peça é a adaptação do livro homônimo escrito por Juliana Frank e lançado na Flip (Feira Literária Internacional de Paraty) de 2016. Esta adaptação foi feita pela dramaturga e atriz Michelle Ferreira, autora de “Reality Final”, “Tem alguém que nos odeia”, “Animais na Pista”, “Sit Down Drama”, “Não somos amigas”, entre outras peças que já foram comentadas neste espaço. Já a direção ficou a cargo de Nelson Baskerville.
“Uísque e Vergonha” é aquele tipo de peça para quem gosta de espetáculos fora da caixinha e que fogem da previsibilidade encontrada em peças tradicionais ou musicais. O segredo para gostar e se divertir durante seu desenrolar é conseguir abstrair e separar a historia principal das fantasias que ilustram a obra e que são produtos da mente fértil da protagonista.
O time de atores que está em cima do palco é típico exemplar dos sem frescuras, que se viram nos trinta para entregar um show interpretativo completo. Tanto é verdade que Carcarah além de atuar na obra também toca vários instrumentos em cena, canta e ainda, ajudou na criação da cenografia do espetáculo.
Alessandra Negrini consegue a proeza de bem encarnar a adolescente sob os holofotes, evidenciando os traços rodriguianos que ela carrega consigo desde a época que interpretou Engraçadinha, na minissérie global de mesmo nome.
Agora, quem chega, chegando na peça é a atriz Ester Laccava com uma primeira aparição inusitada, mas a surpresa do espetáculo é a atriz Erika Puga que  desconstrói sua boneca Ilália com o passar dos minutos,  transformando-a em um exemplar de brinquedo bagaceira, há, há, há... 
Também é possível identificar a mão de Michelle Ferreira por trás da obra e através dos diálogos ouvidos, do seu viés realista, bem como das soluções cênicas apresentadas na ocasião como o painel giratório que acompanha a protagonista, a iluminação do espetáculo que ora é quente, ora sombria, pois os personagens flanam tanto por cemitérios como por estúdios de tatuagens, por becos de muros grafitados, por cenários sujos e locações degradadas.
A surpresa da sessão vista ficou por conta da presença de Juliana Frank na plateia. Ao final, ela subiu no palco e recebeu os aplausos do publico juntamente com os atores. Depois dessa aventura eu vou inserir alguns livros escritos por ela em minha lista desejo deste ano porque eu amei a peça! 
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: teatro Novo, localizado na rua Domingos de Moraes, 348 – V. Mariana
Quando: sexta e sábado, às 21h30, domingo, às 19h.
Temporada: até 07 de julho de 2019.
Preço: a partir de R$ 30,00 (meia-entrada).
Censura: 18 anos.
Foto: reprodução
 
A ESPIÃ VERMELHA
A imagem de fragilidade, limitações e de estar acima de qualquer suspeita é a opinião que a maioria de nós tem sobre os idosos, mas não se enganem, não! A melhor idade anda botando para quebrar nos mais distintos ambientes, seja nas academias de ginástica até em viagens internacionais.
Quando olho para as marcas de expressão e as rugas dessa galera, eu fico pensando o que há por trás de cada uma delas, quais as historias de vida e segredos que elas carregam consigo.
No filme, a personagem Joan Stanley (Judi Dench) é aquele tipo de mulher que a primeira vista nos transparece ser uma idosa pacata e que segue uma rotina tranquila no subúrbio londrino, mas com um passado daqueles de fazer enrubescer os espectadores mais ingênuos.
Seus anos de mocidade vieram à tona depois que ela foi presa aos 80 anos pelo Serviço de Inteligência Britânica (MI5) acusada de violação de segredos do Estado, por repassar informações secretas para a União Soviética e por ostentar o titulo de espiã da KGB por mais de 30 anos. Tá bom pra vocês?
Baseado em uma historia real e na da espiã Melita Norwood, a protagonista da obra não era uma mocinha indefesa e sim, uma cientista formada pela Universidade de Cambridge, em 1938, e que foi assistente pessoal do professor universitário e cientista Max (Steve Campbell) no desenvolvimento de armas de destruição em massa.
Aliás, são exatamente elas e o seu poder destrutivo que motivou Joan a trair seu país e repassar os projetos e fórmulas desenvolvidas durante os períodos de guerra para outras nações.   
Na verdade, ela queria compartilhar o conhecimento depois que viu sua potencia, especialmente em Hiroshima (Japão). E quem ateou fogo nessa situação foi seu amante alemão Leo (Tom Hughes) e sua amiga Sonya (Tereza Srbova). O rapaz era aquele tipo de boy lixo que só a procurava esporadicamente e quando estava precisando de algo dela.
A película é intercalada com cenas do passado e presente, por isso o personagem titulo é interpretado por duas atrizes diferentes. Quando jovem pela atriz Sophie Cookson que consegue construi-la cheia de atitude, arrojada e a frente do seu tempo não só pelo seu comportamento sexual, mas também pela sua postura independente no ambiente de trabalho e junto aos amigos.
Já a atriz Judi Dench trabalha bem a fragilidade cênica de sua personagem na velhice, especialmente nos takes em que ela ostenta uma tornozeleira eletrônica e está em prisão domiciliar. Entretanto, sua potência interpretativa é percebida através dos olhares trocados com seu próprio filho Nick (Bem Milles) e com os investigadores da policia britânica. A cena final rodada no jardim da casa da personagem demonstra exatamente isso. 
Positivamente, a “Espiã Vermelha” conta com uma boa recriação de época, especialmente o figurino usado pelo elenco principal e pelos figurantes da obra e que não tem a intenção de roubar a cena e nem causar distrações em quem ali está acompanhando o desenrolar da historia.
Entretanto, o roteiro do filme é linear, sem espaço para grandes viradas e surpresas, além de não fazer questão alguma de aprofundar questões políticas mundiais e as guerras, transformando a obra em um produto de fácil digestão e futuro esquecimento.
Apesar disso, é interessante conhecer a historia da vovó espiã e se surpreender com suas peripécias juvenis, sua lucidez atual e os seus segredos guardados a sete chaves por muito tempo e que só vieram à tona recentemente.  
A película é uma adaptação do livro escrito por Jennie Rooney e que foi feita por Lindsay Shapero. Já a direção do filme ficou a cargo de Trevor Nunn, o mesmo diretor de “Noites de Reis”, “Hedda”, “Oklahoma”, “Uma performance de Macbeth”.
Curiosamente, a verdadeira espiã inglesa Melita Norwood faleceu em 2005, aos 93 anos, e por sua idade avançada a justiça britânica não a obrigou a cumprir pena encarcerada por todos os crimes praticados em vida.
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada 
Foto: reprodução
 
ALLADIN
Vocês sabem que eu estou gostando deste ano, né! Primeiro teve a estreia de “Dumbo”, depois nós fomos surpreendidos com o desfecho de “Vingadores: Ultimato”, agora outra animação ganhou sua versão live-action: “Aladdin”. Isso sem contar “O Rei Leão”, “Toy Story 4”, “Homem Aranha: Longe de Casa”, “X-Men: Fenix Negra”, “Malevola 2” e “Frozen 2” que estão na esteira para estrear ainda em 2019.
E quem sai ganhando somos nós que embarcamos em diferentes historias e em aventuras coloridas, lúdicas e que nos transportam para dimensões onde só há espaço para fantasias, peripécias dos personagens e devaneios de roteiristas.
A película baseada no conto “As mil e uma noites” é uma daquelas que envolve tudo isso e muito mais, pois a historia do ladrãozinho do mercado que se apaixona pela princesa e é correspondido não é para qualquer um, não! Ainda mais porque ele conta com a ajuda do gênio, preso por séculos dentro de uma lâmpada mágica.
Ao esfrega-la, Aladdin liberta o gênio e como forma de agradecimento concede a realização de três pedidos ao seu novo amo. O primeiro é tornar-se um príncipe para poder se casar com a princesa Jasmine, pois nobres casam-se com nobres e não com plebeus.
É claro que há um vilão para jogar areia nos planos do protagonista, confrontando-o e obrigando-o a revelar sua real identidade. Nesse caso, as trevas responde pelo nome de Jafar e o seu maior desejo é sentar-se no trono do rei, ser o homem mais poderoso do deserto e por esse motivo, ele passa o tempo todo tentando roubar a lâmpada de Aladdin e de Abu, seu macaquinho de estimação.
Jafar é o braço direito e conselheiro do rei, mas com um passado nebuloso e que conta com passagens de roubos, de puxadas de tapetes, de manipulações e sessões de hipnotização de seus adversários para conseguir o que deseja.
Para salvar a sua própria pele, Aladdin precisará fazer seu segundo desejo ao gênio da lâmpada, mas o terceiro e ultimo continua sendo o mesmo do filme de 1992 que é conceder a liberdade do azulão.
“Aladdin” é um filme musicado com atores soltando a voz, mexendo o esqueleto em passos de dança, assim como a presença de passagens cômicas atribuídas especialmente ao gênio da lâmpada e a Abu e um final alto astral como é típico dos musicais. Aliás, a presença de Will Smith é um dos pontos altos da película porque ele faz piadas, tira onda o tempo inteiro com os outros personagens e ainda, se arrisca em coreografias e musicas de hip hop pop.
E apesar do visu do gênio ter sido criticado, ele segue a risca o original de 1992 com a pele azul, cabeça raspada e um rabo de cavalo posicionado no topo dela. Além disso, o ator precisou dar uma intensificada nos exercícios para poder ostentar músculos definidos em frente das câmeras.
Enquanto isso, Jasmine (Naomi Scott) é o exemplar da girl power, pois seu personagem questiona regras tradicionais e patriarcais, além de ser uma pessoa independente, culta, ambiciosa ao ponto de desejar ser a próxima sultana de Agrabah. Ela também não almeja desfilar com um marido a tiracolo e sim, ter ao lado um amor verdadeiro e escolhido por ela.
O ator Mena Massoud veste a fantasia de Aladdin nesta aventura, transformando o herói em alguém crível, esperto, dinâmico e com bom coração. Entretanto, o ator Marwan Kenzari não consegue tornar seu Jafar carismático e um vilão de botar medo nos espectadores.
Quanto à estética do filme, o destaque recai sobre as cores vistas na telona, assim como a criação de cenários fakes e efeitos especiais feitos a partir da computação gráfica.   
O figurino é outro capítulo de excelência do filme, pois foi dividido em dois núcleos distintos. O núcleo nobre veste peças bordadas e com brilho, feitas de tecidos finos e nobres. Já as classes sociais mais baixas e os comerciantes  usam peças feitas de algodão, tecidos naturais ou grosseiros, além de cores terrosas e que remetem a aridez do deserto. 
Agora, o que enche nossos olhos são os acessórios usados, especialmente pela protagonista feminina e que vão dos braceletes até presilhas, passando pelos brincos, anéis, pulseiras de ouro, tiaras de pedras preciosas e muitos véus, bem ao estilo das dançarinas de dança do ventre.
Quanto às músicas que embalam a aventura, elas são filhotes de Alan Menken, mas a famosa trilha “A whole new world” também marca presença na obra com a intenção de continuar reverberando a magia do conto de fadas pelas próximas gerações. Destaque para a canção inédita “Speechless” entoada pela boca de Jasmine que é empolgante e catapulta a personagem para o patamar das princesas mais inesquecíveis de todos os tempos. Eu amei!
O ponto negativo da obra é sua duração que somam 128 minutos e a presença de cenas iniciais que poderiam ser limadas do longa metragem porque pouco acrescentam à historia contada como, por exemplo, a cena em que o gênio na sua versão humana conversa com duas crianças em um barco em alto mar sobre o conto das mil e uma noites, introduzindo com isso os personagens principais e ambientando o espectador na historia. Ultrapassado!
Para quem deseja viajar com o tapete voador por cores, terras e personagens que continuam fazendo parte do imaginário infanto-juvenil, eu convido a assistir a película.
Beijocas,
Maria Oxigenada  
Foto: reprodução 
 
SUNSET BOULEVARD
A verdade é que o cenário anda preocupante para a cultura nacional, por isso eu apertei o passo e estou conferindo o maior número de musicais em cartaz na capital paulista porque as grandes produções, especialmente os musicais importados da Broadway estão com seus dias contados em 2019 devido aos cortes de incentivos fiscais feitos recentemente pelo governo atual.
Baseado no filme “Crepúsculo dos Deuses”, o musical “Sunset Boulevard” é ambientado na década de 50 e traça um retrato da decadência vivida por artistas oriundos do cinema mudo, através da personagem Norma Desmond (Marisa Orth/Andrezza Massei).
Presa ao passado, a atriz mora em uma mansão na Sunset Boulevard (Los Angeles) com seu mordomo e fiel escudeiro Max Von Mayerling (Daniel Boaventura/Eduardo Amir). No entanto, ela continua iludida e acreditando piamente que seu nome continua sendo lembrado pelos fãs e considerado por diretores dos principais estúdios americanos.
O destino faz com que o caminho de Norma se cruze com o do jovem roteirista Joe Gillis (Julio Assad) e ela vê nisso a oportunidade de voltar às telonas, por isso ela o contrata para revisar seu roteiro sobre o conto de Salomé e a dança dos sete véus.
Em contrapartida, o protagonista masculino é seduzido pela vida luxuosa da atriz e por tudo o que a parceria entre os dois pode lhe render. Daí para frente começa um joguinho de sedução feito pela dupla que ninguém sabe ao certo onde vai parar.
Paralelo à história principal, há outras de menor importância, tais como a paixão nutrida por Joe pela aspirante à roteirista Betty Schaefer (Lia Canineu), além da fuga do galã de credores, pois ele está endividado e devendo até as calças.
É reafirmado durante o espetáculo que os estúdios americanos são fábricas de sonhos e fantasias e quem faz parte dessa enorme engrenagem jamais gostaria de deixa-la. Apesar disso, o ambiente também pode ser bem ferino aos inocentes e iniciantes, pois conta com pessoas invejosas e obstinadas a puxar o tapete umas das outras.
“Sunset Boulevard” tem vários pontos positivos. Dentre eles está o figurino usado pelos atores com peças luxuosas, vestidos longos, brilhantes, plissados, ternos bem cortados e muitas referências extraídas da época, especialmente os acessórios ostentados pelo elenco e que se resumem em luvas, bijoux de strass, turbantes, chapéus, braceletes, tiaras, etc.
A cenografia é outro ponto alto da peça, pois foi construída com dois planos distintos e de altura diferentes. Ambos contam com objetos grandiosos como lustres, escadas e outros que preenchem corretamente os ambientes retratados na ocasião. 
Há boas soluções cênicas construídas com o uso de uma esteira circular, com o aproveitamento do fosso do teatro e a ótima iluminação. Aliás, as luzes  potencializam a criação de um clima noir visto em filmes branco e preto do passado.  
Quanto às atuações, o destaque recai sobre Marisa Orth. É perceptível a evolução musical e cênica da atriz/cantora desde que encarnou a Mortícia  Adams, no musical Família Adams. Na sessão vista, ela estava completamente solta em cena, apesar da carga dramática de sua personagem.
Gostei bastante da atuação de Julio Assad, mas a surpresa do dia foi mesmo a voz doce e a atuação delicada da atriz/cantora Lia Canineu. Infelizmente, não pude conferir a performance do ator/cantor Daniel Boaventura, pois na ocasião ele foi substituído por Eduardo Amir que por sinal não deixou nada a desejar.
Vale dizer que “Sunset Boulevard” é uma peça que abre espaço para surpresas, especialmente nos seus minutos finais e que também tem um cheirinho das obras de Tennessee Williams que criam metáforas do dueto feito entre o sonho e a realidade.  
A única critica é que na sessão em que estava presente o espetáculo precisou ser interrompido nos minutos iniciais por problemas técnicos e tal feito acabou alçando quem ali estava já imerso à história novamente à realidade.
O segundo embarque aconteceu quinze minutos após a parada obrigatória, mas ele não deixou ninguém para trás, não abaixou as expectativas da galera presente e nem precisou fazer pousos de emergências durante seus 150 minutos de duração.                   
Eu gostei!
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: Teatro Santander, localizado na Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 2041 – Itaim Bibi.
Quando: quintas e sextas, às 21h; sábados, às 17h e 21h; domingos, às 15h e 19h.
Temporada: até 07 de julho de 2019.
Preço: a partir de R$ 37,50 (meia-entrada).
Foto: reprodução
 
SUSTENTABILIDADE
São Paulo borbulhou no último final de semana e nem mesmo a chuva conseguiu melar quem quis assistir aos shows da Virada Cultural. Entretanto, os que procuraram por alternativas gastronômicas também encontraram boas  opções espalhadas pela cidade.
Vários festivais fizeram parte do evento, tais como o de sopas e caldos (Ceagesp), o de sabores brasileiros, do mundo, food trucks de comidas populares e cervejas artesanais; todos concentrados no centro da cidade, mas eu e o Fê resolvemos dar uma passada no Museu da Casa Brasileira, onde estava rolando o Urban Taste Cultura de Boteco para provar o bolinho basco, feito com massa de batata e recheado de bochecha bovina, petisco que foi considerado o melhor da cidade no último ano.
O mais interessante de tudo foi observar que a lei que proíbe a distribuição de canudos plásticos já está sendo obedecida e agora São Paulo segue na mesma trilha sustentável que a cidade do Rio de Janeiro que desde julho do ano passado não oferece mais os canudos aos clientes de restaurantes, bares, baladas, shows musicais e lanchonetes.   
A pauta não é brincadeira, não! Para vocês terem ideia do consumo desenfreado da matéria-prima, todos os anos oito milhões de embalagens plásticas, entre elas garrafas pet, sacolas, hastes e canudos são jogados nos oceanos, mas nós só nos comovemos e refletimos sobre o assunto quando nos deparamos com fotos de animais marinhos mortos sufocados pela ingestão excessiva de plástico como a baleia morta recentemente com 40 quilos de plástico no estomago ou a imagem do cavalo marinho transportando um cotonete como se fosse comida.
Acredito que vocês também assistiram nos telejornais da semana passada uma matéria sobre um explorador americano que desceu 11 mil metros de profundidade no Oceano Pacífico e na fossa das Marianas e viu boiando nas águas escuras um saco plástico e embalagens de doces. Afê!
A solução encontrada pelos pontos de venda de alimentos e bebidas e por quem não curte colocar os lábios diretamente nas bocas de latas, copos e garrafas são os canudos reciclados e feitos de inox, vidro, bambu ou os descartáveis feitos com papel ou trigo.
Eu pirei quando vi todas essas opções dispostas nas tendas presentes no local e escolhi o canudo de trigo para tomar meu suco de melancia com água de coco, mas percebi que ele não era o ideal, pois passado alguns minutos senti uns grânulos em minha língua e observei o seu esfarelamento. Já o canudo de papel usado pelo Fê reagiu de maneira distinta, perdendo sua postura altiva e curvando-se diante de tanta pressão feita pelo fofucho.
Acredito que o ideal seja ter um canudo de inox, vidro ou silicone para chamar de seu, assim como já acontece com as canecas pessoais ou as garrafas retornáveis. Pesquisando, eu descobri versões dobráveis ou retratáveis desses canudos e que caberiam perfeitamente em nossos bolsos e dentro de nossas nécessaires pessoais. 
E surfando pela onda sustentável do momento e fazendo o possível para oxigenar ainda mais o nosso planeta, outra dica é substituir os absorventes higiênicos usados mensalmente por coletores menstruais, por calcinhas absorventes reutilizáveis ou por absorventes feitos de tecidos que podem ser lavados e que seguem o mood anos 50.
Em média, uma mulher ao longo de toda a sua vida reprodutiva usa 11 mil absorventes e cada um demora cerca de 100 anos para decompor-se na natureza, assim como as fraldas plásticas. Vixi! 
A verdade é que substituir o plástico é um dos maiores desafios da atualidade, mas com boa vontade é possível sim! Alternativas “verdes” estão sendo criadas  todo momento, basta vocês ficarem atentas e se conscientizarem sobre a temática, especialmente no que diz respeito aos detalhes, pois os canudos são apenas um dos itens que podem ser trocados no nosso dia-a-dia.
Pequenas ações e substituições também ajudam no combate ao plástico como substituir sacolas plásticas por retornáveis ou carrinhos de feira. Trocar as garrafas e galões de água por filtros de barro ou a instalação de um filtro na torneira de sua pia da cozinha. Apostar em cotonetes eco-friendly com hastes feitas de papel ou em escovas de dente com cabos feitos de bambu.
Há também a possibilidade de dar outro destino às embalagens plásticas, além do descarte em pontos de reciclados como suas transformações em objetos decorativos, de armazenamento para brinquedos, material escolar, cereais e grãos, talheres, pregos, parafusos, entre outros. 
A verdade é que já passou do momento de nós revolucionarmos a nossa maneira de estar no mundo. Precisamos pensar em como melhor preservar a natureza, em como sermos menos poluentes e mais generosos com a nossa história e nosso planeta. 
As próximas gerações agradecem!
Maria Oxigenada  
Foto: reprodução
 
O FRENÉTICO DANCING DAYS
Gosto de tudo que tenha brilho, cores vibrantes e referências musicais da década de 70. Gosto mais ainda se tenho consciência de que a historia retratada nos palcos é verídica, aconteceu na terrinha e carrega consigo um caráter libertário, alegre e transgressor.
O musical “O Frenético Dancin’Days” é uma balada das boas e aquele tipo de espetáculo que nos faz saltar das cadeiras e nos acabarmos de tanto cantar e dançar no próprio teatro, mas sua missão é também contar como o produtor musical Nelson Motta e seus amigos Scarlet Moon, Leonardo Netto, Dom Pepe e Djalma Limongi idealizaram e colocaram de pé a boate que marcou a juventude de muitos cariocas.
O "Frenetic Dancin Days Discotheque" como era chamado o lugar durou pouco tempo (apenas quatro meses), mas conseguiu a proeza de reunir em sua pista de dança pessoas de diferentes classes sociais e tribos distintas, desde os ratos de praia, os hippies de Saquarema, a galera endinheirada da cidade do Rio de Janeiro e até os comunas da época.
Também pudera, né! Ninguém era tolhido, julgado ou discriminado por lá. Cada um podia ser o que e quem quisesse e o local transpirava criatividade, energia positiva, assim como paz e amor, pois os anos de repressão e de ditadura militar tinham ficado para trás e pertenciam as páginas da história.
Ao todo, são dezenas de atores em cena, além de bailarinos, mas pelo palco personalidades do período são lembradas sob os holofotes, tais como: As Frenéticas, Tim Maia, Rita Lee, Raul Seixas, Gilberto Gil, Lady Zu, Banda Black in Rio, Dzi Croquettes, Cazuza, o grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, Village People, Donna Summer, entre tantos outros.
Falando nisso, não só a rainha do dance music, mas também toda a Era Disco é reverenciada durante o musical com a presença de figurinos e cenários que recriam sua atmosfera, tais como peças feitas em lycra, com franjas e plumas, com recortes estratégicos, bem como calças boca de sino, botas over the knees, plataformas, turbantes, muitos babados, golas altas, suspensórios e coletes. Já o brilho mor fica por conta da presença de um globo espelhado, visto pela primeira vez por Nelson Motta no Studio 54, lendária casa noturna de Nova Iorque.
Durante o musical também fica evidente a irresponsabilidade da trupe liderada pelo produtor musical, pois a balada quando foi aberta não possuía o alvará de funcionamento expedido pelo corpo dos bombeiros, nem CNPJ (cadastro nacional da pessoa jurídica), mas muitos sócios e muita gente divulgando-a através do famoso boca-a-boca.
O sucesso do lugar foi tamanho que até hoje ele é lembrado com saudosismo por quem realmente aproveitou aqueles quatro meses. Foi lá que As Frenéticas se conheceram e começaram a se apresentar diante da plateia diariamente como um grupo feminino. Foi em sua pista de dança que muitos casais se formaram ou desmancharam relacionamentos e foi no seu espaço que muita gente descobriu sua sexualidade e seus corpos.
O cheiro exalado pelo “Os Frenéticos Dancin’ Days” continua sendo de vanguarda se comparado com outros musicais importados e que estão em cartaz na capital paulista. Isso se deve à somatória de fatores, inclusive da presença de um elenco jovem, além de coreografias enérgicas idealizadas por Deborah Colker e Jacqueline Motta e por conter mensagens implícitas sobre intolerâncias sociais, sexuais vistas hoje em dia, além de discursos conservadores e preconceituosos que não caberiam em pleno século XXI, né!
Para quem deseja ficar hipnotizada com o show de cores, brilho e encenação alto astral, esta é a última chance para assistir ao musical “O Frenético Dancin’ Days”!
Se joga na pista, gatx!
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: Teatro Opus, localizado na Avenida das Nações, 4777.
Quando: sexta, às 21h; sábado, às 17h; domingo, às 18h.
Temporada: até 26 de maio de 2019.
Preço: R$ a partir de R$ 37,50 (meia-entrada)

Foto: reprodução
 
HOTEL MARIANA
Eu já vi este filme mais de uma vez! A primeira foi no dia 5 de novembro de 2015 no distrito de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo (MG) e a segunda foi mais recente e no dia 25 de janeiro de 2019 em Brumadinho (MG).
Duas tragédias ocorridas com o rompimento de barragens de rejeitos minerais construídas pela mineradora Vale do Rio Doce/Samarco e que deixaram centenas de mortos e tantos outros desabrigados e desnorteados.
“Hotel Mariana” é uma peça de teatro escrita por Munir Pedrosa e dirigida por Herbert Bianchi sobre a primeira tragédia e a partir de relatos reais colhidos in loco com alguns de seus sobreviventes e após alguns dias do ocorrido.
O interessante da obra é que ela utiliza-se de uma técnica chamada verbatim, ou seja, os atores constroem seus personagens a partir da escuta de depoimentos reais e reproduzem suas falas diante da plateia. Para isso, eles usam fones de ouvido.
Ao todo, são 10 atores em cena que assumem as características vocais de várias pessoas, tais como a mãe que perdeu os filhos, o ambientalista, a aposentada que escreve poemas, o herói da ocasião que conseguiu salvar vários moradores ou mesmo, outro que continua “petrificado” pela lama e sem saber o que fazer.
“Não vi pra onde foi meu irmão, não vi pra onde foi a minha sobrinha, infelizmente acharam ela morta...Não vi pra onde foi meu filho, meu outro menino que vivia andando de bicicleta com os colegas, eu não sabia se ele tava vivo”.  Este é um dos desabafos presentes na peça, mas há outros que evidenciam o desespero, o conformismo e até a falta de esperanças das pessoas em um futuro.
Outro fato relevante é que após o termino do espetáculo e findado os aplausos da plateia, os atores permanecem no palco para explicar como ela foi concebida, quais foram às dificuldades na obtenção dos depoimentos dias depois da tragédia, mas o mais legal de tudo foi ouvi-los na integra e perceber o trabalho feito pelos atores em replicar perfeitamente desde o tom de voz, o sotaque e as pausas respiratórias feitas por cada um dos personagens escolhidos para fazer parte da obra.
Uma peça com uma temática como essa não precisa contar com uma super produção, então a cenografia construída por Marcelo Maffei se resume a presença de cadeiras dispostas lado a lado no palco para os atores se sentarem diante da plateia e soltarem o verbo, além de uma pequena plataforma e de painéis suspensos ao fundo remetendo ao rio de lama formada na ocasião com partes de objetos arrastados, tais como rodas de bicicleta, lamparinas, latas, galões, pés de sapatos avulsos, partes de bonecas de plástico, etc.
Já o desenho de luz foi obra de Rodrigo Caetano que explorou o uso de tonalidades quentes como amarelo e vermelho para a criação de um ambiente mais intimista, pesado e que favorecesse as confissões cênicas.
Aliás, o triste parentesco entre os dois eventos será lembrado mais uma vez e em outra linguagem cultural, pois Munir Pedrosa já finalizou o roteiro para um filme sobre as tragédias usando alguns dos depoimentos colhidos anteriormente, além de imagens de arquivos e novos relatos feitos com personagens desconhecidos. O diferencial da obra é que ela fará o encontro na frente das câmeras entre vitimas e os atores escolhidos para encená-las.
“Rio de Lama”, de Tadeu Jungle, é outro filme feito sobre a tragédia de Mariana, mas este é um curta-metragem e com apenas nove minutos de duração, mas que conta com a ajuda da tecnologia para recriar o dia 5 de novembro de 2015.
Por ora, não percam a oportunidade de assistir “Hotel Mariana”, pois a peça continua atual, sendo necessária e percorrendo os Estados brasileiros. Desde que 2019 se iniciou, ela já foi encenada em São Paulo, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e no ultimo final de semana esteve em Porto Alegre (RS).
Para saber o itinerário da Cia da Palavra, companhia teatral responsável pela produção da peça, então a melhor maneira é segui-la pelas redes sociais e checar a programação cultural de sua cidade.
Impossível esquecer os dramas presentes no ambiente retratado!
Eu indico.
Maria Oxigenada      
Foto: reprodução
 
DIA DAS MÃES
O dia das mães foi ontem, mas o presente vem depois. Desta vez, a criatividade entrou em ação para que eu pudesse surpreender a minha mãe no seu dia e porque eu, sinceramente, estou cansada das opções tradicionais. 
Minha mente chegou a sair fumaça de tanto que pensei e pesquisei sobre o tema, mas a resposta veio naturalmente e após o episódio da semana passada que nocauteou toda a minha família.
Conversando com minha professora de ioga, ela me indicou o presente ideal para a mamãe. Um retiro junto à natureza e realizado em uma fazenda com o objetivo descansar, respirar, meditar e reconectar-se com a natureza, por isso ele é feito em um lugar envolvido por montanhas milenares e banhado por riachos, cachoeiras e fontes de águas translúcidas e purificadoras.
A aventura será uma jornada de autoconhecimento e espiritualidade e a sua programação foi construída não só de momentos de prática de ioga, mas também com rodas de ensinamentos ancestrais, conversas e trocas entre os participantes, de passeios e realização de caminhadas no meio do mato, assim como aulas de dança indiana.
Como sempre falo para vocês a dança é uma forma de expressão e pode ser uma conexão com o divino. Por que não? Ela possui um forte aspecto teatral e as coreografias criadas são narrativas que contam historias, sendo algumas até mitológicas. Durante o retiro, as aulas de dança irão trabalhar e ensinar os mudras (gestos simbólicos das mãos), o uso de expressões faciais, tecendo um paralelo entre a ioga e a dança.
A experiência tem tudo para acrescentar e muito na vida de minha mãe,  especialmente ensinando-a a seguir o fluxo da vida, ser mais flexível, menos pragmática, disciplinada, controladora e a plainar pelo cotidiano com mais leveza como um verdadeiro exemplar da flor dente de leão.
Ela gostou do presente, mas precisará esperar até o feriado de Corpus Christi para desfrutá-lo, data da realização do retiro. A boa notícia é que ela não irá sozinha e sim na companhia da minha professora de ioga. 
Hoje pela manhã, as duas até já trocaram mensagens e combinaram de montar uma única barca para o destino com o intuito de dividirem as despesas com gasolina, pedágios e ainda, terem a companhia uma da outra durante as horas de estrada.
Para já ir azeitando mamãe para o evento, eu sugeri que ela caísse de boca nas aulas gratuitas de ioga realizadas no parque aos finais de semana e aprendesse a respirar de maneira completa, bem como acordar o corpo todas as manhãs com o vai e vem do abdômen.
Desde domingo, a zoação está grande com a mamãe. Até o Fê entrou na brincadeira e disse que se soubesse do meu presente antecipadamente tinha investido em uma saia típica, em acessórios que pudessem ajuda-la nas suas produções para a ocasião como anéis, brincos de argola, pedras energéticas ou um exemplar do cigano Igor (personagem da novela Explode Coração).
O fato é que a gente brinca, fala um montão de besteiras, mas estes encontros deveriam acontecer diariamente e não somente quando resolvemos nos afastar de nossas atividades e ceder espaço para que o silêncio, a quietude e a solidão voltem a nos fazer companhia, né!
Espero que a mamãe volte do encontro com todas as ferramentas necessárias para enfrentar suas demandas e futuros desafios e que tenha sabedoria para atribuir outro significado a esta palavra, ou seja, a de que atitude é o estado de espirito que nós colocamos ao realizar algo, seja ele qual for.   
Pensem nisto! 
Maria Oxigenada 
Foto: reprodução



 
 

  
 
  
 
CLÍMAX “Festa estranha,
Com gente esquisita,
Eu não tô legal!”
Os versos da música “Eduardo e Mônica”, do grupo Legião Urbana, encaixa-se perfeitamente no enredo do filme “Climax”, do diretor Gaspar Noé, pois ele acompanhada o último ensaio e noite de um grupo de dançarinos antes da estreia do espetáculo.
A película começa com tom documental e com as entrevistas feitas com os 23 personagens. Sentados em uma poltrona e falando diretamente para as lentes das câmeras é possível perceber que os selecionados são de classes sociais distintas, de origens diferentes, mas comungam da paixão pela dança como forma de expressão. Com o avançar dos minutos é possível perceber que eles irão divergir em relação a outros assuntos, tais como: aborto, homossexualidade, maternidade, religião, incesto, medos, etc.
Na sequencia, o espectador descobre que é inverno na Europa, que eles estão “protegidos” dentro da escola de dança e que após o ensaio geral haverá uma festa comemorativa regada a músicas eletrônicas e muita sangria (bebida alcóolica feita à base de vinho tinto, gim, frutas cortadas, gelo e açúcar).
O drinque é um belo convite para a descida ao inferno, pois fica perceptível com o passar dos minutos que a bebida foi batizada, ou seja, que alguém colocou algo dentro dela e foi LSD (droga alucinógena).
Daí para frente o caldo, literalmente, azeda e o espectador fica diante de episódios de paranoias, de cenas de intolerância, de momentos hipnóticos dos personagens, culminando em um verdadeiro pesadelo com direito a sangue, gritos histéricos, muita loucura e segredos vindo à tona.
O interessante do filme é que você assiste a tudo sentado na poltrona do cinema sem sofrer com os efeitos do ácido lisérgico. Apesar disso, o diretor Gaspar Noé utiliza-se de cenas invertidas e editadas de cabeça para baixo, do giro das câmeras em círculo e do uso de uma iluminação vermelha para potencializar o efeito das cenas e nos deixar cada vez mais entorpecidas.
Ele também tem a sacada de colocar nos primeiros minutos da obra um plano sequencia com todos os bailarinos em ação, dançando livremente e ininterruptamente durante 40 minutos com o intuito de demonstrar toda a potência corporal de cada um e a força da modalidade.
Para a aventura não se transformar em uma viagem sem volta na loucura alheia, os atores improvisam interações entre si, construindo diálogos e breves conversas. Além disso, é possível perceber logo de inicio da película quais
foram as fontes que o diretor bebeu antes de criar a obra, tais como o trabalho do cineasta Luís Buñuel, do diretor Pier Paolo Pasolini, os filmes “Possessão” e “Suspiria” e tantas outras que se valem de recriar um cotidiano monstruoso e pautado pelo sofrimento.
Outra boa escolha de Gaspar Noé foi concentrar praticamente todas as cenas em uma única locação, o que barateou bastante sua produção. Cenas externas quase não existem! E tudo se passa entre os cômodos da escola fictícia.
“Climax” também não conta com protagonistas, apesar da atriz Sofia Boutella ganhar destaque, pois a sua personagem Selva é a única que flana e é bem aceita por todos os grupinhos existentes na companhia de dança.
Confesso que eu fiquei bastante incomodada durante a exibição do filme, especialmente com a violência vista na telona e saí com uma sensação ruim, vampirizada pela história, mas nada comparado com o filme “Irreversível”, do mesmo diretor, e com a cena de estupro existente neste. Essa sim me deixou destruída emocionalmente e pensativa por vários dias.
Então, para quem não gosta de obras de fácil digestão e deseja assistir a um filme que mostra que o ambiente de companhias de dança também pode ser nocivo, perverso e que nada lembra a harmonia vista em “Homecoming”, eu indico a obra.
Essa festa cinematográfica é para poucos!
Maria Oxigenada
Foto: reprodução
 
DOMINÓ ENFILEIRADO
Um após o outro. Foi como se alguém empurrasse uma fila de dominós, pois no final todo mundo estava derrubado pela força dessa nova onda de gripe. A primeira a ser nocauteada foi vovó. Na madrugada da última quinta-feira, ela acordou vomitando. Para vocês terem ideia da potencia do vírus, não deu nem tempo para ela chegar ao toalete e ela acabou demarcando um caminho da roça azedo entre o seu quarto e o banheiro.
Mamãe acordou assustada com a movimentação e com os barulhos emitidos na calada da noite e tratou de socorrê-la porque ela estava um trapo humano e precisando tomar um banho morno e uma xicara de chá de camomila para acalmar a situação.
Feito isso, mamãe correu para o quarto para ver como seu pai estava e o encontrou sentado na cama chorando porque tinha feito o número 2 nas calças e estava reclamando de dores fortes na barriga. Não deu outra, né! Enquanto mamãe pensava no que fazer, outra rajada violenta o atingiu, imobilizando-o e obrigando-o a se aliviar em pé e no próprio quarto. Vixi!
Neste momento, eu ouvi a mamãe gritando ajuda ao papai e eu aproveitei para também pular da cama. O cenário visto foi de guerra porque não só o quarto, como também o corredor e o banheiro estavam completamente bombardeados com as marcas da avalanche interna da dupla.
Não esperamos amanhecer para dar um jeito naquilo porque o cheiro estava insuportável! Para evitar ânsias, cada um de nós amarrou um lenço no rosto cobrindo o nariz e a boca e fizemos o que tinha que ser feito, ou seja, um mutirão de limpeza para desinfetar os ambientes atingidos. Nossas armas foram água corrente, sabão em pó, desinfetante, cândida e luvas descartáveis, é claro!
A dupla ficou uns três dias a base de soro, chás, torradas e sopas ralas para reidratar o organismo, equilibrar a flora intestinal e evitar um novo ataque vindo sei lá de onde. Depois disso, as coisas começaram a se normalizar e eu consegui vê-los circulando pela casa como de costume.
O problema foi que o vírus ainda estava marcando presença entre nós e a próxima vítima foi o papai que, pelo jeito, estava com sua imunidade baixa e com sua saúde fragilizada. E diferente dos meus avós, com ele o alienígena se manifestou de maneira diferente e através de ondas febris, tremores e dores corporais intensas.
Sinceramente, eu não sei como saí ilesa desse episodio, mas mamãe não! Ela foi o último target do fantasminha e o problema é que quando mamãe adoece, as coisas desandam de verdade aqui em casa.
Chega a ser hilário porque nem isso ela tem direito de estar. Adoecer é um verbo não conjugado pela matriarca da família e mesmo cabisbaixa, ela não fica prostrada em cima de uma cama, não! Pelo contrario! Ela se arrasta até a cozinha com o intuito de orientar o trabalho da Maria e imprimir a dinâmica costumeira.
O fato é que a sessão de descarrego já aconteceu neste primeiro semestre e agora o negócio é estabilizar as energias locais, os chacras pessoais e tratar de tomar a vacina contra a gripe antes que sejamos atingidos por tsunamis ainda piores.
Agora, quem deseja afastar o encosto invernal, basta adotar medidas simples, tais como: abrir as cortinas e janelas diariamente para deixar que o ar fresco e novo circule pelo local, assim como lavar as mãos frequentemente com água e sabão, trocar as toalhas de mãos do banheiro e aplicar álcool gel sempre que possível e após o contato com maçanetas de portas, barras de ônibus e trens, válvulas de descargas e botões de elevadores, bem como evitar levar as mãos na boca desnecessariamente.
Outra sugestão é evitar lugares fechados e com aglomeração de pessoas porque o vírus adora este tipo de ambiente acolhedor. Fugir de pessoas que estejam espirrando e tossindo sem cobrir suas bocas com as mãos ou antebraços também é uma boa e melhorar sua alimentação com o consumo de frutas, verduras e legumes, além de hidratar o corpo frequentemente.  
E se vacine contra a gripe, pois a campanha de vacinação já começou e vai oficialmente até 31 de maio. Primeiramente, ela privilegia as crianças, os idosos, as gestantes, os portadores de doenças crônicas, professores, profissionais da área de saúde, encarcerados, indígenas, mas todos nós devemos lançar um escudo contra esse inimigo invisível.
Importante ressaltar que bebês com mais de seis meses de idade podem receber a vacina. A novidade deste ano é que ela é diferente da do ano passado e trivalente, ou seja, protege contra os vírus da influenza A H1N1, Influenza A H3N2 (atualizado) e Influenza B Victoria.
O que não dá é deixar o vírus à solta, sem ser cercado e com potencial para formar outro paredão de fuzilamento domestico, pois ele tem condições para entrar para o livro de recordes como o detentor de o maior número de abatidos neste inverno.    
Fica a dica.
Maria Oxigenada    
Foto: reprodução           
 
HOMECOMING
Não dava para a data passar em branco, né! E nem vai! No último dia 29 de abril foi celebrado o dia internacional da dança e ele casou com o lançamento  do documentário “Homecoming”, da Netflix, sobre a apresentação da cantora Beyoncé no Festival Cochella de 2018. 
A festa vista no filme mostra duas apresentações feitas na ocasião, mas também os meses que antecederam os shows feitos, como os ensaios dos bailarinos, com as backing vocals, assim como a afinação da orquestra e da banda marcial presentes, mas o mais interessante da produção foi acompanhar toda a evolução física e emocional da cantora, pois Beyoncé tinha acabado de dar a luz aos seus filhos gêmeos, estava completamente fora de forma e precisando suar a camisa e correr atrás do prejuízo para segurar a onda na frente de milhões de pessoas.
Pela primeira vez na história do festival de músicas, uma mulher negra foi a principal atração, por isso a ideia de registrar o momento e relembrar os tempos de faculdade, das apresentações de fanfarras e das coreografias feitas por animadoras de torcida em estádios e gramados.
Para marcar ainda mais a ocasião, a cantora e sua equipe decidiram colocar sob os holofotes profissionais negros, artistas pouco conhecidos e ainda, trabalhar com a diversidade e com pessoas de diferentes tipos físicos. Em muitas cenas é possível observar a cantora cedendo espaço diante do público para os demais também brilharem.
O mais bacana de tudo é que a sororidade está presente na película, assim como outros alicerces que evidenciam a força criativa e de ação das mulheres. Entretanto, os homens não ficam as sombras e eles também ganham destaque, fortalecendo o conceito de equidade de gênero sob os holofotes.
O palco torna-se o lugar mais democrático de todos e em várias passagens ele parece multiplicar os talentos presentes. Falando sobre isso, a reunião feita permanece por mais de duas horas de show, pois os músicos estão dispostos em uma arquibancada. Já os bailarinos dividem-se entre o palco central e as passarelas montadas entre o público.
E como boa virginiana que é, Beyoncé mostra-se perfeccionista, obsessiva com a execução das coreografias e das músicas, mas também uma pessoa cuidadosa com quem a cerca e uma produtora de altíssimo nível.
A artista deixa transparecer em vários registros feitos que sua família sempre estará em primeiro lugar em sua vida, especialmente seus três filhos que ainda são crianças pequenas. 
Juntamente com o documentário que mostra os bastidores dos shows, Beyoncé também lançou um novo álbum intitulado “Homecoming: The Live Album”. E a boca pequena soltou nas redes sociais recentemente que ela irá fazer uma nova turnê mundial para divulga-lo. Uhu! 
O fato é que se ela resolver aportar por aqui é claro que eu irei bater ponto em alguma de suas apresentações e ver de perto qual é o seu “borogodó” e se ele supera o das bailarinas de fit dance ou as fanqueiras brasucas.
Uma coisa é imbatível: o seu figurino. Sempre criativo, colorido e com referencias atuais como botas com franjas, peças de lurex, malhadas e inspiradas nas fardas militares, além de looks esportistas que se encaixam na proposta original do álbum.
Apesar disso, Beyoncé é truqueira e sabe ressaltar seus pontos altos, como pernas e bumbum usando meias de compressão, meias arrastão com brilho, hot pants, shorts jeans desfiado e bodies bordados em parceria com capas ou feitos de mangas longas e com detalhes estrategicamente posicionados para criar assimetria às produções.
Eu já sabia que ela era virada no Jiraya e que seu sucesso não é algo passageiro! Ela entregou o que todos esperavam: uma pitada de intimidade, pois mostrou seus filhos e marido, um tiquinho de naturalidade porque apareceu suada, sem make e descabelada durante os ensaios e uma porção enorme de profissionalismo.
A dança também está bem representada em outra obra em cartaz nos cinemas da capital paulista. Trata-se do documentário “Marcia Haydée – Uma vida pela dança” sobre uma das principais bailarinas e coreografas brasileiras que começou a dançar aos três anos, se aperfeiçoou na escola de balé The Royal Ballet, de Londres, e trabalhou com Richard Cragun, Rudolf Nureyev, Jorge Donn, Maurice Bejárt, entre outros.
Dois belos presentes visuais para quem, como eu, ama dançar e assistir espetáculos da modalidade!
Beijocas,
Maria Oxigenada
Foto: reprodução          
 
VINGADORES:ULTIMATO
O conto infantil “Festa no Céu” me veio à cabeça depois que saí da sessão do filme “Vingadores: Ultimato”. A confraternização nas alturas era somente para bichos que voavam, mas o mestre Sapo deu seu jeito de bater ponto no evento indo na viola do Urubu.   
Na película também há uma reunião de heróis de 22 filmes feitos pelo estúdio Marvel nos últimos 11 anos, mas o que difere a obra do conto é que ela se inicia com alguns heróis ameaçados, em luto, lamentando a morte de seus amigos depois que Thanos (Josh Brolin) dizimou 50% das criaturas vivas do universo.
A galera do bem se reúne somente nos últimos 30 minutos da película, mas antes disso o espectador fica sabendo como está a rotina dos heroicos sobreviventes.
Homem de Ferro/Tony Stark (Robert Downey Jr) está aposentado e morando em uma fazenda com sua família. Já o Capitão América é conselheiro dentro de grupos de apoio aos parentes de vítimas do ultimo atentado de Thanos, enquanto que Clint Barton/Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) está em Tóquio fazendo justiça com as próprias mãos e Thor (Chris Hemsworth) se transformou em um pingaiada, ostentando um corpicho de ogro boy e distante daquele herói que arrancava suspiros da mulherada e que o consagrou como Deus do Trovão.
O pedala ou chacoalhão nos reminiscentes acontece depois que a Capitã Marvel chega a Terra trazendo a aeronave do Homem de Ferro que estava perdida no espaço. Dentro dela estava o próprio e também a Nebulosa (Karen Gillan). Aliás, é ela quem revela ao grupo onde seu pai está, ou seja, o local onde Thanos escolheu para viver desde então. 
É claro que este primeiro encontro não estaria completo sem a presença da Natasha/Viúva Negra (Scarlett Johansson), James Rhoades/Máquina de Combate (Don Cheadle) e Rocket Racoon (Bradley Cooper). Juntos com o  Capitão América e Thor eles embarcam na nave dos Guardiões da Galáxia e na aventura que levará ao grandalhão azulado.
A surpresa do encontro é saber sobre o destino dado por Thanos às joias do infinito e qual seria o lugar onde nossos heróis poderiam recuperá-las: no passado, é claro! Viajar no tempo é a única solução para reaver alguns dos personagens perdidos e para estabelecer a paz universal.
Para isso, o grupo precisa desenvolver uma máquina do tempo e contar com a ajuda de Bruce Banner/Hulk (Mark Ruffalo), do Homem Formiga (Paul Rudd) e do Gavião Arqueiro. 
O problema é que sempre quando se cogita viajar no tempo há a possibilidade de alterar a realidade presente, pois mudar o passado é mudar o hoje, por isso eles voltam alguns anos somente com a missão de recuperar as seis joias e não restabelecer vínculos.  
Falando em reconciliações, a principal delas em “Vingadores: Ultimato” acontece entre o Homem de Ferro e o Capitão América, pois os dois andavam estremecidos nos últimos tempos, mas isso foi importante porque fez ambos refletirem sobre o assunto, um aconselhar o outro sobre o futuro, amarrando  as pontas que estavam soltas na historia pessoal da dupla.
E por incrível que possa parecer, “Vingadores: Ultimato” consegue atar tudo com um ponto ajustado às expectativas dos amantes de HQ e apaixonados pelos heróis, pois apresenta uma narrativa coesa, um ritmo fluído, ótimas atuações, um roteiro surpreendente e que concede espaço para romantismo, cenas dramáticas, tiradas cômicas, referências cinematográficas e despedidas definitivas; tudo acompanhado de uma trilha sonora e por músicas que potencializaram ainda mais os eventos ocorridos na telona.
Eu não darei nenhum spoiler neste texto, porém a reunião final dos heróis surtiu um resultado positivo porque saí do cinema mais do que satisfeita. Saí emocionado com o filme, com o trabalho dos roteiristas e da produção, com o cuidado tomado pelos montadores e com a visão estratégica de Anthony e Joe Russo, diretores do longa-metragem, pois eles souberam criar uma longa jornada que resultou em um evento cultural de três horas que entrará para a história cinematográfica. 
Eu amei a festa no céu, ou melhor, a festa de despedida de os Vingadores!  
Maria Oxigenada
Foto: reprodução   
  
 
 
GLOBO TERRESTRE
Eu sempre fiquei hipnotizada com o globo terrestre! A brincadeira antes do inicio das aulas de geografia era girá-lo com força, escolher um lugar com a ponta do dedo indicador e perguntar para o colega ao lado em qual continente ele tinha estacionado?
O fascínio pelo globo e a fantasia de conhecer o maior número de países e culturas diferentes ao longo da minha vida continua em pé e eu sigo atrás de novas experiências, aprendizados e destinos.
Desta vez, a semana de moda paulistana (SPFW) aterrissou em lugares completamente distintos das edições anteriores, refletindo não só sobre as belezas naturais, como também sobre a topografia, a arte de rua e até, sobre alguns problemas atuais.
Miami, por exemplo, foi a escolha de Reinaldo Lourenço. Os pores do sol, assim como a arte de rua encontrada na cidade americana puderam ser identificados em suas peças, especialmente porque o estilista optou por construir uma coleção colorida, com muitas sedas tie-dye, metalizados e sapatos baixos (Oxford); tudo numa mood anos 70.
Já a estilista Lenny Niemeyer foi quem fixou estaca em terras desconhecidas, nas curvas de mapas topográficos e nos desenhos criados naturalmente pelo solo, por isso sua escolha em trabalhar com uma cartela de cores terrosas, com tramas artesanais, tricôs, teares, soutache (trança decorativa), aplicações, transparências obtidas pelo uso da organza e o  tie-dye.
Pegando gancho no natural, a marca Patrícia Vieira criou mosaicos com retalhos de couro e desenvolveu peças que privilegiaram a flora nacional e ankle boots amarradas nos tornozelos para melhor sustentar sua proposta de 0% de desperdício. 
Já a marca Fabiana Milazzo preferiu se inspirar nos quadros e obras do artista plástico Vik Muniz, especialmente a série desenvolvida para o documentário “Lixo Extraordinário”, onde o artista criou parceria com os catadores de materiais reciclados de Gramacho (aterro sanitário) e fez quadros usando essas matérias-primas, por isso na coleção há muitos canutilhos, organza e o uso de algodão.
Enquanto isso, a marca Lilly Sarti aportou sua coleção no conforto e bem estar mostrando calças molengas, inspiradas no figurino usado por personagens de contos de fadas como Aladdin, além de tops de crochê e camisetas com camadas de babados nos ombros.
Aliás, os ombros receberam atenção especial também da estilista Gloria Coelho através da confecção de peças com mangas feitas de tules, mas como sempre ela levou às passarelas uma moda usável, sofisticada, urbana e com muita alfaiataria P&B. Destaque para os tênis-meia e para os tênis afivelados. 
Já a marca Bobstore foi quem iluminou as tendências para o verão 2020 com o uso de cores vibrantes, franjas longas, vestidos com recortes ou longos com fendas reveladoras. A label explorou a ráfia de dupla face, a estampa de cobra colorida e os coletes longilíneos, usados principalmente em parceria com shorts e bodies justinhos.
A vibe nas alturas foi mantida durante o desfile da Modem, pois a marca mostrou peças desmontadas, desabotoadas, assimétricas e em couro metalizado e plissado. Destaque para os óculos escuros com detalhes em neon e para os maxi brincos únicos.
Em contrapartida, o estilista João Pimenta transformou seu desfile em um manifesto a favor das artes, contra os cortes de incentivo à cultura, o possível retorno da censura e até da ditadura militar, por isso a presença de muitos looks verde-oliva, roupas manchadas, gastas, modelos com sacos plásticos nas cabeças numa referência às sessões de tortura e peças com os ossos humanos impressos. 
Outra marca que exteriorizou nas passarelas seu descontentamento com as posturas intransigentes vistas hoje em dia foi Ronaldo Fraga. O estilista se inspirou no quadro “Guerra e Paz”, de Cândido Portinari, mostrando muitas túnicas, calças largas, vestidos soltos, blusas compridas, crochês em cores vibrantes, mas também camisetas estampadas como a de índios crucificados  e capacetes com livros sujos de sangue, bonecas mortas, armas atirando em flores, pipas destruídas, etc.   
Enquanto isso, a marca Pat Bo sonhou com um Brasil de outrora, esvoaçante, alegre, sem problemas sociais e que ainda enxergava suas riquezas naturais, especialmente sua fauna como diferencial, por isso a presença de estampas tropicais, bolsas de palha e flats bordadas. Linda a calça pêssego com babados vista na ocasião!
Lindo também foi ver o desfile de Lino Villaventura com toda a abundância de referencias e criatividade contida neste porque o estilista não ignorou sua história, mas também fez questão de evidenciar as produções feitas com sacos plásticos como os macacões masculinos e looks estruturados que pareciam leques abertos.
Outro acessório que já ocupou o posto de Geni no passado e que caiu nas graças da maioria dos foliões no último carnaval teve seu momento replay durante a SPFW, pois as pochetes fizeram mais de uma entrada na ocasião e em desfiles como o de Gloria Coelho, Handred e Another Place. Esta ultima marca colocou uma versão cruzada nas costas femininas.         
O fato é que esta edição da SPFW fez longas travessias, mudou algumas rotas e seguiu por caminhos tortuosos, porém necessários para mostrar o quanto o mercado é diverso e amplo, mas também acidentado e com particularidades somente identificadas pelos brasileiros. 
Uma viagem e tanto!
Maria Oxigenada             
Fotos: reproduções


TERRA DE NINGUÉM
O título da matéria não tem a intenção de aludir às cidades cosmopolitas, tais como Londres e Paris que são lugares conhecidos por receber pessoas de todas as partes do mundo e onde é possível ouvir idiomas diferentes caminhando por suas ruas e avenidas, mas sim falar sobre o tráfego nas ciclovias da capital paulista.
É! Ele está superando o vai e vem visto em rodovias como Presidente Dutra, Régis Bittencourt, Anchieta ou Anhanguera, todas conhecidas por serem vias de tráfego pesado. E o que antes era reduto apenas das bicicletas, patins e skates, agora ganhou o reforço de patinetes e de monociclos elétricos (aquela roda única motorizada que a pessoa se equilibra em pé sem segurar em guidão e que parece ser mais um dos acessórios usados por malabaristas de circo).
Quero deixar bem claro que sou a favor da mobilidade urbana, dos transportes alternativos, baratos, limpos e não poluentes, mas nos últimos tempos está uma loucura atravessar ciclovias e caminhar por algumas regiões da cidade. 
A frase que mais se encaixa no momento é: Perdeu, pedestre! Perdeu! Perdemos respeito, espaço, preferência nas vias públicas e estamos mais vulneráveis do que nunca!
Chega até ser difícil de descrever o cenário de “guerra” para vocês, pois é um querendo passar por cima do outro ou ganhar a dianteira na corrida sobre rodas. Os piores têm sido os usuários de patinetes que surgem de todos os lados, trafegam na contramão e não no sentido dos veículos, além de calçadas, abandonando seus brinquedinhos de qualquer maneira e não nos pontos privados das empresas parceiras ou mesmo, perpendicularmente como fazem as motos. 
A bizarrice anda tamanha que outro dia enquanto eu estava me dirigindo à academia eu flagrei três malucos em um único patinete e no maior pau na ciclovia da Faria Lima. Eles pareciam se divertir, mas o bonde é proibido por lei, assim como o uso de patinetes por menores de 18 anos. 
Tá! Tá! Eu sei que o ápice de liberdade e bem estar é andar de bike, skate, patins e patinete ouvindo músicas, mas meu conselho para quem circula nos horários de pico pelas ciclovias e ciclo faixas é evitar o uso de fones de ouvido e ficar atenta à sua condução e também a dos demais.
E nunca, jamais e em hipótese alguma ande de monociclos elétricos, bem como patinetes e bicicletas motorizadas depois que tiver ingerido álcool para evitar possíveis acidentes, tombos, capotes homéricos e acabar virando meme gratuitamente nas redes sociais. 
Importante também usar capacetes ajustados adequadamente, roupas ou coletes coloridos como os bikers para que tanto os motoristas, como os pedestres tenham facilidade em enxerga-las de longe. 
E não vai dar uma de Mulher Maravilha e sair por aí livre, leve e com as mãos soltas dos guidões, não! Exceto se você estiver circulando com um exemplar de monociclo elétrico, aí sim você pode até assumir a postura altiva da Capitã Marvel.  
Outra sugestão é para traçar suas rotas antecipadamente, sinalizando com as mãos as mudanças de percurso assim como fazem os ciclistas e, por favor, voem baixo em suas aventuras sobre rodas para evidenciar que as ciclovias e ciclo faixas também são lugares de tráfego de pessoas educadas e preocupadas com o amanhã, com o meio ambiente e com o ir e vir de tantas outras que preferem deixar seus carros empoeirando nas garagens.
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada      
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PET FRIENDLY
O feriado foi curto para vocês? Se bem aproveitados, os três dias de descanso foram mais que suficientes para recarregarmos as baterias para esta semana, né!
Eu e o Fê embarcamos em uma aventura diferente neste último final de semana. Nós fomos para Brotas, interior paulista, para nos aventurarmos em esportes junto à natureza e levamos conosco e a tiracolo o Almôndega.
Na atualidade, algumas agências de turismo estão promovendo passeios com os animais, tais como rafting, trekking, caiaque ou mesmo, boia-cross. A única ressalva é para que os pets não tenham medo de água e nem do friozinho na barriga surgido no decorrer da aventura.
Como o Almôndega já tinha feito stand-up paddle comigo, achei que não teríamos problemas, mas a verdade foi que ele amarelou durante o passeio de rafting. Até chegar próximo da primeira queda, ele estava curtindo o cenário e mastigando o ar como de costume, mas ao ver o degrau feito naturalmente pela água e a espuma branca acumulada nas laterais, ele saltou direto para meu colo, tremendo e com os olhos arregalados.
Ao final do percurso e após o instrutor encostar o bote na margem do rio, ele ainda ficou aninhado junto ao meu corpo. Esperei até que seus batimentos cardíacos se normalizassem para coloca-lo no chão e brincar com ele na água parada.
O mico só não foi maior do que o protagonizado pelo Catatau, cachorro da Letícia, na creche canina do bairro. Ela o levou ao local com o objetivo de gastar a energia acumulada e aprender a socializar com outros cães, mas o tiro saiu pela culatra logo na primeira tentativa.
Ao coloca-lo dentro da piscina da creche, ele se debateu em direção a sua borda e começou a raspar suas unhas na extremidade, implorando pelo resgate. Nem mesmo o incentivo do cão da proprietária que se jogou na piscina ao comando do instrutor e cumpriu 10 m de braçadas serviu de estimulo para o Catatau. Ele simplesmente travou e colocou ponto final nas boas intenções da Letícia.
Eu e o Fê também não forçamos a barra com o Almondega e mudamos nossos planos para o domingo de Páscoa, optando por fazer uma trilha no meio da mata com o queridão. É claro que em alguns momentos eu tive que carrega-lo no colo, especialmente quando precisamos cruzar um pequeno riacho nos equilibrando sobre as pedras, mas ele pulou de alegria quando chegamos aos pés da cachoeira e começou a correr atrás do seu próprio rabo. Crazy, crazy!
A aventura me permitiu tomar consciência das limitações do meu melhor amigo e da necessidade de eu ir com mais calma com as programações feitas em sua companhia.
O mais engraçado de tudo é que a bateria do Almôndega arriou durante a viagem de volta de tão cansado que estava. Ele nem correspondeu à farra feita pelo papai, rumando direto para sua casinha e permanecendo enrolado no seu cobertorzinho até a manhã desta segunda.
Eu não sei se os animais guardam lembranças de episódios vividos, mas com certeza o Almôndega terá espasmos e contrações musculares repentinas em decorrência de sonhos e pesadelos relacionados à última aventura aquática e que tinha como intuito apenas oxigenar o seu feriado de Páscoa, há, há, há..
Boa semana!
Maria Oxigenada   
Foto: reprodução
 
BILLY ELLIOT-O MUSICAL
Quando eu assisti ao filme “Billy Elliot” no início dos anos 2000, eu me comovi bastante, mas conferir ao musical homônimo deu outro sentido à história do garoto que deseja ser bailarino, pois ela se tornou mais crível e real diante dos meus olhos, apesar de ser ambientada na Inglaterra e retratar uma realidade distinta da nossa.
O protagonista da obra é o filho caçula de uma família de mineradores, órfão de mãe e um garoto que gasta seu tempo entre o colégio, brincando com seu melhor amigo Michael Caffrey e frequentando as aulas de boxe, atividade que odeia. 
Certo dia, ele descobre a dança e as aulas de balé realizadas no mesmo local e se torna o único menino no grupo feminino. Logo de cara, ele chama atenção de Mrs. Wilkinson (Vanessa Costa), professora de balé, pela sua postura, capacidade de realizar os giros e as posições da modalidade clássica, além de sua elegância ao dançar.
A professora se propõe a dar aulas particulares ao garoto e prepara-lo para  participar de uma audição na escola The Royal Ballet, de Londres, e concorrer a uma bolsa de estudos no local.
O problema é que para isso Billy precisará da autorização de seu pai, pois é menor de idade e não pode viajar a capital inglesa desacompanhado. Outro empecilho é que tanto seu pai como irmão são pessoas muito broncas, machistas e enxergam a dança não como uma forma de arte e expressão ou uma oportunidade para fazer uma mudança radical na vida do garoto, mas sim como algo afeminado e destinado à elite.
É claro que durante o musical há piadas sobre a temática, mas acredito que elas foram mantidas porque o preconceito continua aí, fazendo parte da rotina de quem dedica sua vida a dançar, contracenar e bailar por outras artes.
Interessante o contraponto feito em dois momentos distintos do espetáculo. Um quando Billy descobre que seu melhor amigo Michael Caffrey gosta de brincar com as roupas de sua mãe e não o julga por isso e outro quando sua avó (Inah de Carvalho) comenta com o dançarino mirim que seu avô era um homem ignorante e violento, mas que apesar disso ela o amava porque quando a tirava para dançar nos bailes, ele parecia o Fred Astaire, um dos maiores dançarinos que Hollywood já teve.
Mas o fio condutor do musical “Billy Elliot” não é esse e sim, a busca e realização dos sonhos e desejos pessoais, a quebra de paradigmas, as mudanças comportamentais percebidas por quem está no entorno do garoto porque não só os familiares de Billy, como também os trabalhadores das minas de carvão de County Durham, seu professor de boxe e suas colegas de balé têm consciência do dom do garoto e da sua chance única de traçar um destino diferente para si, por isso fazem uma vaquinha e o ajudam a ir para Londres participar da audição.
“Billy Elliot – o Musical” também faz uma crítica a politica adotada pela primeira ministra Margareth Thatcher, especialmente porque ela queria fechar as minas de carvão, diminuir o poder do sindicato, enfraquecer o movimento popular no final da década de 80, assim como estimular as privatizações das empresas, encerrando um modo de vida iniciado com a revolução industrial.
A história é tão boa que o musical é um grande sucesso mundial, foi vencedor de 10 Tony Awards e 5 prêmios Olivier Awards e já foi montado em vários países diferentes. A versão brasileira conta com a participação de 49 atores, 17 músicos e 80 técnicos. Já as músicas ouvidas são obra da criatividade do cantor e compositor Elton John. 
Agora, o mais bacana de tudo é ver os números de dança, especialmente os de sapateado e de acrobacia, pois durante a execução da música “Eletricity” o ator que interpreta Billy literalmente voa pelo palco. O dueto feito entre os personagens Billy e seu melhor amigo Michael Caffrey também é de arrepiar quem está na plateia, especialmente porque os dois garotos são muito carismáticos! No dia em que assisti ao musical, o ator Paulo Gomes interpretou Michael Caffrey e Richard Marques vestiu as sapatilhas de Elliot.
A verdade é que as crianças estão muito bem amparadas em cena, contando com o suporte de atores veteranos e que os ajudam a costurar essa narrativa de maneira sensível, tocante e real aos nossos olhos. Destaque para a irreverência da atriz Inah de Carvalho (avó) e para a voz de Marcelo Goés (Big Daves), mas os atores Carmo Dalla Vecchia, Beto Sargentelli, Vanessa Costa, Marcelo Nogueira e os demais em cena não fazem feio diante do público, não!
Apesar disso, eu achei o início do espetáculo fraco e com as primeiras cenas cheirando a peças amadoras. A boa notícia é que com o passar do tempo há uma crescente interpretativa, culminando na total absorção dos espectadores nessa aventura que conta com um desfecho apoteótico e com todos os atores no palco cantando e dançando conjuntamente.
Confesso que senti falta da cena final do filme, onde Billy já adulto se apresenta para o grande público como primeiro bailarino da escola e observa seu pai e irmão sentados na primeira fila do teatro com os olhos lacrimejando  e explodindo de orgulho dos feitos do caçula da família em cima das sapatilhas.   
Para quem deseja fazer um programa cultural durante o feriado de Páscoa, para os que precisam de um incentivo para cair na pista de dança e para aqueles que querem ser transformados pelos musicais que geram grande empatia, conforta nossos corações, mas também tem o poder de quebrar tabus e abrir nossos olhos para a realidade vivida no século XX, eu indico a obra. 
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: teatro Alfa, localizado na rua Bento Branco de Andrade Filho, 722.
Quando: sexta, às 21h; sábado, às 15h e 20h; domingo, às 14h e 18h30. Sessão extra, dia 19 de abril, às 15h.
Temporada: até 30 de junho de 2019.
Preço: R$ a partir de R$ 37,50 (meia-entrada) e R$ 75,00 (inteira)
Foto: reprodução
 
DE PERNAS PRO AR 3
O que tem pra hoje? A perguntinha capciosa cai bem para quem não costuma fazer a lição de casa, pesquisar com antecedência e montar uma programação cultural para os dias de folga.
Feriado prolongado chegando, eu me adiantei e já passei um scanner nas revistas semanais, nos guias de espetáculos do mês, além de dar aquela olhada no caderno de cultura e na internet para entregar tudo mastigadinho para vocês com comentários sobre alguns filmes, musicais e peças em cartaz na atualidade. 
Isso é bem coisa de mãe, né!? Menos, minha gente! Isso é atitude de quem adora o que faz e tem prazer em circular pela cidade para indicar programas bacanas às pessoas que não irão cair na estrada durante a Páscoa, preferindo desfrutar dos sabores de uma cidade vazia. 
O filme “De pernas pro ar 3” é uma das opções disponíveis no momento e o terceiro filme de uma bem sucedida franquia que nos faz rir com as aventuras sexuais e empresarias de Alice (Ingrid Guimarães), dona de uma rede sex-shop chamada Sex-Delicia, e que vive na correria, ou melhor, viajando de um país para outro para aumentar sua fatia de mercado internacional e manter sua liderança no Brasil.
Nos últimos seis anos, espaço entre o segundo e terceiro filme, os negócios de Alice ganharam vulto, mas a empresária mantém os mesmos problemas de antigamente, especialmente o de tentar equilibrar sua vida pessoal e profissional. É claro que ela continua bem assessorada pelo marido João (Bruno Garcia), pela empregada Rosa (Cristiana Pereira) e pela mãe Marion (Denise Weinberg), mas caiu em si, percebendo que a passagem do tempo foi implacável e que ela negligenciou sim os cuidados e a educação de seus dois filhos: Paulinho (Eduardo Mello) e Clara (Duda Batista).
Inesperadamente, ela decide se aposentar, deixando a gerencia de seus negócios a cargo de sua mãe. A pergunta que não quer calar é: por quanto tempo? Como todo mundo sabe, a personagem é viciada em trabalho, além de ser uma mulher competitiva e visionária. 
Tanto é verdade que fica incomodada com o surgimento de uma jovem competidora no mercado chamada Leona (Samya Pascotto) e seus óculos tridimensionais do prazer, pois os brinquedinhos sexuais mudaram nos últimos anos, superaram o coelho vibrador com sorriso sacana que tanto conquistou as espectadoras do passado e agora, eles fazem parte de outra realidade: a virtual.
O bacana da película é que ela continua tocando no empoderamento feminino, mas também em outra palavrinha muito ouvida hoje em dia que é a sororidade, ou seja, as alianças femininas feitas em prol de uma causa. Outro ponto positivo é que a obra fala sobre o falso moralismo da sociedade atual.
O sexo que é bom ficou para terceiro plano e a trilogia termina com um filme para toda a família, para ser visto em uma sessão da tarde e acompanhado de um balde de pipoca.
Ingrid Guimarães encara com segurança sua personagem, afinal de contas é a terceira vez que a veste a sua fantasia de Alice na última década. A atriz respeita o tempo de comédia e sabe como ninguém divertir a plateia, especialmente em cenas onde dá asas as suas fantasias e aparece acompanhada de galãs.
A minha critica recai sobre a participação minúscula da atriz e apresentadora Maria Paula, pois sua personagem Marcela sempre fez um contraponto interessante ao estereótipo de mulher certinha, recatada e do lar e aos destemperos de Alice.
O filme ainda conta com uma boa fotografia e paisagens deslumbrantes tanto da cidade do Rio de Janeiro como de Paris. Aliás, ele serve como guia para a Cidade Luz, mostrando a Torre Eiffel, as margens do rio Sena, a Avenida Champs-Elysées, o Jardim das Tulherias, entre outros pontos turísticos locais.
Confesso que me diverti durante os 108 minutos de sua duração do longa e saí do cinema leve, com um sorriso estampado no rosto e já com saudades dos personagens do filme. 
Vale o ingresso.
Maria Oxigenada 
Foto: reprodução   
      
  
  
 
APARECIDA
A fé remove montanhas! Quantas vezes já ouvimos o dito popular que reafirma que nada é impossível para quem acredita em uma força superior e tem autoconfiança? Aliás, é ela quem conduz este musical com pegada religiosa e ideal para ser assistido nos dias que antecedem o feriado de Páscoa.
O espetáculo conta a história da santa e de como a imagem de Nossa Senhora da Conceição foi descoberta por pescadores nas águas do rio Paraíba do Sul, em 1717, e levada para a capela de Itaguaçu antes de ocupar lugar de destaque na basílica de Aparecida do Norte.
Alguns milagres atribuídos a ela ganham espaço na obra, tais como: a multiplicação dos peixes depois que sua imagem foi retirada do rio em uma rede de pesca, as velas que se acenderam segundos depois de terem sido apagadas por um vendaval, além da quebra das correntes de Zacharias, escravo fujão que diante da igreja fez o pedido de ser um homem liberto e suas algemas partiram ao meio.
Outro episódio que mereceu destaque na obra foi o do cavaleiro que tentou adentrar a igreja montado em cima de seu cavalo, mas foi impedido porque o animal ficou com uma de suas patas presa na escadaria local. Aliás, até pouco tempo atrás era possível ainda ver a marca impressa da ferradura nos degraus da igreja velha da cidade.
E como se não bastasse tudo isso, a obra ainda mostra os desafios enfrentados por uma restauradora para conseguir colocar em pé novamente a imagem original, pois esta foi estraçalhada em 1878.
Mas quem pensa que o musical está com aquele cheiro característico de naftalina, engana-se completamente! Ele também foi ambientado no presente e relata a história de um casal formado por Clara (Bruna Pazinato) e Caio (Leandro Luna).
Ele é um advogado arrogante, portador de um câncer raro no cérebro e que está perdendo a visão por causa do tratamento feito. No entanto, o ceticismo do casal é colocado à prova e ao longo do espetáculo, os personagens vão sofrendo transformações através da fé adquirida com o intuito de encontrar conforto e segurança para continuar seguindo em frente.
“Aparecida – o Musical” conta com 33 artistas em cena, 12 músicos e 20 canções com letras originais e feitas especialmente para a obra, por isso a narrativa histórica da primeira parte é musicada e mais difícil de ser digerida por quem não está acostumado com o gênero. 
Entretanto, as canções entoadas no palco têm aquela pegada brasuca de fácil identificação e bem diferente das vistas em outros musicais oriundos da Broadway. Já a passagem do tempo é demarcada pela alternância dos instrumentos em destaque em cada uma das cenas.
Um dos pontos altos da peça é a sua iluminação que foi criada por César de Ramiro. O figurino usado é outro destaque do espetáculo com peças feitas em algodão e rendas, assim como as coreografias de Fernanda Chamma que suavizam a trama contada sob os holofotes.
Confesso que achei a primeira parte do musical cansativa, apesar de ser a que está mais recheada de acontecimentos e milagres, mas a peça possui um desfecho alto astral, com a presença e participação de todos os artistas envolvidos na produção. Foi de arrepiar o dueto visto entre duas vozes masculinas no palco cantando “Ave Maria”, de Charles Gounod.
Acredito que “Aparecida – o Musical” ainda caia no gosto popular e trace uma bem sucedida trajetória, assim como aconteceu com o musical “Os Dez Mandamentos”, especialmente se levarmos em conta que a basílica é visitada por 17 milhões de pessoas anualmente e que elas também podem se interessar por conferir o show.
Para quem deseja assistir a um espetáculo sobre fé, sobre superação, sobre as transformações sofridas por pessoas incrédulas e sobre a história da padroeira do Brasil, eu indico a ida ao teatro.
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: teatro Bradesco, localizado na Rua Turiassu, 2100 – Perdizes.
Quando: sexta, às 21h; sábado, às 16h e 21h; domingo, às 15h e 19h30.
Temporada: até 05 de maio de 2019.
Preço: a partir de R$ 75,00 (inteira) e R$ 37,50 (meia-entrada).        
Foto: reprodução
 
GLORIA BELL
“O mundo acaba hoje e eu estarei dançando”, refrão da musica “Dançando”, da  cantora Pitty, é perfeita para descrever a personagem principal do filme “Gloria Bell”. A protagonista da obra é uma mulher acima de 50 anos, divorciada, mãe de um casal de adultos e que trabalha em uma empresa de seguros.
Gloria sofre com a síndrome do ninho vazio, mas ela faz de tudo para amenizar seus efeitos participando de aulas de ioga, de terapias em grupo, meditando e saindo para dançar as noites. Aliás, esta é a sua grande paixão e é onde ela realmente se solta e expurga seus demônios e frustrações.
Como a maioria das mulheres de classe média e em sua faixa etária, Gloria precisa continuar trabalhando e equilibrando suas contas mensais, assim como planejando sua aposentadoria e dando aquela força para o filho Peter (Michael Cera) nos cuidados com seu neto pequeno, pois sua nora vive ausente.
Já sua filha Anne (Caren Pistorius) está envolvida com um surfista sueco de grandes ondas e precisa decidir se irá encarar a aventura de manter um relacionamento à distância ou se mudará para outo país para ficar ao lado do sereio.
O bacana do filme é que ele constrói uma protagonista independente e que não precisa ostentar um homem a tiracolo. Apesar disso, ela conhece Arnold (John Turturro), um ex-policial da marinha, recém-separado, que hoje é proprietário de um clube de paintball e os dois acabam se envolvendo.
Outro ponto interessante da obra é que ela evidencia as fragilidades e dificuldades masculinas perante uma separação amorosa, assim como traça um paralelo entre homens e mulheres em relação às questões de idade e solidão. Arnold é retratado como uma pessoa infantil, que não assume novos relacionamentos, que se amedronta diante das filhas e da ex-mulher, mas que continua sustentando-as financeiramente e emocionalmente.
Apesar disso, Gloria dá mais de uma chance para Arnold porque ela acredita no amor e na possibilidade de ser feliz na maturidade, mas ele pisa na bola mais de uma vez e ela parte para cima do “banana” para colocar os pingos nos is e para mostrar seu empoderamento.
A graça de “Gloria Bell” reside na interpretação da atriz Julianne Moore e na construção de um personagem cheio de nuances. A atriz não teve problemas em se despir diante das câmeras e emprestar suas marcas de expressão e o próprio corpo para Gloria e isso é incrível!
Entretanto, a película conta com uma historia simplista, porém bem amarrada e que é impulsionada por uma trilha sonora composta por músicas das antigas, tais como: “Gloria”, “Ring me Bell”, “Alone Again”, “Total eclipse of the heart”, “O’Sullivan”, entre outras que ajudam na construção do retrato de uma mulher em movimento e que segue em frente apesar dos pesares.
Para quem não sabe, “Gloria Bell” é a refilmagem da película chilena “Gloria”, feita em 2013 e que também foi dirigida por Sebastián Lelio. Sua versão latina foi protagonizada pela atriz Paulina Garcia que ganhou o urso de prata de melhor atriz no Festival de Berlim, na Alemanha.
Julianne Moore também é uma atriz premiada e já levou para casa uma estatueta dourada em 2015 pelo filme “Para sempre Alice”, além de um Globo de Ouro, um Bafta e a estatueta dada pelo sindicato dos críticos de cinema pela mesma obra, então está mais do que justificado sua escolha para dar vida e acentuar as cores de Gloria.
E por que vale a pena assistir ao filme? Porque ele faz um retrato de uma personagem plena, que tem necessidade de se libertar das amarras sociais e que equilibra momentos de felicidade com outros melancólicos como qualquer outra pessoa.
Minha sugestão é para vocês assistirem aos dois filmes, tanto o chileno como o americano e fazer suas comparações a respeito das diferenças e semelhanças entre ambos.
Quanto a mim, eu vou continuar dançando em direção as novas experiências e aventuras, especialmente as que envolvem novos ritmos e possibilidades de novos aprendizados.
Beijocas,
Maria Oxigenada
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FOOD FORUM
Imaginem a cena sob os holofotes: amigos reunidos em circulo. Quem achou que era uma roda de samba em ação ou mais um despretensioso happy-hour entre a galera do escritório enganou-se completamente!
Na semana passada, chefs de cozinha, cozinheiros, pesquisadores, empresários, nutricionistas e estudantes da área se reuniram no teatro Santander para participar do fórum de comida com o intuito de pensar a comida, o futuro da alimentação, mas também a questão da fome, os desperdícios e reaproveitamento dos alimentos, o direito que todos nós temos de comermos saudavelmente, assim como a importância dos laços de confiança formados com fornecedores e colaboradores.
O dia foi intenso! Fato. E muito do que foi dito eu já tinha ouvido nos últimos congressos internacionais de gastronomia realizados aqui mesmo na capital paulista, mas a ciranda de trocas nos apresentou outras temáticas de real importância para quem pensa, estuda ou tem aquele pezinho na cozinha.
A informação mais impactante divulgada durante o fórum foi de que 15,3 milhões de pessoas vivem em situação de pobreza extrema no Brasil, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e passam fome!
Outro dado chocante que chegou ao nosso conhecimento foi que nós desperdiçamos anualmente 1,3 bilhão de toneladas de alimentos bons e próprios para o consumo, segundo pesquisas realizadas pela FAO/ONU (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura). Tá bom para vocês?
Por mais incrível que isso possa parecer, o Brasil figura entre os países que mais desperdiça alimentos no mundo. Em média, cada brasileiro joga fora 41,6 kg de alimentos por ano. Do total de desperdício no país, 10% ocorre durante a colheita, 50% no manuseio e transporte dos alimentos, 30% nas centrais de abastecimentos e 10% ficam diluídos entre os supermercados e consumidores.
Alimentos imperfeitos, fora dos padrões estéticos e que ostentam leves amassados e pequenos machucados, ou mesmo, passados de maduro são alguns dos rejeitados pela população em feiras livres, supermercados, sacolões e quitandas. 
No entanto, eles têm condições de frequentarem nossas mesas sim, de compor cardápios semanais de escolas, instituições de caridade, assim como alimentar famintos através da confecção de sopas, caldos, geleias, compotas doces, patês, sucos e outros pratos saborosos. Solos desgastados e carentes nutricionalmente também poderiam receber algumas das sobras através de compostagens, do feitio de adubos naturais e de chuvas de beberagens. 
Agora, o mais louco de tudo foi tomar ciência sobre as últimas mudanças ocorridas na merenda escolar das escolas da cidade de São Paulo. Depois de anos nutrindo crianças e adolescentes com comida de verdade e com um cardápio composto por frutas, legumes, verduras e carnes e elaborado por uma chef de cozinha, o poder público deu alguns passos atrás e decidiu que a partir deste ano os pratos dos estudantes voltariam a serem preenchidos com enlatados, alimentos ultraprocessados, industrializados ou embalados. Revoltante, né!? 
Outra notícia que foi bem difícil de ser digerida foi que no último ano o governo federal liberou o registro de alguns tipos de agrotóxicos altamente tóxicos como o metomil, e voltou a permitir o uso de outros que estavam proibidos no passado. Loucura, loucura, loucura! Nós vamos todos morrer envenenados, gente!
E a nuvem negra continuou rodando em cima de nossas cabeças durante todo o dia e sinalizando para nós o árduo trabalho que temos pela frente. E como se não bastasse tudo isso, ficou evidente que ainda teremos que brigar pela igualdade de gênero, pois o Clube do Bolinha continua firme e forte dentro das cozinhas, bem como a presença de episódios machistas e as diferenças salariais.  
O mais espantoso é que apesar da presença igualitária entre homens e mulheres nas faculdades de gastronomia, a presença feminina a frente de restaurantes e comandando panelas ainda é diminuta! Menor ainda é a presença de chefs de cozinha mulheres estampando capas de revistas especializadas ou sendo premiadas por guias e competições da área.
Em contrapartida, os presentes receberam a boa nova sobre as tendências do setor, como a queda do consumo de produtos de origem animal e consequente, aumento do vegetarianismo e veganismo no Brasil (sete milhões de brasileiros declaram que não comem qualquer produto proveniente ou testado em animais).
Sabe-se que a redução do consumo de carnes e alimentos de origem animal é uma das medidas mais importantes para a preservação do planeta, pois o gás metano, aquele emitido pelas vacas através de seus puns, é altamente poluente e responsável pelo agravamento do efeito estufa. 
Pensando nisso, tanto pesquisadores como a indústria estão buscando alternativas e lançando no mercado produtos de origem vegetal que mantenham os mesmos sabores e características encontrados em produtos de  origem animal. 
Outra fissura aberta e que rendeu reflexões de todos diz respeito aos influenciadores digitais e de como seus hábitos de consumo à mesa precisam refletir à realidade, pois a verdade é que queremos descobrir receitas simples, baratas, nada pretenciosas e que sejam fáceis de serem replicadas em casa por quem não é profissional.
O ovo, por exemplo, é o campeão de curtidas, seja mexido e visto em cima de uma fatia de torrada no café-da-manhã, seja frito acompanhando o arroz e feijão ou com sua gema dura e cozida no meio da salada de macarrão. O PF (prato feito) é outro que sempre tem boa aceitação entre a galera pé no chão e que não tem a pretensão de ostentar pratos glamorosos no dia-a-dia.
Os blogueiros e influenciadores digitais que ocuparam o palco também deixaram claro que os posts precisam acompanhar a profundidade de nossos bolsos ao longo do mês, ou seja, no seu inicio os pratos podem até conter ingredientes mais caros, pois todo mundo está com os bolsos cheios e, conforme o mês vai chegando ao fim, eles precisam ter ingredientes mais baratos porque já estamos contando moedas, né!
Agora, o que a maioria dos palestrantes reiteraram durante todo o dia foi que nós somos detentores de uma cultura alimentar rica e que devemos nos orgulhar disso e de tudo o que temos disponível para cozinhar, para fazer infusões e experiências junto ao fogão, desde as PANCs (Plantas Alimentícias não Convencionais) que são confundidas com matinhos que crescem nas calçadas, sarjetas ou no meio do jardim, mas que são nutritivas e podem compor receitas, como é o caso da beldroega, ora-pro-nobis, peixinho, arumbeba, bertalha-coração, além das raízes, cascas de árvores nativas,  frutas típicas de cada região brasileira e que podem dar aquele toque de mestiçagem às bebidas fermentadas e destiladas que por aqui são feitas. 
Saibam que as suas escolhas alimentares não impactam somente a sua saúde, elas impactam seu entorno e até o planeta, então sejamos responsáveis e autênticos ao comer, sejamos criativos ao entrar em nossas cozinhas, sejamos orgulhosos de nossos feitos e ainda, preocupados com quem nada tem e nada come.
O futuro da alimentação já está sendo pensado por especialistas e estudiosos e os resultados e conclusões apresentados em congressos, fóruns, encontros, palestras, mesas de restaurantes e rodas de conversas, mas ele dependerá muito das escolhas e das boas ações de cada um de nós.
Eu tô fazendo a minha parte em dar o destino correto às embalagens, ao lixo orgânico acumulado aqui em casa, assim como em consumir alimentos livres de agrotóxicos, em evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, em valorizar os encontros à mesa, em estimular o feitio de comida caseira, em levar marmitas para o escritório, em diminuir o consumo de açúcar branco nas sobremesas que comercializo, bem como substituir as farinhas brancas por outras integrais nas receitas feitas semanalmente.
Descasque mais e desembale menos! Essa é a minha principal dica para vocês hoje!
Maria Oxigenada
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DUMBO

A encanação das pequenas nascidas nos últimos anos continua sendo as princesas da Disney! Tanto isso é verdade que as lojas do estúdio existentes no exterior “bombam” e estão faturando alto com a venda de produtos licenciados, tais como fantasias, bonecas e acessórios da fictícia realeza.

Pensando desse modo, a Disney já está produzindo sequencias das histórias originais, tais como “Frozen 2”, filme programado para estrear nos cinemas nacionais em novembro deste ano. No entanto, no próximo mês chegará às telonas “Aladdin”, outra aventura fantasiosa envolvendo um gênio da lâmpada mágica e “Rei Leão”, outro grande sucesso entre as animações.  

Agora, quem voltou a amolecer nossos coraçõezinhos durante esta semana foi “Dumbo”, adaptação live action da historia do elefantinho nascido com orelhas enormes que deseja reencontrar sua mãe após ser separado dela depois do seu nascimento.

O filme do diretor Tim Burton é fiel à temática da película original lançada em 1941 e ainda conta com o plus de discutir assuntos tão em voga nos últimos tempos, tais como: bullying, a importância dos laços familiares, a capacidade de superação, de enfrentamento dos medos, assim como a importância do pensamento positivo e do dinheiro em nossas vidas porque ninguém consegue fugir do capitalismo reinante, nem mesmo os personagens infantis.

Dumbo nasce nas dependências do circo Médici. Sua mãe foi comprada pelo proprietário Max Medici (Danny DeVito) grávida e com a intenção de transformar sua cria em uma das atrações dentro do picadeiro, pois o circo vai de mal a pior financeiramente e os únicos animais existentes no momento são alguns ratos adestrados e nada mais! Aliás, os animais desta vez não têm voz ativa e nem são falantes como acontecia na primeira versão da historia.

Dumbo fica sob os cuidados de Holt Farrier (Colin Farrell), exímio cavaleiro do circo, ex-soldado de guerra e que agora é o responsável por ensinar o bebê elefante como se apresentar diante da platéia. Nessa aventura, ele conta com a ajuda de seus dois filhos Milley (Nico Parker) e Joe (Finley Hobbins).

O problema é que o segredo e o talento de Dumbo de voar com suas próprias orelhas são descobertos precocemente e o animal, assim como todas as outras atrações do circo Medici são negociadas e vendidas para o rei do entretenimento V. A. Vandevere (Michael Keaton).

O vilão é dono de um parque de diversões, onde há desde atrações típicas como roda gigante, montanha-russa, carrossel até a Ilha dos Sonhos, local onde tudo imaginado pelo homem pode ser concretizado, inclusive voos de um elefante.

É claro que a marca sombria de Burton está presente em mais esta obra e é possível identifica-la através da presença da Ilha do Medo, outra ala do parque que expõe animais selvagens como crocodilos, leopardos, elefantes originários da África e que conta com ruídos semelhantes aos ouvidos em filmes de terror e pesadelos infantis.

A jornada enfrentada por Dumbo é de um verdadeiro herói, pois o personagem desenvolve um arco narrativo completo para conseguir se reencontrar com sua mãe e ainda, provar que é capaz de vencer os desafios surgidos em seu caminho, inclusive o de se sentir inferiorizado perante outros animais.

Para isso, ele conta com a ajuda de Holt, de Milley, de Joe, do restante da trupe, mas também de Colette (Eva Green), trapezista francesa integrante da equipe de Vandevere. Aliás, seu personagem é outro que também faz uma trajetória interessante na película, pois é apresentado como uma potencial vilã, mas ao poucos vai se transformando e deixando seus instintos maternos se sobressair sobre qualquer outro interesse anteriormente existente.

“Dumbo” conta com cenas criativas e que nos transporta para universos mágicos, onde a fantasia é peça fundamental como as cenas das bolhas de sabão dançantes, os rasantes dados pelo elefantinho dentro da tenda ou as cenas que fecham o longa-metragem e que colocam o protagonista da obra como integrante de sua real família.

É muito fácil embarcar nesta aventura, especialmente pelos efeitos especiais encontrados nela e pela presença de muitas cores, coreografias e detalhes vistos mais de perto através dos óculos 3D. Sua versão dublada não fica comprometida, não! E tanto em português, quanto em inglês é possível compreender a mensagem que está por trás e que é a da relevância do diferente na vida de todos nós.

Quanto às atuações, destaco especialmente a do ator Danny DeVito que teve sim o trabalho de construir as camadas necessárias de seu personagem. Gostei também da presença cênica de Michael Keaton e Eva Green, mas achei que Colin Farrell não fez a lição de casa como deveria, entregando uma atuação rasa e aquém do esperado para um ator com sua trajetória profissional.

Apesar disso, a obra é bem feita, sensível e com muito do fascínio visto no original. É uma bela homenagem à animação que comoveu o mundo e encantou as crianças há 80 anos.

Eu indico.

Maria Oxigenada     

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A CINCO PASSOS DE VOCÊ
Quantos quilómetros eu estou de vocês? Provavelmente muitos. Mesmo assim, nós criamos um vínculo de carinho e confiabilidade ao longo de mais uma década, né!
No filme “A Cinco Passos de Você”, os protagonistas Stella Grant (Haley Lu Richardson) e Will Newman (Cole Sprouse) precisam permanecer seis passos de distância um do outro para que não haja trocas de bactérias, pois isso seria fatal para ambos.
Os dois jovens têm fibrose cística, doença que afeta os pulmões. Ambos estão hospitalizados para seguir um tratamento experimental e apesar do ambiente nada romântico, eles acabam se aproximando, diminuindo em um passo a distância imposta e experimentando o primeiro amor.
Os personagens são como polos opostos que se atraem. Ele é introspectivo, pensativo e ostenta uma veia artística. Já ela é uma adolescente disciplinada, extrovertida e que adora postar vídeos nas suas redes sociais sobre sua rotina no local, sobre a doença e os cuidados necessários para que ela não avance.
O primeiro encontro do casal é no berçário do hospital, observando os recém-nascidos e trocando farpas, é claro! Somente assim, criaria uma tensão e interesse entre eles.
A partir desse momento, Stella faz de tudo para que Will siga corretamente o tratamento, ensinando-o como amenizar os desconfortos sentidos com a ingestão dos medicamentos, com a limpeza da sonda, com as sessões de inalação e com a eliminação do muco concentrado no organismo. Ela  acompanha sua rotina de cuidados através de seu tablete, assim como faz diariamente com Poe (Moisés Arias), seu melhor amigo.
O interessante é que todo momento os protagonistas da obra estão diante de dilemas e de questões filosóficas como o sentido da vida, a iminência da perda, a expectativa da chegada de novos pulmões, bem como de pequenas alegrias e da vontade de jogar tudo para o alto para experimentar o toque do outro.
E apesar do roteiro contar com cenas clichês e já vistas em outras películas como as encenadas na neve, ele também conta com passagens de suspense, com mudanças repentinas nas emoções dos personagens, com aquela pitada de melodrama, com outras extremamente românticas e que nos faz sonhar com a existência de príncipes encantados e com a possibilidade de reflexão sobre o tema tratado.
Tenho certeza de que vocês não sairão indiferentes do cinema e, como eu,  precisarão de uma caixa de lenços de papel para enxugar as lágrimas derramadas. O rio salgado só não foi mais volumoso do que o percorrido durante o filme “A Culpa é das Estrelas” ou “Como eu era antes de você”, mas também apresentou ondulações emocionais e correntezas naturais.
A química entre os protagonistas da obra ajuda a melhorar a simpatia em relação “A Cinco Passos de Você”. Isso se deve muito pela interpretação entregue pela atriz Haley Lu Richardson. Já Cole Sprouse tem um pouco mais de dificuldades em aprofundar seu personagem, mas está fofo no longa e hipnotiza a mulherada com seu charme descomunal. O ator chegou a emagrecer cerca de 10 quilos para dar vida a Will, assim como Haley.
Agora, há vários pontos de estranhamento no roteiro de “A Cinco Passos de Você”. Um dos mais percebidos é a ausência dos pais e familiares dos dois no hospital diariamente. Eles aparecem somente em momentos críticos como cirurgias ou fugas dos personagens, delegando completamente as responsabilidades do tratamento para os profissionais de saúde, especialmente para a enfermeira Barb (Kimberly Hebert Gregory).
Outro fato excêntrico do filme é que apesar de estarem hospitalizados, os protagonistas pintam e bordam dentro do local, realizando jantares comemorativos no seu refeitório, encontros nas áreas sociais e até, saídas e passeios noturnos em pleno inverno americano. Vocês não acham estranho isso? Eu achei, pois até aqui no Brasil há seguranças posicionados nas portas frontais de hospitais.
Apesar disso, “A Cinco Passos de Você” é uma obra que carrega consigo a marca da sensibilidade ao retratar uma doença incurável que vitima pessoas de diferentes faixas etárias e classes sociais e que nos faz agradecer tudo o que temos e gozamos, especialmente a nossa boa saúde.
A lição deixada pela obra é para cada vontade surgida de reclamar da vida e dos perrengues enfrentados cotidianamente, pensar sempre em um motivo para reconhecer os presentes ganhos, pois boas energias atraem coisas boas!
Vale a pipoca.
Maria Oxigenada
Foto: reprodução
 
70? DÉCADA DO DIVINO MARAVILHOSO-DOC MUSICAL Eu nem sei por onde começar! Ao todo, são 250 músicas que conduzem todo o espetáculo e que marcaram os dez anos que compõem a década de 70. São canções dos Novos Baianos, Frenéticas, David Bowie, Raul Seixas, Led Zeppelin, Mutantes, Queen, ABBA, Elton John, The Carpenters, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Donna Summer, Bob Marley, Sex Pistols, Cartola, Tim Maia, Jorge Ben, Sidney Magal, Elis Regina e até Waldick Soriano porque o período também abriu espaço para o brega e para as músicas que ressaltavam a dor de corno. Os anos 70 também foram marcados por conquistas na área esportiva (saímos vencedores da Copa do Mundo de 1970) e espacial, por inovações e lançamentos de novos produtos, tais como: os orelhões públicos, programas televisivos de grande sucesso como “A grande família”, “O sítio do Pica Pau amarelo”, “Chico City”, “Vila Sésamo, além de presenciarmos o desfilar de muitas cores, das tangas nas areias e de uma estética disco incorporada pela novela “Dancin Days” e que voltou com tudo atualmente. A esfera social também teve novidades através da aprovação do divórcio e da maior presença feminina no mercado de trabalho. A atriz Leila Diniz, por exemplo, tornou-se referencia de mulher arrojada e independente, assim como a socióloga Maria Lúcia, personagem da série “Malu Mulher”, protagonizada pela atriz Regina Duarte e que foi pioneira na questão feminista na teledramaturgia brasileira. Entretanto, o período também foi marcado por anos de ditadura militar que só terminaram em 1985, pela construção de usinas nucleares no Brasil, por alguns desastres naturais e tragédias como o incêndio ocorrido no edifício Joelma, em São Paulo, que deixou 187 mortos e mais de 300 pessoas feridas. Se os anos 70 foram maravilhosos como sugere o título do musical, isso eu já não sei dizer porque eu nasci bem depois, mas eles colocaram sob os holofotes artistas que até hoje são figuras interessantes como a cantora Baby do Brasil. Aliás, ela mostrou que é virada no Jiraya, pois mesmo depois de comandar o bloco de carnaval no início deste mês na capital paulista, ainda sim assumiu o microfone em mais esta aventura cantando “Aquarela Brasileira”, “Brasileirinho”, “Menino do Rio”, “Lá vem o Brasil descendo a ladeira”, entre outras músicas. O trio formado por Leiloca Neves, Dhu Moraes e Sandra Pêra, integrantes vivas de As Frenéticas também soltam a voz durante o espetáculo através das canções: “Perigosa”, “Dancin’ Days”, “Vingativa”, “Somos as tais Frenéticas”. No entanto, a desenvoltura vocal e física do trio está mais limitada do que de Baby do Brasil. “70? Década do Divino Maravilho” conta ainda com a participação de outros 24 jovens cantores que se viram nos 30 em cima do palco e fazem bonito diante da plateia, especialmente as vozes femininas que encaram os exemplares de soul music. Além disso, ainda tem uma banda formada por 10 músicos, um figurino composto por 300 peças e a troca de cenários. Ufa! O feedback que trago para vocês é positivo, pois o musical é alto astral, levanta a galera, valoriza as mulheres e vale o preço pago. Apesar disso, o achei muito cansativo, pois soma mais de três horas de duração. Outra critica recai sobre seu início demasiadamente saudosista e que conta com a projeção de imagens em branco e preto do apresentador Cid Moreira fazendo aquela retrospectiva do período com sua voz potente e empostada. Senti aquela pontada de melancolia vivenciada nas noites de domingo com a exibição do Fantástico – o show da vida. Argh! Agora, para quem não vivenciou os anos 70 e tem curiosidade de saber um pouco mais sobre eles ou mesmo, construir uma linha do tempo mental a partir de observações de tendências, modismos e comportamentos que se iniciaram na ocasião e estão ganhando sobrevida hoje em dia, eu indico o musical.
Maria Oxigenada 
Serviços:
Onde: Teatro Net SP, localizado na Rua das Olimpíadas, 360 - V. Olímpia. 
Quando: quinta e sexta, às 20h30; sábado, às 17h e 21h; domingo, às 17h. 
Temporada: até 30 de junho de 2019. 
Preço: a partir de R$ 37,50 (cliente Net). 
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A CAMINHO DE CASA Fazer um filme com animais é sinônimo de sucesso sempre! Seu roteiro pode até ter falhas e ser fraco, mas dependendo da história proposta com certeza será bem sucedido pelo menos entre as crianças. Dentre os mais vistos estão: “Marley e Eu”, “Sempre ao seu lado”, “Quatro vidas de um cachorro”, “Como cães e gatos”, entre tantos outros. A película que está mexendo com os sentimentos não só dos pequenos, mas também dos adultos no momento é “A caminho de casa” e ela acompanha as aventuras de Bella, cadelinha da raça pitbull que tenta voltar para sua casa em Denver, no Estado do Colorado. Didático, o filme começa mostrando a separação entre a protagonista e sua mãe verdadeira e sua adoção feita primeiramente por uma gata vira-lata e depois por Lucas (Jonah Hauer King) e sua mãe Terri (Ashey Judd). A paz de Bella é afetada depois que ela torna-se adulta, pois em Denver há uma lei municipal que proíbe a criação e circulação de pitbulls por suas ruas e avenidas e a cachorrinha vira alvo preferido de um policial local. Bella chega a amargar uma noite no abrigo para animais, mas sua estada no local é encurtada depois do pagamento de uma multa por Lucas, assim como o seu comprometimento em evitar que o animal continue passeando pelas ruas e “ameaçando” seus moradores. A cadelinha então é levada para outra cidade e para uma casa de uma prima de Olivia (Alexandra Shipp), namorada de Lucas, a 600 km do local de seu nascimento. O problema é que as saudades apertam e Bella decide por conta própria reencontrar seu verdadeiro dono e lar, fugindo do local sem aviso prévio ou despedidas. Durante todo o tempo, o espectador acompanha os pensamentos e raciocínio de Bella, pois o animal é o narrador da história. Entretanto, a aventura de volta para casa é animada com a chegada de novos personagens e relacionamentos com animais selvagens, tais como um tigre, uma matilha de lobos, além de um veterano de guerra sem teto e um casal homossexual. Os momentos dramáticos da história ficam por conta de passagens como uma avalanche presenciada, do frio, fome e solidão sentidos pela protagonista, das despedidas definitivas e também da passagem do tempo e das estações do ano. A obra também conta com cenas clichês como a vista dentro de um supermercado, onde Bella entra atraída pelo cheiro de frangos assados ou quando ela ainda filhote detona os sapatos de Lucas e os móveis da casa ou ainda, quando persegue esquilos da vizinhança. Ela também falha no uso de efeitos visuais grosseiros, na presença de falsos animais selvagens, na precária interação entre os personagens reais e fictícios em cena e por seguir um roteiro que apresenta mais do mesmo. Apesar disso, “A caminho de casa” é um filme que agrada os amantes de animais, as pessoas que buscam por obras que descrevam jornadas bem sucedidas com aprendizados e momentos de superação dos personagens principais, assim como a valorização da amizade, lealdade e outros sentimentos. Para quem busca por momentos de escapismo e leveza neste inicio de semana, “A caminho de casa” é uma boa pedida! Maria Oxigenada Obs: A atriz Bryce Dallas Howard é quem dubla a cadelinha.
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DO FOCINHO AO RABO
Do porco aproveita-se tudo! Palavras ditas por chefs de cozinha. Lombo, bistecas e costelas suínas continuam agradando os amantes deste tipo de carne, mas elas estão cedendo lugar para as partes menos nobres do animal que nunca estiveram tão em alta na gastronomia como agora e após o movimento de valorização da cultura de raiz e caseira.
O destino de joelhos, bochechas, barrigas, pés, línguas, miúdos, testículos, tutano, peles, tendões, cabeças, vísceras e até dos rabos dos porcos não estão indo para as latas de lixo e sim, para a cozinha porque estão sendo transformados em embutidos, ceviches, sushis, tira-gostos e em pratos além da famosa feijoada, do cassoulet, das salsichas, do eisbein, das farofas, dos cuscus e dos sarapatéis tão bem descritos no livro “Gabriela, Cravo e Canela”, de Jorge Amado.
O interessante é que esta onda de aproveitamento integral dos alimentos dentro da cozinha está casada com outra solidária e sustentável que valoriza o consumo de todas as partes de legumes e vegetais, inclusive cascas, talos, folhas, sementes, através do feitio de patês, refogados, recheios, sopas e caldos, purês, petiscos, sobremesas e sucos ou do seu encaminhamento e distribuição a quem realmente precisa, pois a fome não é só uma realidade brasileira e sim, mundial como já dizia o médico, nutrólogo, cientista social e político Josué de Castro.
Mas não é só isso, não! Hoje, os restos de alimentos também estão sendo usados para criar composteiras com o intuito de transformar resíduos orgânicos como as cascas, talos, folhas, sementes e ossos em adubos naturais para hortas orgânicas, domésticas e plantações biodinâmicas.
Para quem nunca ouviu falar sobre o ultimo tema citado, este é um jeito inovador de se cultivar sem o uso de agrotóxicos e que também leva em consideração as fases da lua, as estações do ano, a saúde da terra, assim como a integração do plantio com animais, flores e plantas nativas.
Mas a quentinha do momento é que o lixo orgânico produzido por todos nós está ganhando outro destino e este é muito mais fashion, pois ele está sendo reutilizado na fabricação de acessórios, como bolsas, calçados, botões, além de peças de roupas.
Marcas como Salvatore Ferragamo, Hugo Boss e outras com carimbo natureba como Happy Genie, Veerah e Veggani são algumas das que estão apostando no uso de tecidos feitos a partir das folhas de abacaxi, das cascas de maçã, das cascas de batatas, dos bagaços das uvas, da kombucha seco, das fibras das laranjas, dos cogumelos, das borras de café e do leite azedo.
Em contrapartida, algumas marcas nacionais como Osklen já estão fabricando malhas com fibra de PET ou solados feitos a partir de aparas de borracha, resíduos de arroz ou cortiça. Já as marcas Kanham.US, Ecoloja, EcoD investiram no cânhamo, ou seja, na fibra feita a partir da planta cannabis para confeccionar suas peças de roupas. Tem ainda a marca Urban Flowers que se utiliza de restos de erva de chimarrão para confeccionar seus calçados.
A verdade é que algumas iniciativas nessa direção já foram tomadas, mas ainda temos muito que cultivar em relação à criação de novos produtos a partir dos alimentos, mas o dito popular do focinho ao rabo está aí para nos lembrar sobre a criatividade e vontade empregada pelos chefs de cozinha, cozinheiros e empresários em dar outros destinos para todas as partes das matérias primas que chegam in natura em seus restaurantes, cozinhas ou até fábricas.
Pensem nisso!
Maria Oxigenada       
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VOADORA EXPRESS
O golpe foi dado durante o carnaval. Ele foi leve, experimental, mas certeiro porque sinalizou por quais caminhos as empresas de entrega a domicilio irão trilhar nos próximos anos.
O uso de motoboys, bikeboys e patinetes motorizados é a maneira usada ate o momento para agilizar essas entregas, mas os drones prometem substitui-los de agora para frente, acelerando ainda mais a chegada dos pedidos feitos por telefones ou aplicativos.
Os dias de folia favoreceram a realização de testes e algumas entregas experimentais foram feitas em pontos de concentração de blocos de carnaval, onde havia um maior numero de pessoas presentes.
É claro que teve muita gente que não percebeu ou nem ficou sabendo sobre o transito aéreo feito na ocasião, nem o transporte de carga extra realizado  pelos drones, mas a verdade é que ele aconteceu e deu certo!
Há vários pontos positivos sobre o uso de drones, tais como: diminuição do tempo de entrega, queda no número de obstáculos existentes nos trajetos feitos como semáforos, lombadas, congestionamentos, alagamentos, queda de árvores, além do aumento da abrangência de atuação das empresas e o barateamento dos serviços.
Já os pontos negativos que podemos apontar para o uso de drones neste tipo de serviço é que sua circulação ainda não foi regulamentada por órgãos reguladores como Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). E como se não bastasse tudo isso, ainda não há rotas invisíveis demarcadas com o intuito de evitar choques entre as maquinas circulantes como acontece com os aviões e helicópteros.
Outro ponto negativo percebido é que o uso de drones irá acabar com o contato e as trocas hoje feitas entre pessoas no ato de entrega. Agora, o mais preocupante de tudo é que com a entrada das máquinas haverá um abalo no mercado de trabalho informal e, se a moda realmente pegar, milhares de pessoas irão perder seus empregos e suas fontes de renda.
Em contrapartida, haverá um “boom” na contratação de profissionais ligados a área de tecnologia, pessoas com conhecimento na área de logística, serviços financeiros digitais e mobilidade.
Cada vez mais as maquinas estão substituindo os homens e possibilitando que outros golpes sejam aplicados em quem esta defasado educacionalmente e estagnado profissionalmente.
Por ora, as entregas “verdes”, não poluentes e feitas com bicicletas são as que continuarão sendo exploradas e bem vistas pela população, pois se utilizam de ciclovias, não aumentam a emissão de gás carbono na atmosfera e ainda, estimulam um estilo de vida saudável dos entregadores, há, há, há...
O futuro automatizado e desenhado pela serie televisiva e de ficção cientifica “Os Jetsons” esta mais perto do que nos poderíamos imaginar. Ambientado em 2062, a animação conta com robôs fazendo trabalhos domésticos, transportes aéreos, entretenimento virtual e outros avanços presentes no mundo real de hoje.
Para completar, só está faltando a possibilidade de viajarmos de um ponto para outro através de teletransportes sem amargar horas de espera em aeroportos, rodoviárias e estações de trem e metrô. Seria incrível poder tomar café da manhã em Paris, almoçar em Londres, flanar pelas ruas de Nova Iorque ao anoitecer e curtir uma balada em Tóquio!
Isso sim seria uma voadora certeira aqueles que estão enraizados em uma única cultura, rotina ou estilo de vida nada express.
Ate a próxima aventura,
Maria Oxigenada        
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FOLHINHA QUEIMADA
Cronologicamente, estamos em março e ainda no primeiro trimestre de 2019, mas a impressão sentida por quem acompanha os telejornais diariamente e lê as principais noticias que acontecem no Brasil e no mundo pela net é que já avançamos bem no calendário anual, tamanho o numero de tragédias ocorridas nos três primeiros meses do ano.
Assuntos e materiais para rechearmos as tradicionais retrospectivas de dezembro há de sobra porque desde janeiro estamos sendo surpreendidos por cada pauta, uma mais cabeluda que outra.   
Primeiro foi a tragédia de Brumadinho, onde mais de 300 pessoas foram mortas soterradas por lama e em conseqüência do rompimento da barragem da Vale. Depois, nos comovemos com a partida trágica de 10 jogadores da categoria de base do Flamengo, vitimas de um incêndio ocorrido em seus alojamentos. 
Na sequência, fomos surpreendidos com a perda do jornalista Ricardo Boechat, vitima de um acidente de helicóptero. Isso tudo sem contar as vitimas dos conflitos armados e da guerra declarada entre traficantes e a policia fluminense e sem enumerarmos o numero de pessoas que perderam suas vidas ou tudo o que possuíam em decorrência de enchentes tanto no Rio de Janeiro, como em São Paulo.
Mas o volume das águas de março aumentou na semana passada com o choro de tristeza e desolação vindo dos mais variados rostos, pois o massacre ocorrido em uma escola estadual de Suzano, onde oito pessoas foram mortas e outras 11 ficaram feridas devido a ação e loucura de dois outros jovens. Seus nomes: Guilherme Monteiro e Luiz Henrique de Castro.
Este não foi o primeiro massacre realizado em escolas no Brasil. Em 2011, tivemos outra chacina que seria também lembrada na retrospectiva feita naquele ano. Foi o massacre de Realengo, onde 12 estudantes foram assassinados e mais 13 pessoas ficaram feridas pelas mãos de Wellington Menezes de Oliveira.
De comum, os dois episódios contaram com a fúria e a ação de ex-alunos. Entretanto, o capitulo sangrento escrito em Suzano na ultima quarta-feira tem semelhanças com outro ocorrido em Columbine (USA), em 1999, pois os assassinos apelaram para o uso de armas de fogo, mas carregavam outras armas brancas e ainda, portavam coquetéis Molotov (arma química incendiária e caseira) que não chegaram a ser usados. 
As reais motivações para os crimes nos nunca saberemos. Pode ser transtornos psíquicos, a influência de séries americanas como “American Horror Story” e games ou ainda, a vontade dos jovens de estamparem as páginas de jornais e sites com seus feitos macabros, manchando de vez o dia na velha folhinha, mas acredito no desamor, em famílias desestruturadas, na falta de dialogo em casa e na total falta de respeito ao próximo.
Este primeiro trimestre anda puxaaado! Talvez pela ação de Urano, o planeta dos impactos, da imprevisibilidade, da destruição que entrou em ação recentemente e que irá dar as cartas nos próximos sete anos. 
A boa noticia é que o planetinha invocado também favorece atitudes corajosas, racionais, decisões definitivas e talvez tenha chegado o momento para a sociedade discutir alguns temas de vital importância na atualidade, tais como: segurança publica, especialmente em escolas e universidades, qualidade da educação no Brasil, reflexo do uso excessivo das tecnologias, crimes ecológicos, manutenções e revisões periódicas de transportes aéreos, preservação de nossas reservas indígenas, entre tantos outros direitos que estão sendo violados e precisam voltar a figurar na nossa ordem do dia.
Espero que a entrada do outono e o transcorrer do segundo trimestre de 2019 seja um período marcado por acontecimentos alegres, por conquistas coletivas, por ações de baixo impacto em nossas vidas, por atitudes amorosas e pela solidariedade para com o outro.
A esperança do feitio de retrospectivas curtas e de fácil digestão ainda não precisa ser descartada e nem a rasura das demais paginas do calendário deste ano, pois as nove telas em branco poderão ser desenhadas com episódios marcantes e positivos em nossas memórias. 
Beijocas,
Maria Oxigenada      
    
      
 
    
        
 
CAPITÃ MARVEL
O burburinho foi grande na última sexta-feira! Tudo porque a estreia do filme “Capitã Marvel” coincidiu com as comemorações do Dia Internacional das Mulheres. Estratégia de marketing? Provavelmente, pois nós estamos falando de uma das heroínas de maior relevância do universo Marvel.
Estrelado pela atriz Brie Larson, a película conta como Carol Denvers tornou-se a garota da fantasia azul e vermelha. E diferente de outras heroínas de histórias em quadrinho, ela não ostenta uma capa poderosa, nem esconde o rosto atrás de máscaras ou é uma expert em tecnologia. Possui sim superpoderes adquiridos depois que sofreu um acidente aéreo e foi resgatada por integrantes de uma raça alienígena chamada Kree. Aliás, há outros seres de outras galáxias orbitando na obra e eles são chamados de Skrull.
Mas antes de posicionar-se a favor ou contra uma ou outra espécie e livrar os humanos de ataques dos feiosos, nós assistimos Denvers como pilota das Forças Aéreas americana, passando por episódios machistas dentro e fora da aeronáutica, sendo recriminada e podada pelo próprio pai na infância e construindo uma amizade verdadeira com Maria Rambeau (Lashana Lynch). 
O espectador ainda acompanha as descobertas da heroína sobre seu passado com a ajuda do agente Nick Fury (Samuel L. Jackson), assim como suas oscilações emocionais, suas dificuldades em administrar os próprios poderes e principalmente, a construção de sua própria confiança.
É claro que “Capitã Marvel” também carrega a mensagem de paz em tempos de possíveis guerras, da preocupação com o aumento de episódios de xenofobia pelo mundo, das evidências de desigualdades entre os gêneros e da possibilidade de nós, reles mortais, também termos condições de mudar o rumo da história, assim como uma heroína de HQ.
E apesar de todas as suas boas intenções, “Capitã Marvel” é uma película difícil de ser digerida porque seu ritmo é moroso! Além disso, houve a opção de trabalhar com tonalidades cinzentas e pouco atrativas, assim como de não possuir um vilão de arrepiar os cabelos e gerar ódio no espectador, nem de ter  uma heroína engraçada, que tira onda com seus poderes ou adversários. Brie Larson transforma sua Capitã em um personagem sério e ainda engessado.
A boa notícia é que as cenas pós-créditos nos dá certa esperança de vê-la mais solta, sem tantas amarras em filmes futuros porque a atriz vestirá a fantasia de Capitã Marvel mais de uma vez. 
Então, para frente e avente com suas aventuras!.
Maria Oxigenada
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PENICO A TIRACOLO
Agora vai! Tem gente que fala que o ano só começa depois do carnaval, mas a verdade é que os dias de folia não terminaram com a quarta-feira de cinzas, não! No último final de semana, teve quem ainda tivesse pique para encarar os bloquinhos tardios do ano.
A curtição foi mais longa do que nos anos anteriores e São Paulo entrou de vez na rota dos foliões, disputando serpentina a serpentina com Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Olinda e outras cidades o título de destino mais animado da temporada.
E quem disse que a ocasião foi só alegria? Que nada! Pipocaram confusões entre os foliões, furtos de celulares, clonagem de cartões de banco, empurra-empurra, lixos espalhados pelas ruas, episódios de assédio, ataques com seringas e a formação de paredões e chuva de urina. Argh!
Eu mesma presenciei a bizarrice algumas vezes porque os banheiros químicos distribuídos pelos trajetos não foram suficientes. E alguém tinha alguma dúvida sobre isso? Eu não. A surpresa de 2019 foi ver que o protagonismo da cena deixou de ser masculino e agora as mulheres também aderiram à total falta de educação. 
De tempos em tempos, eu e a galera nos deparávamos com rodinhas de meninas cercando outra que se aliviava na própria via. É claro que nós não passamos impunes desse perrengue, mas negociamos anteriormente com proprietários e gerentes de bares e restaurantes o uso dos banheiros mediante a compra de bebidas no local.
Antes mesmo de começarmos a maratona, nós levantamos a lebre e conversamos sobre o assunto abertamente. Os toaletes descartáveis voltaram à pauta, mas os descartamos depois de testes caseiros e da constatação de que é muito difícil sair da aventura com as mãos e pernas secas porque é necessário fazer xixi em pé.
A Ju veio com um papo de usarmos fraldas geriátricas, pois quando foi passar o reveillón em Nova Iorque com sua mãe, elas apelaram para a proteção para acompanhar a contagem regressiva e a queda da bola em plena Times Square. Essa opção também foi descartada pelo volume extra produzido em baixo das fantasias e pelo barulho de plástico feito ao caminhar.
A verdade é que nós já estamos com a cabeça em 2020 e pensando em como solucionar o problema fisiológico porque deixar de pular carnaval nós não vamos, né! 
Quem sabe no próximo ano as pochetes, bolsas transversais, chapéus e tiaras tenham caído de moda e os baldes e penicos emerjam como acessórios utilitários da vez? 
Vocês sabem que não é uma má ideia e as Oxigenadas que ficaram animadas com a possibilidade de tirar onda futuramente, então a minha dica é para escolher opções metalizadas, com glitter ou com as personalidades do momento estampadas nas superfícies em substituto às máscaras faciais.
Uia! Vou até anotar o insight para não esquecer-me quando os primeiros arranhados de cuícas começarem a imprimir o ritmo do próximo carnaval ..
Beijocas!
Maria Oxigenada  
  
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STALKEANDO
Verdade seja dita! O carnaval dura bem mais do que quarto dias até mesmo em cidades sem tradição na folia. No último final de semana, São Paulo foi invadida por bloquinhos e fez seu esquenta para lá de caloroso para o feriado prolongado.
De crianças a idosos, não teve quem não caiu no samba, ou melhor, no funk porque o estilo musical dominou os encontros, mas não foi o único, não! Axé, arrocha, forró e até o bom e velho sertanejo substituíram as tradicionais marchinhas de carnaval e empolgaram a galera.
Eu e o pessoal da rua também embarcamos na aventura purpurinada com a ajuda preciosa da Ju, pois ela teve o trabalho de montar uma planilha com os locais de concentração de cada um dos blocos e seus horários de saída. Já a Letícia preferiu baixar um aplicativo com estas e outras informações importantes como estacionamentos e estações de metrô próximas às concentrações.
Na sexta-feira à noite, o grupo se reuniu na casa do Paulinho para decidir em quais deles nós iríamos marcar presença e como. Este ano, não fizemos camisetas iguais, nem fantasias. Cada um foi como quis e usando os acessórios que mais lhe agradavam.
Agora, o que todos nós investimos foi nas postagens sem filtro nas redes sociais, em selfies e na bagunça generalizada da galera. Como era de se esperar, as primeiras saíram melhores porque todo mundo estava inteiro, sem confetes grudados pelo corpo, nem pingando horrores ou mesmo com os olhos já caídos como um basset hound da canseira acumulada, há, há, há...
O problema é que a superexposição cobrou seu preço. O positivo dela é que você ganha visibilidade, aumenta seu número de seguidores, recebe dezenas de likes e comentários, mas o lado negativo é que tudo isso também pode se transformar em um problema.
Durante o final de semana, eu fui stalkeada (perseguida) por um estranho no Instagram. O cara curtiu todas as fotos que postei recentemente, além de começar a me seguir. Confesso que marquei bobeira ao deixar minha página aberta, mas nunca imaginei tal situação!
O Fer percebeu na hora o que estava acontecendo e nós acabamos brigando. Comecei a semana arrasada! Fazia muito tempo que nós dois não discutíamos e ele me dava uma gelada. Para vocês terem ideia, ele fez a Katia depois que recebeu minha mensagem de bom dia e não me ligou durante toda a segunda-feira. Sniff, sniff...
Quando o encontrei na academia no final da tarde, dei um basta nessa palhaçada e coloquei os pingos nos is porque que culpa tenho eu da loucura alheia? Nenhuma.
Prometi restringir minha página para amigos e familiares, não responder directs de estranhos e ter o cuidado de não evidenciar a minha rotina, especialmente meus horários e itinerários de circulação.
O episódio me despertou para alguns códigos comportamentais existentes nas redes sociais e para o fato de que sites de relacionamentos como Tinder já eram!
Como vocês bem sabem, a paquera está rolando pelo Insta, através de likes, do envio de emojis, figurinhas e comentários feitos. Para que o outro saiba de seu interesse, basta que você curta algumas fotos da pessoa, sendo sua última postagem e outras antigas. Se ela repetir tal atitude, então é só correr para o abraço e enviar uma mensagem privada para seu crush porque com certeza dará match.
Por precaução, pedi para as meninas tomarem cuidado com seguidores insistentes e com o que elas postam porque não posso obriga-las a também fecharem suas páginas, né!
Agora, quem deseja proteger seu aparelho celular de batedores que estão infiltrados na multidão, então a minha dica é para não leva-lo na ocasião ou desfilar com um modelo mais antigo e de baixo valor. 
Outra sugestão é guarda-lo em doleira em baixo das fantasias ou mesmo dentro de pochetes. Nunca coloque o celular nos bolsos traseiros de shorts e saias e nem fique marcando bobeira com o aparelho na mão. Mantenha-o grudado a você e como precaução nunca é demais, aproveite para instalar um aplicativo de rastreamento.
Outra dica é não levar carteiras repletas de cartões e sim, um único para emergências. Prefira pagar suas despesas na rua com dinheiro vivo e não saia de casa sem um documento de identificação.
De resto, esta semana será de muitas serpentinas. Eba! Porque o carnaval dura bem mais do que quatro dias e eu tô a fim de brincar com os rolos coloridos de papel por um tempo maior do que o costumeiro porque fôlego e pulmão para assoprar para longe as cinzas da quarta-feira nebulosa eu tenho, há, há, há..
Ótimo carnaval para vocês!
Maria Oxigenada
     
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MEU CORAÇÃO NÃO É DE PAPEL
Os últimos dias foram de muitas emoções para os fashionistas! O caderno de poesia começou a ser preenchido, primeiramente, com a semana de moda americana (Nova Iorque), depois com a semana de moda inglesa (Londres) e na sequência, com a semana de moda italiana (Milão). E entre um verso e outro glamuroso, a presença de um poema melancólico e uma triste notícia para desacelerar os nossos batimentos cardíacos.
O falecimento do estilista Karl Lagerfeld, diretor criativo da Chanel e da Fendi, nos surpreendeu na última terça-feira. Figurinha importante no mundinho da moda, ele fez história, pois deu gás extra às marcas citadas acima, deixando-as contemporâneas, sem perder seus códigos primários.
O cara era tão virado no Jiraya que além de criar coleções inteiras, ele também se aventurava pela fotografia, pelo cinema e pelas artes plásticas. Ao longo dos últimos anos, ele apresentou ao público verdadeiros espetáculos estéticos, pois os desfiles da Chanel eram de cair o queixo, né!
Tudo o inspirava e Lagerfeld extraía ideias para os cenários de seus desfiles dos lugares mais distintos possíveis, tais como: cassinos, pool parties, corridas espaciais, natureza, fundo do mar, geleiras, apocalipse, viagens aéreas, carrosséis, supermercados, galerias de arte e protestos urbanos, dando sugestões a outros estilistas para que eles também embarcassem em aventuras de construir shows de moda sensoriais, assim como de passar sérios recados após o desligar dos flashes.
Nos últimos tempos, a estilista Vivienne Westwood sintonizou na mesma frequência que Lagerfeld, posicionando-se contra algumas causas atuais, tais como aquecimento global, consumismo desenfreado, ditadura da magreza, entre outras. Tanto isso é verdade que durante a última semana de moda de Londres, ela apresentou um desfile com uma pegada ativista, através da presença de camisetas slogan, aventais escritos, modelos com idades avançadas e fora dos padrões fashion.
E pegando o gancho da semana de moda inglesa, o espetáculo visto contou com trabalhos cuidadosos de outros estilistas que continuam vivinhos da silva. J. W. Anderson, por exemplo, trabalhou com volumes, arquitetando mangas, saias, vestidos e detalhes com excesso de tecidos, além de criar ilusões de óptica com o uso de peles e plumas fakes.
Já Matty Bovan deu o seu recado sustentável através da presença de peças eco-friendly feitas com restos de tecidos e à mão. Entretanto, a marca Burberry não quis queimar as margens deste caderno de moda e investiu nas nuances do bege, no uso de cabelos modelados com gel, além da presença de sapatos Oxford bicolores.
E como a coleção resort multicolorida criada por Lagerfeld em 2016, a estilista Victoria Beckham também trabalhou as tonalidades vivas, através de botas de cano alto coloridas e animal print, da alfaiataria seca, de colarinhos grandes e da presença de casacos elegantes.
Agora, quem foi figurinha repetida no evento foi mesmo o macacão. A marca Halpem levou às passarelas sua versão festiva, enquanto que a marca de Peter Pilotto mostrou modelos descontraídos da peça única com costuras aparentes ou aquele cheirinho de cama arrumada e roupa de dormir.
Já a marca Asai travou um dialogo curto e seco com a peça curinga do outono e inverno 2019, e levou as passarelas macacões retos. Enquanto isso, a marca Chalayan brincou com o modelo prático, criando sua versão “sensuelen” para a peça com decote ombro a ombro.
Retrocedendo ao prefácio e as primeiras páginas do caderno de poesia fashion, a semana de moda americana apontou para outra peça desejo: o terninho confortável e solto. Sua versão “entabuleirada” foi vista no desfile da marca Coach, Proenza Schouler, Marc Jacobs, Carolina Herrera e Michael Kors, enquanto que modelos acetinados marcaram os desfiles da Gabriela Hearst, Helmut Lang, Tom Ford. Já as marcas Hugo Boss, Prabal Gurung, Kate Spade, Sies Marjan apresentaram ternos coloridos e acesos.
A verdade é que o alinhavo entre as semanas de moda internacionais sempre foi feito para que suas páginas não se soltassem e nem voassem para o esquecimento dos leitores assíduos deste tipo de poesia.
A sinergia com o que foi falado acima chegou com o desfile de Giorgio Armani no último sábado, pois a marca realizou seu primeiro desfile co-ed, ou seja, apresentou looks femininos e masculinos juntos, reafirmando que é possível sim criar métrica e harmonia a partir de uma mesma ideia e apresentar versões distintas para ela.
Agora, quem nos presenteou com boas ideias para os dias de folia foi a marca Gucci durante a semana de moda de Milão. Máscaras coloridas, chockers metalizadas, óculos de sol com lentes coloridas, tapa-olhos, brincos diferentões, viseiras, tênis holográficos, ugly sneakers e muitas meias-rendadas para nenhuma Columbina, nem qualquer Fantasma da Opera reclamar, hein!
Outro presente foi dado pela marca Fendi durante a semana de moda de Milão. A brand que foi a casa de Lagerfeld desde 1965 fez justa homenagem ao seu diretor criativo, colocando suas modelos para desfilar com rabos de cavalo baixos e colarinhos fechados, da mesma forma como o estilista se apresentava ao público. Além disso, ela mostrou aos presentes os seus últimos croquis, além de um vídeo feito pelo próprio onde desenhava sua chegada à marca.
Como se não bastasse tudo isso, a label ainda colocou um cartão com a data de sua morte e um F com coração e sua assinatura em todos os assentos das cadeiras dos convidados.
E para fecharmos a nossa conversa sobre os últimos acontecimentos do mundinho da moda, a herança deixada por Karl Lagerfeld e que gira em torno de R$ 461 milhões provavelmente irá para as mãos de seus herdeiros e para as patas de sua gata Choupette. Aliás, o felino é uma celebridade nas redes sociais com mais 195 mil seguidores e agora, uma gata ricaaaaaaaaaa! Parte do sucesso se deve ao seu trabalho como modelo em peças publicitárias e parte pela generosidade de seu dono que sempre teve um coração de verdade e não um de papel batendo no peito.
Beijocas,

Maria Oxigenada
Fotos: reproduções


SE A RUA BEALE FALASSE
Ufa! Que maratona foi essa, gente! Se eu contar o número de horas que fiquei sentada em frente à telona assistindo aos filmes concorrentes ao Oscar deste ano, provavelmente elas se igualariam aos 42 km normalmente cumpridos na prova esportiva, ou seja, mais de 40 horas frente a frente com histórias e aventuras completamente distintas.

A diferença com a prova física é que ela não foi feita de uma tacada só e sim, ao longo dos últimos dias e semanas porque já faz um tempo que estou na “função” de acompanhar os lançamentos dos principais filmes concorrentes, né!

“Se a Rua Beale Falasse” concentra-se na reta final desta prova de resistência e é mais um romance, ou seja, uma película que acompanha a história de amor entre Tish Rivers (Kiki Layne) e Fonny Hunt (Stephan James), dois jovens negros que cresceram juntos e desde criança são apaixonados um pelo outro.

No entanto, este amor é entrecortado pela realidade, por episódios de racismo e injustiça, além do constrangimento sentido pela dupla de ter seus encontros amorosos monitorados por oficiais e realizados dentro de uma prisão federal, pois Foony está sendo acusado de ter estuprado uma latina chamada Victoria Rogers (Emily Rios).

Entre idas e vindas feitas na narrativa, o espectador toma ciência de como este romance foi construído, tijolo a tijolo até chegar ao momento em que Tish conta a Fonny que está grávida de três meses e que ela e sua família farão de tudo para provar sua inocência e tira-lo da cadeia antes do nascimento do filho do casal.

O problema é que a vítima reconheceu Fonny como autor do estupro, retornando para seu país de origem para ficar próxima de seus familiares sem intenção alguma de voltar aos Estados Unidos e alterar seu depoimento.

Sharon Rivers (Regina King), mãe de Tish e sogra de Fonny, vai até Porto Rico para conversar com a moça, mas ela surta ao lembrar do episódio, enterrando de vez as esperanças de todos. Antes disso, eles descobrem que a prisão de Fonny foi armação de um policial branco (Ed Skrein), interessado em incriminá-lo depois que o confrontou anteriormente nas ruas do bairro em que os dois moravam.

E para piorar ainda mais a história, seu único álibi está impedido de depor no dia de seu julgamento, pois também está atrás das grades. Trata-se de Daniel Carty (Brian Tyree Henry), amigo de infância de Fonny que jantou na noite do crime com o casal.

O filme é uma adaptação do livro escrito por James Baldwin, é dirigido por Barry Jenkins, o mesmo diretor de “Moonlight: Sob a luz do luar”, e conta com uma trilha sonora feita por Nicholas Britell repleta de canções de blues e jazz.

O interessante da película é que ela é contada sob o prisma da protagonista feminina, por isso sua narrativa é simplista e coerente com o pensamento e a maturidade de uma garota de 19 anos, idade de Tish no início do filme. Com o passar dos minutos também é possível perceber as constatações feitas por ela a respeito do futuro de seu filho e de seu amado.

Outro ponto de destaque da obra é o seu figurino. Colorido, cheio de sobreposições e de peças de fácil identificação com os anos 60, tais como: Blazers de veludo, camisas femininas, peças xadrezadas, tubinhos, malhas de gola alta, pelerines de lã, lenços, entre outras.

“Se a Rua Beale Falasse” se junta a “Pantera Negra”, “Infiltrados na Kla” e “Green Book – o Guia” como filmes que possuem negros como protagonistas, que retratam o racismo existente no passado e que tocam no assunto de maneira direta, sem rodeios ou maquiagens. O filme concorre em três categorias diferentes no próximo domingo: melhor atriz coadjuvante (Regina King), trilha sonora original e melhor roteiro adaptado.

Aliás, a atriz Regina King foi quem roubou a cena desde a sua primeira aparição no longa-metragem porque fica evidente seu sofrimento diante do drama sofrido por sua filha, assim como sua determinação em ajuda-la. As cenas em que aparece desolada em uma ruela de Porto Rico e após o encontro com Victoria é de uma carga dramática altíssima e de cortar o coração!

A pedra em seu sapato na ocasião será a atriz Rachel Weisz, de “A Favorita”, que também defende sua personagem com unhas e dentes. Acredito que as demais atrizes participantes desta corrida, tais como: Emma Stone (A Favorita), Amy Adams (Vice) e Marina de Távora (Roma) não sairão vitoriosas, não!

A confusão do filme recai sobre seu nome, pois a rua Beale não foi o endereço ostentado pela família em Nova Iorque, nem o local onde o crime foi praticado ficcionalmente. Na verdade, ela até existe, mas está localizada na cidade de Memphis, no Tennesse, mesmo local onde o líder Martin Luther King foi assassinado em 1968 e um dos berços do blues, ou seja, seu titulo é uma homenagem aos dois eventos.

Outro ponto problemático da obra é o seu ritmo: muito arrastado! O diretor Barry Jenkins estica muito os silêncios cênicos, as pausas existentes entre as falas dos personagens, assim como o excesso de lembranças deles, tornando-o repetitivo.

Independentemente de qualquer coisa, “Se a Rua Beale Falasse” é um filme que pode servir de objeto de reflexão sobre todos os quilómetros que compõem nossas vidas, desde os mais fáceis e gostosos de serem percorridos até os mais espinhosos e desgastantes.

Para pensar...

Maria Oxigenada
 
PODERIA ME PERDOAR?
Agora virou modinha! Parece que assumir o nome e os feitos de outra pessoa ou personalidade anda em voga! Tanto é verdade que a indústria cinematográfica não se cansa de produzir filmes com este mote, vide “A Esposa” e “Colette”, duas películas recentes que tocam no assunto e que atribuem créditos aos maridos das escritoras sob os holofotes.
Já em “Poderia me perdoar?”, a escritora Lee Israel (Melissa McCarthy) não precisou se esconder atrás de um homem ou pseudônimo para sentir o gostinho da fama, pois esteve presente na lista das mais vendidas e lidas feita pelo jornal The New York Times na década de 80. E apesar de talentosa, a especialista em biografias de famosos está com dificuldades de aplacar mais uma obra de sucesso.
Também pudera, né! Ela se entregou ao álcool, ao estado depressivo depois que terminou um relacionamento amoroso e suas inspirações sumiram. Daí para frente foi só ladeira abaixo no quesito dignidade humana. No momento, ela só se relaciona com seu gato idoso, apresenta-se desleixada diante das pessoas e deve para Deus e todo mundo. Nem mesmo sua agente ou editora tem interesse em seu nome e em novas publicações.
Desesperada, Lee resolve vender uma carta escrita por Katherine Hepburn para ela e percebe a existência de um nicho de mercado interessante e até então desconhecido que é o de antiguidades literárias. Não somente a elite cultural composta por artistas, escritores, professores e endinheirados de Manhattan demonstram interesse em ostentar cartas trocadas por escritores, artistas e celebridades de décadas atrás como pessoas de outras partes do mundo.
E aí surge a grande ideia de começar a falsificar algumas delas. Para isso, Lee precisa aprender a envelhecer papeis, a reconhecer a tipografia usada pelo escritor, bem como o modelo de sua máquina de escrever, mas ela faz direitinho a lição de casa, vai além e estuda não só o estilo de cada um deles como também sua personalidade.
A voz abafada e quase emudecida de Lee Israel volta a ser ouvida através de outras pessoas já caladas e com isso, ela recupera seu brio e as preocupações de reles mortais como nós, como de manter as contas em dia, fazer refeições satisfatórias diariamente e ostentar uma casa limpa e em ordem.
A ajuda de Jack Hock (Richard E. Grant), outro artista decadente, foi essencial para que Lee vestisse a fantasia de falsária-mor por um longo período, pois a dupla chegou a falsificar e vender 400 cartas ao todo. Mas Jack foi mais do que seu comparsa nesse plano mirabolante, ele transformou-se em amigo de Lee depois de vários porres e encontros. É visível que a dupla estava realmente feliz e interessada em manter a adrenalina e os negócios nas alturas.
O problema é que eles foram pegos com a boca na botija por agentes do FBI e Lee viu seu nome configurar em outra lista que não era a de escritoras mais lidas da década de 90, precisando sim pagar pelos crimes cometidos.
Quando a pessoa está no fundo do poço, a única coisa sensata de se fazer é emergir a superfície, né! Então, foi exatamente isso que aconteceu e por incrível que possa parecer, a artista conseguiu voltar às manchetes de jornais com sua própria biografia, onde detalhou a maneira como se tornou uma falsária. O livro foi objeto que deu origem ao filme adaptado pelas mãos de Nicole Holofcener e Jeff Whitty.
Sem sombra de duvidas, a parceria cênica entre os atores Melissa McCarthy e Richard E. Grant é o melhor de “Poderia me perdoar?”. O interessante é que esta também é a oportunidade de vermos a atriz em ação de outra forma, pois estamos acostumados a assisti-la em comédias como “Madrinha de Casamento”, “Espiã que sabia de menos” ou “As Caça Fantasmas”.
Neste, ela despe-se de qualquer vaidade, adota as nuances de uma pessoa solitária, perdedora, entregue ao destino e nos presenteia com uma interpretação realista, sincera e condizente com que era esperado para o personagem.
“Poderia me perdoar?” está concorrendo em três categorias distintas no Oscar de 2019. São elas: melhor atriz, melhor ator coadjuvante e melhor roteiro adaptado.
Eu adorei a película!
Maria Oxigenada           
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GUERRA FRIA
Romeo e Julieta nunca sai de moda, né? William Shakespeare também não! Tanto isso é verdade que releituras desse amor proibido vivido entre jovens de famílias rivais continuam sendo feitas em pleno século XXI. Vocês se lembram de quantos espetáculos teatrais e de dança que eu conferi no último ano e que foram baseados no romance? No mínimo quatro.
O candidato ao Oscar de melhor filme estrangeiro “Guerra Fria” é uma das produções da atualidade que adapta o clássico da literatura mundial para o período entre 1949 e 1964, ambientando-o em países como Polônia, Iugoslávia e Paris, locais bem diferentes da história de amor passada em Verona, na Itália.
É claro que este romance não tem as cores e os contornos existentes nas ruelas italianas e é apresentado ao espectador em branco e preto e tendo como casal protagonista Zula (Joanna Kulig) e Wiktor (Tomasz Kot). Já seu  alinhavo é feito através da música e da dança, pois Wiktor é um maestro que está selecionando jovens para compor o grupo Mazurek e com isso participar do Festival da Juventude promovido pelo governo atual, além de servir de vitrine aos feitos do regime de Josef Stalin.
A película começa com o personagem masculino viajando ao interior da Polônia atrás de músicas folclóricas, ritmos e artistas desconhecidos e em uma dessas aventuras ele fica frente a frente com Zula, jovem extrovertida, sexualmente livre e pouco refinada.
E apesar da grande diferença de idade e de temperamento entre os dois, eles acabam se apaixonando e iniciando uma relação que irá perdurar por mais de 15 anos, período em que os personagens são acompanhados pelas lentes do diretor Pawel Pawlikoski.
Através da história de amor dos dois, o espectador também toma ciência sobre as dificuldades enfrentadas pela população, sobre sua proibição de cruzar fronteiras, bem como sobre a disciplina e as exigências feitas ao grupo de jovens. Agora, o melhor de tudo é poder acompanhar os treinos vocais, as aulas de dança e as apresentações públicas feitas por eles.
E como nem tudo são flores na trajetória do casal, a dupla precisa fugir para o ocidente para continuar unida. Os cortes bruscos feitos pelo diretor Pawel Pawlikowski, assim como os takes fechados e quadrados são justamente para evidenciar os impactos desse conflito mundial sobre o casal.
Apesar disso, o que os reconecta são a música e a arte. Entretanto, a construção de um amor bonito, límpido e pleno é destruída em detrimento de um amor cheio de nós, de obstáculos, de inflexibilidades e com um pezinho posto na autodestruição, por isso a opção do diretor de inserir momentos silenciosos, de espera, bem como cenas de ciúmes e de defesa dos personagens.
“Guerra Fria” já saiu vitorioso no European Film Awards e está concorrendo em outras duas categorias, além de melhor filme estrangeiro no Oscar de 2019, tais como: melhor diretor e melhor fotografia. 
Sinceramente, eu não sei se ele tem condições de arrancar a estatueta das mãos de Alfonso Cuarón, diretor de “Roma” e filme queridinho do ano, mas que sua fotografia é de cair o queixo, isso ela é!
E a seu favor contam as locações escolhidas pela produção que são um misto de lugares deteriorados, paisagens congelantes e tristes, além de locais que transparecem a boemia francesa da década de 50.
Contra, a obra não deixa claro quanto tempo transcorre entre um encontro e outro dos personagens principais, mas faz questão de potencializar seus estados psíquicos através da maquiagem usada, dos cabelos e roupas ostentados e do destempero presente entre os dois.
“Guerra Fria” é uma obra poética, melancólica e que coloca sob os holofotes um tipo de amor pouco visto hoje em dia. Aquele amor romântico, autêntico, que não sofre alterações com a passagem dos anos ou a interferência de outras pessoas. O mesmo amor que foi retratado inúmeras vezes por poetas, dramaturgos e escritores do passado como foi o caso de Shakespeare.
Confesso que saí comovida do cinema!
Maria Oxigenada    
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HOMEM ARANHA NO ARRANHAVERSO
As animações também merecem prêmios, pois são feitas para conquistar um público exigente que são as crianças, mas no caso de “Homem Aranha no Aranhaverso” ela agradou não só os amantes de HQ como também adolescentes e adultos. 
Feito totalmente no computador, o filme inova, apresentando um protagonista adolescente, negro, com descendência hispânica e chamado Miles Morales. Como qualquer garoto da sua idade, ele gosta de grafitar, de confrontar seus pais, de desenvolver paixonites por colegas de escola e exaltar os feitos de   heróis como os de Peter Parker. 
O problema é que o teioso-mor bateu com as aranhas e Miles precisa assumir o seu lugar de personagem destemido na história depois de ser picado por uma aranha. A boa notícia é que ele não está só e pode contar com outros aranhas oriundos de outros universos, tais como: o Porco Aranha (vindo dos desenhos de Looney Tunes), a Peni Parker (versão nipônica do Aranha), Homem Aranha Noir (repórter investigativo que vive em Nova Iorque na década de 30), além da Spider Gwen (versão feminina do Aranha).
Os amantes de HQ deitam e rolam com o desenrolar da obra, pois ela está repleta de referências e piadas sobre os heróis e sobre seus criadores. Stan Lee, por exemplo, é homenageado e faz uma ponta na película, assim como outros personagens malvados que desafiaram o teioso ao longo de décadas, tais como: Dr. Octopus que neste filme surge na pele de uma mulher, o Rei do Crime, Duende Verde e o Gatuno que por baixo de sua fantasia está o próprio tio de Miles.
Vocês já podem imaginar que a briga é boa, né! E o melhor é que ela é embalada por uma trilha sonora de cair o queixo e que é composta por 28 músicas distintas, inclusive canções da década de 60. Outro ponto alto da película é que todo momento ela traz referências ao universo dos quadrinhos, levando para a telona algumas cenas vistas nas folhas impressas como o avançar das páginas de gibis e revistas, a presença de balões de pensamento dos personagens e também onomatopeias (figura de linguagem que reproduz sons e ruídos naturais).
E vocês sabem o que é melhor? Sua versão dublada, pois ela não perde nada diante da legendada. Nas duas é fácil embarcar na aventura, especialmente porque ela está dinâmica, colorida e com uma mensagem otimista por trás, reforçando a ideia de que qualquer pessoa pode sim vestir a capa de herói, independente de sua aparência, nacionalidade ou época em que vive.
Durante o caminho, ou melhor, no transcorrer do filme várias mensagens são deixadas ao público além da citada acima. Outra é a de que até mesmo os heróis precisam da ajuda de outros, então imaginem nós que somos reles mortais, né! 
Pelo jeito, “Homem Aranha no Aranhaverso” vem agradando críticos e público, pois ele já ganhou o Globo de Ouro, a estatueta de melhor animação na cerimônia de Critics’ Choice Awards deste ano, além de sete estatuetas no Annie Awards (considerado o Oscar de animação) e quatro estatuetas no VES Awards (Sociedade de Efeitos Visuais). Provavelmente ele irá levar para a casa o Oscar de melhor animação de 2019.
“Homem Aranha no Aranhaverso” é um presente de início de ano aos  apaixonados por desenhos. Eu adorei!
Maria Oxigenada     
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NO PORTAL DA ETERNIDADE
Tudo é questão de luz. Vocês ouvirão isso da boca de algum fotógrafo ou cineasta. Profissionais da área também irão alegar que com uma boa luz vocês podem transformar uma imagem ou pessoa diante das câmeras, por isso tamanha preocupação com a luminosidade e com as sombras surgidas ao fotografar e filmar.
O pintor Vincent van Gogh (Willem Dafoe) já tinha sacado isso muito tempo atrás e até por esse motivo resolveu ir para o interior da França atrás da luz perfeita e da possibilidade de pintar o sol em diferentes momentos do dia, inclusive quando ele está perdendo sua força e derretendo no  horizonte.
Aliás, a natureza era outra encanação de Van Gogh, pois o artista via beleza onde a maioria das pessoas não enxerga como nas raízes de árvores, em campos secos, em girassóis murchos, em um par de sapatos puídos, bem como em cenas do cotidiano.
Quanto às pessoas, ele até as pintou, mas pouco porque não achava graça em retratá-las. Conhecidos, tais como seu médico, seu amigo Paul Gauguin, a camareira da hospedaria Ravoux, local onde morou por alguns meses e também pessoas que cruzaram pelo seu caminho em vilarejos como o Auvers-sur-oise e Arles foram alguns dos retratados.
No filme fica bem clara a solidão, os momentos depressivos e difíceis enfrentados por Van Gogh, mas o ator Willem Dafoe se esforça para não pesar a mão na construção deste personagem repleto de nuances.
A verdade é que sua arte era incompreendida e seus quadros não eram valorizados como acontece hoje em dia e muito menos, eram vendidos por montantes exorbitantes. Vincent van Gogh viveu e morreu na miséria! 
O interessante do filme é que ele também explicita a relação de amizade e amor entre Van Gogh e seu irmão Theo (Rupert Friend). Aliás, as despesas mensais do artista enquanto passava uma temporada no interior foram pagas pelo seu irmão, apesar dele não ser um homem rico e sim, um pequeno empresário.
Theo sabia que um dia Van Gogh seria reconhecido e que era um grande pintor, tanto é verdade que antes de morrer vítima de um tiro de revolver, em 1870 e aos 37 anos, o artista soube que sua exposição realizada em Paris tinha agradado ao público e recebido boas críticas.
Outro ponto interessante é que no final da vida, Van Gogh já não estava mais interessado com a opinião alheia e em como sua arte iria impactar as pessoas naquele instante, mas sim em como ela seria compreendida e vista por gerações futuras, como suas pinturas reagiriam com o passar do tempo e como seu nome entraria para a história.
Em uma passagem do longa metragem, o pintor Paul Gauguin (Oscar Isaac) faz essa observação ao amigo e diz que suas pinceladas eram fortes como esculturas e por isso, resistiriam por muitos anos.
Até seus últimos suspiros, Van Gogh não delatou para seu médico e para as pessoas que estavam presentes em seu quarto os dois meninos que o balearam enquanto pintava seu último quadro e isso aumenta as dúvidas sobre o que realmente aconteceu naquele dia, se o pintor foi assassinado, se foi vítima de um acidente ou mesmo, se ele próprio colocou fim em sua vida.
Agora, o mais incrível de tudo foi saber que um caderno com 75 desenhos e esboços inéditos feitos pelo artista foi descoberto recentemente, em 2016, e após 126 anos de sua morte. O caderno era um presente de Vincent para a dona da hospedaria, mas ela nunca soube disso. Ao todo, Van Gogh desenvolveu mais de 2 mil trabalhos, sendo 860 pinturas a óleo.
Quanto à atuação de Willem Dafoe, ela está muito convincente, pois o ator explicita a obsessão de Van Gogh pela natureza e pelo seu ofício. Confesso que em vários momentos da obra, eu me esqueci da diferença de idade existente entre o ator e o personagem retratado, pois Dafoe está com 63 anos e Van Gogh morreu aos 37 anos.
Para facilitar o embarque na aventura pintada na telona, o diretor Julian Schnabel criou um filme plasticamente digerível, onde a loucura do retratado é suavizada e o processo criativo do artista é ressaltado pelo seu roteiro. Apesar disso, ele utilizou-se de câmeras em movimento e não estáticas para acompanhar os movimentos e as deslocações reais dos personagens, além do uso de planos fechados e vários closes feitos nos rostos dos atores para que nós tivéssemos condições de observar a fisionomia de cada um deles, bem como pequenos gestos faciais. Schnabel também optou por fazer cortes secos e abruptos durante a narrativa; tudo para marcar as mudanças ocorridas na rotina e vida de Van Gogh.    
O silêncio do protagonista é outra ferramenta usada pelo diretor para mostrar o estado mental de Van Gogh em seus últimos dias e para criar um paralelo com as posturas adotadas por nós diante de obras de arte que estão expostas em museus e galerias de arte.
“No portal da eternidade” não é o único filme feito sobre o artista. A animação “Com amor, Vincent”, lançada ano passado, também aborda a vida do pintor, mas sob outra perspectiva e a partir de seus quadros pintados a óleo.
O ator Willem Dafoe já levou para casa a estatueta de melhor ator no Festival de Veneza. Ele também está concorrendo ao Oscar, juntamente com Rami Malek (Bohemian Rhapsody), Christian Bale (Vice), Bradley Cooper (Nasce uma estrela) e Viggo Mortensen (Green Book – o Guia). Dafoe já bateu na trave outras quatro vezes e quem sabe esta seja a sua chance de abraçar a estatueta dourada no próximo dia 24.
Então, para quem curte assistir filmes com uma pegada artística, biográficos e sensíveis, eu o indico.
Tô na torcida por Dafoe!
Maria Oxigenada  
Foto: reprodução
 
VICE
Agora sim nós temos condições de ponderar sobre os candidatos ao Oscar de melhor filme. “Vice” é o último filme dentre os oito concorrentes na categoria que faltava para eu fechar os comentários sobre os mais, mais da edição.
E ele joga luz sobre o Vice Presidente americano Dick Cheney (Christian Bale), pois este foi uma figura controversa, que sempre esteve às sombras na Casa Branca, manipulando e tomando decisões cruciais mesmo antes de assumir o segundo cargo de maior importância do país.
A película começa retratando episódios de bebedeira de Cheney na juventude, assim como sua expulsão da faculdade, sua falta de perspectivas profissionais, além da prensa levada pelo personagem por usa mulher Lynne Cheney (Amy Adams).
Aos poucos, ele foi entrando no prumo, começou a estagiar dentro da Casa Branca como assessor do deputado Donald Rumsfeld (Steve Carell) e tomou gosto pela dinâmica do lugar. Tanto é verdade que se tornou deputado federal, chefe de defesa do presidente George W. Bush, chefe do gabinete do presidente Gerald Ford, empresário bem sucedido e, finalmente, Vice Presidente da República de George W. Bush filho (Sam Rockwell).
Homem de poucas palavras, mas com uma mente ágil, ele foi responsável por ordenar a invasão ao Iraque e Afeganistão, a barrar o desenvolvimento solar no país, por torturar pessoas suspeitas de participar do atentado de 11 de setembro e por ser detentor de grande poder entre os anos de 2001 e 2009.
A verdade é que ninguém dá muita importância aos vices, mas que eles podem ser perigosos, isso eles podem! Cheney é um bom exemplo disso, pois fez um acordo com George W. Bush para ser o seu braço direito e estar à frente de decisões referentes às forças armadas americanas.
A postura pragmática e fria de Cheney não mudou com o passar dos anos, com seu envelhecimento e muito menos, com o agravamento de seus problemas de saúde ou sua impopularidade. Ele continuou focado em atingir seus objetivos pessoais enquanto esteve no poder e depois em continuar sendo lembrado na política através de sua filha Liz.
Vamos combinar que política não é um assunto que atrai a maioria das pessoas, mas “Vice” tem a seu favor a presença do ator Christian Bale que está irreconhecível em baixo de grossas camadas de maquiagem, de quilos extras, da adoção de um timbre vocal idêntico ao da persona retratada e também de sua atuação contida.
Christian Bale tem sim potencial de levar para casa a estatueta dourada no final deste mês, especialmente porque já abocanhou outros prêmios pelo papel. O ator ainda conta com dois outros bons atores para dar suporte ao seu personagem. Amy Adams e Steve Carell levantam a bola para Bale cortar em muitas cenas, assim como seguram a onda em outros takes em que o protagonista da obra não está presente. 
E o que dizer de Sam Rockwell? Apesar de poucas falas e sua participação ser ínfima no longa, o ator ostenta uma boa caracterização de seu personagem, bem como a adoção de expressões semelhantes às vistas pela personalidade política.
E para que “Vice” não virasse uma chatice sem fim, o diretor Adam McKay, o mesmo de “A grande proposta”, apostou na criatividade e no humor para segurar a atenção do público com a inserção de cenas onde faz algumas analogias à pesca, além de citações de obras clássicas da literatura como falas de William Shakespeare.
“Vice” está concorrendo a sete categorias distintas no Oscar 2019: melhor filme, melhor ator (Christian Bale), melhor ator coadjuvante (Sam Rockwell), roteiro original, diretor, atriz coadjuvante (Amy Adams), edição, maquiagem e penteado.
E falando em edição, é ela quem favorece a narrativa porque imprime ritmo a película, evitando que se torne arrastada e indigesta! O combo de boa edição, boa maquiagem e boas atuações da trinca de atores principais fazem desta obra uma das mais interessantes da temporada.
Uma coisa é fato: o páreo será duro no próximo dia 24 e nenhum dos concorrentes deseja ostentar a medalha de prata e ser vice na disputa pelos holofotes, né!
Beijocas,
Maria Oxigenada   
Foto: reprodução
 
ATRAVÉS DA ÍRIS
O casamento foi perfeito! Com tantas semanas de moda internacionais, festivais de cinema e premiações acontecendo na atualidade, a estreia da peça “Através da Iris” colocou em destaque uma das figuras mais conhecida do mundinho da moda como a empresária e decoradora de interiores Iris Apfel, de 97 anos, que é uma referência fashion e continua fazendo sucesso entre os antenados.
A maneira extravagante e fashionista de como ela veste-se e vive até hoje é o que faz dela uma pessoa única, pois Iris não é nada discreta e bem chegada ao uso de maxi acessórios, como colares, óculos, pulseiras e anéis, além de cores vibrantes, peles e de madeixas brancas curtas.
Entretanto, seu curriculum profissional vai além de bater ponto nas primeiras filas de desfiles internacionais e está recheado de trabalhos e projetos interessantes na área de decoração de interiores, tais como: restauração da Casa Branca, do Metropolitan Museum de Nova Iorque e tantos outros desenvolvidos para celebridades e figuras da alta sociedade americana desde a década de 50.
No palco, quem assume as armações grossas e negras, marca registrada de Iris, é a atriz Nathalia Timberg. Sozinha sob os holofotes, ela faz declarações  amorosas ao seu falecido marido Carl Apfel, além de conceder alguns depoimentos sobre si como, por exemplo, de ter sido uma das primeiras mulheres do mundo a usar calça jeans, bem como a ganhar uma exposição para chamar de sua organizada pelo  Metropolitan Museum. 
Para costurar as falas e facilitar a compreensão das passagens biográficas de sua persona, o roteirista Cacau Hygino preferiu construir o espetáculo com trechos de uma entrevista concedida pela decoradora para elaboração de um documentário sobre sua vida, lançado no ano de 2014 e que tem como título: “Iris, Uma Vida de Estilo”.
E para dar aquele gás extra e segurar a atenção da plateia, projeções visuais intercalam-se ao texto falado por Nathalia Timberg. Confesso que achei a solução cênica interessante para dinamizar ainda mais a peça, pois a atriz que ali está pouco se movimenta em cena, permanecendo a maior parte do tempo sentada em uma poltrona.
“Através da Iris” é um espetáculo vapt-vupt e de apenas 50 minutos de duração. É fato que os monólogos costumam ser mais curtos que outras peças, mas eu achei que este terminou repentinamente e merecia um desfecho melhor trabalhado.  
Apesar disso, foi um prazer ficar diante de Nathalia e ver que ela continua ativa e trabalhando no auge de seus 89 anos, assim como sua personagem. Tanto é verdade que a atriz pôde ser vista recentemente em outro trabalho televisivo e na novela global “O outro lado do paraíso”, interpretando Beatriz, uma senhora abandonada pela família em um sanatório. 
A ida ao teatro vale por vários motivos: para saber um pouco mais sobre essa mulher autêntica, independente e que está sabendo envelhecer, para aplaudir Nathalia Timberg e para ter contato com uma produção moderna e elegante. 
Beijocas,
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: teatro FAAP, localizado na rua Alagoas, 903 – Higienópolis.
Quando: sexta e sábado, às 21h; domingo, às 18h.
Temporada: até 10 de março de 2019.
Preço: a partir de R$ 25,00 (meia-entrada).
Foto: reprodução
 
A FAVORITA
Quem não quer cair nas graças da rainha? Isso sim é privilégio para poucos e no caso do filme “A Favorita” é o desejo de Lady Sarah (Rachel Weisz) e Abigail (Emma Stone).
As duas são primas distantes, mas se aproximaram da rainha da Inglaterra Anne (Olivia Colman) de maneira distinta. Sarah cresceu ao lado da monarca, sempre viveu na corte, casou-se com o chefe da guarda real e é amante da rainha. Já Abigail chegou ao castelo em busca de um emprego e da ajuda da prima, pois seus pais perderam tudo o que tinham e a partir de então ela precisou trabalhar e se virar nos 30.
Sarah e Abigail, cada qual a sua maneira, acabam influenciando e manipulando as decisões tomadas pela rainha e com isso, afetando os rumos do país, não só economicamente como também belicamente, pois a Inglaterra parte para cima da França em uma guerra declarada.
A verdade é que a película faz uma sátira à realeza porque ela não sabe as reais condições do povo, nem o que acontece no front dos embates, colocando sob os holofotes mulheres ambiciosas, manipuladoras, imperfeitas e que se digladiam diante do espectador com o intuito de obter algumas vantagens e privilégios.
Deixemos uma coisa bem clara aqui: nem sempre o que é assoprado nos ouvidos da rainha pelas damas que estão ao seu lado é algo ruim porque em muitas cenas Anne transparece imaturidade e desgosto por ostentar a coroa dourada.
E o melhor é que a atriz Olivia Colman a interpreta com todas as nuances necessárias para o público criar empatia com sua rainha, ora evidenciando suas fragilidades físicas e carências afetivas, ora transparecendo o peso de ser a figura de maior importância no país.
Enquanto isso, Rachel Weisz constrói sua personagem com várias camadas e debaixo de cada uma delas nós podemos nos deparar com traços de frieza, determinação e lucidez dignos de pessoas persuasivas e que sabem muito bem o que querem para si. Já a atriz Emma Stone é a mais fraca do trio, mas mesmo assim ela conquista a plateia e imprime certo humor à obra com suas caras e bocas e com as atitudes tomadas em prol de sua personagem, especialmente as mais repugnantes.
Como um bom filme ambientado no século XVIII, o público pode esperar por figurinos exuberantes, construído com uma paleta de cores que privilegia o branco, preto e cinza, bem como o uso de tecidos contemporâneos como jeans reciclado, vinil cortado a laser e algodões estampados para criar as peças dos membros da realeza. Agora, uma das coisas mais legais do filme é observar que são os homens os mais produzidos e os que ostentam perucas enormes, maquiagens carregadas e cores fortes.  
Além disso, a obra conta ainda com uma cenografia de cair o queixo, com uma iluminação repleta de sombras devido ao uso de velas nos takes feitos, além de alguns ângulos inusitados, especialmente os realizados na cozinha real. 
“A Favorita” recebeu dez indicações para o Oscar 2019, sendo de melhor atriz (Olivia Colman), atriz coadjuvante (Rachel Weisz e Emma Stone), diretor (Yorgos Lanthimos), filme, roteiro original, fotografia, montagem, direção de arte e edição.
Acredito que a película não seja a queridinha desta edição porque “Green Book – o Guia” e “Roma”, ambas estão na liderança pelo título, mas certamente ela levará para casa algumas estatuetas douradas no final do mês e conquistará quem gosta de filmes de época, que ostentam bons diálogos, que tenha um bom desenrolar da história e um final fora da caixinha.
Eu gostei.
Maria Oxigenada 
Foto: reprodução
 
GREEN BOOK-O GUIA

Sinal verde aceso para os candidatos ao Oscar deste ano. Sinal verde também para quem deseja emocionar-se com uma história passada na década de 60, baseada em fatos reais e que acompanha a turnê feita pelo pianista Don Shirley (Mahershala Ali) e outros dois musicistas pelo do sul país.
“Green Book – o Guia” é sim um road movie e ele evidencia a necessidade do trio, especialmente de Don, de contar com a companhia do motorista e segurança Tony Vallelonga (Viggo Mortensen). Tudo porque esta região dos Estados Unidos é considerada uma das mais racistas do país e nós estamos falando de um pianista negro.
Quando eles dão partida à aventura não imaginam que ela será cheia de obstáculos, de episódios de segregação racial, mas também de passagens alegres como o nascimento de uma amizade duradoura entre os personagens e que a cada quilometro rodado ganha novas ramificações, pois a turnê tem duração de dois meses e previsão para encerrar-se na noite do dia 23 de dezembro.
O interessante da obra é que conforme os minutos avançam também é possível perceber as mudanças comportamentais sofridas por cada um dos personagens principais. Tony Vallelonga, por exemplo, é um descendente italiano grosseirão que faz bicos para sobreviver e dentre eles está o de  trabalhar como segurança em casas noturnas existentes na cidade de Nova Iorque, especialmente o Copacabana. 
O problema é que o local entra em reformas e ele precisa encontrar outro ganha-pão, pois tem esposa e dois filhos pequenos. Já Don é o seu oposto! Foi educado na Europa, frequentou bons colégios, além de ostentar dois títulos de doutorado (um em psicologia e outra em música) e de estar solteiro. 
Logo de cara, é possível perceber sua altivez, seu refinamento e o orgulho de ser amigo do governador John F. Kennedy, entretanto aos poucos ele também vai trocando a pele, adotando hábitos mais simples e experimentando novos caminhos musicais e emocionais.
A tonalidade que foi usada para fazer o abre deste texto volta agora para explicar o nome do filme e identificar o guia de viagens destinado aos afrodescendentes, pois ele era recheado com os nomes e endereços de hotéis, restaurantes e lanchonetes que hospedavam e serviam somente negros.
O que faz de “Green Book” um dos melhores filmes desta temporada pré-Oscar são: em primeiro lugar as atuações dos atores Viggo Mortensen e Mahershala Ali. Os dois mergulham em seus personagens, entregando interpretações comoventes, sensíveis e que conseguem arrancar lágrimas de nossos olhos no final de suas jornadas.
Segundo, a trilha sonora nostálgica criada por Kris Bowers que potencializa as passagens mais dramáticas do longa metragem de 2h10 minutos de duração. Terceiro, por saber que o roteiro do filme foi escrito por Nick Vallelonga, filho verdadeiro de Tony Vallelonga, e por Brian Hayes Currie. Quarto por acompanhar a coragem de pessoas que não se intimidaram diante da ignorância de outras e por fim, por ser mais um filme a abordar a temática recentemente, assim como “Infiltrados na Klan” e “Se a rua Beale Falasse”, outros dois candidatos a estatueta dourada.
“Green Book – o Guia” está concorrendo em cinco categorias diferentes no Oscar de 2019: melhor filme, melhor roteiro, melhor edição, melhor ator (Viggo Mortesen) e melhor ator coadjuvante (Mahershala Ali) e tenho certeza de que ele não sairá de mãos abanando no próximo dia 24 de fevereiro, não!
O sinal está verde para quem deseja refletir sobre a perversidade humana e sobre questões que continuam machucando e manchando as páginas históricas de países como os Estados Unidos.   
Até a próxima aventura.  
Maria Oxigenada 
Foto: reprodução
 
TEMPORADA VERÃO 2019
Então, tá! A temporada verão 2019 sinalizou quais são as tendências e as referências que nós devemos ter para arrasarmos neste e no próximo verão. Sem dúvida alguma, a figurinha fácil será o tule que desta vez apareceu em maxi produções, formando camadas como as de bolos (Jean Paul Gautier, Balmain, Viktor & Rolf e Valentino), babados (Schiaparelli) ou servindo de fundo para a aplicação de bordados (Elie Saab) ou sendo usado em barras de saias (Chanel) ou mesmo nas bocas de botas de cano alto (Jean Paul Gautier).
Os estilistas pesaram a mão na dramaturgia para destacar os ombros femininos e além das mangas presunto que já tinham sido vistas anteriormente, elas surgiram pontiagudas como no desfile de Gautier, drapeadas (Iris Van Herpen), volumosas e bufantes (Chanel e Dior) ou chamando a atenção quando somadas com estampas grandiosas (Schiaparelli).
Já os plissados continuam sendo figurinhas fáceis durante os desfiles, mas eles ganharam a companhia de pregas soltas e das dobraduras feitas em tecidos, especialmente na parte superior de vestidos de festa (Elie Saab).
As franjas foram detalhes que movimentaram os looks desta semana de moda estrangeira, inclusive construindo camadas com elas. Destaque para as saias feitas com franjas coloridas do desfile de Givenchy.
Enquanto isso, a assimetria presente nas peças nos fez sonhar com produções pouco comuns e certinhas. Givenchy, por exemplo, trouxe para jogo um smoking feminino com gola branca de único lado. Enquanto isso, Elie Saab trabalhou a assimetria apresentando um vestido de noiva de manga comprida solitária, além de fenda profunda frontal.
Agora, esta edição da semana de moda francesa reverenciou as tocas bordadas, feitas com glitter como visto no desfile da Dior ou com miçangas coloridas como no desfile do Giorgio Armani Privé. Já Chanel mergulhou profundamente no modismo e colocou sua noiva com uma toca bordada com véu comprido, além de um maiô engana mamãe e mules nos pés.
Entretanto, no desfile de Gautier os cabelos ostentaram tonalidades distintas e no desfile da Chanel eles estavam volumosos com desfiados frontais. Na contramão da tendência, Iris Van Herpen fez suas modelos circularem com franjas retas para criar linearidade com a estética oriental. Aliás, o look construído com quimono é um dos mais bonitos da coleção mostrada.
E digo mais, o desfile de Viktor & Rolf foi o que destravou os maxilares dos convidados porque a label apresentou vestidos volumosos de festa com frases irônicas, divertindo quem ali estava. Veja algumas delas: “Sem fotos, por favor!”, “Tanto faz”, “F..., estou em Paris”, “Acredite em mim, sou mentirosa”, “Va para o inferno!”, “Eu sou a minha própria musa”, “Se importe”, “Vai se f..”, “Eu quero um mundo melhor”.
Quanto às releituras feitas na ocasião, o basque (aquela sainha usada por cima de calças e saias e que ressalta o culote feminino e a silhueta curvilínea) foi outro arroz de festa. Estruturado, irregular e básico, ele foi presença garantida no desfile de Schiaparelli e Iris Van Herpen. Aliás, a ultima marca criou curvas arquitetônica de fazer inveja ao saudoso Oscar Niemeyer, há, há, há..
Já a cor que norteará o verão 2019 será mesmo o prateado contrapondo a luz solar típica da época. A tonalidade brilhante apareceu tanto em peças como nos acessórios, mas o P&B, o vermelho, o azul e o branco também irão rabiscar os dias mais quentes do ano.
Para aquelas Oxigenadas que já estão entrando no clima carnavalesco, a semana fashion apontou para qual direção vocês devem pular no que diz respeito ao make dos dias de folia. A verdade é que ninguém conseguiu superar a criatividade mostrada por Valentino, pois a marca fez uma releitura das máscaras de bailes e aplicou pétalas de flores, tanto na parte inferior como superior dos olhos, finalizando o efeito com o uso de lápis preto.
Contudo, Givenchy nos forneceu outra boa ideia para arriscar em bloquinhos e bailes de carnaval como máscaras feitas de glitter ao invés de esquentar as produções com o uso de máscaras de silicone ou plásticas. Nesse caso, vale a máxima: olho tudo, boca nada!
Outras peças que reafirmaram suas coroas foram os sutiãs metalizados e bordados de Gautier e as luvas coloridas a la Madonna que marcaram o desfile de Giorgio Armani Privé. Aliás, a Material Girl pode ser boa fonte de pesquisas e ideias para nós, especialmente o figurino usado por ela durante a turnê “Blonde Ambition (1990)” ou os álbuns “Like a Virgin”, de 1984, “Like a Prayer”,de 1989 e “Confessions on a dance floor”, de 2005.
Uma coisa é fato: é possível sim pinçar referências do evento ocorrido na Cidade Luz e adaptá-las às nossas festas populares e de rua.
#ficaadica.
Maria Oxigenada     
Fotos: reproduções


OS GUARDAS DO TAJ
O Taj Mahal é um dos monumentos históricos mais relevantes do mundo. O curioso é que ele, na verdade, é um mausoléu situado em Agra, na Índia, e que foi construído pelo imperador Shan Jahan para sua esposa favorita Arymand Banu Begam.
A obra demorou duas décadas para ficar pronta e contou com o trabalho de 20 mil homens, entretanto a peça é ambientada no dia que antecede a sua inauguração, em 1648, e resume-se na conversa travada entre dois guardas do imperador: Humayum (Reinaldo Gianecchini) e Babur (Ricardo Tozzi).
Os dois ficam a maior parte do tempo em frente ao muro que protege o monumento, porém estão proibidos de admirá-lo e é aí que recai tanto os questionamentos de Babur como as reflexões do publico sobre a obediência cega de funcionários, além das discussões levantadas pela dupla sobre a beleza e sua importância histórica.
Para atear fogo na discussão, é claro que os dois têm opiniões distintas sobre os assuntos levantados. Humayum é um homem pragmático, sério, racional e que não ousa discutir as ordens de seu imperador. Já Babur é aquele tipo sonhador, com a cabeça nas nuvens e que imagina o dia em que se tornará guarda do harém do imperador e terá contato com as prostitutas do local.
Agora, o ápice do conflito entre a dupla acontece depois que eles são obrigados a decepar as mãos de todos os operários que estiveram envolvidos na construção do Taj Mahal para que eles ficassem impossibilitados de construir algo mais belo futuramente. Não preciso nem dizer que neste momento eles são invadidos por um turbilhão de emoções, por sentimentos conflituosos e por perguntas sobre o sentido da vida, das relações e o preço alto que estão sendo obrigados a pagar em nome da manutenção do emprego.
Apesar disso, eles passam a noite cortando 40 mil mãos, mas a culpa, sempre ela, esta se instala dentro deles e mesmo sabendo na manhã seguinte que foram promovidos, não conseguem esquecer o capítulo sanguinolento que manchou suas almas e seguir em frente.
Em um primeiro momento, “Os guardas do Taj” até parece uma peça deslocada da realidade, mas na verdade é uma obra que continua mais atual do que nunca pelos assuntos tratados durante os 75 minutos de sua duração, especialmente o valor de uma amizade longeva.
Até por esse motivo é que eu acho que os atores em cena deixam a desejar em suas interpretações, especialmente em passagens mais dramáticas e exigentes. Na sessão em que estive presente, o ator Reinaldo Gianechini ficou visivelmente desconcentrado depois que percebeu que sua roupa estava aberta atrás e suas costas à mostra para o público. Já Ricardo Tozzi mandou melhor sob os holofotes, mas continua insistindo em alguns trejeitos adotados anteriormente para personagens televisivos.
Quanto à cenografia, ela está simplista e montada apenas com muros, mãos de plástico, cestos de vime, um banco de madeira e uma guilhotina. Já a iluminação é feita com tonalidades quentes, como amarelo e vermelho para intensificar a noção de sangue derramado e de ânimos exaltados.
Vale a entrada.
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: teatro Sérgio Cardoso, localizado na rua Rui Barbosa, 153.
Quando: sexta e sábado, às 20h e domingo, às 18h.
Temporada: até 17 de fevereiro de 2019.
Preço: a partir de R$ 15,00 (meia-entrada).   
Foto: reprodução
 
ROMA
O falatório em torno da película está grande, especialmente depois que ela abocanhou alguns troféus em festivais de cinema ocorridos no ano passado e provavelmente levará para casa a estatueta dourada durante a cerimônia do Oscar de 2019.
“Roma” é uma produção do Netflix, ambientada na década de 70 e na cidade do México. Dirigida, produzida e escrita por Alfonso Cuarón (“Gravidade”, “Filhos da Esperança”, “Paris, eu te amo!”, “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”, “Labirinto do Fauno”), o filme faz um retrato das memórias da infância do autor, bem como os laços afetivos em que elas estão imbuídas. Além disso, Cuarón homenageia a mulher que o criou, ou seja, a sua babá Libo que no longa metragem é identificada como Cleo, interpretada pela atriz Yalitza Aparicio.
Nascida em Oaxaca, Cleo é uma jovem de origem indígena que mora e trabalha na casa de uma família de classe média. Ela divide os afazeres domésticos com outra funcionaria, mas é de sua responsabilidade cuidar dos quatro filhos de Sofia (Marina de Tavira), sua patroa. As crianças são: Pepe (Marco Graf), Sofi (Daniela Demesad), Toño (Diego Cortina Autrey) e Paco (Carlos Peralta).
Com o passar dos minutos, o espectador vai percebendo que Cleo é puro coração e uma pessoa serena, centrada, delicada e peça fundamental para a manutenção da rotina doméstica e da estabilidade emocional de toda a família. É para seu colo que as crianças correm quando as coisas apertam.
Paralelamente, é possível acompanhar as descobertas pessoais e as desventuras amorosas da protagonista, pois ela descobre o primeiro amor, engravida do rapaz e ainda, é abandonada no inicio de sua gestação. O espectador também toma ciência de fatos históricos como as revoluções populares e sociais que marcaram o período no México e a influencia da cultura estrangeira, especialmente a americana na vida dos locais.
Filmado em preto e branco e rodado em 65 mm, “Roma” é um filme com poucas locações e quase todo passado no ambiente doméstico, por isso as várias cenas com foco nas atividades triviais executadas por Cleo diariamente, como a limpeza do quintal, das louças sujas, a arrumação das camas, do feitio das refeições, etc.
E é quando ela abre as portas da casa e sai para o mundo que é possível enxergar as nuances da vida e identificar a solidão da personagem, assim como alguns momentos estressantes, surpreendentes e de caos vividos por ela, por isso a existência de takes abertos e de cenas em lugares movimentados como ruas, hospitais e cinemas.
O melhor de “Roma” é mesmo a atuação da atriz Yalitza Aparicio que entrega uma interpretação contida, construída com poucos diálogos, além de gestuais  delicados e olhares que refletem as alegrias e tristezas da protagonista. 
Agora, o mais curioso é que a realidade retratada em “Roma” é muito próxima da nossa. Talvez este seja o motivo de haver uma identificação imediata dos latinos com a película e provavelmente, esta seja a razão para nós engrossarmos a torcida em favor da obra durante a cerimônia no Dolby Theater, em Los Angeles, no próximo mês.
“Roma” faz sim um retrato sensível, afetivo e sincero da vida como ela é e esta é a principal razão dele estar conquistando pessoas em todo o mundo e ganhando estatuetas como dois Globos de Ouro (melhor filme estrangeiro e melhor diretor), um Leão de Ouro (melhor filme) e quatro troféus na última edição do Critics’ Choice Awards como melhor filme estrangeiro, melhor filme, melhor fotografia e melhor direção. 
Eu indico.
Maria Oxigenada          
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ASSUNTO DE FAMÍLIA
A película japonesa conta a história da família Shibata e esta é formada pela matriarca Hatsue (Kirin Kiki), pela ex-prostituta Nobuyo (Sakura Ando) e seu ex-cliente Osamu (Lily Franky), pelo garoto abandonado pelos pais Shota (Jyo Kairi) e pela stripper Aki (Mayu Matsuoka).
Atípica ela, né! E tão estranha como a família Adams, há, há, há. Apesar disso, eles mantem uma relação afetuosa e a tradição de se reunir no entorno da mesa para fazer as refeições diárias e para conversar sobre o que ocorreu no dia de cada um.
E vamos combinar que o dia deles sempre é agitado, pois cada um se vira nos 30 para trazer comida para casa e mais alguns trocados. A profissão de Aki vocês já conhecem. Já Nobuyo trabalha em uma lavanderia e Osamu na construção civil como operário e para fechar a conta no azul no final do mês, eles precisam completar o orçamento doméstico com a aposentadoria de Hatsue e ainda, praticar pequenos furtos em supermercados, quitandas e lojas de roupas do bairro.
A dinâmica dos Shibatas muda completamente depois que Yuri (Miyu Sasaki) é inserida ao núcleo familiar. A menina de cinco anos de idade é vizinha deles, está sofrendo maus tratos por parte de seus pais e testemunha de episódios de violência doméstica.
Certa noite e enquanto voltava do trabalho, Osamu a vê chorando na sacada de seu apartamento com frio e fome e resolve leva-la para casa para cuidar da criança. Aos poucos, todos se afeiçoam a Yuri e ela acaba se transformando na caçula dos Shibatas.
É verdade! Isso se configura como sendo um sequestro, mas ninguém ali tem coragem de devolvê-la aos pais perversos! Construído com diálogos simplistas e muita sensibilidade, o filme nos faz pensar sobre vários assuntos, desde a criação de laços afetivos além dos consanguíneos, bem como os momentos felizes passados ao lado de quem a gente curte para a construção não só de uma infância feliz, mas também de uma vida estruturada emocionalmente e construída com boas memórias.
O problema é que há mais coisas por trás das boas intenções dos Shibatas e, aos poucos, o espectador vai tomando ciência de que eles estão envolvidos em outros crimes graves, além do “sequestro” de Yuri. É claro que eu não irei adiantar nada para vocês, mas que eles surpreendem o espectador, isso eles surpreendem!
O grande feito do diretor Hirokazu Kore-eda é que cena por cena ele vai criando empatia com a família de transgressores, nos fazendo olhar para eles com carinho, sem recriminações e dificultando a formação de julgamentos morais.
Além disso, o diretor nos estimula a embarcar em uma aventura sensorial através da presença de cenas que colocam a comida como centro da atenção,  despertando o desejo de comer de quem está diante da telona. O artifício usado não é novidade no meio cinematográfico e ele foca nos pratos, no mastigar dos atores e na composição de cada delícia, como suas texturas, cores, recheios, etc.
Em resumo, “Assunto de Família” é sim um filme bem feito, comovente e que merece ser visto, mas ele também entrega uma história com começo, meio e fim e com personagens com arcos narrativos completos.
A questão no momento é: será que a obra irá se sobressair sobre “Roma” e levar a estatueta dourada no próximo mês? “Assunto de Família” já desfila com uma Palma de Ouro obtida na última edição do Festival de Cannes.
Meu conselho é: degustem o longa metragem com calma, com o coração aberto e com a mente direcionada para as sutilezas, aos detalhes, percebendo a riqueza das camadas construídas com imagens e falas dignas de um álbum de família.
Beijos,
Maria Oxigenada            
Foto: reprodução
 
GRANDE SERTÃO: VEREDAS
Uma saga! Não só a descrita no livro de João Guimarães Rosa, mas também a minha para conseguir assistir a peça “Grande Sertão: Veredas”. As dificuldades começaram para comprar o ingresso porque os lotes vendidos via internet acabaram minutos depois de serem abertos.  
A solução foi correr até o teatro para adquiri-lo, mas para a minha tristeza no dia programado a sessão foi cancelada porque o protagonista da obra estava com fortes dores na coluna. Daí eu precisei esperar semanas e passar o recesso de final de ano roendo as unhas até que pudesse finalmente assisti-la. 
E valeu a pena? Valeu sim!
Logo de cara, o espectador é posicionado em frente a uma estrutura de andaimes e assiste ao espetáculo através dos vãos criados pela caixa cênica de metal. Além disso, fones de ouvido são distribuídos à plateia na intenção de criar camadas de som, onde falas dos personagens se misturam com a trilha sonora e com a reprodução de ruídos típicos do sertão.
Enquanto isso, os corpos artísticos que ali estão se dispõem a imitar os gestuais não só de animais como cavalos, bois, calangos, sapos, como também de pessoas agonizando no meio do nada devido à falta de água, a fome e as batalhas travadas por um pedaço de chão. Os atores se despem, literalmente, de vaidades para criação de um real desenho da alma do sertanejo.          
E apesar de ser uma peça de teatro, há um balé dançado pelo grupo de atores que está sob os holofotes, pois em vários momentos eles precisam sincronizar movimentos e gestuais na intenção de construir cenas de deslocamento do grupo em cima de animais, assim como de guerra ou mesmo, passagens festivas.  
A figura central da narrativa é Riobaldo (Caio Blat) e no decorrer dos 140 minutos de duração da obra, os espectadores acompanham algumas de suas inquietações, lutas, medos, incoerências e dúvidas do jovem jagunço, especialmente no que diz respeito ao pacto firmado por ele com o diabo e também em relação aos sentimentos nutridos por Diadorim/Reinaldo (Luiza Lemmertz), seu melhor amigo.
Quanto às atuações, Caio Blat é o grande destaque do espetáculo, pois além de ter domínio cênico, é incrível como ele foi capaz de decorar um texto do enorme. Tanto é verdade que ele abocanhou o prêmio Shell de melhor ator no último ano.
Mas “Grande Sertão: Veredas” foi ganhador de outros prêmios em 2018, tais como: o Bravo de melhor espetáculo do ano, bem como o prêmio Shell de melhor direção para Bia Lessa e o prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como melhor direção.
Outro fato interessante é que os bonecos de feltro usados em cena e que são de tamanho humano podem ser vistos de perto e fazendo parte de uma instalação localizada próxima da entrada do teatro e criada com o intuito de ajudar na imersão dos espectadores pelo imaginário de Guimarães Rosa.  
“Grande Sertão: Veredas” é um espetáculo ousado, diferente e que enaltece a realidade brasileira e a cultura regionalista, por isso eu o indico. Entretanto, sua compreensão e digestão são facilitadas aqueles que já degustaram o livro anteriormente. 
Beijos,
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: SESC Pompéia, localizado na rua Clélia, 93.
Quando: sábado, às 20h30; domingos e feriados, às 18h30.
Temporada: até 24 de fevereiro de 2019.
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A ESPOSA
Marque na sua agenda: a cerimônia do Oscar acontecerá no dia 24 de fevereiro e até lá sou eu quem tem o compromisso de trazer até vocês os comentários sobre os filmes concorrentes. Aliás, alguns deles já foram feitos recentemente, basta que vocês corram a página do blog da Oxigenada até as criticas de “Pantera Negra”, “Nasce uma estrela”, “Bohemian Rhapsody”, “Jurassic World: Reino Ameaçado”, “Os Incríveis 2”, entre outras.
E mais um possível candidato à estatueta dourada entrou em cartaz no último final de semana e não é qualquer filme, não! É um dos ganhadores da última edição do Globo de Ouro. Trata-se de “A Esposa” e que tem a atriz Glenn Close como protagonista da obra. 
Ela interpreta Joan Castleman, uma dona-de-casa, mãe de David (Max Irons) e Susannah (Alix Wilton Regan) e esposa do escritor e professor universitário Joe Castleman (Jonathan Pryee). 
A notícia que dá o pontapé à narrativa é o recebimento do prêmio Nobel de Literatura por Joe. A partir disso, o espectador acompanha as comemorações e conflitos familiares, os preparativos para a sua ida à Estocolmo (Suécia) para receber a honraria, além da revelação de alguns segredos envolvendo o casal de terceira idade. 
Baseado no livro homônimo de Meg Wolitzer, o filme é ambientado no início dos anos dois mil, mas conta com flashbacks dos personagens principais que explicam como eles se conheceram e como esta relação que perdura por mais de 40 anos foi construída.
Os tijolos, ou melhor, as palavras são o alicerce desta relação duradoura, mas muitas delas estão imbuídas de ressentimento, submissão e sofrimento de Joan, além de outras que evidenciam o machismo presente não só no ambiente doméstico, como também no meio universitário e intelectual.
Diante disso, a atriz Glenn Close desenha sua personagem com uma elevada carga dramática, mas que pode ser observada através de uma atuação contida, com gestuais tímidos, porém com olhares tristes, perdidos e que têm muito a dizer aos espectadores.
Outra pessoa que tem muito para falar sobre Joe é Nathaniel (Christian Slater), um escritor encarregado de fazer a biografia do autor e que surge na trama para dar aquela agitada, para revelar detalhes de sua vida pessoal e de sua trajetória profissional. 
Agora, o mais interessante da película é sem dúvida alguma observar ao longo dos minutos como Joan retoma o protagonismo de sua própria vida, como ela lava a roupa suja com Joe com elegância e como ela consegue transformar a dor sentida em arte através de palavras, por isso a atriz Glenn Close é uma forte candidata ao Oscar de melhor atriz deste ano.
O ator Jonathan Pryce também está bem no papel de homem narcisista, egocêntrico e sedutor, assim como o ator Christian Slater. Entretanto, o jovem ator Max Irons deixa a desejar em momentos cruciais do longa-metragem e ele bem que poderia ter aprofundado melhor seu personagem, né! 
Eu não darei spoilers do filme, mas adianto a vocês que ele conta com um final pouco surpreendente, mas que dá margem para que o espectador compreenda o que acontecerá futuramente com cada um dos personagens principais.
Eu indico.
Maria Oxigenada 
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VAI, MALANDRA!
O ano nem bem começou e eu já tô brincando de faz de conta! Mas não é qualquer faz de conta, não! E sim aquele tipo que precisa de gente para colocar a mão na massa para acontecer. Sabe como é?. 
No último final de semana, a Lígia (irmã da Fernanda) me intimou para ajuda-la na realização de um curta-metragem. Durante todo o tempo, ela esteve confortável desempenhando seu papel de diretora de fotografia. Já euzinha fui convidada a tacar o terror na galera e ser a assistente de direção, mas na verdade eu fiz de tudo um pouco e segui a risca o slogan daquela famosa palha de aço: a de mil e uma utilidades, há, há, há...
A locação escolhida era incrível! Uma fábrica de cerveja desativada no meio do bairro da Mooca, na capital paulista. Ocupando um quarteirão inteiro, a empresa está em condições precárias, repleta de goteiras, poças de água, infiltrações, entulhos espalhados e muita, mas muita poeira acumulada.
As únicas almas que vagam pelo espaço são o vigia e um cachorro vira-lata que nos receberam com vida! A dupla nos acompanhou durante todo o tempo, sinalizando os trajetos e nos alertando sobre a ausência de degraus nas escadas, a falta de corrimãos, a existência de buracos e a presença de lama e de possíveis tombos.
O filme não era de terror e muito menos de autoria do Zé do Caixão, mas que tinha um quê de mórbido, isso ele tinha! Seu enredo tratava de uma conversa travada entre patrão e empregado, além de alguns desabafos feitos por eles a respeito das mudanças ocorridas no local durante as últimas décadas.
É! A história tem uma vibe saudosista, mas dá uma guinada depois que ambos descobrem que já estão mortos, que continuam presos nas dependências da fábrica e também nas lembranças de ontem.
O desfecho do enredo eu não posso contar para vocês porque assinei um termo de confiabilidade antes do inicio das filmagens, mas adianto que depois da obra editada, a equipe realizadora irá inscrevê-la em festivais de cinema nacionais e vocês poderão conferi-la. Uhu!
Confesso que o taca, taca dos últimos dias foi puxado e acordei destruída esta manhã! E com a mesma sensação de quando alteramos o treino na academia e levantamos com dores musculares, especialmente nas panturrilhas e coxas das pernas. Também pudera, né! Passei dias fazendo agachamentos involuntários com o intuito de pegar objetos cênicos depositados no chão da locação ou mesmo, subindo e descendo escadas com parte do equipamento da Lígia nas costas. 
De boa! É assim que passarei a segundona, pois a minha brasa tá curtinha neste inicio de semana. Eu irei à academia somente para relaxar na piscina e fazer aula de hidroginástica com a malandragem da terceira idade, há, há, há...
Quanto às próximas oxigenadas aventuras, essas continuam envoltas em uma aura misteriosa e suspensas por cabos que costumam deflagrar emoções indescritíveis, desconhecidas ou incompreensíveis até mesmo para malandras como eu, há, há, há..
Beijos! 
Maria Oxigenada 
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LA FIESTA
Extra! Extra! A Equipe do site Maria Oxigenada irá tirar uns dias de férias neste final de ano! A pausa será feita entre os dias 22 de dezembro de 2018 até o dia 10 de janeiro de 2019. As postagens voltam à normalidade a partir de 11 de janeiro e antes que o segundo final de semana do mês aconteça. Uhu!
Outra informação importante e que vocês também devem se ater agora diz respeito aos votos de felicidades feitos por toda a nossa equipe. Nós desejamos um ótimo Natal para todxs vocês e uma virada de ano incrível!
Torcemos para que os primeiros dias de 2019 sejam repletos de momentos alegres e que seus coraçõezinhos estejam aquecidos e irradiando não só as cores típicas da estação mais quente do ano, como também abertos e pulsando por um novo ciclo de trabalho, por novos desafios, novas conquistas e novas oportunidades de transformação pessoal e profissional.
Vocês sabem que as mudanças que desejamos que aconteçam em diferentes esferas de suas vidas não cairão do céu, né! Elas serão frutos de esforços pessoais, do trabalho conjunto, de muito suor escorrido e muita vontade, é claro!
Vontade. Esta é a palavra de ordem para 2019! E a nossa é de que vocês continuem oxigenando suas mentes conosco, correndo atrás de seus sonhos e aventurando-se pelas sugestões fashion, pelas dicas culturais e comportamentais oferecidas pelo site da Oxigenada.
Extra! Extra! E o recado final localizado no rodapé deste texto diz respeito aos nossos desejos de dias revigorantes de descanso para vocês e para nós!
Beijo enorme. 
Equipe Maria Oxigenada     
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ANO DO PORCO
Que aninho foi este, héin! Ainda bem que ele já está terminando porque 2018 foi puxado, né! E como foi falado anteriormente, ele contou com várias cachorradas pipocando em todas as esferas da sociedade, cumprindo as previsões do ano do cão.
Segundo o horóscopo chinês, o próximo ano será do porco e ele não começa na virada do dia 31 de dezembro para o 01 de janeiro e sim, no início de fevereiro e vai até o final de janeiro de 2020. E vocês acham que o período será de emporcalhamento geral? Que nada!
O ano do suíno será de racionalidade, pé no chão, pois o animal gosta de brincar na terra, de se esbaldar na lama, assim como sempre fez o Chovinista, porquinho de estimação do Cascão, personagem da Turma da Mônica, mas até ele vez ou outra se incomoda com os odores excessivos de seu dono e com a sujeira acumulada no local onde permanece varias horas do dia.
A boa noticia é que 2019 também será um ano em que o companheirismo, o amor, os sentimentos e a felicidade de estar junto aos amigos e familiares irão prevalecer e transbordar além dos limites impostos por nossas almas.
Ponto positivo para nós porque esta característica do animal de colocar o focinho onde não é chamado, de cheirar e expandir seu território também favorece nós colocarmos nossos objetivos em prática, de retirarmos nossos sonhos do papel, assim como de nos comunicarmos com desenvoltura durante todo o ano.
O problema do ano do porco é que ele é um animal sem filtro na maneira como se alimenta, não faz questão alguma de selecionar o que entra e sai do seu organismo e isso é um alerta para todos nós para tomarmos cuidado redobrado com a gula, com os excessos à mesa e com o ganho de peso durante o ano.
E o porco não vem sozinho, não! Ele estará de mãozinha dada com o número 3, número vinculado aos grandes acontecimentos, à expansão, a criatividade, assim como ao calor emanado pela cor amarela, tonalidade que iluminará os 12 próximos meses.
Olha só! Outra comprovação de que o próximo ano será para fazermos a roda da vida girar com mais força e velocidade. Uhu! Mas não se enganem porque algumas restrições financeiras podem acontecer, mas elas têm potencial para serem superadas com esforço e seriedade.
A pressão virá de Marte, o planeta da coragem e das lutas, por isso devemos nos ater a impulsividade, as ações agressivas, especialmente no âmbito político mundial. Entretanto, o planetinha vermelho irá colaborar para a diminuição da frequência de ondas violentas e que por ventura estejam   vibrando durante o novo ciclo.
Independente de qualquer coisa, nós desejamos que 2019 seja um ano dócil, tranquilo como a maioria da espécie animal e que nós possamos passar pelo período de maneira divertida, inteligente, sociável e sem resquícios de porquices, há, há, há..
Até o próximo ano!
Equipe Maria Oxigenada  
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HO HO HO
Às vésperas do Natal, eu ainda não entrei no clima da festa! O mais estranho de tudo é que sou sempre eu a primeira pessoa a enfeitar a casa para a ocasião, além de colocar pilha na galera para realizarmos o amigo secreto e nos reunirmos antes da data festiva, assim como pensar no cardápio que será servido na ocasião.
Talvez a distração com os preparativos seja porque pela primeira vez na vida nós iremos passar o Natal separados. Mamãe e papai farão um cruzeiro pelo litoral brasileiro. Já meus avós resolveram curtir o sitio e eu e o Fê fomos chamados para trabalhar como monitores de lazer em um eco resort.
Confesso que eu já tinha até me esquecido que nós tínhamos enviado nossos currículos para o local, mas semana passada eles entraram em contato conosco perguntando se não topávamos engrossar o time de recreadores.
A boa noticia é que o dindin é bacana e, provavelmente, nós iremos usa-lo em um viagem a dois no carnaval. Entretanto, nossas rotinas no lugar serão bem diferentes, pois o Fê acompanhará os adolescentes na pratica de esportes de aventura, como andar de caiaque, de stand-up, se jogar na tirolesa ou mesmo, fazer trilhas a pé ou de bike.
Já euzinha farei parte da equipe do mini-clubinho, ou seja, serei uma das monitoras responsável por cuidar e entreter os pequenos. A desvantagem é que ficarei o tempo todo nas dependências internas do resort, enquanto o Fê terá contato com a natureza e com atividades físicas. Já a vantagem de ficar protegida é que poderei dar asas às fantasias infantis, ao meu lado lúdico e materno porque no combo de responsabilidades também está ajudar as crianças a se alimentarem e até trocar fraldas, se necessário for. Mereço!
E vocês sabem o que me incentivou a dizer sim a proposta de trabalhar justo durante as festas de final de ano? A pegada sustentável do hotel, pois eles preservam o meio ambiente, através do uso de energia solar, da captação e tratamento da água, do plantio de mudas, da criação de abelhas e produção de mel, mas principalmente no desenvolvimento do conceito “farm to table”, ou seja, da fazendo à mesa.
Aha! Cheguei onde eu realmente queria! Vou ver de perto como isso funciona e como eles fazem para conectar os sentidos de seus hóspedes através da comida, do consumo de orgânicos, assim como de alimentos frescos e produzidos lá mesmo, além da exploração da ideia de simplicidade à mesa e do ato de compartilhar as refeições, algo muito raro nos dias de hoje em grandes centros urbanos.
A ideia é adaptar o conceito para o meu negócio de sobremesas. Ele está resistindo à crise e eu continuo fornecendo sobremesas e doces para os restaurantes do bairro e para a vizinhança. Aliás, virei as últimas noites trabalhando para poder entregar todas as encomendas feitas e honrar com meus compromissos antes de encarar a eco-aventura.
Já os atrasadinhos em presentear amigos e familiares serão atendidos pela vovó até dia 23, dia em que rumará para o sítio na companhia do vovô e do Almôndega. 
Agora, o que eu não estou sabendo lidar é com a ausência do meu melhor amigo neste período. Eu sei que ele ficará feliz longe dos fogos de artificio e brincando solto no sítio na companhia do Amuleto e dos demais animais, mas meu coraçãozinho está apertado desde hoje.
Independente disso, eu espero que vocês também sacudam a poeira depositada ao longo dos doze últimos meses, que se coloquem em movimento durante esses últimos dias de 2018 e que transformem a energia da data em algo vibrante e feliz!
Ótimo Natal para todxs!
Maria Oxigenada
Foto: reprodução   
 
AQUAMAN
Taí a aventura das férias! E que aventura, hein! Considerado herói da reserva de HQ, “Aquaman” acaba de ganhar um filme para chamar de seu e este é fiel à história já conhecida do rei de Atlântida, capaz de controlar os sete mares e detentor do tridente dourado.
Entretanto, ela começa contando como o herói nasceu do encontro casual entre a rainha Atlanna (Nicole Kidman) e o faroleiro Thomas Curry (Temuera Morrison). Batizado de Arthur Curry (Jason Momoa) e vivendo com os pés bem fixos na terra, Aquaman só se torna o conhecido homem peixe depois de receber a visita e o pedido de ajuda de Mera (Amber Heard), princesa de Xebel capaz de controlar as águas dos oceanos, alterar o estado físico da água e que também é detentora do sopro da água.
A preocupação da ruiva é que uma guerra entre os seres da superfície e os dos reinos subaquáticos seja deflagrada com o apoio de Orm (Patrick Wilson), o meio-irmão de Arthur. Como bom vilão que é, Orm deseja reinar soberano nas profundezas, mas sabe que tanto o trono de Atlântida, como o tridente de ouro (arma mítica capaz de controlar todas as espécies marítimas) é de direito do irmão mais velho e por esse motivo, o chama para a briga.
A primeira rinha entre os dois acontece dentro da água e com a presença de muitos de seus habitantes torcendo a favor do vilão, mas os confrontos tomam conta de cenários terrestres distintos, como a Sicília (Itália), o deserto do Saara e pequenas cidades litorâneas.     
E como desgraça pouca é bobagem, Aquaman ainda precisa dar um chega para lá no pirata do mar apelidado de Arraia Negra (Yayha Abdul Mateen II). O bandidão o odeia porque o nosso herói negou ajuda ao seu pai quando estava preso dentro de um submarino naufragado.
Já o time do bem conta com o reforço de Vulko (Willem Dafoe), conselheiro do rei, amigo da rainha Atlanna e personagem responsável por ensinar tudo o que sabe sobre a arte da guerra para Arthur. Ele o treina durante anos e desde sua infância já prevendo um possível confronto com o irmão e contra o mal.
“Aquaman” é uma película repleta de cenários coloridos, iluminados, bem como criaturas fidedignas dos mares. A riqueza da obra reside exatamente nos detalhes vistos, no ritmo impresso e na construção de imagens parecidas com as encontradas em jogos virtuais da atualidade, com giros de câmeras e  tecnologia de ponta.
Entretanto, o filme possui um roteiro simplista com pouco espaço para o desenvolvimento das relações afetivas, especialmente o suposto romance entre Mera e Aquaman, assim como diálogos rasos e que não aprofundam as mágoas ou destacam os ressentimentos dos vilões. Além disso, a trilha sonora do filme não é marcante e não fica ecoando em nossas mentes após a saída do cinema.
Quanto à escolha do protagonista, eu cheguei a questiona-la antes de conferir a obra, pois o ator Jason Momoa nada lembra o garoto esbelto e loiro retratado tanto nos desenhos animados, quanto nos quadrinhos de outrora, mas a verdade é que ele está bem no papel e consegue ascender o herói ao patamar dos grandes.
Confesso que eu queimei mais uma vez minha língua, pois também questionei a escolha de Nicole Kidman como a rainha Atlanna. Felizmente, a atriz faz uma boa construção de sua personagem, mostrando vivacidade durante as cenas de luta e amorosidade em takes divididos com os três homens de sua vida: Thomas, Arthur e Orm.
Agora a química entre Amber Heard e Jason Momoa está fraca! Esperava ver faíscas saindo dos olhos da dupla. No entanto, para quem deseja refrescar os últimos dias do ano, a aventura está imperdível! 
Eu indico.
Maria Oxigenada 
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AS VIÚVAS
Não é de hoje que Hollywood tem apostado em heroínas, seja as de histórias em quadrinhos como “Mulher Maravilha” e “Capitã Marvel”, seja as de carne e osso como visto em “Oito mulheres e um segredo” e agora, “As viúvas”. 
As empoderadas do momento são: Verônica (Viola Davis), Linda (Michelle Rodriguez) e Alice (Elizabeth Debicki). As três precisam se virar nos 30 depois que perderam seus maridos em uma explosão de carro e enquanto tentavam roubar US$ 2 milhões.
É! Os queridões faziam parte da alta bandidagem de Chicago e as deixaram com uma mão na frente e outra atrás e tendo que lidar com cobranças, dívidas e as ameaças feitas com Jamal Manning (Brian Tyree Henry), traficante de um dos distritos locais, além de algumas surpresas como a descoberta de uma caderneta de anotações de Harry Rawlings (Liam Nelson), líder do grupo e marido de Verônica.
Ela, então, folheia a caderneta e descobre que seu recheio é feito com anotações sobre o próximo grande roubo do grupo e o desenho da planta baixa do local onde US$ 5 milhões estão escondidos.
A surpresa é que toda a dinheirama está no cofre existente dentro da sede do partido de políticos como Jack Mulligan (Colin Farell) e seu pai Mr. Mulligan, interpretado na obra pelo ator Robert Durvall. E o que elas fazem? Juntam esforços não só para entrarem no local como para descobrirem a senha que abre a caixa de aço.
Rastros de suas visitas não podem ser vistos, então planejam e montam um plano de entrada e de fuga para a ocasião e precisam da ajuda de mais uma super-poderosa e da cabelereira Belle (Cynthia Erivo) para dirigir a van usada durante o roubo milionário.
É claro que há reviravoltas, situações inesperadas e surpresas no transcorrer da película, mas ela é de ação, com pitadas de suspense e com um cheiro dos filmes policiais.
Entretanto, a obra também toca em temáticas da atualidade, como machismo, os casos de corrupção existentes na política nacional, a relação de poder e é claro, o racismo ainda visto, bem como o preconceito sentido pelos latinos na terra do tio Sam.
O filme de Steve McQueen é bem feito, possui cenas interessantes, contrastando cenários e situações sócio-econômicas da população, mas os melhores takes acontecem no interior das casas e nos momentos de solidão e desespero das personagens principais.
Quanto à atuação delas, Viola Davis bem encarna a viúva que está passando por todas as fases do luto com a adoção de gestos comedidos, fisionomia fechada, o uso de poucas palavras, porém detentora de uma mente estratégica. As grandes surpresas do longa ficam a cargo das atuações das atrizes Elizabeth Debicki e Cynthia Erivo que crescem com o passar dos minutos, afastando resquícios de fragilidade inicial ou vulnerabilidade social.
Já a atriz Michelle Rodriguez está meio apagada na película e bem diferente dos filmes de ação e aventura estrelados por ela. Apesar disso, ela consegue assumir sua faceta de mãe preocupada com a prole e com o futuro de seu negócio, ou seja, uma confecção de roupas.
“As Viúvas” é um bom filme, mas não é uma obra inesquecível! Não creio que ela seja uma concorrente de peso no próximo ano, pois ao longo de 2018 nós tivemos títulos mais interessantes e relevantes.
Vale a pipoca.
Maria Oxigenada     
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JAPA FIRE
Domingão é dia de quê? De acordar tarde, passear no parque, assistir aos jogos do brasileirão, ir ao cinema ou teatro, à praia, visitar familiares, comer pizza ou ir ao restaurante japonês antes de colocar ponto final no ciclo, né!?
Nós seguimos o script costumeiro no último final de semana. O problema foi que a temperatura subiu enquanto jantávamos, mas o motivo não foi uma discussão entre mim e o Fê e, muito menos, confusões no local envolvendo outros comensais.
Em restaurantes japas, nós sempre optamos pelo combinado tradicional com sushis, sashimis e temakis, mas como as temperaturas estavam amenas no último final de semana e queríamos variar o cardápio, preferimos pelo duo missoshiro e teppan de peixe.
O problema é que o programa desandou logo de cara! Eu caí de boca nas delícias e me dei mal! Não porque elas estavam pelando de quente, mas porque tomei a minha sopa feita de missô (pasta de soja) e a do Fê em uma única golada e elas estavam muito salgadas.
Em poucos minutos senti minha face ruborizar, minha pressão subir ao ponto de martelar dentro da minha cabeça e isso me assustou bastante! Comentei com o Fê o que estava acontecendo comigo e ele pediu a conta e nós rumamos imediatamente para o pronto socorro.
Depois de alguns minutos no local, eu fui atendida pelo plantonista que confirmou a subida galopante de minha pressão, me deu um remedinho para eu colocar em baixo da língua na intenção de normaliza-la e mais um copo de água.
Ele me recomendou que eu fizesse alguns exames de sangue e um monitoramento da pressão por 24 horas com a colocação de uma braçadeira ligada a um compressor preso na cintura e que fica escondido debaixo da roupa.
O aparelho permite avaliar a pressão em diferentes momentos do dia e noite, mas o interessante é que do nada ele começa inchar sozinho como se estivesse vivo. Passados alguns segundos, ele solta uma esbaforida daquelas para voltar a sua silhueta normal.
Com ele nos braços, a pessoa pode fazer suas atividades normais do dia a dia, menos exercícios físicos, mas a verdade é que é instintivo parar e brincar de estátua enquanto o aparelho trabalha seguidamente.
A boba aqui ficou prestando atenção nele durante toda a noite e quase não dormiu hoje. Agora, estou acabada logo no inicio da semana, com olheiras de panda e me arrastando durante a execução de todos os meus compromissos do dia. Ninguém merece!
O resultado do exame sai somente daqui alguns dias, mas tenho quase certeza de que esse foi um episódio isolado de pressão alta. De qualquer maneira, estou seguindo as recomendações médicas de comer pouco sal, de não ingerir molhos e temperos industrializados, salgadinhos, comidas congeladas e refrigerantes.
É! Isso mesmo! Os refris, especialmente os que ostentam rótulos de zero açúcar possuem sódio camuflado, assim como as inofensivas bisnaguinhas, pães de forma, sopas instantâneas, cereais matinais, biscoitos recheados, embutidos e queijos cremosos. Tá bom para vocês?
A carinha do consumo excessivo de sal pode ser percebida não só pelo surgimento de problemas de saúde, tais como hipertensão e problemas cardíacos, mas também por inchaços e retenções de líquidos, então para desentupir minhas linfas da aventura do último domingo, eu optei por fazer sessões de drenagem linfática na intenção de varrer para fora tudo que está em demasia no meu organismo.
Dar um tempo em restaurantes também será necessário, mas isso não é tarefa penosa para mim, pois mamãe e vovó cozinham muito bem e eu gosto de fazer minhas refeições na companhia da minha família. A dificuldade será domar a jiboia que habita dentro de mim e que me faz avançar em pratos que tanto gosto nos finais de semana e típicos desta época do ano. 
No momento, a abstinência de alguns alimentos é a fórmula que fará com que meu estômago não pegue fogo e nem eu tenha novas palpitações por  aventuras gastronômicas, há, há, há...
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada 
Foto: reprodução  
 
NEFÉS
Ahhhhh! A temporada de dança de 2018 está acabando! O ponto final será colocado com o clássico “O Quebra Nozes”, mas o ponto e vírgula do período foi posto com “Nefés”, espetáculo criado pela bailarina e coreógrafa Pina Bausch, em 2003, e encenado pela companhia Tanztheater Wuppertal.
“Nefés” chegou ao Brasil passado 15 anos de sua estreia, mas mesmo assim impressionou o público e conseguiu reunir em poucas apresentações os amantes da dança e do teatro em um único local, pois Pina Bausch inovou com a criação da dança cênica ou do teatro dançado, onde ações simultâneas são realizadas pelos bailarinos, assim como gestos repetitivos, marcações das diagonais, da respiração, além da criação de cenas de suspense por meio de contraposições e progressões, ou seja, os bailarinos parecem fazer de tudo um pouco quando estão dentro da caixa cênica.
O bacana do espetáculo foi que ele também toca em questões humanas, universais e é muito intuitivo e até por este motivo é de fácil compreensão e entendimento por pessoas com bagagens culturais tão diferentes.
A ideia de “Néfes” era de retratar a cultura turca através de suas cores, odores, luzes existentes em Istambul, bem como o famoso mercado de especiarias, as cerimonias religiosas, além das crenças e de toda a poesia existente no local.
A misturinha vista foi das melhores e respiros do espetáculo aconteceram através de momentos cômicos, da presença de humor e do mix de passos do balé clássico com outros de dança expressionista e de artistas de todas as idades.
O espetáculo contou com solos realizados por bailarinos e construídos com as memórias, angústias, desejos e até coreografias feitas em duplas, simulando o encontro amoroso entre almas ou com a participação de todo corpo de baile.
Outra evidência da obra foi sem dúvida alguma a sua cenografia. Destaque para a poça de água crescente no palco e que tinha relação direta com o estreito de Bósforo, ou seja, aos 35 quilómetros de água que separa a Europa da Ásia e une o mar Negro com o mar de Mármara. Em alguns momentos, ela transformou-se em outro personagem da obra, proporcionando curiosidade da plateia em relação às suas oscilações de tamanho e ao trajeto realizado no palco.
O figurino criado foi inspirado no visu que ainda circula pelas ruas de Istambul com peças formais, de alfaiataria, vestidos coloridos e feitos a partir de tecidos como cetins, sedas, linhos, rendas, além de bordados e aplicações nestes e a presença de lenços e leques para completar as produções.
A boa forma e a expressividade dos bailarinos também impressionaram, entretanto alguns solos apresentados continham coreografias parecidas e eu acredito que alguns números poderiam ser eliminados, diminuindo com isso o tempo total do espetáculo que foi de 2h50 e amenizando a sensação de cansaço deixada nos presentes ao fechar das cortinas.
Confesso que esta foi a primeira vez em que estive diante de um espetáculo de Pina Bausch e fiquei bem surpresa com sua evolução, especialmente porque ele possui alto nível de teatralidade, inclusive com bailarinos interagindo com a plateia através da fala.
A verdade é que eu só irei entrar no clima natalino depois de assistir ao espetáculo “O Quebra Nozes”, encenado pelo Cisne Negro Companhia de Dança. Sempre é ele quem me lembra de que a data está próxima e de que precisamos nos deixar envolver pela magia do Natal e pela fantasia e romantismo que envolve a obra, onde brinquedos da noite especial ganham vida, dançam, lutam e viajam para o Reino das Neves e para o Reino dos Doces.
Permita-se dançar pelos últimos dias do ano através de experiências sensoriais e programas culturais que irão marcar a sua memória e a sua vida adulta.
Nos encontramos no teatro Alfa...
Beijocas,
Maria Oxigenada     
Fotos: reproduções


ESTADO DE SÍTIO
A montagem da peça “Estado de Sítio”, de Albert Camus, pelo diretor Gabriel Villela é a deixa que estava faltando para nós começarmos os trabalhos de fechamento de 2018 e iniciarmos as reflexões sobre como será o próximo ano para todos nós.  
E apesar de ser repleta de metáforas, simbologias e alegorias cênicas, sua mensagem é bem clara! Camus fez um retrato de sociedades comandadas por governantes autoritários, que cortavam os direitos dos cidadãos e se esforçavam em tolher cada vez mais a liberdade gozada por cada indivíduo. 
Ambientada em Cádiz, na Espanha, a peça ainda foca na chegada de uma epidemia mortal ao local, na passagem de um cometa, na morte de centenas de pessoas, no excesso de burocracias criadas para gerar desentendimento entre as pessoas e na separação de um casal de namorados formado por Vitória (Mariana Elisabetsky) e Diego (Pedro Inoue).
Tudo porque os dois são os únicos que tentam liderar uma revolta contra a  tiraria recém-implantada, mas é claro que são derrotados! E como todo bom herói, Diego sacrifica-se em favor de sua amada, livrando-a da morte.
É! Ela está lá, presente no palco e personificada através da presença do ator Cláudio Fontana em cena. E ela não vem sozinha, não! A Peste, interpretada pelo ator Elias Andreato, é sua maior companheira e personagem responsável por alterar o cenário harmônico de antes, expulsar figuras religiosas e instaurar o caos em Cádiz.
Quem acompanha tudo de perto, fazendo comentários ácidos e irônicos sobre a situação atual é Nada (Chico Carvalho), bêbado da cidade que também tem o papel de narrar e costurar a história, assim como jogar na cara do espectador as evidências de que a liberdade é um esforço coletivo e contínuo de todos nós.
Músicas ciganas e cantos trágicos colaboram para potencializar ainda mais o clima taciturno da obra e eles são cantados por todos os 14 atores em cena. Além disso, o figurino usado foi construído com peças em P&B (preto e branco) para reforçar ainda mais o duelo entre o bem contra o mal visto sob os holofotes, assim como o make dramático e borrado dos personagens e os acessórios usados como chapéus, coroas, chifres e máscaras. 
A cenografia não fica atrás na disputa pelos pontos altos de “Estado de Sítio”, introduzindo elementos como espinhos, nuvens carregadas, arapucas e objetos cênicos que colaboram para o crescimento da sensação de opressão e sufocamento realizada pela Peste e pelo mau presente e é claro que tudo isso causa um grande impacto visual nos espectadores.
Outro ponto relevante é a sintonia dos atores no palco, deixando o espetáculo mais vibrante e envolvente! Destaque para a atuação de Chico Carvalho e para o esforço feito pelo ator em construir uma personagem com nuances e com gestuais vistos em bebums, mas também encontrados em pessoas que não titubeiam em desfiar o seu fel e dizer, mesmo em tom de brincadeira, o que estão pensando ou o que estão observando em seu entorno.
Apesar disso, eu achei a peça cansativa! Não pela sua montagem atual que está com alto nível de plasticidade e tem ritmo, mas sim pelo texto de Camus. Mas a ida ao teatro é mais do que válida, especialmente para ficarmos a partir de agora com as orelhas levantadas para bem ouvir e sentir o que os ventos de 2019 estão querendo nos dizer desde já. 
Eu indico.
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: Sesc Vila Mariana, localizado na rua Pelotas, 141.
Temporada: até 16 de dezembro de 2018.
Quando: quinta, sexta e sábado, às 21h; domingo e feriado, às 18h.
Preço: R$12,00 (associados do Sesc), R$ 20,00 (meia) e R$ 40,00 (inteira). 
Foto: reprodução
 
QUADRINHOS
A lista é enorme e povoada com os mais distintos personagens e traços, mas a história dos quadrinhos começa com os desenhos rupestres em cavernas, perpassando por personagens que identificam o período como Brucutu, Flintstones, Piteco e Horácio e chegando até as cibertirinhas da net.
A verdade é que não há um só país que não tenha seus heróis mascarados ou representantes desenhados pela cultura local, pois a arte em sequência e considerada a nona dentre as existentes também sofreu influências da cultura pop, das mídias e dos acontecimentos históricos de cada uma dessas localidades.
“Quadrinhos”, a exposição em cartaz no Museu de Imagem e do Som (MIS) reúne 600 itens, entre eles: revistas, artes originais, itens raros e entrevistas como a que Jim Davis, criador do gato Garfield concedeu especialmente para a ocasião. Aliás, o gato mais preguiçoso e mal humorado do planeta completa 40 anos este ano e sua trajetória bem sucedida conta com dois filmes feitos e o título de os quadrinhos mais distribuídos do mundo. Tá bom pra vocês?
A aventura começa privilegiando os heróis nacionais, assim como os quadrinistas e chargistas da terrinha como Ziraldo, Maurício de Sousa, Glauco, Laerte, Angeli, mas o destaque recai sobre o trabalho desenvolvido por Ângelo Agostini que foi o pioneiro no Brasil na arte de ilustrar e divertir.
Entretanto, quem curte acompanhar a evolução e as aventuras de mascarados e heróis com poderes especiais como Batman, Aquaman, Homem Aranha, Superman, Homem de Ferro, Mulher Maravilha, Dr. Estranho, Lanterna Verde, entre outros também sairá satisfeito do local porque há espaços reservados para eles, inclusive uma réplica da batcaverna.
Outros gêneros, tais como terror, faroeste, mangá, infantis, aventura e erótico estão tendo suas chances de mostrar que também tem participação no mercado de quadrinhos. Aliás, um banheiro localizado no segundo andar da exposição foi construído para abrigar os HQ para maiores de 16 anos e no ambiente você fica diante da arte original de Valentina, personagem criado pelo italiano Guido Crepax, além de Drunna, personagem erótico de Paolo Eleuteri.
Agora, o mais curioso é observar as primeiras aparições de alguns personagens populares como Luluzinha, no The Saturday Evening Post (1935), The Spirit, em 1940, assim como a primeira edição da revista do Pato Donald, em 1950, o número 1 do Dr. Estranho autografado por Stan Lee (criador de personagens do universo Marvel), além do esboço de Geraldão feito por Glauco, os primeiros traços feitos de Mickey Mouse, dos Smurfs, do Zé Carioca, Asterix, além da tira de jornal Yellow Kid, de Richard Felton Outcault, considerada a primeira da história.
No local, há um batfone autografado por Adam West, ator que encarnou o Batman entre os anos 1966 e 1968 na série televisiva homônima, mas a mostra conta ainda com recheios que bem se harmonizam entre si e que foram construídos a partir da presença de exemplares como as revistas da Mafalda, do Tintin, do Tex, do Snoopy, do tio Patinhas, da Xuxa, do Didi, do Senninha, da Turma do Arrepio, do Chapolin, etc.
Desta vez, o MIS foi além e está oferecendo aos amantes de HQs e pessoas interessadas em aprofundar os seus conhecimentos e paixões alguns cursos sobre a temática. Eles estão programados para acontecer no próximo ano. São eles: “Concepção de personagens” (16 a 30 janeiro), “Folclore e identidade nos quadrinhos nacionais” (21 a 30 janeiro), “História em quadrinhos: gênero e representação” (19 a 28 de fevereiro), “A história em quadrinhos (12 a 18 de março), “A história do jornalismo em quadrinhos e sua prática (11 de março a 03 de abril).    
Então, a minha sugestão para vocês nos primeiros dias de férias é ir com tempo ao local porque a exposição possibilita aos seus visitantes realizar uma viagem através do tempo e pelas aventuras desenhadas por grandes artistas e que coloriram e enriqueceram nossas infâncias, nossa criatividade e nossas vidas.
Eu indico.
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde, MIS, localizado na Avenida Europa, 158.
Temporada: em cartaz até 31 de março de 2019.
 Quando: de terça a sábado, das 10h às 20h. Domingo e feriado, das 9h às 18h.
Preço: R$ 14,00 (inteira), R$ 7,00 (meia). Grátis às terças. 
Foto: reprodução
 
INFILTRADO NA KLAN
Encaixado! Vocês sabem quando algo casa-se perfeitamente com o momento atual? Então, com o filme “Infiltrados na Klan” acontece exatamente isso. A película toca em alguns temas que pareciam superados pela sociedade, mas que nos últimos anos voltaram à tona através de discursos de ódio e em prol de um falso nacionalismo proferido não só por políticos como também por pessoas públicas e personalidades.
O assunto principal que conduz a obra é o racismo, mas o ódio contra judeus e imigrantes também é levantado durante as 2h16 minutos da película. E tudo começa depois que Ron Stallworth (John David Washigton) começa a trabalhar como policial na cidade de Colorado Springs e passar por episódios preconceituosos com seus colegas de trabalho.
Entretanto, ele segue em frente, tornando-se investigador e conseguindo se infiltrar como membro da Ku Klux Klan, organização reacionária e extremista que ressalta a supremacia branca, o nacionalismo branco e é contra os movimentos imigratórios e a miscigenação de raças ocorrida nos Estados Unidos.
O problema e a graça do filme residem no fato de que Ron é negro e até por este motivo ele fica impossibilitado de participar pessoalmente das reuniões do grupo, conversando com os participantes e líderes como David Duke (Topher Grace), presidente da Ku Klux Klan, somente por telefone ou cartas.
Agora, quem dá cara à tapa nos encontros  outro policial chamado Flip Zimmerman (Adam Driver). Ele é parceiro de Ron nas investigações, porém é judeu e sente na pele as faíscas do ódio da organização local.
Paralelamente, Ron se envolve com a ativista Patrice Dumas (Laura Harrier), membro de Os Panteras Negras, organização que primava pela construção de programas sociais comunitários e que fazia oposição a segregação racial. A partir disso, o protagonista começa a ouvir os discursos de seus líderes e refletir sobre a coerência e as limitações de suas palavras.
O interessante do filme é que o diretor Spike Lee constrói uma farsa com cenas absurdas e são elas que nos fazem pensar sobre as nuances do racismo. Já o maior presente da película é o seu elenco e a boa atuação de John David Washington que constrói seu personagem com a mescla de momentos debochados, raivosos e bem pé no chão. Já Adam Driver mostra mais uma vez uma naturalidade interpretativa e convence na pele de Flip.
Agora, quem veste a fantasia de lobo mal da história é mesmo o ator Topher Grace. A sua fisionomia doce e frágil colaboram para a criação da dicotomia existente entre a imagem repassada aos outros e a real natureza de seu personagem.
Ponto também para o figurino usado pelos personagens que herdou o visual hippie dos anos 70 e surfou pela estética black power com muitas calças boca de sino, camisas sociais, blazers de veludo ou de couro, jeans de cintura alta, golas altas, bolsas com franjas, colares com referências artesanais, bijus étnicas, além de óculos redondos e cabeleira solta.
O reforço da mensagem do filme é feito através da exibição de cenas reais do conflito de Charlottesville, ocorrido em 2017, na Virgínia, e onde neonazistas tomaram as ruas para protestar contra judeus, negros e imigrantes. O saldo do episódio foi a morte de Heather Heyer, de 32 anos, e o ferimento de outras 19 pessoas por um jovem de 20 anos que jogou seu carro em cima delas.
Eu acho que “Infiltrados na Klan” chegou para sacudir os últimos dias de 2018 e as certezas de quem acredita que um ser humano possa ser superior ou melhor que outro. Fala sério!
E eu vou terminar meus comentários com parte do poema do design gráfico brasileiro Hudson Rodrigues que está exposto juntamente com algumas fotografias de sua autoria no Museu da Imagem e do Som (MIS).
“Nasci em um país racista
Que finge me aceitar
Sigo com a força e a sapiência
Que só cabem a quem sabe de cor e salteado
Quão dura é a vida.”
Para quem deseja finalizar o mês de novembro um pouco mais consciente, então também vale a dica de flanar pela exposição “Do silêncio à memória” no mesmo local, ficar diante de obras como “En la piel del otro”, de Iván Argote ou ouvir os depoimentos de episódios racistas sofridos por afrodescendentes europeus em um documentário exibido na sala térrea do MIS.
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada
Foto: reprodução
 
O GRANDE CIRCO MÍSTICO
   Adaptado do livro “A túnica inconsútil”, de Jorge de Lima, o filme “O Grande Circo Místico” tornou-se musical na década de 80 e ganhou as telonas através das mãos do diretor Cacá Diegues na atualidade. 
A película será nossa representante na corrida ao Oscar de 2019 e ela retrata 100 anos da história do circo, perpassando por cinco gerações distintas da família Knieps e mostrando todas as tragédias envolvendo o clã, assim como o declínio desta arte, as ruínas do picadeiro e do estilo de vida mambembe.  
Entretanto, os primeiros instantes da obra evidenciam suas cores, seu brilho de outrora, além da poética e diversidade em que a atmosfera circense era construída. E quem abre as cortinas para o picadeiro ficcional é Fred (Rafael Lozano), médico recém-formado que se apaixona por Beatriz (Bruna Linzmeyer), artista circense, e que por ela pede um circo de presente para sua madrinha, a Imperatriz Virgem da Áustria. 
E assim nascem alguns dos personagens desta história trágica e eles estão presos aos mesmos erros, às mesmas doenças e aos mesmos destinos. Neste globo da morte não há espaço para a presença de motoqueiros e sim, para a  romântica Charlotte (Marina Provenzzano), para a religiosa Margarete (Marina Ximenes), para a cantora drogada Lilly (Luiza Mariani), para o ganancioso Jean Paul (Vicent Casset), para o irmão incestuoso Otto (Juliano Cazarré), para as gêmeas deficientes e para a presença de tantas outras excentricidades normalmente  encontradas no ambiente.
Entretanto, todos esses personagens são construídos sem qualquer tipo de apego com as artes circenses e de maneira rasa, por isso o público tem dificuldades em se apaixonar por eles no decorrer da película ou se identificar com seus arcos narrativos. A exceção é Celavi (Jesuíta Barbosa), a alma do circo, a única personagem que não envelhece com o passar dos anos e quem faz tentativas de costurar a narrativa, assim como a passagem do cometa Halley pelo Brasil. 
“O Grande Circo Místico” anda por uma corda bamba em uma trama confusa e que ora pende para momentos de reflexões soltas, ora para o pronunciamento de frases de efeito proferidas pelos seus personagens e ora por tentativas mal sucedidas do feitio de uma obra poética.
Há muitas temáticas em jogo, ou melhor, sob os refletores laterais do velho picadeiro, desde mulheres violentadas, prostituídas até os casos de incesto ocorridos dentro da família e, é claro, as traições. Sempre elas! 
Agora, o que o filme tem de melhor é sua trilha sonora composta por canções de Chico Buarque e Edu Lobo, como as músicas “Beatriz”, “Ciranda da Bailarina”, “Na Carreira”, entre outras.
Outro ponto interessante é que o desfecho imaginado de algumas histórias simplesmente não acontece e isso quebra com a lógica construída pelo  imaginário do espectador.  
Já as filmagens com animais foram realizadas em Portugal para contornar a legislação brasileira que proíbe o uso de animais em apresentações circenses e eles estão lá, fazendo o que sempre fizeram em espetáculos do gênero, ou seja, sendo dominados pelos seus treinadores, levando chicotadas para  realizar posturas e erguer patas. As cenas finais com o voo das gêmeas foram rodadas no território francês, por isso esta obra é coproduzida pelos dois países, além do Brasil.
A impressão deixada é que a lona feita de retalhos deste circo de breves histórias está frouxa, com algumas estacas soltas e precisando ser ajustada porque a maioria dos personagens presentes está precisando alicerçar o seu arco narrativo e aprofundar suas características emocionais antes de entrar em cena.
A verdade é que acho pouco provável que o filme consiga uma cadeira na disputa oficial pelo titulo de melhor filme estrangeiro de 2019 e muito menos, saia da cerimônia do Oscar como a estatueta dourada em baixo do braço.  
Uma pena! 
Maria Oxigenada       
Foto: reprodução
   

  
 
  
   


  
 
ANIMAIS FANTÁSTICOS – OS CRIMES DE GRINDELWALD
A lacuna foi de dois anos entre o primeiro e o segundo filme. “Animais Fantásticos – Os Crimes de Grindelwald” trouxe de volta o realismo fantástico criado pela autora J.K. Rowling, a mesma da saga Harry Potter.
O segundo capítulo começa com Gellert Grindelwald (Johnny Depp) capturado pela Macusa (Congresso Mágico dos Estados Unidos da América) e sendo transferido da penitenciária americana para outra em Londres (Inglaterra) com um forte aparato de segurança e em uma carruagem puxada por testrálios (cavalos pretos com corpos esqueléticos e asas de morcegos). 
Durante o percurso, o vilão mor dá aquele jeitinho de fugir e na sequência, reunir seguidores com intuito de criar magos de sangue puro para dominar os seres humanos. Poder persuasivo e de sedução para isso ele tem de sobra, mas Grindelwald vai além, chegando a desenhar cenários aterrorizantes aos seus ouvintes caso seus planos não se concretizem, tais como: a deflagração de uma nova guerra mundial.
Paralelamente, ele vai atrás de Credence (Ezra Miller), pois este é o único com poderes suficientes para matar Alvo Dumbledore (Jude Law). O problema é que Credence fugiu para Paris na companhia de Nagini (Claudia Kim) ou cobra Horcrux e está passando por uma crise existencial, pois não sabe quem são seus verdadeiros pais e deseja descobrir os segredos que envolvem suas origens. E é aí que reside a maior surpresa desta segunda parte, mas sua revelação só é feita nos momentos finais da película e eu não vou dar spoilers para vocês, não! 
Enquanto isso, Dumbledore procura e pede ajuda para seu melhor pupilo Newt Scamander (Eddie Redmayne) para encontrar Credence, pois sabe que Grindelwald tentará unir forças com o jovem mago e este tem potencial para ser o grande vilão do terceiro capítulo de “Animais Fantásticos”. 
A verdade é que a aventura está só começando porque Tina (Katherine Waterston), auror do Ministério da Magia Americana, é outro personagem que embarca atrás de Credence e durante sua busca seu caminho cruza mais de uma vez com o de Newt e de outros personagens secundários, tais como o padeiro Jacob (Dan Fogler) e sua irmã Queenie Goedstein (Alisson Sudol).
Algumas tramas paralelas também são desenvolvidas na obra e uma delas é a que envolve a rixa entre Newt e Theseus (Callum Turner), seu irmão. Parece que o protagonista perdeu sua amada Leta Lestrange (Zoe Kravitz) para o brother porque os dois estão noivos e Newt não está sabendo lidar com isso. 
Outro enredo que já deu sinal de que renderá muito nos próximos filmes e que começa a ser alinhavado é a relação existente entre Dumbledore e Grindelwald. O que ficou claro neste é que a dupla fez um pacto de sangue e lealdade ainda na adolescência. 
Agora, a novidade é a insinuação feita sobre a sexualidade de Dumbledore porque na película fica evidente que o alvo de sua paixão desde a juventude é seu melhor amigo e maior inimigo. E como eu sei disso? Porque há uma cena em que o professor fica diante do espelho de Osejed e a imagem refletida é a de Grindelwald. Para quem não se recorda, o bruxinho Harry Potter em “Harry Potter e a Pedra Filosofal” também ficou diante do espelho e ele refletiu a imagem de seus pais que Harry nunca chegou a conhecer, ou seja, o acessório mostra os desejos do coração de quem o contempla. 
Não poderia deixar de falar sobre a presença do alquimista Nicolau Flamel (Brontis Smith) que já aparece milenário, recluso, mas com disposição para ajudar Newt, Dumbledore, Tina e seus amigos na batalha contra o mal da vez. Relembrando que “Animais Fantásticos” se passa 60 anos antes da chegada de Harry Potter em Hogwarts e no momento Flamel já está só o pó, há, há, há...
O filme foi bem aceito no Brasil e somente nos primeiros quatro dias de exibição, ele reuniu 1,2 milhão de espectadores nas salas de cinema e  arrecadou mais de US$ 191 milhões em todo o mundo, mas o melhor da obra reside em seus efeitos visuais, no ótimo figurino e nas boas atuações, especialmente de Eddie Redmayne e Jude Law. Johnny Depp também não faz feio diante das câmeras e por 134 minutos nos faz esquecer de que um dia encarnou Jack Sparrow (Piratas do Caribe) ou o Chapeleiro Maluco (Alice no País das Maravilhas) porque evita fazer tantas caras e bocas e está mais centrado em sua atuação.
Por ser uma aventura fantasiosa, para matar a nossa curiosidade sobre os fatos que antecederam a saga Harry Potter e por preparar o terreno para o próximo filme previsto para estrear em 2020, eu o indico.  
Maria Oxigenada    
Foto: reprodução 
 
   


  
 
MESA POSTA
Dois feriados sequenciais é a razão para eu estar tocando neste assunto somente agora. Dias atrás, eu participei do congresso internacional de gastronomia, na capital paulista, e o tema da edição foi comida que emociona.
E durante os três dias de evento houve o reforço de que a comida que nos toca é aquela que tem história, que é passada de geração para geração e que traz consigo toda uma cultura gastronômica, ativando lembranças de bons momentos passados à mesa.
Desta vez, além das palestras, aulas ao vivo e degustações, houve também espaço para que os participantes colocassem a mão na massa ao lado de chefs renomados. A novidade de 2018 foi o “Na Brasa”, espaço reservado para os apreciadores de churrasco e para os que desejavam aprender sobre técnicas em que utilizam o fogo como ferramenta de cocção.
O interessante foi que durante o congresso um manifesto, ou melhor, um documento em prol da cultura alimentar brasileira foi assinado por jornalistas, chefs de cozinha, professores, profissionais da área, pesquisadores e alunos. Ele determina as linhas para a cultura alimentar social, ética e ambientalista sã e fará esforços para projetar ao mundo o status da gastronomia nacional, bem como manter as riquezas alimentares encontradas em regiões como a amazônica, o cerrado, a mata atlântica, a caatinga, o pantanal, os pampas e biomas aquáticos. 
A mandioca foi eleita o produto ícone de nossa cultura ancestral indígena e base da alimentação nacional. E não poderia ser diferente porque dela nasceram subprodutos e pratos emblemáticos, tais como: a tapioca, o polvilho, o tucupi (sumo amarelo extraído da mandioca brava quando descascada, ralada, espremida e que depois de cozido é usado como molho na culinária), a puba, e deles originaram delícias como o tacacá, o biscoito de polvilho, o pão de queijo, a farofa, a mandioca frita, o sagu, a tiquira, os bolos e a confeitaria tropical.    
Eu destaco duas mudanças comportamentais observadas ao longo dos últimos anos. A primeira é sem dúvida alguma as iniciativas de alguns chefs em promover bem estar social através da realização de projetos que resgatam a dignidade de comunidades carentes e em situações de risco com o intuito de diminuir as desigualdades e problemas sociais e com isso, plantar um futuro melhor. 
Evidencio com isso o trabalho realizado pelo chef David Hertz com sua “Gastromotiva” e os esforços da chef Ana Bueno com sua “Escola do Comer”, projeto desenvolvido com o intuito de melhorar a merenda escolar de Paraty (R.J.), através da capacitação de merendeiras, do feitio de hortas comunitárias e no ensino de receitas fáceis às crianças e pais.
Agora, foram as palavras e as ações promovidas por Paulo Mendes, de Brasília, quem mais chamaram a minha atenção, pois estão alinhadas com as necessidades sustentáveis do mundo atual.
Para quem desconhece, ele é o fundador da “EcoCozinha” e responsável por zerar o lixo dentro de seu restaurante, assim como de conscientizar outros proprietários da capital federal sobre o descarte correto e a transformação do lixo acumulado dentro de seus restaurantes.   
Há tipos distintos de lixos acumulados dentro de estabelecimentos comerciais de alimentos e bebidas. Dentre eles estão: os orgânicos e oriundos de cascas, talos e sobras alimentares. Estes são transformados em compostagem e adubos para serem usados em hortas orgânicas e comunitárias. 
Há também o lixo acumulado por materiais recicláveis, como plásticos, papéis, embalagens e vidros que devem ser descartados corretamente para que sejam reciclados e reutilizados. E há aquele lixo que, por enquanto, ainda não existe uma maneira de usa-los novamente e estes são enviados aos aterros sanitários, como papel higiênico, absorventes, guardanapos e fraldas usadas.
No momento, o objetivo é enviar o mínimo possível aos aterros sanitários e com isso, diminuir a emissão de gases poluentes à atmosfera e que são alguns dos causadores do aquecimento global. 
É! Os profissionais que atuam direta ou indiretamente na área de gastronomia estão nos lembrando de que a natureza é quem realmente nos alimenta, nos ampara, nos encanta e até por esse motivo, é importante o alerta levantado por eles sobre a urgência de mudarmos nossas práticas para protegê-la.
A verdade é que durante o congresso foi posto à mesa todos os elementos que fazem parte desta engrenagem, ou seja, aqueles que nutrem corpos e almas e aqueles que são acessíveis e fundamentais a todos nós. 
Foi realmente emocionante a experiência! 
Maria Oxigenada     
Foto: reprodução
 
  
        
 
ELZA
Eu sou um negro gato (a),
De arrepiar,
Essa minha história, 
É de amargar,
Só mesmo de um telhado,
Aos outros desacatos,
Eu sou um negro gato (a)!
Minha triste história,
Vou lhes contar,
E depois de ouvi-la, 
Sei que vão chorar,
Há tempos eu não sei o que é um bom prato,
Eu sou um negro gato (a)!
Sete vidas tenho,
Para viver,
Sete chances tenho,
Para vencer,
Mas se não comer,
Acabo num buraco,
Eu sou um negro gato (a)!
Um dia lá no morro,
Pobre de mim,
Queriam minha pele,
Para tamborim,
Apavorado desapareci no mato,
Eu sou um negro gato (a)”! 
Foi durante o musical “Elza” que eu me lembrei da letra da música “Negro Gato”, de Marisa Monte, e pude fazer algumas relações entre as duas obras. A primeira delas é que a cantora Elza Soares pode ser considerada uma verdadeira felina, pois além de ter os olhos puxados como os bichanos, ela também é uma mulher com sete vidas. Né, não? 
Sete vidas porque ela se reinventou inúmeras vezes ao longo de sua trajetória profissional. Sete vidas porque precisou ter a astúcia de um gatuno para burlar a fome na infância, para suportar um casamento prematuro e realizado quando  tinha apenas 12 anos, assim como para se esquivar da violência doméstica, de um marido alcóolatra e ainda, suportar a perda de dois filhos, bem como a necessidade de lidar com fortes dores na coluna depois de um tombo levado nos palcos e todos os outros episódios de racismo, machismo e preconceito em que esteve envolvida.
Pelo visto, sete é o numero que mais a representa porque no musical ela é interpretada por sete cantoras/atrizes diferentes. São sete mulheres com biótipos distintos e com vozes completamente diferentes tentando construir ao longo de 2h15 o profundo mosaico desta artista com mais de 80 anos.
Para quem não sabe, Elza começou se apresentando no show de calouros apresentado por Ary Barroso. Depois passou a cantar em barzinhos na orla de Copacabana e, aos poucos, foi conquistando os corações de brasileiros e da gringaiada, pois a artista foi considerada pela BBC de Londres como a cantora brasileira do milênio no final da década de 90. 
Seu nome também aparece na lista feita pela revista Rolling Stones Brasil como sendo uma das 100 melhores vozes da música brasileira. Além disso, a cantora abocanhou vários Grammys ao longo de sua carreira, sendo o latino de melhor álbum de música popular brasileira, em 2003, o de melhor canção em língua portuguesa com “Mulher da Vila Matilde”, em 2016, e o de melhor álbum de música popular brasileira com “A mulher do fim do mundo”, também em 2016.
A faixa de mulher de garra também lhe cai bem! Assim como a força do seu discurso, de suas letras enaltecendo sua raça, empoderando o gênero feminino, seus pensamentos arrojados e seu posicionamento político, especialmente nos últimos anos.    
Escrito por Vinícius Calderoni e dirigido por Duda Maia, o espetáculo não respeita a linearidade dos fatos da vida da artista, mas é dinâmico e tem a preocupação de pontuar todos os episódios marcantes dela, através das canções executadas ao vivo por uma banda formada por seis musicistas e que estão posicionadas ao fundo da caixa cênica, além das sete cantoras. 
O retrato da trajetória de Elza Soares também foi pensado e feito através do figurino usado. Primeiro, ele é construído com peças acinzentadas em uma relação direta com as fotos P & B do passado e da condição de penúria da artista nos primeiros anos de atuação. Depois, ele é montado com peças coloridas, brilhantes em uma referência ao sucesso alcançado por ela.  
Já as soluções cênicas vistas são simplistas e se resumem a presença de vários baldes de água e de carrinhos plataformas. Os primeiros em outra referência às dezenas de latas de água carregadas por Elza durante seus anos de miséria e os carrinhos para ilustrar a passagem do tempo e também para ajudar no preenchimento dos espaços vazios. Destaque para o mega turbante visto sob os holofotes nos momentos finais da peça e que transmite o style afro da cantora.  
A curiosidade do espetáculo é que as sete negras gatas que estão no palco multiplicando os sons de Elza surgem ora cantando, ora fazendo coreografias e ora retratando o rebolar que todas nós fazemos para dar conta de todas as demandas existentes cotidianamente.
Larissa Luz é quem encabeça o septeto também formado por Késia Estácio, Khrystal, Laís Lacôrte, Janamô, Júlia Tizumba e Verônica Bonfim. O destaque da obra é mesmo Larissa Luz, pois ela consegue reproduzir a voz rasgada, os timbres, trejeitos e malandragem de Elza com perfeição! Incrível!
Momentos emocionantes também fazem parte do show como quando elas cantam “O Meu Guri”, de Chico Buarque, logo após a perda do filho da personagem principal ou quando elas cantam de maneira visceral “A carne”, de autoria da própria Elza. 
O espetáculo tem alguns problemas, sim! Ele é longo, sem intervalos e arrastado inicialmente, mas trabalha em uma crescente e termina de maneira apoteótica, alto astral e com a plateia cantando e interagindo com as cantoras.
O musical “Elza” foi a maneira que eu encontrei de comemorar o Dia da Consciência Negra de forma divertida, poética, testemunhal, cultural e politizada porque Elza Soares é uma bela representante de sua raça e está aí até hoje linda, leve e solta como uma verdadeira gata.
A minha sugestão é para vocês descobrirem ou redescobrirem Elza Soares através de sua discografia, especialmente de seus últimos trabalhos “A mulher do fim do mundo”, de 2015, e “Deus é mulher”, de 2018, além da sua mais nova biografia “Elza”, escrita pelo jornalista Zeca Camargo, do documentário sobre ela chamado “My name is now” e tantas outras entrevistas dadas. 
Ainda bem que esta gatona é nossa, né!
Maria Oxigenada      
Foto: reprodução       
 
O PRIMEIRO HOMEM
Cabeça na lua e vontade de conquistar o espaço. Essa é a premissa do filme “O primeiro homem”, mas a corrida espacial não é o foco da obra e sim, a vida do astronauta Neil Armstrong (Ryan Gosling).
O filme começa com o personagem fazendo os primeiros testes de voos além da esfera terrestre, assim como o seu ingresso na NASA (Administradora Nacional do Espaço e Aeronáutica), a perda de sua filha do meio, os altos e baixos de sua relação com a esposa Janet (Claire Foy) e o crescimento de seus outros dois filhos.
Homem de poucas palavras, Armstrong foi acima de tudo uma pessoa corajosa, mas também muito focada, ambiciosa e sonhadora. Apesar dos riscos envolvendo cada uma das missões que participou, ele não hesitava em fazer parte delas, nem de ser o primeiro a testar novos equipamentos, aeronaves e trajes.
É isso aí! Exatamente o que vocês estão pensando. Não foi aleatória a escolha de ser ele o primeiro em imprimir na superfície lunar a sola da bota que usava no dia do feito e dizer palavras que entraram para a História mundial. São elas: “Esse é um pequeno passo para o homem, um salto enorme para a humanidade”!
A boca pequena comenta que a NASA o escolheu para comandar a missão Apollo 11 justamente por ser um homem discreto, equilibrado, com características técnicas e que exibia uma faceta fria e pragmática diante de situações emergenciais. Outro motivo era que passado a euforia da missão bem sucedida, ele se manteria longe dos holofotes, dos olhos da opinião publica e assim o fez até sua morte aos 82 anos.
O filme também mostra que Armstrong e o astronauta Buzz Aldrian (Corey Stoll) fincaram no local uma bandeira dos Estados Unidos e uma placa assinada pelos astronautas e pelo Presidente da República Richard Nixon com os dizeres: “Aqui os homens do planeta Terra puseram pela primeira vez os pés na lua, em 20 de julho de 1969. Viemos em paz em nome de toda a humanidade”.
Entretanto, a película termina antes de tomarmos ciência do restante de sua vida, pois após o termino da empreitada Neil Armstrong e a tripulação da Apollo 11 viajaram por 17 países distintos para falar da bem sucedida viagem à lua. Na sequencia, o astronauta retirou-se da agência espacial em 1970 e tornou-se professor de engenharia aeroespacial na Universidade de Cincinnati, onde permaneceu até 1979. Rejeitou várias ofertas para se tornar garoto-propaganda e relações públicas, assim como a possibilidade de ocupar cargos de diretoria em instituições e grandes empresas ou mesmo, de transformar-se em um político.
“O primeiro homem” tem potencial para abocanhar algumas estatuetas douradas no próximo ano, pois é um belo filme e conta com uma atuação minimalista de Ryan Gosling e uma interpretação segura de Claire Foy. Aliás, a atriz é quem rouba a cena em muitos momentos da narrativa, construindo uma personagem estável emocionalmente e tão necessária na manutenção de uma rotina saudável para todos que estão no seu entorno.
A rota seguida pela película também não é nada convencional porque ela mescla dramas pessoais com os avanços da conquista espacial, por isso a escolha em trabalhar com closes internos das aeronaves, com as câmeras posicionadas próximas aos personagens principais ou mesmo acompanhando a dinâmica e os atritos encontrados dentro das aeronaves ou mesmo no ambiente doméstico.
Outro fato é que o filme não ostenta uma trilha sonora que ficará orbitando por suas mentes por um longo tempo, mas com certeza ela permanecerá em nossas memórias porque conta com outros elementos que ajudam a nos proporcionar uma aventura sensorial diferente de outras que exploram a mesma temática.
O melhor da película é acompanhar o caráter pioneiro da missão e tomar ciência das precariedades envolvidas e do espirito “suicida” dos astronautas americanos na época porque a impressão passada é que eles não temiam a morte, nem hesitavam em se jogar em aventuras com poucas probabilidades de sucesso, há, há, há...

Eu indico.

Maria Oxigenada
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a CASA QUE JACK CONSTRUIU
Um passinho para frente! O ponto final do diretor Lars Von Trier sempre é a parada onde a violência, o sadismo, o sarcasmo, a loucura e a arte ocupam o maior espaço, mas no seu último filme “A casa que Jack construiu” que estreou semana passada, também há brechas para a presença de metáforas, referências a movimentos artísticos, tais como: cubismo, surrealismo, expressionismo e muito mais!
O personagem principal Jack (Matt Dillon) é um serial killer interessado em realizar crimes perfeitos, envolvendo mulheres na sua maioria. Paralelamente, ele também faz várias tentativas de construir uma casa perfeita à beira do lago, testando materiais distintos e projetando designers diferentes para ela.
Jack também é um acumulador compulsivo, mas não aquele tipo que reluta em descartar ou se desfazer de objetos e itens dentro de casa, mas sim aquele outro tipo que tem os pés fincados na morbidez e está interessado em acumular os corpos de suas vítimas, armazenando-os em câmeras frias de um frigorifico abandonado para admirá-los repetidas vezes como se fossem verdadeiras obras-primas.
Como se não bastasse toda essa loucura, Jack ainda possui TOC (transtorno obsessivo compulsivo) com limpeza e a cada nova vítima feita, uma nova oportunidade para o personagem principal adentrar em uma espiral de atitudes repetitivas e pensamentos insistentes e que ele não consegue brecar ou interromper. Olha só que curioso: estacionam neste ponto da obra os poucos momentos cômicos da película.
O trajeto percorrido pelo filme dura 12 anos da vida de Jack e com o passar do tempo, ele sente a necessidade de compartilhar seus feitos com outro artista e o escolhido é o poeta e intelectual Virgílio (Bruno Ganz). Os dois conversam longamente sobre recursos estéticos, sobre ferramentas artísticas usadas para a construção da casa perfeita de Jack e sobre suas experiências mórbidas.
Aliás, “A casa que Jack construiu” é um filme verborrágico, todo sendo levantado em cima de diálogos, especialmente entre esses dois últimos personagens e sendo narrado pelo protagonista da obra. E até por esse motivo, as câmeras permanecem diante do ator Matt Dillon e acompanhando seus gestuais, sua cara de deboche e de psicopata, além do desencadeamento de seu raciocínio e de sua afiada mente.
O feitio imagético encontrado na película é o que ela tem de melhor, pois trabalha com uma cartela de cores vivas, com cenas fortes envolvendo violência contra crianças e animais e tantas outras que remetem a películas anteriores do diretor, bem como segundos de silêncio que chegam a incomodar os espectadores.
O fato é que “A casa que Jack construiu” é um filme tenso, violento, de difícil digestão e que incomoda muito durante o passar de seus minutos. A impressão deixada pelo diretor Lars Von Trier é que ele está fazendo várias tentativas de cruzar a linha do aceitável, do mostrar em excesso e de chocar.
Os seus últimos filmes, “Anticristo” e “Ninfomaníaca” já tinham sinalizado sua intenção. Sinceramente, eu não sei onde ele está querendo chegar. O que sei é que ele está perdendo a mão desde o feitio de “Melancolia”, em 2011. Acredito que de agora para frente ele passará a circular pela contramão do que cinéfilos e amantes da sétima arte apreciam ver diante de si.
Quem neste momento está navegando pelas principais obras do diretor, sabe que ele não limita sua criatividade, nem posiciona semáforos vermelhos para as situações surreais propostas. Ao contrário, ele acelera e potencializa as cenas de suas criações com o uso de recursos tecnológicos, com a inserção de uma trilha sonora pop e analogias, ou seja, faz tentativas de estar sempre um passinho a frente do cinema tradicional que ainda hoje é feito.
Depois vocês me contam o que acharam desta aventura...
Maria Oxigenada
Foto: reprodução
 
BOHEMIAN RHAPSODY
Justa homenagem aos fãs do grupo “Queen”! Uma das bandas de rock mais emblemáticas do século XX tem agora sua história repassada no filme “Bohemian Rhapsody”. Esta é mais uma chance de vocês saberem como o grupo formou-se, além de conhecer algumas particularidades do vocalista Freddy Mercury (Rami Malek), tais como: o artista nasceu na África, passou sua infância na Índia e somente na adolescência mudou-se para Londres (Inglaterra), na companhia de sua família.
Antes de sua estrela começar a brilhar, ele trabalhou no aeroporto de Heathrow como carregador de malas e batia ponto em pubs e em festas universitárias. E foi em uma delas que ele ouviu pela primeira vez a guitarra de Brian May (Gwilym Lee) e viu a performance do baterista Roger Taylor (Bem Hardy), além de esbarrar em Mary Austin (Lucy Boynton), amiga de longa data e sua ex-namorada.
Daí para a formação original do “Queen” foi um pulo! Bastou abrir uma vaga de baixista que imediatamente foi ocupada por John Deacon (Joseph Mazzello) e voilà! Eles começaram a compor músicas do calibre de “Love is my life”, “We will rock you”, “Don’t stop me now”, “Radio Ga Ga”, entre tantas outras que até hoje são cantadas pelos amantes do “Queen”.
O filme começa e termina mostrando o show “Live Aid”, ocorrido no estádio de Wembley (Londres) em 1985 e em prol das crianças famintas da África, onde o grupo cantou durante 20 minutos alguns de seus maiores sucessos. Na ocasião, outros artistas como U2, David Bowie, The Who, Led Zeppelin, Paul McCartney, Phil Collins também participaram, mas foi com o show do “Queen” que os patrocinadores e organizadores do evento bateram as metas de doações previstas.
A película também ressalta quão teatral, ousado e criativo Freddy Mercury era enquanto estava sob os holofotes. Ele não se intimidava em usar macacões coladíssimos, em desfilar pelo palco com peças de couro, bigodão, cintos e coleiras com tachas em uma referência direta ao universo sadomasô, além de coroas, mantos e capas para narrar através de seu visual sua admiração pela realeza britânica ou mesmo, sua paixão pela estética andrógina que marcou os anos 70.
Musicalmente, eles também inovaram muito, especialmente quando resolveram acrescentar acordes de músicas clássicas, além de agudos e timbres altíssimos em suas canções. Não podemos esquecer-nos de que eles também pensaram na participação e interação do público em seus shows através de palmas, de repetições, da iluminação dos estádios com isqueiros para melhor compor a mise-en-scène do momento.
Já a vida privada de Freddy Mercury não é passada a limpo, não! Na obra, ela é “en passant”, ou seja, os telespectadores tomam ciência rapidamente sobre a timidez do cantor, sobre suas preferencias sexuais, assim como sobre as festas promovidas por ele enquanto estava no auge e que eram regadas a drogas e sexo, além de alguns escândalos em que esteve envolvido durante seus 45 anos de vida e, é claro, o seu triste fim, vitima de uma pneumonia em decorrência da AIDS, em 1991.
Durante 132 minutos de filme, é perceptível o respeito em relação à figura de Freddy Mercury e a banda. A vida louca dele pode ser acompanhada, mas sem sensacionalismo ou pinceladas de moralismo.
A curiosidade da produção é que o ator Sacha Baron Cohen é quem estava escalado para viver Freddy Mercury nas telonas, porém desistiu do projeto por achar que o roteiro não seria fidedigno à figura do protagonista, nem as passagens polêmicas que o envolvia.
O fato é que a alma de Freddy Mercury está muito bem representada pelo ator Rami Malek. Aliás, o ator fez um belo trabalho de composição do personagem, replicando trejeitos, coreografias no palco e até, pequenos e sutis gestos. É claro que a voz que vocês escutam é do próprio cantor, mas em algumas cenas é perceptível que Rami Malek estava cantando de verdade, assim como tocando piano.
No entanto, a caracterização do personagem peca com a prótese dentaria usada pelo artista. Freddy Mercury das telonas ficou muito dentuço! Quase uma Mônica, há, há, há...Outro ponto negativo é que a obra não constrói uma correta cronologia, pecando em datas de alguns eventos como o Rock in Rio.
Quanto ao figurino, este é o ponto alto da película, pois é um diário visual das transformações do personagem título, sendo que 40% das roupas usadas é do acervo do grupo e 60% foram reproduzidas para a ocasião, inclusive o look que o protagonista usou durante o show “Live Aid”. Incrível!
Não há duvidas de que o filme é do Malek e que sua interpretação poderá lhe render mais que elogios de críticos e sim, alguns prêmios ao ator. Os demais atores em cena estão bem coerentes, servindo de escada para o principal brilhar. Além dos já citados, há ainda a participação do ator Mike Myers como executivo da gravadora EMI e o ator Allen Leech como Paul.
Agora, o melhor da película são as músicas do “Queen”. Enquanto elas são executadas, dá vontade de cantar, de chorar, de aplaudir e até de correr para beijar a telona ou dar aquele abraço de urso no falso Freddy porque a emoção invade o ambiente e é indiscutível o quanto elas ainda nos comovem.
“Bohemian Rhapsody” arrecadou somente no último final de semana R$ 9,3 milhões no Brasil e está liderando as bilheterias americanas com mais de US$ 50 milhões somados. Sinal dos tempos? Que nada! Somente um indicador de que as músicas do “Queen” continuam sendo hinos de liberdade, de expressividade, de posicionamentos diversos e exemplares de muita sensibilidade.

Eu amei!
Maria Oxigenada
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GATO MIA
Quem nunca? Eu brinquei inúmeras vezes de gato mia na infância. Vocês não? A distração acontece em um quarto escuro e com todo mundo tentando disfarçar o miado para o gato vendado que tateia o espaço atrás de outros bichanos.
O resultado das eleições do dia 28 de outubro nos deixou com o mesmo retrogosto da brincadeira de infância, pois acabamos de adentrar o breu, um cenário escuro na companhia de um gato líder que chegou agora ao bando de felinos, ou melhor, ferinos.
É! isso mesmo! Apesar de tomarmos ciência de sua trajetória pessoal, das origens familiares e do seu nome de batismo, bem como dos cargos ocupados por ele até o momento, a verdade é que nós pouco sabemos sobre este bichano que saltou de deputado federal ao posto mais alto da nação sem nunca ter esquentado lugar no senado ou ocupado às cadeiras do Palácio da Guanabara, sede do governo do Estado do Rio de Janeiro.
Nós temos que reconhecer a popularidade deste felino com alto poder persuasivo e que de convencional não tem nada, pois se utilizou das redes sociais para firmar o seu miado, além de ignorar os embates com outros gatos de igual importância no jogo, preferindo ficar “enovelado” no conforto doméstico.
Tudo bem que ele foi vítima de um arranhão profundo, ou melhor, de uma facada vinda de um gato vira-lata que estava na miúda, mas o fato é que não sabemos se novas emboscadas estão sendo planejadas para o futuro.
Por enquanto, o que temos ciência é que ele terá questões urgentes para resolver, tais como: realizar a reforma da previdência, equilibrar as contas públicas e a economia, assim como combater o crime organizado, o alto índice de desempregados, as condições precárias da saúde pública, dos encarcerados, dos refugiados, entre outras.
O fato é que o gatão de meia idade não terá a independência gozada pelos felinos verdadeiros porque seu miado precisa ganhar ressonância e ser reforçado pelo apoio dos membros do Congresso Nacional e pela Câmara dos Deputados sim.
A natureza felina também impõe ao gatuno a necessidade de seguir algumas regras e rotinas típicas do seu habitat e que englobam desde o cumprimento de compromissos oficiais, protocolos e até uma agenda cheia e que vai contra a dinâmica diária de bichanos mais preguiçosos.
Já a faceta arisca do felino deverá ser contornada com a convivência diplomática com gatos de outras raças e tamanhos, ou melhor, com membros de partidos diferentes do seu e chefes de Estado com interesses diversos.
Uma coisa é evidente: acho bom o old cat ter fôlego, resistência física e jogo de cintura se quiser continuar brincando saudavelmente pelos próximos quatro anos. Caso contrário, o bicho vai pegar para ele e para nós! 
A bicharada aprendeu a protestar, seja ocupando as ruas, seja oxigenando o ambiente político com novos nomes e partidos através do voto, ou ainda, exigindo o cumprimento de direitos presentes na Constituição brasileira e em países democráticos como é o Brasil. 
A esperança é que não ouçamos miados desafinados e de arrependimento nos próximos anos e que, aos poucos, frestas de claridade sejam vistas nesse ambiente escuro de hoje.
Quem mia? O futuro. E a possibilidade de nós retomarmos patamares econômicos, sociais e financeiros já gozados anteriormente. Este é o nosso desejo, vontade e esperança. Seguimos de patas dadas porque a aventura está só começando e ninguém deseja sair com muitos arranhões dela, né!
E vamos que vamos...
Equipe Maria Oxigenada     
Foto: reprodução
 
MINAS TREND
Ufa! Cruzei a linha de chegada com sucesso! Desta vez, fiquei com a língua de fora com a maratona, ou melhor, com a ultramaratona fashion. Os últimos quilômetros foram cumpridos durante o Minas Trend, evento realizado na capital mineira na última semana.
O esforço foi grande para pinçar quais serão as tendências para o outono/inverno 2019 e algumas delas reafirmaram modismos vistos anteriormente tanto na semana de moda paulistana (SPFW), quanto no Veste Rio.
Uma das que mais marcou a minha memória foi o tie-dye. Durante o Minas Trend, ela manchou não só tecidos naturais como também o couro, como visto no desfile de Patrícia Motta que preferiu trabalhar com uma cartela de cores que privilegiava as celestiais (azul e branco).
Outra foi a superfeminina e romântica, através da presença de tules, rendas, transparências, babados, mangas bufantes e florais de marcas como Chris Gotijo, Leticia Manzan e Virgílio Couture. Destaque para as lingeries de tule e rendas de Chris Gotijo e as peças com plumas e transparência de Letícia Manzan.
Já a trilha feita pela marca Skazi foi iluminada pelo neon e por peças acesas. Em contrapartida, a coleção de Denise Valadares foi vista através da sombra da luz negra formada pelo uso do preto e pela pegada gótica de sua coleção.
A marca LED pegou um atalho pela cultura nordestina para ficar sob os holofotes e mostrou uma moda agênero, com peças que mesclavam tecnologia e artesanato através da exploração do crochê. O trabalho manual também foi o caminho percorrido pela coleção mostrada por Karine Fouvry, especialmente em seus looks off-white. 
Enquanto isso, a marca Skazi andou na contramão com o show de recortes estratégicos (underboob) e decotes incomuns. Foi ela também quem sinalizou às Oxigenadas presentes sobre o uso de saias em parceria com moletons.
As bermudas também riscaram as passarelas, mas não as ciclistas ou as específicas para corridas de longa distância e sim, as de alfaiataria e feitas com linhos, crepes e tecidos sem a tecnologia acumulada pelo dry fit (composto de poliéster, poliamida e elastano que resulta em um tecido leve, facilitador da respiração dérmica e ideal para esportistas).
Quanto aos calçados, nada de tênis de corrida ou indicados para quem tem pisada pronada para circular pelas estações mais frias de 2019 e sim, flatform, sapatos com jeitão masculino como Oxford e as mules como visto no desfile do Studio NHNH. Já o colo feminino ostentará maxi colares no lugar do numero da inscrição de corridas fashion e bolsas feitas com mix de tricô e palha (Sandra Cavalcante).
O interessante é que o Minas Trend também adentrou por ruelas de chão batido e as tonalidades terrosas deixaram aquele rastro de poeira na memoria dos presentes. A estilista Denise Valadares, por exemplo, percorreu o universo western para montar sua coleção toda terrosa.
Peças de moda praia também ficaram encobertas por esta película marrom e por tendências já faladas anteriormente como os babados e o decote V (Candê). Alguns biquínis vistos ostentaram os três modismos de uma única vez, mas a trend de agora é misturar tonalidades da mesma cartela de cores como vermelho e rosa, marrom e laranja ou verde e marrom.
Mas alguns estilistas optaram por percorrer as vias rápidas e retas de looks construídos por túnicas soltas (Lucas Magalhães) e por maxi coletes, enquanto outros congestionaram e “entabuleiraram” suas produções através do uso de maxi xadrez preto e branco. 
Além dos três dias de desfile que tiveram pit stop em peças artesanais, barrocas, com pegada girlie e sem gênero definido, esta corrida do Minas Trend contou com um salão de negócios com 191 marcas participantes, sendo 82 delas destinadas ao vestuário,72 às joias e 37 às bijus.
Que correria, hein!
Maria Oxigenada    
Fotos: reproduções


SPFW
A palavra de ordem é compartilhar. Dividir modismos, tendências, informações, cultura e também as diferenças existentes entre uma marca e outra, entre o processo criativo de um estilista e outro, seja através das redes sociais, do boca a boca ou mesmo, de conversas entre Oxigenadas.
O estilista Ronaldo Fraga foi quem levou a temática mais ao pé da letra, trazendo as passarelas uma mesa montada de jantar para celebrar o que nos une e também o que nos diferencia. Para isso, ele colocou seus convidados sentados lado a lado, trabalhando a tolerância de cada um e expondo de frente suas diferenças e belezas.
Desfilando entre os convivas estavam modelos idosas, jovens e com biótipos completamente distintos. O pão, o peixe, as frutas presentes em passagens bíblicas juntaram-se a outros objetos cênicos para remontar um verdadeiro banquete fashion. Ele também iluminou suas peças com a estampa da estrela de Davi em uma referencia direta a cultura judaica.
As calças e saias escritas, os vestidos soltos, o decote canoa, o uso de jeans sem lavagem, as tonalidades escuras, mas também a presença de listras, de transparências e do tie-dye construíram seu encontro à mesa e sob os holofotes. Destaque para o macacão masculino usado com tênis e lenço típico palestino.
Já as camadas cênicas que construíram o desfile da Osklen tiveram como base o estilo de vida praiano e o mar, por isso a estampa de caranguejo, as floridas, bem como a pegada navy vista através das listras de marinheiros, da presença de tricôs trançando as cordas e os nós náuticos nesse ambiente sem maresia.
Entretanto, a Modem arquitetou sua coleção nas curvas das artes, nas assimetrias orgânicas, no decorativismo clean, preferindo trabalhar com tons terrosos. Em contrapartida, Lucas Leão apostou no tie-dye e nas manchas feitas com cores vivas e alegres, assim como fez a marca Apartamento 03.
Agora, o tititi do evento ficou por conta das marcas PatBo, Amir Slama, João Pimenta e Top 5 que optaram pelos babados e por curvar-se diante de decotes e mangas feitas com o uso de tecidos extras. Destaque para as peças feitas em couro e que apresentavam babados do mesmo material (Top 5).
E falando em couro, a marca de Reinaldo Lourenço pensou no ambiente de esportes radicais, especialmente o motocross, para criar produções em couro colorido, com zíperes à mostra, como jaquetas, vestidos, além de botas de cano mediano e ankle boots xadrez vichy, mas a risca de giz, os laços enormes e os looks vaporosos com fendas também deixaram aquele rastro pelas passarelas do SPFW.
Glória Coelho fez questão de explorar o mesmo material, recortando-o e costurando vestidos com detalhes laterais. Já o seu lado protetor veio à tona através da presença de parkas e casacos com capuz. Destaque para o casaco azul brilhante.
Outra tendência que acelerou na semana de moda paulistana foi a presença de franjas. A marca Lilly Sarti, Bobstore, Top 5 e Apartamento 03 foram algumas das que acrescentaram movimento as suas peças com a inclusão delas, inclusive com cintos franjados.
Eu já tinha sinalizado a volta das golas nas alturas, né! Então, elas continuarão por mais um bom tempo e a boa noticia é que elas receberam o reforço de lenços e laços para aumentar a proteção durante os dias frios de 2019.
E falando em lenços, eles surgiram atando os calcanhares, os punhos e as mangas no desfile da Osklen ou os pescoços femininos no desfile da Lilly Sarti e Reinaldo Lourenço.
Enquanto isso, o afrouxar da brisa invernal foi sentida com o ressuscitar das calças cenoura. A marca Lucas Leão mostrou um macacão com a estética do legume e sendo usado em parceria com camisa, assim como Lilly Sarti.
Agora, quem saiu das trevas em que estava foi a mullet. Lino Villaventura, por exemplo, levou ao extremo o modismo, casando-o com a assimetria. Além disso, ele apostou nos decotes retos e simples desta vez.
A verdade é que esta edição do SPFW foi uma delícia, pois foi pensada de maneira que fosse iniciada com petiscos do que será usada no próximo ano, mas também apresentasse um recheio substancioso e feito com tendências já vistas anteriormente.
Quanto à finalização do banquete fashion, este ficou por conta dos acessórios. Os chapéus surgiram ora com faceta ortodoxa (Ronaldo Fraga), ora com carinha de vaqueiro (Bobstore e Lilly Sarti).
Já as bijus que mais me chamaram a atenção foram as naturais, feitas de cerâmica (Aluf). Brincos grandiosos, especialmente as argolas (Apartamento 03), além das pulseiras de madeira de Helen Pontes (Projeto Estufa) também tiveram suas chances de entrar e sair de cena várias vezes.
Quanto as bolsas, meus olhos cresceram em direção a bolsa de peixe (Ronaldo Fraga), a pochete retangular (Top 5), as bolsas feitas de sementes de açaí (Lilly Sarti) ou de cabos náuticos (Osklen) ou ainda, de palha (Patrícia Vieira) ou com aquele mix bom feito de couro e madeira (Ronaldo Fraga), mas o acessório queridinho da edição ficou por conta do tênis-meia de Glória Coelho. Uh lá, lá!
A verdade é que antes mesmo de eu largar meus talheres e encerrar a minha participação na refeição da vez, eu já estava satisfeita! Então, só me resta compartilhar com vocês as minhas impressões sobre a SPFW e torcer para que algumas delas as satisfaçam nos próximos meses.
Beijocas,
Maria Oxigenada      
Fotos: reproduções


RAIZ
A coincidência é mais que bem vinda! Só digo isso para vocês. Com os ânimos a flor da pele por causa das eleições do próximo domingo, nada mais apropriado no momento do que ficar diante de obras e instalações feitas por Ai Weiwei, artista chinês que faz críticas politicas, a censura ainda existente em seu país de origem, ao uso excessivo de tecnologias e redes sociais, a corrupção, além de lutar pelos direitos humanos, pela liberdade de expressão; tudo através de sua arte.
Ao todo, são 70 obras expostas, sendo 15 inéditas e feitas depois de uma temporada passada aqui no Brasil, onde o artista desenvolveu trabalhos em madeira, sementes, tecidos, couro e raízes e em parceria com artesãos na intenção de compreender as tradições culturais brasileiras e ainda, traçar um paralelo mesmo que longínquo com suas raízes chinesas.
Dentre as novas obras estão: “Root Land” que consiste na exposição de uma árvore morta de pequi vinagreiro do sul da Bahia. A partir dela, o artista fez o seu molde para ser replicado futuramente em ferro fundido e ser transformado em uma escultura de 36 metros e mais de 200 toneladas.
Outra é “FODA”, nome construído a partir das iniciais de frutas nacionais como fruta do conde, ostra, dendê e abacaxi e que foram reproduzidas e expostas conjuntamente pelo artista. Tem também a “Mutuofagia”, trabalho desenvolvido em parceria com o fotografo Sérgio Coimbra e onde Ai Weiwei aparece nu comento frutos tropicais, ao mesmo tempo em que ele mesmo se oferece como refeição, numa referência ao ritual antropofágico mútuo e ao aprendizado e digestão da identidade de duas culturas distintas.
Não podia ficar de fora a obra “Law of Journey”, barco inflável recheado com bonecos representando refugiados vestidos com salva-vidas. A obra ficou exposta durante uma semana no lago do parque Ibirapuera antes de ganhar a proteção das paredes da Oca e é um alerta feito por Weiwei sobre a crise migratória mundial, assim como o filme “Human Flow” que aborda o mesmo assunto.
Há ainda “Straight”, obra feita com 164 toneladas de aço recuperado dos escombros de escolas de Sichuan após o forte terremoto que as atingiu em 2008, vitimando centenas de crianças e que as autoridades locais não queriam divulgar seus nomes, bem como “Sunflower Seeds”, instalação feita com milhões de sementes de girassóis de porcelana e que nada mais é do que a expressão artística sobre as técnicas de produção de massa que a China adotou para atender as demandas de países ocidentais.
Já “Forever Bycicles”, feita com milhares de bicicletas é a única obra de Ai Weiwei que está exposta fora da Oca e posicionada em um dos portões de
entrada do parque. Ela é a representação do rápido crescimento da sociedade em uma escala global através da intersecção de seus aros.
Entretanto, “Dropping a han dynasty” retrata três momentos diferentes do espatifar de um vaso imperial de dois mil anos em uma critica ao general Mao sobre construir um novo mundo a partir da destruição do antigo.
“Raiz” ocupa quatro andares da Oca, custou R$ 10 milhões para ser montada, soma 500 toneladas e é a maior exposição do artista feita até o momento. Ela também é a oportunidade de nós sabermos um pouco mais sobre outros trabalhos desenvolvidos por ele, pois Weiwei também atua como arquiteto e foi o idealizador do estádio “ninho dos pássaros” para os Jogos Olímpicos de Pequim em 2008.
A exposição é a chance de vocês também tomarem ciência sobre a prisão sofrida pelo artista em 2011, assim como os episódios de censura em que ele esteve envolvido, além das sequelas físicas deixadas em Weiwei depois de ter sido espancado por autoridades chinesas antes de sua prisão e que deu origem a obra “Brain Inflation”, além de sua necessidade de residir na Alemanha e não mais na China para que sua arte continue dando frutos e o que falar mundo afora.
Eu passei horas para dissecar toda a exposição, para entender seu processo criativo, mas precisei de poucos minutos para compreender a relevância de seu trabalho e a importância de sua figura para a atual sociedade.
Que as raízes de seus conhecimentos sejam aprofundadas com mais este programa cultural, pois somente desta forma é que vocês poderão ter cada vez mais discernimento e clareza ao fazerem escolhas de todas as ordens e naturezas, inclusive as politicas e diante das urnas.
Eu indico o passeio.

Maria Oxigenada

Serviço:
Onde: Oca, localizada na avenida Pedro Álvares Cabral, portão 2 – Pq. Ibirapuera.
Quando: terça a sábado, das 11h às 20h; domingo e feriado, das 11h às 19h.
Preço: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)

Fotos: reproduções


CONCERTO PARA JOÃO
Outra homenagem feita ao maestro João Carlos Martins! Depois de virar filme no ano passado, de ser homenageado pela escola de samba Vai-Vai em 2011 e de ser protagonista de dois documentários feitos na Europa, agora ele também é tema de uma peça teatral. Tá bom pra vocês?
Diferente do filme “João, o Maestro” que adota a forma linear para contar passagens importantes da vida da personalidade, a obra é construída com um misto de delírio e realidade, entre fragmentos de sono e a vigília do personagem titulo durante e após a realização de uma cirurgia neurológica, onde sua cabeça e seu cérebro foram entregues de bandeja aos médicos em 2012.
O tempo cronológico da peça se resume em três ou quatro dias na vida do maestro, interpretado nos palcos por Rodrigo Pandolfo, e enquanto ele está hospitalizado para a realização do procedimento cirúrgico. Neste curto período, ele reflete não só sobre sua vida, suas conquistas e realizações, como também sobre sua real missão e sobre o seu futuro a partir daquele momento.
Nada mais coerente do que enriquecer a história contada com a inserção de outros personagens e a construção de diálogos relevadores travados com seu médico (Duda Mamberti), além de confissões feitas para sua esposa Ana (Michelle Boesche) e para outra figura enigmática e fantasmagórica que o acompanha no pós-operatório. Para o protagonista, esta tem potencial e todo jeitão de ser a encarnação do compositor e regente Johann Sebastian Bach, vivido nos palcos pelo ator Ando Camargo.   
A admiração de João por Bach era tamanha que ele foi um dos poucos musicistas a gravar sua obra completa para piano em 12 CD’s distintos. Além disso, o maestro o homenageou fundando em 2006 a Fundação Bachiana voltada a ensinar música clássica para crianças e adolescentes carentes. A orquestra Bachiana Filarmônica SESI – SP foi a primeira orquestra brasileira a se apresentar no Carnegie Hall (Nova Iorque) nos anos de 2007 e 2008.
Hoje, o grupo faz 80 apresentações por ano. Oitenta também será a idade que João Carlos Martins completará em janeiro de 2019 e o maestro confidenciou ao final da peça que a partir do próximo ano ele voltará a fazer aulas de piano, mesmo com todas as suas dificuldades e restrições motoras e manuais.
Após o apagar das luzes e aplaudir os atores que estiveram em cena, a plateia que ali estava ainda foi surpreendida pela presença do próprio e da execução da música “A lista de Schindler” em um teclado móvel e acompanhado por um violinista. Lindíssimo!    
Depois de passado o espanto, eu comecei a refletir sobre a peça e sobre a maneira como ela foi apresentada ao público. Mesmo quem não sabe detalhes sobre a vida de João Carlos Martins consegue compreender as provações passadas por ele ao longo da vida, assim como sua garra e sua paixão pelas partituras e pelo piano.
Gostei bastante da cenografia vista com a presença de um piano feito de ferro e que ora parecia encarcerar o artista em seu drama pessoal, ora parecia ser seu fiel escudeiro. Achei interessante também à exposição das cordas existentes no teatro, numa referência as cordas do próprio instrumento de cauda, além da presença de dois painéis que giravam e mudavam o ambiente cênico.   
Quanto às atuações, o ator Rodrigo Pandolfo está confortável na pele de João Carlos. Também pudera, né! Esta não é a primeira vez que ele assume a persona e sim, a segunda porque ele já o incorporou anteriormente no filme falado no segundo parágrafo deste texto. Outro fato perceptível é o nível de concentração dos demais atores enquanto estão em cena, pois em nenhum momento há vacilos no texto falado e nem nos gestuais exigidos para cada cena.
Agora, eu senti falta mesmo foi de uma trilha sonora mais enérgica, instrumental e que ajudasse na condução dos espectadores ao interior de cada um dos fragmentos pinçados da trajetória do musicista.      
O fato é que “Concerto para João” é uma peça com uma mensagem por trás, ou seja, é uma lição de vida para todas nós de como sermos determinadas, sonhadoras e responsáveis pelos caminhos tomados e escolhas feitas.  
Eu indico. 
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: teatro FAAP, localizado na rua Alagoas, 903 – Higienópolis.
Quando: sexta e sábado, às 21h; e domingo, às 18h.
Temporada: até 02 de dezembro de 2018.
Preço: R$ 75,00 (inteira) e R$ 37,50 (meia-entrada).
Duração: 80 minutos.
Foto: reprodução
 
ZOIUDA
Que imaginação fértil a de vocês! Eu não abusei de energéticos na balada, nem fiz uso de entorpecentes no final de semana, não! E muito menos estou fazendo referências ao personagem Baltazar, interpretado pelo ator Alexandre Nero na novela “Fina Estampa” e nos filmes “Crô” e “Crô em família”. A razão de eu estar com os olhos trincados é que eu ainda estou entorpecida com tudo o que vi durante a última edição do Veste Rio.
Novamente, o evento aconteceu no Píer Mauá e os desfiles sinalizaram o que será usado no outono e inverno de 2019. A principal tendência observada foi que os colarinhos cerraram os pescoços femininos e as golas altas, as golas de padre e as golas Peter Pan fecharam as produções de marcas como: Wymann, Von Trapp, ESC. Destaque para o vestido branco com gola alta e manga comprida da Von Trapp, entretanto o decote V também marcou presença no desfile da Kimono e da ESC.
Outro modismo apresentado nos dias do Veste Rio e confirmado nas ruas de grandes centros urbanos é a preferência feminina em combinar vestidos com tênis, desde os mais delicados e femininos até os mais agressivos e masculinizados. A marca Augustana foi uma das que trouxe esta novidade para os holofotes, mas foi à marca Kimono quem trocou os tênis por outro calçado e levou às passarelas o combo construído com vestidos, sapatos e meias altas.
As estampas típicas de verão, tais como folhagens, frutas tropicais, coqueiros ou paisagens praianas sofreram bullying desta vez, assim como a animal print e ficaram excluídas dos dias de desfile, mas a estampa que liderou a preferência de estilistas e de marcas cariocas foi à geométrica, como desfilado pela Wymann, Augustana e ESC. Falando nisso, a última marca extrapolou o amor à estampa, vestindo sua modelo dos pés a cabeça em um conjunto geométrico.
Agora, quem não tem vergonha de assumir a faceta predadora, então a sugestão é apostar na estampa de tubarão, especialmente em camisetas básicas de algodão ou em peças decorativas com a intenção de mostrar os dentes afiados aos olhares invejosos presentes em todos os lugares.
Um sopro oriental também foi sentido através da presença de quimonos e de faixas amarrando as cinturas femininas (Neriage e Wymann), bem como a presença de calças com cintura alta (Von Trapp).
Já a quebra da caretice ficou por conta de looks assimétricos e peças ostentando tamanhos diferentes na sua parte frontal e traseira, além das mullets. Quem mais trabalhou a assimetria desta vez foi a marca Augustana.
Outro racha no esperado para a ocasião veio com a presença massiva dos maiôs e bodies, pois eles tomaram os lugares de biquínis no desejo das cariocas e hoje circulam em ambientes além das areias, calçadões e academias, transformando-se em peças curingas tanto para as produções diurnas como noturnas.
A boa notícia é que esta semana está mais fashionista do que nunca e além da realização da semana de moda paulistana (SPFW), também acontecerá na capital paulista o Iguatemi Talks, evento com três dias de duração e que contará com palestras, workshops e bate-papos com profissionais da área sobre o mundinho da moda e seus reveses.
Piscar? Que nada! Vou pingar um colírio em meus olhos para amenizar o aspecto “zoiuda”, lubrificando-os em direção as tendências e modismos futuros.  
Beijocas,
Maria Oxigenada   
Fotos: reproduções


UM PEQUENO FAVOR
O que une duas mulheres completamente diferentes? Os filhos, é claro! Esta é a única explicação para a amizade construída entre a dona de casa, viúva e vlogger Stephanie Smothers (Anna Kendrick) e a executiva do setor de moda Emily Nelson (Blake Lively).
Baseado no livro escrito por Darcey Bell, o filme é dirigido por Paul Feig que todo o tempo trabalha com um clima investigativo e sensual. No caminho criado pela narrativa há várias bifurcações, atalhos e a manipulação dos personagens para justificar seus segredos e, principalmente, o desaparecimento de Emily.
É! A queridona bem sucedida some depois de pedir um pequeno favor a sua BBF, ou seja, para Stephanie buscar seu filho Nicky (Ian Ho) na escola e ficar com ele até que ela retorne para casa.
O problema é que ela não volta e passados 48 horas de seu sumiço, Stephanie coloca a policia na parada, além de entrar em contato com seu marido Sean (Henry Golding) que está na Inglaterra acompanhando a mãe que está hospitalizada.
E é através de seu canal e entre receitas e conselhos domésticos que Stephanie conta a seus seguidores o que está acontecendo, fala do sumiço da amiga, faz piadas a respeito da situação e inicia uma investigação particular.
A partir desse momento, ela sai do seu mundinho virtual, entra na cena atrás de informações e do passado de Emily. Paralelamente, o detetive Summervile, vivido pelo ator Bashir Salahuddin, começa a colher provas e depoimentos sobre o caso e avançar nas investigações.
Os dois não trocam figurinhas, mas ambos consideram a possibilidade de morte da executiva. Será? Ou há um bom motivo que justifique seu sumiço por dias, semanas até?
O interessante do filme é seu ritmo, a sequência de acontecimentos desencadeada e a antecipação da resolução do suspense em torno de Emily. Além disso, é perceptível o destaque dos lados sombrios das protagonistas, a inteligência e a sede de vingança de cada uma delas.   
Outro ponto de destaque são as transformações vividas pelas personagens principais, especialmente Stephanie. A atriz Anna Kendrick entrega uma atuação madura, repleta de nuances e pequenas expressões corporais que ajudam na criação do arco de sua personagem e justificam sua metamorfose ao longo dos minutos. É perceptível também a evolução dramática de Blake Lively desde sua participação na série “Gossip Girl: A garota do blog”, mas o filme é mesmo de Anna e dela ninguém tasca!
Não poderia deixar de comentar sobre o figurino da obra, pois ele é ponto relevante na construção das protagonistas. Por ser do meio fashion, Emily desfila com alfaiataria, ternos bem cortados, saltos, chapéus e até gravatas em uma referência direta ao universo corporativo masculino. Já Stephanie começa o filme vestindo peças e acessórios infantilóides, como meias estampadas e conforme a película avança, seu visu é alterado sutilmente com a troca por peças mais sóbrias e adultas.
Confesso que eu estava esperando por um filme no patamar de “A Garota Exemplar”, mas “Um pequeno favor” não o atinge. Entretanto, para quem está querendo variar o cardápio de filmes vistos e procurando por uma comédia pseudo-noir, eu o indico.
Maria Oxigenada
Foto: reprodução
 
NASCE UMA ESTRELA
Yes! A poesia invadiu as telonas! E deu uma pitada extra de romantismo ao feriado prolongado. Também pudera, né! O filme que estreou na última quinta-feira conta a história de Ally (Lady Gaga), ex-garçonete e cantora amadora que transforma-se em musa pop. 
A metamorfose vista não é de um dia para o outro, não! E conta com uma fada madrinha, ou melhor, com a ajuda de Jackson Maine (Bradley Cooper), cantor de rock que a descobre em uma balada que é palco das apresentações de um grupo de drag queens e que está localizada na periferia da cidade. 
A música que embala o primeiro encontro dos dois é “La vie em rose”, de Edith Piaf, e a partir desse instante eles não se largam mais, iniciando além de uma parceria profissional, um romance entre os fios de microfones, os amplificadores de som e nos bastidores do show bis.  
Mas nem tudo são flores nessa nova vida de Ally, pois Jack é alcóolatra e está perdendo a audição e a luta para as drogas. Ele bem que tenta se desvencilhar de tudo isso, mas o combo contribui para que sua estrela comece a se apagar gradativamente.
Em contrapartida, o nome e o talento de Ally reluzem entre os produtores musicais americanos e entre as gravadoras que iniciam o processo de lapidação, traçando os próximos passos da cantora em direção ao estrelato.
O interessante do filme é observar o pender dessa balança, ora alçando um dos nomes ao céu, ora derrubando o outro ao inferno porque no decorrer do longa o protagonista masculino precisa sim lidar com seus demônios, com seus medos e inseguranças, especialmente os ciúmes que sente de sua mulher.
E o amor vence no final? De certa maneira, sim! É o amor pela música e pelas artes que faz com que muitos artistas corram atrás de seus sonhos, trabalhem incansavelmente e agarrem as oportunidades surgidas. Isso já foi contado e cantado outras vezes por Hollywood, como nos filmes “Fama”, “La La Land: Cantando Estações”, “Quase Famosos”, “Sob a luz da fama”.
Outro ponto interessante da obra é acompanhar o processo criativo dos dois cantores e os momentos de construção de suas letras e músicas, pois estes acontecem em lugares improváveis, desde lanchonetes na beira da estrada, como também na solidão doméstica.
“Nasce uma estrela” é a estreia de Lady Gaga como atriz nas telonas e ela não faz feio diante das câmeras, especialmente quando está de porte dos microfones e tocando piano. Além disso, a cantora não se importou em mudar drasticamente o visual para protagonizar a película e está com cabelos escuros, com a cara lavada e vestindo camisetas básicas. Zero glamour! 
Já Bradley Cooper é a grande surpresa do momento, pois além de atuar na obra, ele também a dirigiu, produziu e foi um dos responsáveis pela elaboração de seu roteiro, inclusive na criação da maioria das músicas cantadas sob os holofotes. 
Há outras curiosidades sobre o longa-metragem, como Bradley Cooper ter feito três anos de aula de canto e de guitarra para poder soltar a voz e tocar realmente enquanto as câmeras estavam ligadas, além de ter levado seu próprio cachorro Charlie para integrar o elenco de “Nasce uma estrela”.
Aliás, esta é a quarta versão da historia, pois a primeira vez em que foi produzida foi no ano de 1937 e com Janet Gaynor no papel-título. A segunda foi em 1954 com Judy Garland como protagonista feminina e 1977 com Barbra Streisand soltando a voz na companhia de Kris Kristofferson.
A verdade é que não se fala em outro assunto e de que o filme tem potencial para concorrer às estatuetas douradas e ao Oscar 2019 não só como melhor trilha sonora, canção título, mas também como melhor atriz, direção, fotografia e ator.
É! Os atributos da obra são muitos, apesar do seu enredo ser simplista e previsível! Mas o que importa é que ele emociona, transpira sensibilidade e nos faz sair do cinema cantarolando suas canções e nos fazendo acreditar novamente na existência de amores românticos, de almas gêmeas e de parceiros de uma vida inteira.
Confesso que derramei algumas lágrimas enquanto os créditos finais estavam subindo e saí da sala de exibição tocada com a história acompanhada e com a força transformadora dos filmes porque eles continuam tendo o poder de comover, de nos fazer sonhar e nos transportar para dentro de situações e dimensões completamente distintas de nossa realidade.
Eu indico!
Maria Oxigenada      
   
              

    
 
CABO DE GUERRA
Passado uma semana após o primeiro turno das eleições, o que ficou perceptível é que o cabo de guerra esticou e a polarização construída ao longo dos últimos meses se concretizou com a ida para o segundo turno de dois candidatos com posicionamentos completamente opostos.
Os resultados do domingo, dia 7 de outubro, também sinalizaram uma renovação no Senado e na Câmara, pois nomes conhecidos da politica nacional não conseguiram se reeleger, assim como familiares de políticos com tradição no meio. Além disso, partidos com representatividade perderam espaço e o número de cadeiras ocupadas nesses locais.
O fato é que a partir do dia 1 de janeiro de 2019 haverá uma pequena oxigenação nesses ambientes com a presença de novatos, de um número maior de mulheres (15% dos eleitos), de partidos menores ou conservadores, além do compartilhamento das vagas através de representantes de várias bandeiras.
Outro ponto detectado é que o grau de escolaridade dos eleitores aumentou e agora, ter segundo grau completo ou ensino superior não é algo atípico entre os portadores de títulos, entretanto a porcentagem de brasileiros que justificaram seus votos na ocasião também subiu e bateu os 20%, ou seja, um em cada cinco brasileiros não votou no primeiro turno.
Este é o momento ideal para nós pesquisarmos mais sobre as ações futuras dos dois candidatos a presidência e ao governo de seus Estados. Os debates e as entrevistas promovidas por emissoras de televisão e por veículos de comunicação também são oportunidades de nós ouvirmos o que eles têm a dizer sobre temas diversos, tais como: educação, saúde, meio ambiente, cultura, segurança pública, reformas, entre outros, assim como sobre suas reais intenções para os próximos quatro anos de governo.
Não devemos desprezar as análises feitas por especialistas no assunto e nem por jornalistas que cobrem a politica interna porque são eles os responsáveis por desenhar cenários futuros, mastigar e regurgitar números e dados para leigos como nós, além de apontar movimentações dentro do tabuleiro politico global.
Outro fato interessante percebido foi o papel desempenhado pelas redes sociais, pois ficou claro que elas foram fundamentais neste primeiro momento e no estreitamento de conversas entre candidatos e a população, assim como foram as grandes propagadoras de noticias falsas, das agendas e dos compromissos diários dos candidatos, dos apoios firmados entre eles, seus  estados de saúde e a respeito das pesquisas de intenção de voto.
A pergunta que paira no ar é sobre a presença, obrigatoriedade e eficácia do horário eleitoral porque a ferramenta usada há anos ainda é a alternativa de milhões de pessoas que continuam desconectadas e sem acesso à internet de melhor conhecer os jogadores de agora. 
E o que nós podemos esperar para este segundo round? Que os candidatos que permaneceram medindo forças sejam alvos de mais criticas, mais pressão, como também de menos apoio, tanto da população, como de artistas e partidos já eliminados na primeira volta dada pelo tabuleiro democrático. 
A hora é agora! Este é o momento de abrirmos os nossos ouvidos e olhos para o que está vindo em nossa direção e para o que os candidatos têm a nos dizer e mostrar em favor do desenvolvimento nacional.
Para o segundo turno tá valendo a língua do P: pensar, pesquisar e ponderar antes de digitar os números na urna eletrônica.
Até a nossa próxima sessão no divã da Oxigenada.
Equipe Maria Oxigenada
Foto: reprodução
 
PARIS FASHION
As vésperas do Fashion Rio, a palpitação está grande em relação ao evento de moda carioca que se inicia no dia 17 de outubro e vai até 21, mas antes disso vamos falar sobre a Semana de Moda francesa que agitou Paris na última semana e fez com que nossos coraçõezinhos disparassem diante de tendências e modismos. São eles:
Os ombros ganharam destaque nesta edição, seja acrescentando volume no local através de ombreiras ou detalhes pontiagudos, seja apresentando peças com um ombro só. Adotando a pegada new wave, a marca Balmain vestiu suas modelos com peças bicudas. Já a marca Louis Vuitton trouxe as mangas arredondadas e enormes através de seus casacos casulos. Enquanto isso, a marca Elie Saab destacou o colo feminino com peças de ombro único e a marca Dries Von Noten costurou franjas no topo de suas produções para dar aquela levantada básica.
O mood esportivo e confortável não ficou de fora na ocasião e surgiu sob os holofotes através das bermudas ciclistas. Stella McCartney foi uma das que apostou na peça, assim como Chanel. Aliás, esta última label construiu toda uma atmosfera praiana para mostrar sua coleção de verão que teve muito bodies e hot pants.
Já Givenchy, Giambattista Valli, Balenciaga e Pacco Rabanne fecharam suas produções através de colarinhos abotoados, golas levantadas ou nas alturas e a presença de golas soltas dispostas em cima de vestidos. Em contrapartida, Elie Saab e Alexander McQueen aprofundaram seus decotes, especialmente os frontais e sensualizaram até o chão, chão, chão das passarelas francesas.
Agora, o embalo desta edição ficou por conta do show mostrado pela Dior que se inspirou no universo das danças, especialmente o balé e construiu uma coleção fluida, delicada, além de trazer vestidos vaporosos, segunda pele e as telinhas por cima de calças. E como falado anteriormente, esta será a peça curinga dos dias quentes.
Os olhos que acompanharam aos desfiles abriram-se diante do ressuscitar dos jeans lavados (Balmain), das saias balonês (Céline), do patchwork feito com bordados excêntricos, das rendas de neon (Stella McCartney), das caudas imensas (Elie Saab) e de túnicas usadas em cima de calças (Chloé e Hérmes), assim como os babados, as dobras e os jabôs (Saint Laurent) e as proporções incomuns ou a ausência de acabamentos vistos na Miu Miu.
Desta vez, os estilistas não fizeram questão de economizar e gastaram metros e mais metros de tecidos para a confecção de preguiados (Chanel), plissados (Givenchy e Valentino), saias godês e evasês (Dior) e barras dobradas (Dries Von Noten).
O resgate de paixões e modismos antigos também foi percebido com a retomada da estampa animal print que apareceu em coletes, calças de veludo e conjuntos (Giambattista Valli e Elie Saab), além de botas de cano alto (Saint Laurent). Enquanto isso, a alternativa ao visu felino veio com a estampa malhada e de pele de vaca visto no desfile da Burberry, assim como os florais nada ingênuos da Miu Miu, o mix de estampas da Chloé, o tie-dye (Stella McCartney e Pacco Rabanne) e a aquarela pintada pela Louis Vuitton.
E falando sobre a assinatura final das obras de arte fashion, esta edição utilizou-se especialmente de tonalidades terrosas e de cores como laranja, além da preta e de tantas outras neutras como o nude, branco, cinza e aquelas adocicadas e vistas no desfile da Dior e Chanel.
E o resultado somou com a participação de mais de 20 estilistas e marcas, com as plateias lotadas, com a presença de tendências vistas anteriormente como a cintura alta, a presença de cintos, faixas e espartilhos (Alexander McQueen) adornando-a, bem como peças em couro vazado (Hermés), macacões (Céline), trench coat, alfaiataria masculina (Saint Laurent e Alexander McQueen), plumas (Valentino), tules (Giambattista Valli) e muita camisaria, é claro!
A pergunta que fica é: será que o retrogosto deixado pela semana de moda francesa durará até o inicio do Fashion Rio? A minha experiência diz que sim, pois o evento foi encorpado, potente e com a concentração de compostos que já tinham sido vistos na semana de moda americana e italiana.
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada    
Fotos: reproduções


ANNIE
Neste final de ano a concorrência aumentou nos palcos! Além dos tradicionais espetáculos “O Quebra Nozes” e “Natal Mágico”, outra opção é conferir ao musical “Annie”, em cartaz no teatro Santander, para já ir entrando no espírito natalino e no clima das festas de confraternização de dezembro.  
Baseado nas tiras do cartunista Harold Gray, o musical é ambientado nos Estados Unidos, no ano de 1930 e conta a história de uma órfã de 11 anos que resolve fugir do orfanato em que mora dentro de um cesto da lavanderia e com a ajuda de suas colegas de quarto. 
A aventura de Annie, interpretada na obra pelas atrizes Luiza Gattai, Maria Clara Rosis ou Sienna Belle em sistema de rodízio, não dura muito tempo e logo ela retorna ao local pelas mãos de um policial. Entretanto, é a criança escolhida para passar as festas de final de ano na mansão e na companhia do bilionário Oliver Warbucks (Miguel Falabella).
Solitário, Warbucks logo se afeiçoa a Annie, assim como a governanta Grace (Sara Sarres) e os outros empregados da casa. Então, o magnata propõe a adoção da garota a Mrs. Hannigan (Ingrid Guimarães), megera responsável pelo orfanato e por cuidar de outras crianças abandonadas. 
O problema é que ela é trambiqueira das boas e arma com a ajuda de seu irmão Rooster (Cleto Baccic) e de sua cunhada Lilly (Carol Costa) um plano para extorquir dinheiro do bilionário, simulando que o casal é, na verdade, os pais verdadeiros da pequena órfã.
E neste balaio de gato vira-lata ainda é possível acompanhar as confusões e tramoias criadas pelo trio, além de observar críticas sobre os milhões de americanos desempregados, bem como a crise política e econômica que atingiu os Estados Unidos na época. Com isso, fica fácil fazer um paralelo entre o país do tio Sam e o Brasil no momento atual. 
Já a esperança é cantada e vista através dos olhos de uma criança, ou melhor, da personagem principal e com o reforço de seus laços de amizade, do surgimento de um amor puro e fraternal e da certeza de dias melhores para todos os personagens; tudo embalado pelas melodias criadas por Charles Strouse.  
Ai, ai, ai, fiquei até comovida, especialmente porque estamos às vésperas das eleições nacionais e com a possibilidade nas mãos de construirmos um futuro diferente dos dias de hoje porque a verdade é que anda puxaaaado para todo mundo, né! 
Sem sombra de dúvidas, o destaque da produção são as crianças, especialmente as atrizes que encarnam o papel-título. Ao todo, são 21 que se revezam entre as sessões oferecidas ao público. Além disso, o cachorro que acompanha a aventura de Annie sob os holofotes também amolece qualquer coraçãozinho mais gélido que esteja na plateia e são dois animais diferentes que também se revezam nesta incumbência cênica, há, há, há...
Outro ponto que fica evidente é que a atriz Ingrid Guimarães acerta no timimg cômico e na construção de uma Mrs. Hanningan escrachada e “pingaiada”, mas também é perceptível que “Annie” é a sua estreia em musicais e que sua voz precisa ser melhorada antes de solta-la diante de centenas de pessoas ou de encarar personagens de destaque como o que foi dado a ela desta vez. 
Já Falabella continua sendo Falabella! Com domínio cênico, carisma e muitos anos de estrada, ele descontrai o público toda vez em que está em cena. E repito o que disse na crítica feita anteriormente sobre “Os Produtores” de que é perceptível sua evolução vocal desde o musical “O beijo da mulher aranha”.  Parece que agora ele tem consciência de até onde sua voz consegue ir sem desafinar ou fazer feio diante da plateia.
Não há como ignorar a cenografia do espetáculo. Grandiosa, ela preenche toda a caixa cênica e se destaca por suas soluções, cores, brilhos e referências à cultura e a bandeira americana. O figurino também não faz feio nesta corrida pelos pontos altos da obra e está bem coerente com o que é esperado para os diferentes personagens vistos. 
E apesar de “Annie” ser um musical estrangeiro e de sua montagem atual não transgredir ou ousar em nada se comparado aos outros musicais em cartaz na capital paulista, mesmo assim eu o indico pelo seu tom sensível, pelo seu caráter humanista, pelo belo show entregue e por ser um programa para toda a família neste último trimestre de 2018.
Beijocas,
Maria Oxigenada    
Serviço:
Onde: teatro Santander, localizado na avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 2041.
Quando: quinta e sexta, às 21h; sábado, às 16h30 e 21h; domingo, às 15h e 19h.
Temporada: até janeiro de 2019.
Preço: a partir de R$ 75,00 (inteira).
Foto: reprodução
 
BIENAL DE ARTES
A saída do bonde foi no início de setembro, mas eu consegui alcança-lo alguns quilómetros à frente, ou melhor, alguns dias depois de nosso retorno de férias. Desta vez, eu não fui à abertura da Bienal de Arte, porém fui conferi-la recentemente para poder conversar com vocês sobre a exposição.
Diferente de edições recentes, a de 2018 não conta com um tema norteando os trabalhos, o que proporcionou aos artistas participantes liberdade para a escolha dos objetos desenvolvidos, bem como a maneira como eles seriam apresentados na ocasião.
Essa condição e postura também favoreceram mudanças comportamentais de quem ali está visitando a Bienal, pois é evidente que as pessoas são livres para traçar suas próprias trajetórias dentro do local, escolhendo por quais obras irão iniciar suas jornadas, quais merecem estender o tempo de apreciação, percepção dos detalhes e identificação com a mensagem contida.
Outra marca desta edição é que registros não tradicionais estão sendo feitos no local com entrevistas e comentários de funcionários, monitores e mesmo do público passante na intenção de servir como fontes de pesquisas e estudos futuros. Ao contrario do que acontece dentro de teatros e cinemas, o comportamento estimulado é a experiência individual e o registro e compartilhamento de obras e da aventura.
O incentivo às trocas não param por aí e estações de conversas também foram criadas para melhor atender aos grupos de visitantes e aos alunos. Já o café localizado no segundo andar funciona como lugar de descanso e respiro de quem ali está flanando por horas.
A tarefa de levantar a tenda da Bienal nunca é fácil, mas desta vez sete artistas curadores foram convidados a arregaçar as mangas, colocar a mão na massa e ajudar o curador geral Gabriel Pérez Barreiro a preencher os espaços vazios do pavilhão e ainda, pensar na distribuição dos 12 outros projetos individuais e mais algumas mostras coletivas.
A maioria dos trabalhos conta com uma pegada antropológica, assim como o mix visto de arte e ecologia, entretanto um olhar mais atento consegue perceber a retratação de ambientes e desastres. Já quem tem a sensibilidade aflorada tem a chance de detectar pequenas sutilezas e de sentir vibrações esperançosas em relação aos assuntos tratados.
Destaque para a obra “Vivam os campos livres”, do artista Antônio Ballester, localizada no térreo e que conta com centenas de cogumelos feitos de barro e por crianças. Eles dialogam com quadros contendo os quatro elementos da natureza como água, terra, ar e fogo e que estão posicionados em seu entorno, numa representatividade do ciclo da vida.
Confesso que minhas expectativas estavam altas em relação à exposição e que a ausência de uma temática central dificultou a minha capacidade de amarrar os pontos para a formação de uma unidade compreensiva, mas o programa cultural ficou completo depois que resolvi dar alguns passos em direção ao Museu de Arte Moderna (MAM) e visitar a exposição comemorativa de 70 anos de inauguração do local, intitulada “MAM 70: MAM e MAC USP” com fotografias, além de obras de seus acervos, de multimídia e de artistas, tais como: Alfredo Volpi, Joan Miró, Fernand Leger, Jean Arp, Geraldo de Barros, Maureen Bisilliat, Nelson Leirner, Cildo Meireles, Tunga, Anna Bella Geiger, Ana Maria Tavares, Claudia Andujar, Gustavo von Ha, Rodrigo Matheus, Marcius Galan, entre outros, além de registros de ações pioneiras que marcaram a instituição.
A minha dica é para vocês pegarem o bonde artístico do momento porque esta é uma boa chance de expandir sua cultura geral e não perder o prumo durante conversas com amigos, crushes e namorados (as).

Eu indico o combo.
Maria Oxigenada

Serviço:
Onde: as duas exposições acontecem no parque Ibirapuera, localizado na avenida Pedro Álvares Cabral, s/n.
Temporada: a Bienal de Artes acontece até 09 de dezembro e a exposição comemorativa do MAM até 16 de dezembro de 2018.
Preço: a entrada na Bienal é gratuita. Já a entrada na exposição do MAM custa R$ 7,00 (inteira) e R$ 3,50 (meia). Grátis aos sábados.


TIROS PARA TODOS OS LADOS
Ainda bem que eu tenho a academia para me divertir e tirar aquele peso acumulado ao longo do dia, né! Teoricamente, o local é para a prática de exercícios físicos e esportivos que mexem com todo o corpo, mas nos últimos tempos eu tenho malhado mesmo é a barriga para melhorar seu aspecto de pão crescido até o próximo verão, então dali aulas de abdominais, de pilates, de ioga e funcional para assar os excessos adquiridos no outono e inverno. 
E foi durante as aulas de pilates que episódios hilários têm acontecido. Outro dia, estávamos todos fazendo uma série de exercícios com a bola grande quando de repente eu ouvi o som de uma metralhadora, trá, trá, trá vindo da mulher que estava ao meu lado.
Pensei que poderia ser o hit da Banda das Vingadoras ao fundo, mas na verdade era uma sequencia de puns estalados e soltos pela “bonita”. Sem graça, ela deu uma conferida lateralmente para ver se eu tinha ouvido a descarga, mas eu fiz a “Katia” e segui frozen.
De repente, subiu um cheiro péssimo e ele foi tomando toda a sala de aula como se fosse um tapete de gás metano, incolor e tão poluente quanto o gás carbônico emitido pelos carros e fábricas. Afê!
Eu não sabia se me levantava do colchonete e saía da aula, se aguentava firme e forte respirando somente pela boca ou se começava a rir desenfreadamente. Confesso que fiquei preocupada com a aproximação do professor que estava corrigindo aluno por aluno durante o exercício e com a possibilidade dele cogitar que era eu a responsável pela nuvem carregada que tinha estacionado no canto da sala.
Aos poucos, percebi a mudança em seu semblante e fiquei pensando que ele estava tentando desvendar o mistério quando outro estouro aconteceu, porém mais discreto que o primeiro, mas com potencia suficiente para identificar quem havia atirado aleatoriamente, há, há, há....
A única atitude tomada pelo professor foi aumentar a ventilação da sala. Ainda bem porque eu já estava ficando intoxicada, roxa e entorpecida com o veneno circulante na atmosfera e com isso, tive que me concentrar, enrijecer minhas panturrilhas e pés para que a bola que estava segurando entre as pernas não saísse quicando pela sala ou fosse solta na cabeça do colega a minha frente. Que situação, gente!
Por essas e por outras que eu mantenho a minha rotina de comer fibras oriundas de frutas, legumes, verduras e grãos diariamente; tudo para facilitar meu transito intestinal e para fugir de congestionamentos internos. Fazer exercícios respiratórios de ioga e que movimentam a região abdominal e do diafragma também ajudam na eliminação do que está trancafiado por dias.    
Comigo é assim: todo dia depois que finalizo meu café da manhã, eu já saio correndo em direção ao banheiro. Algumas vezes, antes até e enquanto ainda estou olhando para o mamão cortado no prato a minha frente...
Não adianta ficar atirando para todos os lados, não! A solução para quem não quer ficar soltando fogos de artificio fora das festas juninas ou Reveillón, nem sofrer com prisões de ventre são: variar ao máximo sua alimentação, beber bastante água, praticar exercícios físicos com regularidade, manter-se ativa o dia todo, não censurar as primeiras vontades matinais e muito menos, os primeiros desabafos gasosos.  
Por garantia, eu vou chegar munida de vários artefatos para a aula de amanhã como uma máscara de oxigênio, um par de fones de ouvido e um protetor nasal igual ao usado na natação para vetar a inalação de gases poluentes e outros odores de fácil dispersão, há, há, há...       
Beijoca! 
Maria Oxigenada             
Foto: reprodução      
    
 
BREAK
Ufa! Finalmente chegou o momento do ano em que nós iremos dar aquela paradinha para respirar e descansar por 15 dias apenas. A escolha de nossas pausas serem sempre em setembro não é aleatória e tem um bom motivo, pois foi nesse mesmo mês do ano de 2008 que o site da Maria Oxigenada entrou no ar.
Isso mesmo! Faz 10 anos que nós estamos na ativa, firmes e mais fortes do que nunca! O trabalho puxado tem se tornado cada vez mais fácil de ser realizado, pois além de nossa equipe estar muito entrosada, nós já estamos acostumadas com o ritmo da personagem que nos obriga a fazer pesquisas frequentes, rodar pela cidade inteira, se jogar nas mais diversas aventuras e oxigenar vocês com o que acontece em São Paulo e com o que há de melhor entre os assuntos abordados costumeiramente no espaço.
Para vocês terem ideia da intensidade do site, nossa equipe já escreveu quase dois mil textos, pois no início de nossas atividades nós postávamos cinco vezes na semana e somente nos últimos anos passamos a postar três vezes. A atitude de diminuir as postagens foi intencional e visando melhorar a qualidade dos artigos e notas divulgados e para que nossa equipe não fique estafada e estressadona porque para nós trabalhar tem que ser sinônimo de alegria, descontração e de muitas trocas.
Apesar disso, não achem que nossa rotina é molezinha, não! Nós temos que suar bastante nossos bodies para que possamos cumprir nossas metas semanais. E como não ficamos paradonas e vendo a vida passar a nossa frente, nós já estamos com pique para encararmos mais dez ou quem sabe vinte anos, acompanhando as transformações da personagem em uma oxigenada balzaquiana ou quarentona, há, há, há...
Nosso pedido é para que vocês comemorem conosco mais este aniversário e este novo ciclo que se inicia agora. Esperamos ainda que nossa relação fique cada vez mais enraizada e equilibrada para podermos enfrentar juntas possíveis tempestades que por ventura possam surgir. 
Então, vamos seguir em frente com as nossas cabeças erguidas, com a vontade de sempre e com a certeza de que podemos contribuir para que vocês fiquem informadas e mulheres com condições de discernir sobre o que é certo ou errado e sobre o que acontece ao entorno. 
Ficaremos com saudades! 
E até os últimos dias de setembro.
Beijocas,
Equipe Maria Oxigenada     
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CINZEIRO HISTÓRICO

Do pó viemos e para o pó nós retornaremos! Nós começamos a semana com o coração em cinzas e com o dito popular sendo levado ao pé da letra, pois em cinzas ficou o prédio do Museu Nacional do Rio de Janeiro depois do incêndio que o consumiu durante mais de seis horas e que começou no inicio da noite de domingo. 
Hoje, o local abriga as cinzas da ciência, da história e da memória nacional porque ele era o museu de historia natural de maior importância no país e que reunia 20 milhões de itens. Dentre eles: o crânio de Luzia, fóssil de quase 12mil anos e que foi descoberto na década de 70, em Lagoa Santa (M.G.), além de esqueletos de dinossauros, baleia, bicho preguiça, múmias egípcias, indumentárias indígenas, meteoritos, assim como objetos da era pré-colombiana e que são e foram de relevância para o melhor entendimento do desenvolvimento humano.   
As imagens feitas por drones na segunda-feira confirmaram que pouco sobrou do lugar. Só sua carcaça e parte do acervo dos invertebrados e outros poucos objetos que ainda estão sendo resgatados por funcionários do local e professores, mas o resto virou poeira. 
Também deu em nada parte do conhecimento cientifico depositado e os anos de estudo e dedicação de pesquisadores de diferentes áreas, tais como: antropologia, paleontologia, história, epistemologia e muitas outras “ias” que complementam as ciências humanas e que são tão necessárias para o entendimento dos que aqui habitavam o território, sejam eles pessoas ou espécies de animais e plantas.
O mais triste é saber que faltou água para os bombeiros domarem as labaredas e que os hidrantes ao redor do museu estavam com força insuficiente para calar a voracidade das chamas. Em dado momento, os profissionais tiveram que bombear água da lagoa localizada em frente ao museu, além de esperar pela chegada de caminhões-pipas vindos de outras regiões da cidade para voltarem ao trabalho e ao combate às chamas. 
Triste também saber que nos últimos anos as verbas destinadas à preservação e manutenção do local despencaram, bem como para diversos programas de apoio à museologia, a prevenção de riscos e contra incêndios em prédios que abrigam parte de nossa história. 
Para vocês terem uma ideia do descaso por parte de nossos governantes, em 2013 o orçamento destinado ao Museu Nacional foi de R$ 531 mil. Já em 2017 passou para R$ 346 mil e este ano foi de apenas R$ 54 mil até o mês de abril; tudo para conseguir manter em funcionamento a residência que um dia foi de D. João VI, D. Pedro I e II, que tinha 200 anos e era considerado o maior acervo brasileiro.
E quando paramos para pensar sobre as próximas gerações e como elas ficarão privadas de conhecer e visitar o local, bem como saber sobre suas raízes, ancestralidade e de que forma parte de nossa identidade brasileira foi construída, aí é de chorar compulsivamente com o episódio do último domingo.
Aos poucos, estamos enterrando nossas memórias através de acidentes como este. Assim foi com as chamas que queimaram 70 mil espécies de cobras, aranhas e escorpiões do Instituto Butantã, em 2010. Assim foi com o incêndio que atingiu o Museu da Língua Portuguesa, em 2015. Assim foi com as labaredas que destruíram o acervo do Centro Cultural do Liceu das Artes e Ofício, em 2014, e assim foi com o incêndio que transformou em cinzas obras de arte que estavam dentro do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1978, onde trabalhos de Picasso, Miró, Matisse, Dalí, Portinari e outros artistas renomados foram carbonizados de seu catálogo.
E vocês sabem o que é mais interessante e louco é que países desenvolvidos investem milhões de dólares anualmente para a manutenção de seus museus, especialmente aqueles que contem recheios parecidos com o encontrado no Museu Nacional.  
Outro ponto relevante para nós tomarmos ciência neste momento e as vésperas das eleições nacionais é que a minoria dos presidenciáveis possui propostas nesse sentido, visando à manutenção não só do patrimônio histórico e cultural brasileiro, através dos museus, como também da valorização dos registros escritos, sonoros e das tradições orais, além do comprometimento com tombamento de prédios históricos e a preocupação com o replantio de espécies naturais hoje extintas. Tá bom para vocês?
Abram seus olhos, Oxigenadas! E nessas eleições pensem muito bem em quem vocês irão votar e onde irão depositar seus votos de confiança, pois um país que não se importa com sua trajetória, com a educação de seus filhos e com a preservação de sua história de vida, então é um país com raízes pouco profundas e de fachada frágil. 
O momento agora é de faxina geral, da retirada de montanhas de cinzas e também da nossa conscientização sobre as necessidades e desejos da população sobre o legado que será deixado aos seus filhos, netos e bisnetos, pois tenho certeza de que todas nós queremos a mesma coisa: ter do que nos orgulharmos!
A verdade é que não devemos deixar a poeira baixar tanto para começarmos a reivindicar nossos direitos de ter onde pesquisar e visitar locais que refresquem nossas lembranças a respeito de nossas origens, nossa cultura, nossas riquezas e nossas particularidades.
Esperança de dias menos cinzentos para todas nós! 
Maria Oxigenada     
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PERMANENTE
Tudo que vai, volta! O efeito bumerangue da vez é o permanente nos cabelos. Sucesso dos anos 80, a técnica que fez a cabeça da mulherada e que ficou no ostracismo por décadas, voltou com a proposta de não mais armar as madeixas da raiz até as pontas, mas sim de definir os cachos, diminuir o frizz e seguir aquela pegada pós-praia.
Confesso que estranhei bastante quando cheguei ao salão no último sábado para fazer funilaria e pintura e ouvi outra oxigenada pedindo para o Marquinhos fazer permanentes em seus cabelos.
Lembrei-me imediatamente do cheiro forte do produto aplicado nas madeixas, dos bigudinhos elétricos colocados na cabeça da vovó décadas atrás e de como aquilo tudo era surreal para mim porque parecia que ela estava com um capacete futurista na cabeça e pronta para ser abduzida por seres extraterrestres.
Ela dizia que o permanente facilitava sua vida, pois não precisava ficar enrolando os cabelos com bobes todos os dias e nem pagar mico na vizinhança com o desfile de lenços na cabeça, pois já amanhecia pronta! Bastava passar um batonzinho e um blush e voilá!
Segundo Marquinhos, a diferença é que atualmente as clientes estão pedindo somente para que as madeixas fiquem onduladas, com as pontas lisas, soltas e com aspecto de garota de praia, bem longe da aparência poodle do passado.
A naturalidade dos fios é obtida com o uso de bastões de diferentes tamanhos e a aplicação de produtos com fórmulas menos agressivas do que outrora. Agora, se você é camaleoa e vive inventando moda com seus fios como euzinha, descolorindo-os, fazendo luzes ou ainda, sujeitando-os a alisamentos e outros procedimentos químicos, então o permanente não é uma boa ideia nesse momento.
Já para as que decidiram se jogar no modismo e sair cacheada na próxima balada, então a sugestão é fazer uma boa hidratação para a reposição de nutrientes e queratina depois do procedimento, além da aplicação de ativadores de cachos e o uso de produtos destinados as encaracoladas.
Outro comentário do Marquinhos me surpreendeu! Ela falou que a busca na internet por termos como cabelos cacheados aumentou mais de 230%, por cabelos afro 310% e transição capilar mais de 55%, sinal dos tempos e da queda das chapinhas e da ditadura dos cabelos pranchados ou que levaram aquela lambida da vaca, né!
Sinalizador também de que as mulheres finalmente estão aceitando suas origens, sua ancestralidade e reconhecendo que não há um único padrão estético e de beleza, assim como não há um único tipo de cabelo bonito, né!
A verdade é que os cabelos podem dizer muito a seu respeito porque diferente das roupas, eles não podem ser trocados diariamente. Assumir os cachos também pode ser um ato libertador, de empoderamento feminino e sinônimo de autoestima elevada, sim!
Se por um acaso você ficou na dúvida quanto ao que está lendo, nada supera ver-se representada e identificar-se com artistas, personalidades, youtubers e mulheres comuns nas ruas, pois somente dessa forma é que nós podemos confrontar pessoas preconceituosas ou enfrentar situações constrangedoras que ainda fazem parte da realidade brasileira.
Voltei para casa com a boa nova na garganta e só a libertei na mesa e enquanto estávamos almoçando. Não preciso nem dizer que a vovó abriu aquele sorrisão e seus olhos brilharam, mas ela nos confidenciou que está curtindo sua fase platinada e os cabelos curtíssimos. Entretanto, incentivou a mamãe a modernizar seu visu, emoldurando seu rosto dentre um corte intermediário e nas curvas e caracóis feitos artificialmente.
Eu aprovo!
Beijocas,
Maria Oxigenada     
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NATASHA, PIERRE E O GRANDE COMETA DE 1812
Diferentão! É assim que podemos classificar o musical “Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812”, baseado em um trecho do livro “Guerra e Paz”, de Liev Tolstói, e que foi criado por Dave Malloy.
O principal motivo é que ele não é encenado em um teatro convencional e sim no terraço do teatro Santander que foi todo adaptado e transformado em um típico cabaré russo do século XIX. Segundo porque o público não fica acomodado em poltronas e sim, em mesas ou balcões.
Terceiro porque os atores circulam entre a plateia, nas passarelas montadas, contracenando muito próximos das pessoas. Quarto porque quem ali está pode também ter uma experiência gastronômica criada pelo chef de cozinha Mario Azevedo que inclui degustar alguns pratos russos, tais como o stroganov, além de bebidas típicas enquanto acompanha a história contada sob os holofotes.
A única coisa que não tem mudado no cenário brasileiro é que os produtores continuam apostando em musicais importados, ganhadores de prêmios e arriscando-se pouco na produção de peças que exploram a cultura brasileira.
A temática do musical é interessante, pois versa sobre a passagem de um cometa próximo da Terra, sobre os maus presságios que isso trazia aos seus habitantes, pois corpos celestes perto de nós significava a chegada de tragédias. 
Como pano de fundo, a guerra, especialmente a invasão da Rússia comandada por Napoleão Bonaparte em 1812 e ainda, o cotidiano das pessoas durante os embates, particularmente do trio formado pelos personagens Natasha Rostova (Bruna Guerin), Pierre Bezukhov (André Frateschi) e Anatol Kuragin (Gabriel Leone).
Natasha começa a narrativa noiva de Andrey (Patrick Amstalden), mas ele está nos campos de batalha. Então, ela decide ir para Moscou visitar sua madrinha Marya Dimitryevna (Nábia Villela) acompanhada de sua prima Sonya (Adriana Del Claro). Aproveitando que está na cidade, resolve fazer outra visita, agora na casa de seu velho sogro Bolkonsky (Patrick Amstalden) e de sua cunhada Mary (Lola Fanucchi), mas é mal recebida pela família de seu noivo.
Então, para animar à dupla, Marya acompanha as garotas a uma ópera. O problema é que flanando pelo local está Anatol e seu melhor amigo Fedya (André Torquato), dupla de canalhas que também percebe a beleza de Natasha e faz de tudo para se aproximar dela. 
Anatol joga todo o seu charme para cima da jovem, mas ele não é um cara desimpedido, não! Ele é casado e irmão de Hélène Bezhukova, esposa de Pierre.
E quem é Pierre no jogo cênico? Beberrão, boa praça, é quem banca as noitadas do cunhado, além de viver com o nariz entre os livros e preso a um relacionamento infeliz. Pobre Pierre!
É claro que Natasha cai na lábia de Anatol e a partir desse momento ela fica divididinha entre o queridão e Andrey. Cartas românticas são trocadas entre os dois planejando uma fuga que é claro que não se concretiza depois que ela descobre o real estado civil do amado. 
Para colocar panos quentes na situação e fazer o meio de campo, Pierre exige que o cunhado vá embora de Moscou, nunca mencione a ninguém o que aconteceu entre ele e Natasha, assim como entregue todas as cartas trocadas entre os dois para serem destruídas imediatamente. 
Com a saúde debilitada e requerendo cuidados médicos, a mocinha da história ainda toma ciência da volta do seu ex-noivo através de Pierre, das exigências dele em ter em mãos as correspondências trocadas pelos dois enquanto estava na guerra e também sobre os sentimentos aflorados no coração de seu amigo. 
Neste momento, Pierre avista o cometa passando, compreendendo que uma era terminou e que novos tempos estão chegando para todos os personagens, inclusive para ele próprio. Na verdade, são os mistérios da vida que continuarão se apresentando para todos de diferentes formas e intensidades.
“Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812” é um musical no melhor sentido da palavra, pois é todo cantado e muito bem cantado por sinal. Destaque para a voz de André Frateschi e para a orquestra que acompanha os atores, pois é perceptível que ela está dando o sangue durante o show mostrado, executando músicas complexas. Incrível!
O musical ainda conta com um figurino riquíssimo com peças feitas de veludo molhado, veludo cotelê, couro, rendas, gorgurão e tecidos pesados, além de outras feitas com tecidos naturais como o algodão, o linho e a laise. Destaque também para os penteados e makes de época e os acessórios vistos em cena que vão desde botas de couro, leques, broches, pashiminas, lenços, meias tipo arrastão, gargantilhas, bonés, quepes, boinas até tiara de gatinha; tudo para melhor caracterizar e identificar cada um dos personagens.
A cena que fecha o espetáculo é uma festa com direito a participação da plateia através das palmas e com o elenco e a orquestra se esforçando ao máximo para encerrar o musical em alto astral, cantando “O Cometa de 1812” e com isso, aumentando a magia teatral.  
Apesar de todos os atrativos, acredito que “Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812” seja para os iniciados em musicais e não para aqueles que estão indo pela primeira vez conferir algo do gênero, pois ele é uma peça longa e cantada do inicio ao fim, mesclando ritmos diversos. Além disso, sua pegada irreverente, vibrante e que é marca dos espetáculos dirigidos por Zé Henrique de Paula, como foi o caso de “Urinal” já falado por aqui também, o diferencia de outros musicais que estão em cartaz na atualidade.  
Eu amei! E claro que indico.
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: 033 Rooftop, localizado no terraço do teatro Santander.
Quando: sexta, às 21h30; sábado, às 16h e 21h30; e domingo, às 19h30.
Temporada: até 25 de novembro de 2018. 
Preço: a partir de R$ 65,00 (meia-entrada). 
Duração: 2h30 com intervalo de 15 minutos.
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PARA TODOS OS GAROTOS QUE JÁ AMEI
Produção da Netflix, “Para todos os garotos que já amei” chegou agradando! Não por abordar uma temática nova, pois ele trata do primeiro amor e de questões que povoam a vida da maioria dos adolescentes, mas sim por resgatar a pegada dos anos 80 e a dinâmica ingênua dos romances adolescentes do passado.
As redes sociais e as correspondências eletrônicas estão presentes na película que é ambientada na atualidade, mas o foco da obra recai sobre as boas e velhas cartas escritas a mão pela personagem principal Lara Jean (Lana Condor) e endereçadas a todas as suas ex-paixonites.
A intenção de Lara é fazer desabafos escritos sobre seus sentimentos em relação aos seus paqueras, como se estivesse escrevendo um diário, prática abandonada pelas adolescentes hoje em dia.
O problema é que essas cartas são enviadas misteriosamente aos cinco garotos sem a sua autorização e ela precisa lidar com as reações surpreendentes de cada um dos queridões. 
No balaio de gato há Peter (Noah Centineo), o garoto mais popular do colégio, além de Josh, seu melhor amigo e ex-namorado de sua irmã mais velha Margot, Lucas, o gay da turma e mais outros dois sebosos, há, há, há...
E como se não bastasse toda essa confusão, Lara Jean ainda está envolvida com dilemas típicos de sua idade, como ser BV (boca virgem), uma pessoa solitária e antissocial e ainda ter que administrar um namoro fake, as provocações de sua irmã caçula Kitty e ser vítima das atitudes vingativas de sua ex- BBF Genevieve. Para amenizar o climão, um pai compreensivo e disponível para trocar uma ideia, pois sua mãe faleceu quando ainda era criança.
O filme é baseado no livro homônimo da escritora Jenny Han, mas sua adaptação para as telas apresenta algumas discrepâncias com a obra impressa, tais como: a pequena Kitty é uma criança vingativa e invasiva, sim! Além disso, Lara não odeia tanto Genevieve como retratado no filme e no livro, Peter atravessa a cidade para comprar donuts e não uma vitamina coreana como visto na película.
Falando em comida, Lara é uma menina prendada para sua idade e sabe cozinhar, especialmente bolos e cookies e no filme isso é deixado de lado, assim como o beijo trocado entre ela e Josh ocorrido às vésperas do Natal, além das aventuras durante as comemorações do dia das bruxas e as alfinetadas dadas por Owen, irmão caçula de Peter.
O mais bacana da obra é que ela traz várias referências a outras comédias românticas, como “Gatinhas e Gatões” (1984), têm diálogos leves e conta com uma protagonista carismática e que foge ao estereótipo encontrado em outras películas do gênero, pois tem ascendência asiática, assim como as duas atrizes que interpretam suas irmãs. Olha a representatividade pintando por aí!
“Para todos os garotos que já amei” é um filme dinâmico, bem editado e com ritmo compatível com os dias atuais e que até por esse motivo, favorece a captação da atenção dos espectadores mais jovens. Entretanto, ele é construído de maneira previsível e não aprofunda o futuro romântico da personagem principal, nem alguns de seus conflitos.
O importante é que ele deixa no ar em suas cenas pós-crédito que pode haver, futuramente, a formação de outro triangulo amoroso e a presença de personagens que não foram explorados nesta obra como John Ambrose.
Para quem gosta de comédias românticas, filmes passados nos corredores escolares e que retratam a montanha russa emocional sentida por todas nós um dia e diante de nossas primeiras paixões, então eu indico “Para todos os garotos que já amei”.
Dedos cruzados para a sua continuação, né!
Maria Oxigenada     
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GAROA OPACA
Que tédio! O figurino dos dias frios costuma ser escuro, privilegiando peças pretas, marrons, azuis e cinza. E apesar das tendências sinalizarem ao contrário e uso de cores durante o inverno 2018, a verdade é que a maioria de nós pouco ousa quando as temperaturas despencam. 
Eu sei que tonalidades fechadas deixam as produções mais elegantes e escondem os quilinhos extras adquiridos durante o outono, mas o tiro pode sair pela culatra e elas também podem evidenciar probleminhas de saúde e estéticos.
Não. Eu não estou ficando louca, não! Outro dia, eu percebi que meu casaco preto estava com uma fina camada de flocos brancos nos ombros e a minha primeira reação foi de nojo por estar com caspa e desfilando por aí com pedaços diminutos do meu coro cabeludo. Argh!
A segunda foi pensar no que poderia estar causando tal problema. Não preciso nem dizer que com as baixas temperaturas externas eu acabei aumentando a temperatura dos meus banhos diários e isso foi péssimo para a saúde dos fios e do couro cabeludo.
Aliás, sua descamação começou aos poucos e paulatinamente foi se intensificando até chegar ao auge da tempestade de inverno. E como eu sei disso? Simples, eu chicoteei as madeixas no chão e vi a formação de uma chuva branca e mansa cair, como se estivesse começado a nevar dentro do meu próprio quarto.
A providência inicial foi substituir os banhos quentes por mornos, além de  comprar um shampoo para combater as caspas, mesclando-o com o meu habitual. Além disso, cortei o uso de pomadas que me ajudam a modelar os fios e acrescentei o hábito de lavar meus cabelos logo após o término dos meus exercícios diários e enquanto eu ainda estou suada. 
Confesso que cai na besteira de ouvir os conselhos da vovó sobre a aplicação de vinagre ou limão no couro cabeludo logo após sua higienização, mas não aguentei a coceira na cabeça depois de aplica-los. Parecia que minha cabeça tinha sido tomada por piolhos daqueles beeem sarados.
Agora, se vocês querem uma receitinha caseira para sanar o problema, então a solução é passar a polpa gelatinosa da aloe vera ou babosa nos cabelos e no couro cabeludo, massageando-os por alguns minutos e na sequencia lavando-os normalmente, mas o ideal é visitar um dermatologista para o correto tratamento.
Evitar o uso de secadores, pranchas e modeladores é outra recomendação, além de seguir uma dieta balanceada e que contenha a ingestão de frutas, legumes e verduras e pouca quantidade de açucares, carboidratos pobres (pão branco e farinha de trigo branca) e gorduras em excesso. E consumir 2 litros de água diariamente para que haja a estiagem completa do problema e com isso, você possa animar ainda mais seus looks com pingos coloridos do modismo atual. 
Beijocas,
Maria Oxigenada
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CUSTÓDIA
O filme não é o lançamento da semana, mas sua temática é o que me fez decidir escrever sobre ele. Como o próprio nome sugere, a película trata da guarda de Julien (Thomas Gioria), um pré-adolescente que é alvo de disputa entre sua mãe Miriam (Léa Drucker) e seu pai Antoine (Denis Ménochet).
Em um primeiro momento, o espectador tem a impressão de que a película será ambientada dentro de um tribunal e construída em cima de diálogos e de embates entre os advogados das duas partes, pois Antoine requer a guarda compartilhada do filho mais novo e Miriam alega diante da juíza que seu ex-marido é um monstro e incapaz de exercer o papel de pai com civilidade e amor.  
Falando nele, ou melhor, nas distorções deste sentimento é que “Custódia” é construída, pois nas cenas sequenciais ao tribunal a natureza de cada um dos personagens vem à tona, bem como a verdade encontrada por trás da rotina de uma família disfuncional.
Aos poucos, a película abandona seu caráter dramático e vai ao encontro do terror psicológico, onde o medo, o suspense e a presença de momentos silenciosos e de cenas de perseguições e  manipulações estão presentes.  
Não há fôlego para o diretor Xavier Legrand explorar as cicatrizes psicológicas deixadas em Julien e em sua irmã Josephine (Mathilde Auneveux), mas que elas existem e estão lá, isso é fato! E são espessas e mais marcantes do que as encontradas em corpos scanneados por vítimas de violência física.
“Custódia” termina surpreendentemente, mas no decorrer dos seus 90 minutos o filme faz o retrato de fragmentos de conflitos familiares, além de mostrar as nuances apresentadas por pessoas desequilibradas emocionalmente e dos reflexos do desmoronamento afetivo.
As câmeras sempre posicionadas e acompanhando o ator Thomas Gioria favorecem a intensidade deste suspense. Aliás, o jovem ator rouba a cena em muitos momentos e sua atuação não se apequena diante dos outros dois protagonistas.    
O que fica do filme é o fato do diretor Xavier Legrand jogar luz sobre assuntos que ainda hoje estão aprisionados dentro de quatro paredes e na intimidade de algumas famílias, pois a violência doméstica continua existindo e presente, assim como o feminicídio e tantos outros tipos de agressões que deveriam ser discutidas publicamente pela sociedade e punidas devidamente pelas autoridades, pois em briga de marido e mulher nós devemos meter a colher, sim!
Pensem nisto!
Maria Oxigenada          
Foto: reprodução 
    
 
          
   
 
CINDERELA
Quem nunca sonhou com o príncipe encantado? Eu já e muitas vezes antes de encontrar o Fê. Acho que isso é resquício de minha infância e de quando passava horas entre os livros e os disquinhos coloridos de histórias infantis que ouvia diariamente e que quase furaram de tanto rodar na antiga vitrola do vovô.
Eu cresci, mas o meu fascínio pelo universo lúdico e fantasioso continua mais vivo do que nunca e por esse motivo eu não resisti à tentação e ao musical Cinderela que está em cartaz na capital paulista até o final de setembro.
Clássico entre os contos de fadas, ele conta a história da órfã que sofre nas mãos da madrasta (Thalita Pereira) e de suas filhas, pois além de ser distratada por elas frequentemente, ainda precisa fazer todo o serviço domestico de sua casa. Vive solitariamente e na companhia de alguns animais que habitam e rodam pelo local.
Um baile de máscaras é o motivo que faltava para Cinderela (Lia Canineu) encontrar seu grande amor e mudar completamente sua vida, mas o problema é que ela está proibida de marcar presença no evento e de conhecer o príncipe que está em busca de uma futura esposa.
Que romântico isso! Mais encantador é que Cinderela tem uma fada madrinha que a ajuda a se vestir adequadamente para a festa, além de transformar uma abóbora em carruagem com o intuito de transporta-la em grande estilo até o castelo, mas a condição dada pela dinda é que a personagem tem somente até a meia-noite para se divertir e dançar a valsa com o príncipe, pois após o horário o encanto termina e ela volta a ser a garota simples e sofrida de sempre.
O bacana do musical é que histórias paralelas foram acrescentadas ao conto de fadas tradicional, transformando-o em uma obra que também discute questões de ordem social, política e econômica, através do personagem Jean Michel (Igor Miranda), um socialista que faz várias tentativas de conversar com o príncipe e abrir seus olhos em relação à situação desesperadora do povo, assim como as desigualdades existentes no povoado.
Além disso, o espetáculo se propõe a fazer algumas criticas em relação aos poderosos que não querem abrir mão de seus privilégios e isso é uma mera coincidência com o Brasil atual. O que vocês acham?
Outro ponto interessante é que as meias-irmãs de Cinderela não são tão más como retratadas em outras montagens, ganhando humor e irreverência na produção vista, além de pretendentes. Gabrielle (Letícia Mamede), por exemplo, está apaixonada por Jean Michel e nem aí para o príncipe Topher. Ela aceita ir ao baile somente para não contrariar sua mãe. Já Charlote (Luana Bichini) está mais preocupada com as delícias servidas na festa de gala do que propriamente em engatar um namoro como alguém com boas condições financeiras.
Como visto em outros espetáculos do gênero, o melhor deste também são as vozes ouvidas, especialmente a da atriz/cantora Ivanna Domenyco (Fada Madrinha) e do ator/cantor André Loddi (príncipe Topher) porque tanto o texto da obra quanto a interpretação da maioria dos atores é rasa.
Quanto à cenografia, esta foi resolvida com a projeção de imagens no fundo da caixa cênica que ajudam na criação de efeitos especiais e no barateamento do espetáculo. Outro truque foi investir em uma boa iluminação que associada às imagens projetadas faz com que o encantamento aumente durante o show.
Quanto ao figurino, ele está bem coerente, contando com peças simples, rústicas para vestir os camponeses e com roupas mais luxuosas, coloridas para ilustrar tanto o baile de máscaras, quanto os personagens de alto poder aquisitivo. Agora, o destaque recai sobre o vestido azul da Cinderela e a transformação sofrida pela protagonista diante dos olhos de todos como se fosse um passe de mágica. E para a alegria das donzelas presentes, a mágica acontece duas vezes. Uhu!
Confesso que senti a ausência de alguns coadjuvantes, como os ratinhos Jaq e Tata, o gato Lúcifer, o cachorro Bruno e outros animais domésticos como patas e galinhas para aumentar a diversão e a atmosfera fantasiosa da obra. Fiquei decepcionada ao perceber que o sapatinho de cristal de Cinderela era, na verdade, um scarpin revestido de tecido branco. Ah! Por que? Tinha que ser um sapato digno de Cinderela, transparente, mesmo que este fosse feito de plástico como as Melissinhas.
Para quem deseja reviver as emoções de quando suspirava por príncipes encantados ou para quem quer ficar diante de um espetáculo lúdico, eu indico o musical.
Maria Oxigenada
Serviço:
Elenco: Lia Canineu, André Loddi,Ivanna Domenyco, Thalita Pereira, Igor Mirando, Luana Bichiqui, Leticia Mamede, Marino Rocha, Fernando Palazza, William Sancar, entre outros artistas.
Onde: teatro Net SP, localizado na rua das Olimpíadas, 360.
Quanto: quinta e sexta, às 20h; sábado, às 16h e 20h, e domingo, às 17h.
Preço: a partir de R$ 37,50.   
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ROMEU & JULIETA
Eu não estava aguentando mais a espera! A abertura do primeiro lote de   ingressos para o musical “Romeu & Julieta” foi o estopim para eu me corroer  de ansiedade até a estreia do espetáculo que aconteceu nesse último final de semana na capital paulista.
A história do amor proibido entre Romeu (Thiago Machado) e Julieta (Bárbara Sut) e que foi escrita por William Shakespeare em 1595 continua derretendo os coraçõezinhos de românticas como euzinha e até por esse motivo, para onde quer que eu vá ou ande, eu me proponho a assistir as diferentes montagens desse clássico dos clássicos.
Desta vez, sua roupagem veio diferente da costumeira e embalada por 25 músicas distintas da cantora Marisa Monte. A peça virou musical e tal fato suavizou e favoreceu a digestão do drama contado nos palcos há séculos. Além disso, as músicas da artista costuram a narrativa como se fossem linhas invisíveis e unidas ao texto e as falas dos personagens entregam aos espectadores um produto de real beleza cênica.        
Dentre as cantadas estão: “Um só”, “A primeira pedra”, “Amor, I Love You”, “Beija Eu”, “Não vá embora”, “Vilarejo”, “Deixa eu gostar de você”, “De mais ninguém”, “Ontem ao luar”, “Infinito Particular”, “Esqueça”, “Give me Love”, “Ainda Bem”, “Aliança”, “Volte para o seu lar”, “Pelo tempo que durar”, “O que você quer saber de verdade”, “Velha Infância”, “Perdão você”, “Bem que quis”, “De que vale tudo isso”, “Cérebro Eletrônico”, além da introdução de “Negro Gato” para as entradas do personagem Mercuccio, interpretado pelo ator Ícaro Silva. 
A canção “Noturna” que também faz parte da play list da obra e que embala as núpcias do casal diz o seguinte: “Não há nada de novo na noite, venha cá, não há nada a temer, pode ser que o silencio te escute, é só relaxar, é só se entregar, não se preocupar, é bom pensar em nada, em nada, deixar para amanhã, deixar para depois, é bom se lembrar de respirar de novo, de novo” ilustra como os espectadores devem se portar diante do espetáculo com seus peitos abertos, com a mente oxigenada e com seus preconceitos estacionados do lado de fora do teatro porque além de ser uma historia de amor entre os integrantes dos Montecchios e os Capuletos, famílias rivais de Verona, a produção nacional também constrói uma relação interracial, pois o papel de Julieta é interpretado por uma atriz negra e que desfila  com dreadlocks pelo palco. Amei, by the way!
Esta não é a primeira vez que vejo a ideia tomar corpo porque anos atrás e enquanto turistava por Londres, eu fui conferir “Romeu e Julieta”, no teatro Shakespeare Globe, e a Julieta também era negra e isso surpreendeu bem a plateia. 
Por aqui, a novidade não gerou burburinhos, nem comentários ferinos até porque não temos motivos para isso, né! Somos um povo miscigenado e a maioria de nós tem sim descendência africana.       
Então, vamos ao que interessa e aos pontos positivos da montagem. O baile de máscaras visto na primeira parte da obra é lindo, assim como as cenas do casamento secreto do casal e o balé dançado nas cenas de luta entre as famílias rivais.
Agora, o melhor mesmo são as vozes ouvidas, especialmente a do ator/ cantor Cláudio Galvan (Frei Lourenço), da atriz/cantora Stella Maria Rodrigues (ama de leite de Julieta) e as do casal de protagonistas. Quando há a junção de todas as vozes para potencializar uma cena, aí o espetáculo cresce horrores, como a da morte simulada por Julieta na véspera do seu casamento com o Conde Páris (Diego Luri) ou no fechamento do show. Lindíssimas!
E falando nele, a participação do Conde Páris foi reduzida no musical e a passagem em que o personagem é assassinado por Romeu dentro da tumba de Julieta foi eliminada por completo. Outra alteração percebida é que o personagem Benvoglio (Bruno Narchi) está diferente do construído por Shakespeare, pois na montagem atual ele está confiante, seguro de si quando na verdade “amarela” em várias ocasiões e não exibe a bravura como uma de suas qualidades.
No dia em que vi ao musical, achei que Bárbara Sut começou a peça muito eufórica e um tom acima do esperado para o papel. Com o passar dos minutos, ela foi entrando no prumo, na personagem e demonstrando que também sabe interpretar, além de cantar. Em contrapartida, gostei bastante da atuação de Ícaro Silva, onde trejeitos semelhantes aos vistos em felinos foram adotados por ele para a construção de seu Mercuccio. Já Pedro Caetano (Teobaldo) e Thiago Machado (Romeu) fazem jus aos papeis que defendem no musical e continuam sendo boas apostas para produções futuras.
Para quem deseja rever a historia de amor que encanta gerações, além de ficar diante de um espetáculo com roupagem nada convencional, sem ranços e que fez de tudo para suavizar a sua carga dramática, então eu indico a ida ao teatro.  
Como não amar Romeu e Julieta!?
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: teatro Frei Caneca, localizado na rua Frei Caneca, 569 – Consolação. 
Quando: quintas, às 19h; sexta, às 20h30; sábado, às 16h e 20h; domingo, às 19h.
Temporada: até 21 de outubro.
Preço: entre R$ 50,00 (inteira) e R$ 190,00 (inteira).
Duração: 2h30.
Foto: reprodução


A VISITA DA VELHA SENHORA
Que a proposta é indecente, isso ela é! Mas não é como no filme homônimo em que o dinheiro é trocado por uma noite de sexo, não! Na peça “A visita da velha senhora”, o dinheiro, ou seja, US$ 1 bilhão é oferecido por Claire Wascher (Denise Fraga) ao prefeito e moradores de Gullen, cidade arruinada, como forma de pagamento pela sua vingança pessoal.
E qual é ela, afinal de contas? Descontar a maneira como Alfred Krank (Tuca Andrada) e os demais moradores a expulsaram do vilarejo quando tinha 17 anos e estava grávida do rapaz porque o “belezão” estava de olho em um casamento vantajoso e para isso precisava tira-la do seu caminho.
Ao longo dos anos, Claire dá a volta por cima, torna-se uma mulher rica, detentora de uma fortuna incalculável e única pessoa capaz de salvar a cidade das ruinas, por isso ela é aguardada ansiosamente pela população, com uma festa de boas vindas e, aos 62 anos, retorna ao local com tudo planejado.
O interessante da peça é que ela discute a questão da justiça, da ética, do valor persuasivo que o dinheiro tem sobre as pessoas e de como elas submetem seus valores morais a ele, chegando ao ponto de concordar em praticar crimes em seu nome. Temática mais atual do que essa impossível! Especialmente se considerarmos os últimos episódios envolvendo a classe politica brasileira, né!
A proposta de vingança é recusada de inicio, mas aos poucos tanto as autoridades quanto os demais moradores da cidade vão considerando a hipótese de transformar Krank em uma nova Geni, igual à cantada por Chico Buarque, e acabar com sua vida em praça pública depois de malhá-lo diante de todos.
Como diz o ditado popular: vingança é um prato que se come morno! E até por esse motivo, Claire hospeda-se em um hotel na praça principal e passa seus dias promovendo festas chiquérrimas, desfrutando das belezas locais e da carência financeira dos habitantes porque se torna a principal agiota de Gullen. E aguarda....
Ela também inicia os preparativos para o velório e enterro do ex-namorado, encomendando coroas de flores diariamente, bem como adquirindo o caixão que será usado na ocasião e fazendo, previamente, a escolha de sua sepultura.
“A visita da velha senhora” foi escrita pelo suíço Friedrich Durrenmatt em 1956 e o texto sobrevive até hoje porque aborda sentimentos universais, temas atemporais, além de trazer pinceladas de humor e reflexões e questionamentos a quem o assiste, especialmente no que diz respeito à ganancia humana e ao “empoderamento” feminino.
Apesar disso, o grande problema desta montagem é que ela está arrastada e cansativa, engrenando somente na ultima hora, pois são 120 minutos de duração. Além disso, sua direção pouca ousa e é parecida com outras já vistas do mesmo diretor, contando sempre com a entrada dos atores pelo corredor central do teatro e com a interação com a plateia através da cantoria de uma musica escrita especialmente para a peça.
Agora, o que “A visita da velha senhora” tem de bom é o seu figurino que foi concebido pelo estilista Ronaldo Fraga e a sua iluminação. Aí sim, ela cresce! A construção de Claire por Denise Fraga também merece comentários, pois a personagem torna-se cada vez mais debochada com o passar dos minutos. Destaque para o ator Romis Ferreira na pele do professor e para o ator Tuca Andrada como Alfred Krank, pois o último consegue manter a tensão do personagem até o fim.
E falando em ponto final, a maioria das pessoas que ali está para conferir a obra já imagina ou sabe como ela irá terminar, mas o legal é embarcar na aventura e acompanhar o desenrolar dessa historia de retaliação e destruição de uma pessoa diante de um grupo.
Eu indico.
Maria Oxigenada
Serviço:
Elenco: Denise Fraga, Tuca Andrada, Fabio Herfor, Romis Ferreira, Eduardo Estrela, Maristela Chelala, Renato Caldas, Beto Matos, David Taiyu, Luiz Ramalho, Fernando Neves, Fabio Nassar e Rafael Faustino.
Onde: teatro Sérgio Cardoso, localizado na rua Rui Barbosa, 153.
Quando: sexta, às 21h; sábado, às 17h e 21 h; e domingo, às 18h.
Temporada: até 30 de setembro de 2018.
Fotos: reproduções


DIA DOS PAIS
Todo ano é igual! Eu nunca sei o que comprar para o meu pai no seu dia. Nos últimos anos eu tenho apostado em cursos e palestras diversas, desde as cabeças até as de culinária e de bebidas alcóolicas.
No meu carrinho de compras já entrou um curso de elaboração de cervejas artesanais em Ribeirão Preto, outro perto do fogo e sobre o feitio de legumes na brasa, além de uma palestra sobre azeites, uma excursão para uma fazenda de orgânicos e a assinatura de vinhos que são entregues em casa mensalmente.
Desde ano passado, eu estava tentada em comprar um curso sobre elaboração de queijos artesanais para o papai e o sr. Osvaldo e a ideia ficou martelando por semanas na minha mente até que eu resolvi dividi-la com o Fê e nós dois executamos juntos a compra em suaves prestações porque o presente não é dos mais baratos, não!
A aventura não é para agora e acontecerá no feriado da Independência, em setembro, e durante quatro dias a dupla dinâmica fará uma imersão em uma fazendo localizada no sul de Minas, onde além de colocar a mão na massa com aulas praticas, também terão aulas teóricas sobre a elaboração de queijos de cabra, vaca e ovelha, bem como a incorporação de gordura natural ao produto, a inoculação de fungo natural e a lavagem de sua casca externa.
A programação do curso é interessantíssima! E foi ela quem mais animou os dois depois da abertura dos vouchers durante o almoço de ontem, pois ela traça um panorama da produção e consumo de queijos no Brasil, assim como aborda a introdução da tecnologia no fabrico das delícias e as principais famílias existentes, ou seja, sua divisão entre queijos duros, semiduros e macios.
E vocês pensam que isso é tudo? Que nada! Eles ainda retornarão aos bancos escolares e as aulas de química porque há uma pincelada da matéria através da divulgação da reação dos fermentos e dos fungos na massa dos queijos, além da sua atual classificação como produto probiótico e bom para a saúde.
Agora, o que mais animou a dupla foi poder vivenciar a vida rural, degustar delícias caipiras e ainda, ficar em contato com a natureza e com animais porque a ordenha das fêmeas com as mãos faz parte das atividades programadas para acontecer.
A tarefa não é tão fácil como parece porque antes a pessoa precisa amarrar o animal em um lugar tranquilo e junto a sua cria. Na sequencia, a sugestão é acariciar o bicho para conseguir uma aproximação pacífica e depois, lavar suas tetas com água morna e sabão ou iodo, secando-as com pano limpo ou algodão. Só depois é que você pode se sentar diante do animal e retirar seu leite com movimentos manuais parecidos ao dedilhar de teclas de piano posicionadas verticalmente. Hoje em dia, isso não é mais feito manualmente e sim, através de bombas, mas a passagem é para ilustrar melhor a aventura e ajudar na imersão desta.
Ontem à noite, peguei o papai desenterrando seu par de botas para leva-las ao engraxate e experimentando suas camisas xadrezadas para checar se elas ainda estão servindo porque ele anda com a boca bem aberta e sem negar as tentações gastronômicas.
Já o Fê me confidenciou que o seu pai só fala sobre o assunto desde que abriu o envelope do voucher e disse que será dificílimo segurar a ansiedade que já está galopante até o dia da partida e programado para a viagem.
Não duvido nada que os dois inventem moda depois da aventura e comecem a produzir queijos artesanais no sitio do vovô, pois é óbvio que a dupla está animada para se arriscar na área como fizeram anteriormente com a cerveja artesanal e que nos rendeu boas risadas, degustações bem duvidosas e ótimas lembranças, há, há, há...
Beijocas,
Maria Oxigenada     
Foto: reprodução
 
DANÇANTE, DANÇANTE
É assim que o mês de agosto está se apresentando para nós! Vários espetáculos de balé estão em cartaz, dentre eles “21” e “Gira”, do grupo Corpo e esta é a oportunidade para quem nunca os assistiu e também para quem deseja revê-los, pois os dois já foram montados no passado e retornam juntos aos palcos paulistanos para mais um repeteco cênico.  
“21” com a missão de colocar sob os holofotes a cultura popular e as festas ainda vistas no interior do Brasil, assim como ressaltar a natureza e seus sons, a vida bucólica e os costumes do caipira. 
A questão do tempo na obra é trabalhada pelas combinações e movimentos corporais ritmados, pela representação do pulsar, de pêndulos e pelas repetições. A coreografia vista é construída com oito fragmentos distintos extraídos das combinações entre os números 6, 5, 4, 3, 2, 1 e que somados dão 21, formando uma escala decrescente que construirá a atmosfera de toda a apresentação.    
Os bailarinos iniciam ao espetáculo usando roupas amarelas, em velocidade baixa e na intenção de frear a ansiedade de quem ali está. Com o passar dos minutos, seus movimentos vão ficando mais vigorosos, dinâmicos e complexos na ânsia de se equiparar ao ritmo de vida atual, por isso a iluminação de tonalidade avermelhada ao fundo do palco ajuda maximizar essa sensação. Com o passar dos minutos, o figurino muda, ganha cores e conversa com o cenário posicionado ao fundo da caixa cênica e que mais parece uma colcha de retalhos.
O lançamento de “21” foi no ano de 1992 e a obra é considerada marco da companhia mineira, pois com ela o grupo Corpo voltou a trabalhar com trilhas sonoras próprias e a partir dela foi criada a identidade que hoje conhecemos da companhia de dança. Quem assina sua trilha sonora é Marco Antônio Guimarães, do grupo UAKTI e ela traz elementos da música erudita, popular, oriental, cigana e jazzística. 
Já o objetivo de “Gira” é mergulhar no universo das religiões nacionais, especialmente a umbanda e candomblé, reeditando movimentos, gestos e giras vistos nos rituais e cerimônias dessas religiões e que no palco são acompanhados pela trilha sonora composta pelo grupo Metá-Metá.
Para completar a caracterização, os bailarinos ficam com seus troncos nus e usando somente saias brancas, feitas de tecidos naturais e com corte primitivo. Além disso, eles somem e reaparecem dos holofotes, pois ficam cobertos por tules pretos sempre que não estão dançando, criando caráter fantasmagórico diante de todos. 
“Gira” é o espetáculo mais novo do grupo Corpo, lançado em 2017 e que eu já tinha comentado sobre ele com vocês anteriormente. Eleito o melhor do ano pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), ele tem boas chances de agradar aos críticos e plateias estrangeiras e de ser bem sucedido no exterior pela temática trabalhada. 
Não percam a oportunidade de ver um show de expressividade corporal através desse combo criado pelo grupo Corpo para integral esse agosto que está mais dançante do que nunca!  
Eu indico.
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: teatro Alfa, localizado na rua Bento Branco de Andrade Filho, 722. 
Quando: quinta, às 21h; sexta, às 21h30; sábado, às 20h; e domingo, às 18h.
Temporada: até 12 de agosto de 2018.
Preço: entre R$ 75,00 (inteira) e R$ 180,00 (inteira).
Próximas apresentações do grupo: Belo Horizonte (22 a 26 de agosto), Salvador (22 e 23 de setembro), Rio de Janeiro (27 de setembro a 1 de outubro). 
Fotos: reproduções


MAMMA MIA-LÁ VAMOS NÓS DE NOVO!
O hiato entre o primeiro e o segundo filme foi de dez anos. Já a história contada no último acontece após seis anos da ambientação do primeiro e depois do falecimento de Donna Sheridan (Meryl Streep), personagem principal da narrativa.
“Mamma Mia – Lá vamos nós de novo!” começa com Sophie (Amanda Seyfried), filha de Donna, as vésperas de reinaugurar o hotel que foi de sua mãe na Grécia e envolvida com os preparativos para a festa, bem como a chegada de seus convidados, especialmente as melhores amigas de sua mãe Rosie (Julie Walters) e Tanya (Christine Baransky) e seu três pais Bill (Stellan Skargard), Sam (Pierce Brosnan) e Harry (Colin Firth).
Paralelamente, Sophie precisa administrar também as saudades que está sentindo de seu marido Sky (Dominic Cooper), pois o rapaz está fazendo uma especialização em hotelaria em Nova Iorque e longe da ilha Kalokairi por seis semanas.
A película é toda costurada com acontecimentos do presente e com flashbacks do passado e juventude de Donna, vivida pela atriz Lily James, especialmente os que envolvem seus encontros amorosos com seus três crushes e os reais motivos que a levaram em escolher a Grécia como seu lar.
Até aí nenhuma novidade, né! Além do fato de Sophie estar grávida e de reencontrar sua avó materna Ruby Sheridan, interpretada pela atriz e cantora  Cher após anos. Aliás, a matriarca da família é quem desfila o melhor figurino do filme com peças inspiradas na estética disco dos anos 70, com mangas bufantes, glitter nos olhos, madeixas brancas armadas, calças boca de sino, cintos prateados, estampas animal print, além do bocão vermelho, é claro!
E quais são os pontos altos desta película? Além da presença de Cher, do retorno do elenco original, do cenário deslumbrante e das roupas vistas, é claro que são as músicas que embalam toda a história e que conta com faixas do grupo Abba, como “Fernando”, onde Cher divide os microfones com o ator Andy Garcia ou ainda, “Waterloo”, “When I Kissed the Teacher”, “My Love, My Life”, “One of Us”, “Andante, Andante”, “Winner Takes it All” e “Dancing Queen”.
Como eu sempre falo para vocês, em musicais o desfecho precisa ser alto astral, levantar a plateia e com isso, marcar as lembranças do espectador que se dirigiu até o cinema ou teatro para conferi-los e é exatamente isso o que acontece em “Mamma Mia”. A cena que coloca ponto final na película conta com a participação de todos os personagens, além de ser uma exaltação ao amor e uma homenagem aos laços criados entre amigos queridos.
Agora, não vá esperando por um filme dramático, com enredo profundo porque ele navega por águas rasas e tem a pretensão de colaborar com momentos de escapismos, assim como promover diversão barata aos amantes de musicais.
Quem não assistiu ao primeiro não precisa se preocupar porque é possível compreender o segundo sem problemas, pois ele não exige que o expectador saiba sobre o conteúdo que o recheou previamente.
Pela despretensão da aventura e para dar uma animada nessa semana chuvosa e fria que acaba de começar, eu indico o filme.
Maria Oxigenada 
Foto: reprodução     
 
CONTATOS IMEDIATOS DE TODOS OS GRAUS
A verdade é que foram vários e significativos os encontros durante a Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) deste ano. O primeiro e um dos mais relevantes foi meu contato com a natureza, pois dessa vez fui margeando o litoral pela rodovia Rio-Santos.
O trajeto aumentou em 1h30, mas foi possível perceber as nuances que diferencia uma praia da outra. Maresias, por exemplo, conta com ondas bravas, carrancudas. Já Paúba parece viver “emaconhada” de tão calma e easy going que é e o que dizer das areias escuras e grossas das praias de Boiçucanga e Boracéia que são perfeitas para esfoliar os pés, ou ainda, o espelho d’agua criado pela praia central de Caraguatatuba que reflete o estilo de vida urbano. 
Agora, quem deseja ficar diante de réplicas de cartões postais, então precisa gastar uns minutinhos da viagem admirando as praias de São Sebastião, pois embarcações e aves recheiam, colorem e modificam completamente os cenários pé-de-areia.
E enquanto a quilometragem corria, eu ia em direção oposta e na dos cheiros naturais, como o de mato suado pelo orvalho matinal ou ainda, do aroma exalado pelo forte abraço da Mata Atlântica e dos restos de peixes apodrecidos à beira mar.
O segundo encontro foi com a homenageada desta edição: a escritora Hilda Hilst. Que figura interessantíssima! Sua obra conta com um pouco de tudo. Colheradas de poesia, pitadas de pornografia, xícaras transbordantes de prosa misteriosa e ainda, pequenas medidas de letras de músicas. 
Personagem composta por várias camadas, Hilda vivia nos últimos anos de vida reclusa em uma chácara na região de Campinas na companhia de seus cachorros. Vez ou outra, ela permitia que alguns de seus amigos penetrassem seu casulo particular. Além de cultivar as palavras, ela tinha o hábito de tentar fazer contato com pessoas mortas. 
Tanto isso é verdade que durante a Flip foi possível assistir ao misto de documentário e ficção chamado “Hilda Hilst pede contato”, filme que acaba de entrar em cartaz e que foi dirigido por Gabriela Greeb, onde entrevistas e trechos das fitas gravadas pela escritora sobre essas experiências sobrenaturais estão presentes. A narrativa da obra é construída sobre um jantar póstumo e com a presença da artista, interpretada na película pela atriz Luciana Domschke, seus amigos e amantes.
Outro momento interessante dessa minha aventura entre as letras aconteceu dentro de um container e longe das tendas de discussões dos autores, pois o Museu da Língua Portuguesa criou um tira-gosto no local com parte de seu acervo particular. 
Foi fora do centro histórico de Paraty que eu também esbarrei com outras vidas, inclusive a silenciosa existente dentro de um cemitério, pois dia após dia durante toda a minha estada na cidade eu precisei contornar a morada dos mortos para chegar até a minha pousada e isso gerou muita curiosidade até o ponto de eu tomar coragem e entrar sem permissão ao local que está localizado em cima de um morro que não é uivante, mas que vocifera narrativas, através de suas lápides, anjos e vasos de flores artificiais. Belíssimo!
Agora, o encontro dos encontros desta edição aconteceu sem planejamento algum. Após o encerramento oficial do evento, eu rumei para a praia para observar o último pôr do sol em Paraty e enquanto eu estava sentada pensando em quais tonalidades poderiam compor mais essa memória, de repente um labrador correu em direção ao mar, pulou amarelinha nas águas salgadas por alguns minutos e, em seguida, se sentou diante de mim, iniciando um cabo de guerra visual. 
Mantive meu olhar fixo no queridão para ver se ele piscava antes de mim. Ele não só pestaneou primeiro como veio sentar-se ao meu lado para também poder contemplar os últimos momentos daquele domingo poético. 
Não o toquei, nem o acarinhei e eu não sei bem o motivo desta minha atitude retraída. Só sei que ficamos lado a lado, cúmplices até que a lua despontasse e o céu estourasse de estrelas. 
Da mesma maneira que chegou, ele partiu! Sem me dar uma lambida ou dizer adeus. Nada! Simplesmente levantou-se e trotou em direção à ponta da praia  abanando seu rabo como se fosse um limpador de parabrisa, há, há, há...  
Voltei para São Paulo pensando em todas as experiências que tive durante a Flip, mas especialmente sobre os diferentes encontros que marcaram esta edição porque todos que ali estavam eram pessoas interessadas em travar um contato de primeiro grau com a cultura e história local, com palavras oriundas de mentes criativas de autores que já se foram ou que continuam vivíssimos e próximos de nós através de suas obras e suas reais presenças. 
Uma coisa é certa: este contato me modificou para sempre! 
Beijocas,
Maria Oxigenada
Fotos: reproduções  

          
    
     


O SOM E A SÍLABA
Festivais de inverno pipocaram durante todo o mês de julho, seja de músicas clássicas em Campos do Jordão, seja na esfera dançante ou mesmo teatral na capital paulista. Com isso, espetáculos e peças que foram sucesso de público e de crítica ganharam novas chances de serem vistos nessas férias. 
As peças “O Monstro”, “O Louco e a Camisa”, “Amigas Pero no Mucho”, “Num Lago Dourado”, “Contrações”, “Os Guardas de Taj Mahal”, “O Som e a Sílaba”, entre outras foram algumas das que ganharam curta temporada no teatro Vivo.
A boa notícia é que algumas delas irão rodar alguns quilómetros pelo Brasil e poderão ser conferidas em cidades do interior paulista ou mesmo em outros Estados do país, tais como Belo Horizonte já no início de agosto.
Uma delas é “O Som e a Sílaba” estrelada pelas atrizes/cantoras Alessandra Maestrini (Sarah Leighton) e Mirna Rubim (Leonor Delis). Na história contada, a primeira interpreta uma autista funcional que tem facilidades em aprender línguas, matemática e outras habilidades específicas, como a musical, mas com dificuldades enormes de interação e no trato social.
Completamente desencaixada socialmente, Sarah contrata Leonor como sua professora de canto para através da música amenizar, ou ao menos, alterar sua realidade, pois ela não tem amigos, namorado e depois do falecimento de seus pais, Sarah vive na casa de seu irmão e cunhada.
Aos poucos, as duas começam a trocar confidências, criar laços verdadeiros e ajudar uma a outra. A primeira vista, o espectador pensa que somente Sarah sairá ganhando, mas nesse troca, troca ou ganha, ganha Leonor também sai vencedora, pois é encorajada pela sua pupila a se reaproximar de sua própria filha, de abrir seu coração novamente ao amor, de perdoar seu ex-marido e de diminuir seu rigor cotidiano.
A história é costurada com muita sensibilidade e delicadeza, com um texto que aos poucos toca em temas relevantes, que desnuda a mente humana e que evidencia a força dos desejos pessoais, além da apresentação de algumas músicas e trechos de óperas interpretadas ao vivo pela dupla, tais como: Vessi D’Arte (Tosca), “Oh Mio Babbino Caro (Gianni Schicchi), “Quando Me Vo (La Boheme), Puccini (Gounod e Delibes), Je Veux Vivie (Romeu e Julieta), entre outras.
“O Som e a Sílaba” foi escrito, dirigido e produzido por Miguel Falabella e o que mais atrai é que a obra é um misto de musical, drama e comédia, surpreendendo os espectadores com seu lirismo e com a exaltação dos sentimentos pessoais das personagens.
Já um dos problemas da peça é seu didatismo inicial, pois a atriz Alessandra Maestrini precisa explicar ao público a patologia de sua personagem, assim como seus desdobramentos. Ok. Ninguém é obrigada a saber, né! Outro ponto é que seus gestuais estão exagerados a princípio, amenizando com o passar dos minutos e com a entrada por inteiro na persona da Sarah.
Não há nada de excepcional nem na cenografia, nem no figurino da peça. Tudo muito simplista, básico e coerente com o que se espera encontrar em uma sala de estar da casa de uma musicista. O destaque recai sobre o piano que é dedilhado por Mirna Rubim sob os holofotes.
Para quem deseja ser tocada por uma história possível e que reflete parte da realidade dos portadores de autismo, eu indico rodar alguns quilómetros atrás “O Som e a Sílaba” ou de outras peças que estão circulando pelo Brasil.
Beijocas,
Maria Oxigenada      
Foto: reprodução
 
O INFERNO SÃO OS OUTROS
Dias infernais foram esses últimos! Tudo porque o Fê e o sr. Osvaldo encontraram um escorpião circulando pela sua casa e resolveram desovar aqui em casa o Panceta, filhote que eles adotaram durante uma exposição de pequenos criadores e ONGs de proteção aos animais realizada no estacionamento do supermercado do bairro.
O local permite que animais abandonados ou recém-nascidos sejam expostos e oferecidos por pessoas e entidades que desejam doar ninhadas inteiras ou mesmo, crias para evitar que eles sejam abandonados ainda pequenos ou velhos e doentes em rodovias e vias expressas da cidade, especialmente no período de férias escolares.
Mais uma vez o problema foi administrar a ciumeira do Almôndega durante todo o final de semana porque ele ficou insuportável e deu seu showzinho costumeiro. Sinceramente, eu não sei o que passa em sua cabecinha, pois é só algum desconhecido se aproximar de mim ou eu mostrar interesse por outro animal que ele não titubeia em trincar os dentes. Mereço!
E como o Panceta é pequenino e fez frio na capital paulista na última semana, eu precisei redobrar a atenção, mantendo-o embrulhado como charutinho, ora dentro do bolso do meu cardigã, ora dentro de sua própria casa.
O Fê o acostumou a dormir conjuntamente e o Panceta chorou até que eu me levantasse e desenterrasse uma boneca de pano velha para lhe fazer companhia enquanto dormia de conchinha porque mamãe me proibiu de transferi-lo para a minha cama.
Nesse interim, o Almôndega se recusou a pegar no sono na edícula de casa e arranhou insistentemente a porta da cozinha até que eu permitisse que ele pernoitasse dentro de casa. Durma com um barulho desses!
Parece que o queridão correu uma maratona, pois durante a estada do Panceta por aqui, ele não pregou os olhos e vinha sorrateiramente na ponta de suas patas farejar a porta do meu quarto e confirmar se o filhote permanecia no ambiente.
Eu também passei noites abotoando e desabotoando os olhos e fiquei atenta ao ir e vir do belezão, além de escutar o contato de suas unhas no carpete de madeira fazendo aquele tic, tic, tic irritante.
Não preciso nem dizer que o Almôndega odeia aparar as unhas e que todas as vezes que tento domá-las, ele vira o Jiraya. Somente sua veterinária tem o poder hipnótico de acalmá-lo e tocar no queridão para fazer sua funilaria e pintura.
Todo mundo que é dono de pets sabe que a melhor maneira de gastar as unhas deles é no asfalto ou em superfícies ásperas, por isso a importância de correr e fazer passeios diários com os animais. Unhas grandes podem ficar presas em pisos, tapetes, roupas, carpetes e até, nos arranhar ou incomodar os bichanos, né!
Para quem deseja se aventurar no corte das unhas caninas, a dica é usar alicates específicos, além de tomar cuidados para não apará-las muito rente a base. Distrair o animal enquanto realiza o corte com brinquedos e petiscos é uma boa ideia, assim como confortá-lo com carinho e afagos.
Somente depois da captura do animal peçonhento e da realização de um pente fino pela sua casa é que o Fê veio buscar o Panceta. Ele até fez xixi de alegria ao reencontrá-lo. Já o Almôndega só faltou estourar rojões por voltar a reinar no lugar e poder descansar da vigília noturna, há, há, há..
A quase dupla idealizada por mim e pelo Fê ficou mesmo só na nossa imaginação e na do diretor Marcus Baldini que lançou recentemente um filme com titulo semelhante porque o Almôndega continua com seu ferrão venenoso pronto para dar o bote em quem ouse tomar o seu lugar nas nossas vidas. Mereço! 
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada     
Foto: reprodução
 
HITCHCOCK-BASTIDORES DO SUSPENSE
O friozinho na barriga permeia toda a Aventura. Também pudera, né! Logo de cara o visitante da exposição “Hitchcock – Bastidores do Suspense” treme com a possibilidade de ser surpreendido por uma chuva de facas.
É! Isso mesmo que vocês leram, pois o teto da sala que dá acesso ao labirinto construído para contar a vida do mestre do suspense está coberto por centenas de facas, chegando a arrepiar pela estética e os sons criados.
Mas a exposição também é recheada com fotos, cartazes de filmes, roteiros e scripts, assim como entrevistas feitas com o próprio Hitchcok e com alguns profissionais que trabalharam com ele. A cereja do bolo é a entrevista concedida ao crítico e cineasta francês François Truffaut e outra com a atriz Eva Wilma contando como foi o teste feito por ela para o filme “Topázio”.
Agora, o grande barato da aventura é mesmo adentrar aos ambientes inspirados em alguns de seus filmes, onde sensações e efeitos foram criados com a intenção de ajudar na imersão ao clima taciturno e ao sentimento de incertezas ou ansiedade tão comuns em suas obras e que sempre culminavam em algum grande evento ou em passagens ficcionais dramáticas.
Há, por exemplo, um cômodo decorado com copos de leite “batizados”, inspirado no filme “Suspeito”. Há outro ambiente preenchido com objetos presos em gaiolas suspensas e que foi pensado para ilustrar o filme “O marido era o culpado”. Já a fresta de um baú é referência à película “Festim Diabólico” e os dizeres: entre por sua conta e risco permite aguçar a curiosidade dos visitantes sobre o que tem atrás da barreira criada.
Quanto ao espaço reservado ao filme “Os Pássaros”, este é propício a tirar selfies e fazer brincadeiras, pois a impressão dada é que o visitante está sendo atacado pelas aves. Agora, as grandes sensações do local são mesmo as salas dedicadas aos filmes “Janela Indiscreta”, “Um corpo que cai” e “Psicose”. 
Quem ali está flanando pela exposição pode também se tornar um voyer como o protagonista de “Janela Indiscreta”, observando através das janelas do edifício a rotina e as atividades dos demais personagens. Já a homenagem ao “O corpo que cai” é feita por uma escadaria iluminada, com espelhos, criando  sensações de instabilidade e desequilíbrio físico imaginado por quem caiu ladeira abaixo.
Entretanto, a ideia de criar uma sala de jogos, à la Escape 60, inspirada no filme “Psicose” faz com que o visitante assuma a persona de detetive na aventura e tente desvendar algumas charadas antes de colocar ponto final na sua visita.

Luxo também é poder ficar diante de peças e dos figurinos usados pelas divãs de Hitchcock, dentre elas a atriz e princesa de Mônaco Grace Kelly. O traje composto por blusa de veludo molhado com decote frontal vertiginoso e saia branca com bordados em preto saindo da cintura é lindo, mas o destaque é o vestido tomara-que-caia dourado acompanhado de luvas da mesma tonalidade.   
Durante a exposição, o que fica transparente é o rigor com que Hitchcok trabalhava e quão detalhista e meticuloso ele era, pois acompanhava de perto todas as etapas de feitio de suas películas. Além disso, ele era muito criativo e toda e qualquer cena ou enquadramento feito não estavam aleatórios ou tapando buracos nas obras, não. Outro ponto perceptível é que o diretor tinha predileção por construir personagens femininas fortes e isso foi um marco na época.
Ao todo, Alfred Hitchcok dirigiu 53 longas, rodados entre Inglaterra e os Estados Unidos, além de musicais como “Valsas de Viena”, séries televisivas como “Alfred Hitchcock Presents” e esquetes. O diretor, produtor e roteirista faleceu em 1980, em Los Angeles (USA), de insuficiência renal, porém só foi cremado dez dias depois.
Para quem deseja saber um pouco mais sobre a vida e obra do mestre do suspense e ainda, deseja conhecer alguns aspectos técnicos e estéticos que até hoje são estudados e usados no meio cinematográfico, eu indico a ida ao museu com urgência.
Eu gostei!
Maria Oxigenada
Onde: MIS, localizado na avenida Europa, 158 – Jd. Europa.
Quando: terça a sábado, das 10h às 21h, e domingo, das 9h às 19h.
Temporada: até 21 de outubro de 2018.
Preço: R$ 12,00 (inteira), R$ 6,00 (meia). Gratuito as terças.          
Foto: reprodução
 
BLITZ
Comigo é assim! Nada de trilhar o mesmo caminho sonoro diariamente. Depois que iniciei as aulas de dança na academia, eu abri meus ouvidos e tenho escutado e dançado de tudo um pouco, desde funk, arrocha, forró universitário, axé, hip hop, músicas dos anos 60 e até as clássicas que embalam nossos encontros de balé.
Semana passada, eu fiquei estacionada nos anos 80 e 90, pois acompanhei meus pais ao show da Blitz, banda liderada pelo ator Evandro Mesquita e que tinha na sua formação original nomes como Fernanda Abreu, Lobão, Marcia Bulcão, Ricardo Barreto, Antônio Pedro Fortuna e Billy Forghieri.
Os únicos remanescentes da época são Evandro que assume o vocal, a guitarra e o violão nas apresentações e Billy Forghieri (teclados), mas a formação atual conta com outros integrantes, tais como: Juba (bateria), Claudia Niemeyer (baixo), Rogério Meanda (guitarra), Andrea Coutinho (backing vocal) e Nicole Cyrne (backing vocal).
Eu confesso que me diverti horrores porque a apresentação da banda levantou a plateia e também empolgou quem não conhecia os seus principais hits como: “Biquíni Amarelinho”, “Você não soube me amar”, “A dois passos do paraíso”, “Eu, minha gata e meu cachorro”, “Egotrip”, “Weekend”, “Vítima do amor”, “Babilônia Maravilhosa”. Além desses, o grupo ainda apresentou canções do seu último trabalho, intitulado “Aventuras II” e que foi lançado em 2017.
Eu nem preciso dizer que a pegada das músicas da banda é bem diferente das ouvidas na atualidade, pois suas letras não sensualizam até o chão, chão, chão e muito menos, as backing vocals simulam sarradas aéreas ou utilizam os pedestais dos microfones para manobras de pole dance. Nada disso!
O cheiro de naftalina que eu achei que sentiria ficou no imaginário e eu pude reconhecer a vibe carioca da época, mas o mais legal de tudo é que o show contou com a participação do próprio Lobão e do músico João Suplicy que estavam na plateia também curtindo o revival e deram uma palhinha no palco.
Os meus pais sempre fizeram questão de me apresentar seus ídolos, através de shows, exposições artísticas, filmes e artigos sobre eles e sobre a época em que eram jovens e dessa forma eu pude conhecer Cazuza, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Elis Regina, Simonal, Barão Vermelho, Ultraje a Rigor, Os Mutantes, Rita Lee e agora, a Blitz.
Entretanto, se vocês ficarem paradas em alguma fiscalização relâmpago feita pela polícia militar ou em blitz de trânsito realizadas pela polícia rodoviária, então a sugestão é diminuir a velocidade do veículo e não tentar desviar seu trajeto, pois isso chamaria mais a atenção dos policiais. Outra sugestão é obedecer às ordens de parar o veículo.
Evite também fazer movimentos bruscos enquanto os policiais se aproximam do carro e mantenha suas mãos sempre em lugares visíveis e de preferência posicionada na direção do veículo.
Apresente seus documentos e os do veículo quando eles forem solicitados e evite discutir com os policiais ou criar confusões com as autoridades para que você não seja acusado de desacato à autoridade. 
E nem pensem em “molhar a mão”, dar gorjetas ou subornar os queridões fardados porque isso pode ser confundido como crime de corrupção ativa ou mesmo, ato de promoção de vantagens indevidas. Por fim, só arranque com o carro depois da autorização policial.
Já a batida com a cultura dos anos 80 e 90, esta foi enriquecedora e abrangente, pois as letras das canções ouvidas também são criticas musicadas da situação econômica e social do país da época, bem como hits de esperança aos jovens do passado, pois o período foi de excessos em todos os sentidos, especialmente estéticos, né!
O que pude perceber depois de ouvir a letra da música “Babilônia Maravilhosa”, da própria Blitz, é que o cenário desenhado pela banda não foi alterado e continua sendo o mesmo. A diferença é que suas cores estão mais intensas, os problemas mais profundos e a trilha sonora menos poética e lúdica.
Então, para finalizar a nossa conversa musicada, nada melhor do que um trechinho da música:
“Vem, vem dançar,
A música não vai parar,
Não, não, não,
Vem, dance, dance, dance,
O sonho não pode acabar”..
Beijos,
Maria Oxigenada   
Foto: reprodução
 
HOMEM FORMIGA E A VESPA
É! Parece que virou moda punir os super-heróis. Como se não bastasse a família Incrível ser obrigada a viver na clandestinidade no segundo filme dedicado a ela, agora Scott Lang, ou melhor, o Homem Formiga (Paul Rudd) amarga um período de dois anos em prisão domiciliar; tudo porque ele quebrou o protocolo de Sokovia durante o filme “Os Vingadores: Guerra Infinita”.
E a três dias do encerramento do castigo, Scott sonha com Janet Van Dyne (Michelle Pfeiffer), a Vespa original que se perdeu no mundo quântico há 30 anos. Estranhando o episódio, ele resolve entrar em contato com Hope (Evageline Lilly) e com o Dr. Hank Pym (Michael Douglas), filha e marido da cientista, e daí para frente o trio se compromete de resgata-la, criando um túnel para o reino quântico com a ajuda e trabalho de um formigueiro inteiro.
Mas a passagem para o mundo da fantasia custa caro e conta com interferências constantes de dois vilões que querem porque querem entrar na aventura sem pagarem ingressos.  São eles: Fantasma (Hannah John Kamen) e Sonny Burch (Walton Goggins). 
Em contrapartida, há o núcleo cômico da película liderado por Luís (Michael Peña) e seus colegas de trabalho. A maioria das piadas feitas pelo grupo de coadjuvantes gira em torno do soro da verdade e de crendices envolvendo a bruxa Baba Yaga, além é claro das tiradinhas feitas pelo próprio Homem Formiga sobre sua atual condição. 
E apesar do roteiro do filme não ser excepcional e nem ser recheado de embates e situações inesperadas, “Homem Formiga e a Vespa” também é uma aventura que tem uma asa estacionada no romantismo, outra fixa em temas familiares, além das antenas bem conectadas com o lúdico. 
Mas o melhor da obra são as cenas em que há brincadeiras feitas com as proporções de objetos e heróis, especialmente as que envolvem os carros usados pelos personagens ou as dificuldades encontradas pelo Homem-Formiga em relação ao seu novo traje ou com as regras tanto do mundo diminuto quanto do gigantismo.
Quanto a Vespa (Evangeline Lilly), ela está mais para parceira do herói e não para protagonista da obra. Apesar disso, a personagem está sendo oferecida ao público como uma heroína daquelas, bonita, inteligente, humana e portadora de uma fantasia que dá asas duplas ao imaginário masculino e aos amantes de HQ.
A verdade é que o ator Paul Rudd não abre espaço em sua própria fantasia para quem deseja criticá-lo, pois ele acerta na “mosca” em sua performance cômica, especialmente quando está “possuído” por Janet, evidenciando sua faceta feminina.      
Confesso que achei o filme cansativo, porém as duas cenas pós-créditos e que fecham esta aventura criaram ganchos interessantes para a próxima aventura da dupla de insetos, por isso eu saí voando do cinema direto para frente do meu computador para indica-lo para vocês.
Beijos,
Maria Oxigenada
 
 
   
   
  
 
PI-PANORÂMICA INSANA
Uma colcha de retalhos é feita com pedaços e sobras de tecidos e até por esse motivo, ela é construída com cores e texturas distintas, resultando em um produto único, que foge da estética convencional, mas que mantém sua finalidade de aquecer e decorar camas e ambientes.
Com a peça “PI – Panorâmica Insana” acontece o mesmo! Nada de texto linear com começo, meio e fim e muito menos personagens tradicionais e que insistem em permanecer em suas zonas de conforto. Nada disso! 
Na verdade, a obra é um mosaico criado com a abordagem de vários assuntos e relatos reais sobre a miséria humana, a violência urbana, a situação política atual no Brasil, assim como as questões de gênero e sexualidade e, é claro, as dificuldades em cultivar esperanças em um futuro desastroso e incerto como o que está sendo desenhado hoje.     
O alinhavo cênico dessa narrativa é feito através da apresentação de 150 personagens diferentes pelos atores em cena. São eles: Cláudia Abreu, Leandra Leal, Luiz Henrique Nogueira e Rodrigo Pandolfo, mas somente alguns desses personagens ganham camadas, profundidade e se destacam diante da plateia.       
Entretanto, essa trama ficcional composta por breves histórias irregulares e que foi escrita por Jô Bilac, Julia Spadaccini, André Santana e que também conta com trechos de obras de Franz Kafka e Paul Auster nos propicia momentos  reflexivos, pois ficamos diante de alguns nós cegos, especialmente da constatação da loucura que é viver nos tempos atuais, onde o desamor, o egocentrismo, a falta de sensatez, a velocidade tecnológica e a ausência de humanidade dominam o cenário.    
Falando nele, este é construído com 11 mil peças de roupas espalhadas pelo chão da caixa cênica, além de alguns cabides, poucas cadeiras plásticas, um bebedouro central e só. A fuga do usual também pode ser constatada pela ausência de um palco, de cortinas e da distância dos atores com a plateia, pois o teatro Novo, local onde a peça está sendo encenada na capital paulista, está em reformas e sua carcaça está sendo aproveitada neste momento.  
E para completar as peças que são necessárias para o perfeito encaixe de um espetáculo profissional e não uma reunião de brainstorming de artistas, então a diretora Bia Lessa optou por investir em sua sonoridade com a presença de ruídos, sejam eles promovidos pelo próprio ambiente, sejam eles criados pelas vozes dos atores em cena, ou mesmo, a execução de algumas músicas como recurso para criar uma unidade do mosaico dito anteriormente.
Desde o início, quem rouba a cena é mesmo a atriz Cláudia Abreu com sua expressão corporal, disponibilidade e maturidade cênica. Já é sabido que ela é uma atriz facetada, capaz de interpretar personagens diferentes e com condições para flanar por veículos e linguagens distintas, tais como teatro, televisão e cinema. A atriz Leandra Leal também faz bonito diante da plateia, reafirmando ser um dos nomes com condições de escrever uma trajetória artística marcante. 
Quanto aos atores Luiz Henrique Nogueira e Rodrigo Pandolfo, o que pude constatar é que os dois caíram na tentação de caminhar por vias interpretativas confortáveis, desperdiçando boas oportunidades de comover a plateia com suas falas, pois algumas delas eram propicias a subida de tom e da carga dramática.   
O certo é que “PI – Panorâmica Insana” foi um dos melhores espetáculos que vi neste ano de 2018 e é um dos que favorecem engrossar a costura de uma cultura geral, tão necessária aos indivíduos que desejam pensar sobre ela ou mesmo, contribuir com o meio cultural.         
Eu indico a peça.   
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: teatro Novo, localizado na rua Domingos de Moraes, 348 – V. Mariana.
Quando: sexta e sábado, às 21h e domingo, às 18h.
Temporada: até 29 de julho de 2018.
Preço: a partir de R$ 50,00.
Foto: reprodução
 
OS INCRÍVEIS 2
A lacuna entre o primeiro e o segundo filme foi de 14 anos e em todo esse  tempo as saudades foram grandes da família de heróis que conquistou não só as crianças, mas também adultos que viram seus comportamentos, responsabilidades e problemas representados nas telonas através do quinteto formado pelo casal Roberto Pêra (Sr. Incrível), Helena Pêra (Mulher Elástica) e seus filhos Violeta, Flecha e Zezé, além dos amigos e fiéis escudeiros Gelado e Edna Moda.
A dinâmica da sequência continua sendo a mesma, mas agora o gancho da história é a inversão dos papéis realizados pelos personagens principais, pois a Mulher Elástica ganha o protagonismo da narrativa, selando a paz com sua faceta de heroína e delegando ao marido tarefas doméstica e os cuidados com as crianças. 
Tudo isso acaba criando situações e cenas hilárias, pois a engrenagem de uma família não está a cargo ou nas costas de uma única pessoa e sim, ela é construída com a participação de todas as peças e integrantes, né!
Agora, a obra começa a ganhar ares de aventura heroica quando o grupo precisa enfrentar uma batalha contra o Escavador e as ameaças do  hipnotizador, pois até mesmo líderes mundiais e a população foram induzidos a agir de acordo com as vontades dos vilões da película.
E quem são eles, afinal? Ah! Não vou dar spoilers, nem entrega-los de bandeja a vocês, mas vou dar uma dica e jogar ao universo alguns comentários para que vocês os captem e abram o olhar para aqueles que não desfilam pra lá e pra cá com roupas coladas, com acessórios como capas, óculos e cintos recheados de armas e sim, para os personagens tradicionais, sem suspeitas e que na realidade ostentam suas peles de cordeiro por cima de suas naturezas selvagens.
O mais incrível é que os produtores do filme optaram por começar o segundo filme exatamente de onde o primeiro terminou, além de não envelhecer os personagens e de preservar suas características físicas, apesar de ter a sua disposição recursos tecnológicos desenvolvidos nos últimos anos que possibilitariam mudanças estéticas. É possível sim observar detalhes como as texturas das peles, os volumes dos cabelos femininos e alguns movimentos corporais semelhantes aos vistos em humanos, bem como seus contornos psicológicos. 
Agora, o grande destaque de “Os Incríveis 2” é mesmo Zezé, o bebê, pois ele ganhou super-poderes e uma personalidade interessante! A cena em que ele mede forças com um guaxinim no quintal de sua casa é de rolar na cadeira do cinema, assim como quando ele faz birra para o pai para conseguir biscoitos extras, há, há, há...
As pequenas brigas e disputas entre irmãos também recheiam a obra, especialmente aquelas que envolvem as responsabilidades em relação ao caçula da família, mas é fato que tanto Violeta quanto Fleshinha são coadjuvantes nessa continuação, assim como o Sr. Incrível.
No Brasil, o filme está sendo disponibilizado somente dublado, apresentando linguagem informal, tiradas típicas brasucas e deletando completamente piadas americanas ou referências da cultura do tio Sam. E daí? 
O que fica é que ela é uma película divertida, que conta com cenas de ação, novidades, com uma boa trilha sonora, com um trabalho de luz incrível e que colocou sob os holofotes outra mulher, além daquela heroína bem conhecida de todas nós e que insiste em ostentar suas botas vermelhas e seu cinto dourado amarrado na cintura.   
Assistir ao “Os Incríveis 2” é um dos programas para ser feito em julho porque ele não tem contraindicações ou senões e é antidoto para o mau humor de algum integrante de sua família.
Beijocas, 
Maria Oxigenada    
Foto: reprodução
     
   
   
 
  
 
ALTA COSTURA
A verdade é que foram os detalhes que marcaram a semana de alta costura de Paris. Alguns deles atrevidos, outros nem tanto e inspirados no que já foi usado décadas passadas ou ainda, sugeridos pelo visual boneca ou pela vibe metálica.
Algumas dessas minucias fizeram toda a diferença nas produções vistas, atualizando-as e transformando-as em peças desejo para o agora, tais como: laços, volumes, babados, camadas, frufrus, pepluns, mullets, saias balonês, mangas presunto e tules diversos e que foram vistos nos desfiles de Giambattista Valli, Peter Dundas, Maison Magiela, UMA e Viktor & Rolf.
Mas o romantismo não afetou todo o evento e algumas outras marcas levaram para as passarelas modelos com suas pernas e colos à mostra através de decotes e fendas profundas, do uso de transparências e da presença do tradicional tomara-que-caia, como fez Chanel, Schiaparelli e Jean Paul Gaultier que mostrou seus smokings pra lá de arrojados, Dolce &Gabbana ou Iris Van Herpen que investiu em uma pegada tecnobiológica.
Aliás, a marca Schiaparelli migrou da natureza para os looks algumas espécies de animais como flamingos, borboletas e através de máscaras e estampas. O mar mexido continuou ao longo de toda a sua apresentação com a mistura de animal print com listras e o uso de cores fortes como o rosa choque, azulão, vermelho e amarelo.
Outra percepção de quem estava conferindo aos desfiles é que os makes metálicos, as peças curtas, feitas com paetês ou ainda, as golas altas também marcaram presença no evento, mas foram as plumas as que conseguiram momentos de protagonismo durante toda a semana de alta costura, pois elas foram recorrentes nos desfiles de Giorgio Armani Privé, Dior, Giambattista Valli e outras marcas, enquanto que as rendas, as saias mídi ocuparam posições secundárias e coadjuvantes.
Agora, os flashes foram disparados ininterruptamente todas as vezes que as noivas riscaram as passarelas. A marca Sonia Rykiel, por exemplo, ousou vestindo sua bride com calça jeans, espartilho e vestido semi-aberto. Já Ashi Studio fez esforço para agradar todo tipo de mulher e criou produções com franjas, com texturas conseguidas pelos bordados e drapeados mil.
Enquanto isso, Chanel fez questão de contrastar a pele negra da modelo Adut Akech Bior com o vestido verde claro que a marca criou especialmente para o enlace fashion e que ainda contava com voilette (véu que esconde apenas parte do rosto feminino) e botinhas de cano baixo. Aliás, não é de hoje que os voilettes estão fazendo a cabeça de nubentes e também de madrinhas e eles são sim uma das grandes apostas para as cerimônias realizadas ainda em 2018 e 2019.
Noivas ostentando tranças longas (Ashi Studio), além de madeixas domadas por géis e pomadas não serão incomuns, mas foi no desfile de Valentino que os cabelos ficaram superpoderosos e extra volumosos. Já no desfile da Chanel eles alcançaram o topo de sua autoestima e ares pra lá de topetudos.
As sutilezas estéticas foram vistas no desfile da Fendi com modelos ostentando coques altos e feitos a partir de cabelos desfiados, assim como olhos fortemente delineados de preto, boca neutra e hidratada e looks com aquela pegada sessentinha.
Outra marca que fez questão de trabalhar a elegância feminina nos mínimos detalhes foi a Armani Privé que finalizou suas produções com maxi bijus, bolsas estruturadas e casquetes, aqueles pequenos chapéus sem abas e que fazem a cabeça das meninas que adoram desfilar impecáveis por ocasiões especiais. Neste caso, eles foram réplicas perfeitas de acessórios usados por aeromoças ou atendentes de redes de fast food do passado.
Para as que querem sugar boas ideias de looks festa, então o desfile de Elie Saab foi o que mais propiciou isso, pois foi repleto de produções glam, looks transparentes, ombros volumosos e de cinturas marcadas por cintos. Destaque para o vestido azul craquelado de dourado, para o vestido vermelho com bordado posicionado na cintura e para o vestido preto com gola jabour. Lindos!
Os desfiles de alta costura não são destinados somente às ricas e endinheiradas, mas sim para todas as mulheres que desejam tomar ciência sobre modismos e tendências que estarão presentes nas próximas ocasiões festivas e que poderão ser vistos através de suas adaptações, pequenos ajustes e detalhes pinçados de eventos grandiosos como os que agitam a capital francesa anualmente.
Beijocas,
Maria Oxigenada   
Fotos: reproduções


QUE TIRO FOI ESSE?
É! Essa Copa do Mundo foi um arraso! Ela já estava dando o que falar mesmo antes de seu início e com a ausência de seleções tradicionais como a italiana e mesmo depois de seu inicio, cada partida foi um tiro nas convicções dos que se arriscaram em bolões e apostas.
Jogo após jogo, um favorito caiu! Seleções como Portugal, Espanha, Uruguai, Argentina e até a Alemanha causaram, pois saíram do mundial precocemente. Há 10 dias foi o Brasil quem sambou bonito em campo e deu adeus a taça de hexacampeão.
Quem olha esse bonde de fora pira, porque seleções pequenas ou de países com pouca tradição no esporte avançaram na competição, como foi o caso de Coréia do Sul, Japão, Costa Rica, Bélgica e Rússia.
Inegável dizer que os belgas estiveram melhores em campo contra a seleção canarinho e a geração atual está fincando os cravos de suas chuteiras no coração de quem não teve mais para quem torcer porque todos os sul-americanos saíram precocemente!  
Também pudera, né! Eles contavam com uma muralha chamada Romelu Lukaku, com o príncipe Kevin de Bruyne, meia responsável pelo segundo gol da seleção belga, com a concentração de Courtois, com a velocidade e preparo físico de Vincent Kompany que fez poeira no jogador Marcelo, além da altura, frieza e garra dos demais jogadores que formaram o time oficial.
Garra! Essa é a palavra que melhor representou a seleção da Bélgica, além da real vontade de vencer! Quanto aos brasileiros, eles têm muito que aprender sobre ter sangue nos olhos como os europeus porque é fato que nossos jogadores estavam desconcentrados durante a última partida, erraram muitos passes e finalizações de bola, especialmente quando havia chances reais de gols. 
O motivo disso tudo foi o descontrole emocional. Sempre ele. Depois do segundo gol dos belgas, ficou claro o destempero dos brasileiros, assim como o medo de que mais um apagão acontecesse nos gramados de Kasan e repetisse o mico dos 7 X 1 ocorrido em 2014. 
A metralhada do último jogo do Brasil serviu para uma coisa: para que todos eles abaixassem a bola, percebendo que apesar da seleção brasileira ostentar cinco estrelas em suas camisetas, mérito de jogadores comprometidos, maduros, equilibrados e que não vacilaram diante de pressões e de vantagens dos adversários no passado já não é a realidade de hoje.
Outra atitude é reconhecer a força e a superioridade de outras equipes, pois somente dessa forma é que podemos ter esperanças em Qatar, em 2022. Mas não só isso, saber quais foram as nossas fragilidades e erros dentro e fora de campo também é importante sim. 
Confesso que eu não vi graça alguma no tiro que derrubou a participação da seleção brasileira na Copa da Rússia, especialmente porque sua trajetória contou com um gol contra feito por Fernandinho, com o silêncio de alguns ídolos após a saída do estádio, a zoação geral nas redes sociais e comentários   racistas. 
Pelo jeito, o mundial deixou um rastro de pólvora perigoso em nossos corações, semelhante ao que são vistos em munições pesadas e que tem potencial de queimar, matar e destruir qualquer tipo de esperança e expectativas ainda persistentes. 
A única coisa que espero é que os fantasmas de outrora não voltem a rondar nossas vidas e que os projéteis de desilusão não fiquem estacionados em nossos peitos por mais quatro anos.
Bola para frente, Brasil! Porque este ano ainda temos as eleições nacionais que estão com potencial de surpreender, fazer barulho e sair pela espoleta,  causando o famoso tiro pela culatra, há, há, há...
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada
Foto: reprodução  
  
      
         


          
      
   
  
 
DO JEITO QUE ELAS QUEREM
Olha só! A trilogia dos Cinquenta Tons deu margem para a criação de outro filme inspirado nela. Trata-se de “Do jeito que elas querem”, película que aborda a vida sexual e as aventuras neste campo de mulheres acima de 60 anos.
Em pleno século XXI, o que a gente não pode esperar é que pessoas maduras fiquem em casa, tricotando, cuidando de netos ou conferindo toda a programação do dia nos canais abertos da televisão. Isso, não!
Os tempos mudaram e agora, elas são frequentadoras assíduas de academias, usam suas aposentadorias ou salários para viajar pelo mundo, cair na night e em bailes da terceira idade ou fazer programas culturais frequentes com as amigas (os).
Resgatar prazeres da infância e hobbies da juventude também não é algo raro no período e esse é o caso de Vivian (Jane Fonda), Sharon (Candice Bergen), Carol (Mary Steenburgen) e Diane (Diane Keaton), quarteto fantástico que funda um clube do livro e que tem o objetivo de ler um novo livro por mês.
E em um desses encontros que Vivian propõe as amigas à leitura da trilogia criada por E.L. James. Por que não? Afinal de contas, todas são mulheres bem sucedidas, já foram ou são casadas e estão redescobrindo o valor de gozar de momentos de liberdade na maturidade.
Apresentando as protagonistas a vocês: Vivian é proprietária de um hotel de luxo e a única que nunca se casou oficialmente, entretanto é a que acumula o maior número de amantes. Já Sharon é juíza federal, divorciada, está há 18 anos sem sexo e ainda, precisa digerir o fato de que seu ex-marido está noivo de uma mulher muito mais jovem.
Enquanto isso, Carol é uma bem sucedida chef de cozinha, mantém um casamento morno e está precisando driblar a apatia constante de seu marido. Recentemente viúva, Diane está naquela fase de reaprender a viver sozinha, a fazer pequenos reparos domésticos e lidar com a pressão de suas filhas, pois elas querem que a mãe mude-se de Los Angeles e reescreva sua história em outra cidade.
A trilogia literária possibilita que as quatro não só redescubram sua sexualidade, como também discutam o tema, façam piadas sobre si, sobre as agruras de envelhecer e ainda, sonhem em vivenciar aventuras semelhantes às descritas nas obras, ou mesmo, desejadas desde a mocidade.
Para início de conversa, Sharon resolve se cadastrar em aplicativos de relacionamentos para reativar esta área da sua vida. Já Carol propõe ao marido Bruce (Craig T. Nelson) fazer aulas de dança de salão e usar algumas pílulas mágicas para acordar o “queridão”. Seguindo caminho inverso, Diane conhece um piloto (Andy Garcia) e voa alto na aventura de se relacionar com um homem mais jovem. Por fim, Vivian reencontra um ex-namorado da juventude e vive o dilema de dar uma nova chance a ele ou abusar do seu corpicho, há, há, há...
E tudo isso é o passaporte para a diversão da plateia porque na sessão em que estava houve explosões de risadas, bem como uma possível identificação dos presentes de diferentes idades com algumas cenas vistas, construindo aquele calor gostoso em nossos corações e aquela cumplicidade entre estranhos que somente os bons filmes nos permitem sentir.
É claro que o ponto alto “Do jeito que elas querem” é ser estrelado por um time de atrizes de primeira grandeza de Hollywood, assim como a química existente entre elas em cena.
Os atores Andy Garcia, Richard Dreyfuss, Craig T. Nelson e Don Johnson são coadjuvantes na obra, mas mesmo assim suas presenças colaboram para que atraiam um publico feminino ao cinema ou mesmo, pessoas acostumadas a vê-los em filmes ou situações cômicas, mas o fato é que a película é das mulheres e somente delas!
Clássico água com açúcar, o filme acerta em discutir a sexualidade e a possibilidade de descobertas de novos amores na terceira idade, bem como de um futuro diferente do protagonizado por gerações anteriores com o surgimento de novas atividades, novos caminhos e novas experiências.
Como vocês já perceberam, nos últimos tempos eu tenho apostado em filmes e aventuras junto de pessoas mais velhas e o saldo disso é sempre positivo e de ganho. Ganho em leveza, ganho com as trocas feitas, ganho com o aprendizado involuntário, ganho com a injeção de espontaneidade e alegria em viver e ganho maior ainda com a quebra de regras enrijecidas e condutas impostas socialmente.
Eu indico a ida ao cinema.
Maria Oxigenada     
Foto: reprodução
 
JURASSIC WORLD-REINO AMEAÇADO
Os investimentos para sua produção foram altos, as ações de marketing para divulgação do filme intensa, inclusive com o lançamento de um jogo no estilo Pokémon Go e que é baseado em uma realidade aumentada com o objetivo de apresentar 100 espécies e criaturas distintas dos pré-históricos aos jogadores.
Tanto isso é verdade que “Jurassic World” vem desenhando uma trajetória bem sucedida ao longo das últimas semanas nos cinemas de todo o mundo, transformando-se em uma aventura digna dos dias de férias, assim como “Os Incríveis 2”, “Homem Formiga e a Vespa” e “Missão Impossível – efeito Fallout” e a conclusão tirada é de que o interesse pelos dinossauros não acabou, mesmo depois de 25 anos da estreia do primeiro filme da franquia.
Todos os elementos que fizeram sucesso nas películas anteriores também estão presentes nesta, tais como: uma pitada de suspense e momentos de terror, a colaboração da computação gráfica e efeitos especiais para recriar espécies existentes no passado, assim como a presença de um casal de protagonistas carismático, com química em cena e preocupados com a preservação dos animais, além da recriação de algumas cenas comoventes vistas nos filmes anteriores.
Então, o que “Jurassic World – Reino Ameaçado” tem de especial e tão diferente que vale a ida ao cinema? Ele trabalha com a ideia da criação de animais modificados geneticamente e ainda piores dos que já existiram, como a espécie indominus rex que foi criada especialmente para este longa e se parece muito com um dragão.
Outro diferencial da película é a retirada dos animais da ilha Nublar, assim como a chegada destas ao mundo dos homens. É! Isso mesmo! Eles estão cada vez mais perto de nós...
Agora, o mais interessante da obra é sem dúvida alguma a mudança de cenário e dos animais que antes eram mantidos presos em ilhas, laboratórios ou parques temáticos para uma mansão, pois é neste local que alguns deles serão leiloados.
Na parte ambientada na ilha de Nublar é possível que o espectador faça um resgate de suas próprias memórias cinematográficas e mergulhe novamente no habitat natural dos animais. Enquanto as câmeras flanam pelo local, é inegável que a humanidade se conscientize de que ainda não tem condições de conter a fúria da natureza, como erupções vulcânicas ou a chegada de meteoros.
Já na segunda parte da obra é observado às inadequações do cenário urbano aos animais pré-históricos, pois em alguns momentos eles permanecem trancafiados em jaulas ou precisam deslocar-se pelos corredores estreitos da mansão, imprimindo com isso a sensação claustrofóbica aos espectadores. Além disso, os animais se deparam com obstáculos construídos pelo homem como elevadores, parapeitos e telhados que não há na natureza, né!
A morte ronda todos os personagens, pois logo de cara a dupla de protagonistas fica diante dela dentro de um pequeno submarino e na escuridão do oceano. Depois, eles voltam a ter contato com a finitude da vida através da erupção do vulcão ou da visão de carcaças e ossadas de dinossauros ou ainda, da presença de um dos personagens doente, assim como Blue, velociraptor que Owen (Chris Pratt) acompanhou seu desenvolvimento.
Enquanto isso, o suspense do filme é construído pela exploração da escuridão, pela existência de um jogo de sombra e luz, assim como cenas que focam detalhes como garras, dentes ou pupilas dilatadas dos animais ou ainda, a presença de uma trilha sonora feita por Michael Giacchino que induz a palpitação cardíaca de todos nós.
No entanto, na ânsia de prendê-los grudados às cadeiras do cinema, o roteiro peca em não dar alguns segundos de respiro para quem ali está de frente para telona e também aos protagonistas, pois logo após resolverem um problema, já precisam atacar outro imediatamente e assim vai até o seu final.
E falando nele, o desfecho da história cria gancho para o próximo filme e enterra por definitivo a “ilha da fantasia” vista nos demais, deixando pistas de onde os dinossauros serão vistos circulando ou aterrorizando futuramente. Até lá, nós vamos precisar imaginar como esse confronto acontecerá e se há condições para uma vida compartilhada entre todas as espécies já criadas por Deus e pelos homens em pleno século XXI.
Independente de qualquer coisa, “Jurassic World – Reino Ameaçado” é um clássico que deve ser conferido em qualquer final de semana de julho.
Maria Oxigenada   
Foto: reprodução
 
MATA-MATA
Vocês acordaram calminhas? Estão com os exames cardiológicos em dia? Ou irão apostar em um suco de maracujá, em um copo de água com açúcar ou ainda, em um chazinho de camomila ou erva cidreira para aplacar o nervosismo enquanto assistem ao jogo do Brasil contra o México? 
O dia promete emoções fortes! E o pior é que ele está só começando, assim como a semana, né! A verdade é que não quero nem pensar sobre a possibilidade da seleção perder a partida de logo mais e dar adeus prematuramente à disputa mundial. Isso sim me mataria em segundos...
Nestas horas e minutos que antecedem o início da partida, eu estou emanando pensamentos positivos para os jogadores e assando fornadas de polvorón (biscoito amanteigado que leva essência de baunilha em sua massa) e alegría (petit-four feito com amaranto e mel) para levar na casa do Paulinho, pois a galera já está reunida no local só esperando o início do jogo. 
Para diminuir a ansiedade do pessoal, a Clarice sugeriu que uma mesa de brunch fosse montada com petiscos e guloseimas típicas mexicanas, tais como: amendoins, nozes e castanhas cobertas com uma camada grossa de açúcar, além da tradicional guacamole, dos nachos, burritos, creme azedo, chilli com carne moída e aquela vinagrete picante feita com tomates e cebolas cruas. 
A churrasqueira também vai ser acesa para fazermos milhos na brasa e é claro que eu vou aproveitar a ocasião para colocar algumas delícias caipiras para dourar, como batatas doces, bananas da terra e abacaxis descascados e fantasiados com uma capa de canela em pó para mesclarmos a disputa de quais são as melhores delícias deste confronto; se as mexicanas ou as típicas juninas.  
Eu não preciso nem dizer que fui a primeira a embarcar na aventura gastronômica porque simplesmente adoro a culinária mexicana e os seus pratos, mas não curto provocar a ira dos muchachos mesmo que a distância, nem cantar vitória antes do tempo porque vocês conhecem o efeito bumerangue e a lei do retorno, né!? Então...
Não podemos nos esquecer de que marte está retrógrado até 27 de agosto e esta condição planetária pede mais atenção com as tensões, aos confrontos e aos atrasos das situações. Bate na madeira três vezes, mas pode ser que o título de hexacampeão venha somente em 2022! Além disso, hoje ainda é lua cheia e momento de mudanças rápidas de humor, de inquietações e emoções a flor da pele, ou seja, estaremos mais reclamões, briguentos e com pavio curtíssimo dentro e fora dos gramados. Vixi! 
Independente do resultado da partida, a única coisa certa é que os memes continuarão pipocando pelas redes sociais, especialmente aqueles que envolvem personagens/jogadores que estão dando o que falar dentro e fora dos campos, como é o caso de Maradona que saiu carregado do estádio depois de passar mal durante um dos jogos da Argentina ou ainda, da presença dos árbitros de vídeos, das caretas feitas pelos jogadores ou de suas quedas simuladas como as de Neymar, há, há, há... 
Ontem mesmo eu recebi uma mensagem contendo duas fotos do craque posicionada ao lado de um balão e que perguntava ao leitor: qual é a música, Lombardi? Resposta: Cai, cai, balão! Rolei de rir! 
O melhor do brasileiro é mesmo seu bom humor, então que ele esteja presente até a participação final da seleção na Copa da Rússia e que nem mesmo o goleiro mexicano Guillermo Ochoa consiga abafar a alegria e as nossas piadas prontas.
Estamos juntos, Brasil! 
Maria Oxigenada
Foto: reprodução  

      
 
     
  
         
   
 
SEXY POR ACIDENTE
Estreia deste final de semana, o filme “Sexy por acidente” é aquele tipo de obra que ninguém bota muita fé diante de seu cartaz de divulgação e é desprezada pela galera cult, mas a verdade é que é uma película que diverte horrores e cria identificação imediata com quem está sentado assistindo-a, especialmente a mulherada jovem.
A protagonista Renée (Amy Schumer) é uma mulher comum, insegura, com baixa autoestima e após sofrer um acidente durante a aula de spinning, onde bate com a cabeça no chão e fica desacordada por alguns segundos, ela retoma a consciência diferente, agora confiante, vaidosa e amando-se mais do que qualquer outra pessoa.
O medo de arriscar profissionalmente, de paquerar um estranho na rua, de frequentar lugares públicos ou mesmo, de se sentir inferiorizada perto de outras mulheres já não existe mais e Renée se joga na vida, em aventuras diversas, conquistando um novo namorado e o emprego de seus sonhos em uma empresa de cosméticos.
Nada é aleatório no filme e ele também se propõe a fazer críticas à indústria da moda, dos cosméticos, aos padrões estéticos femininos, bem como a fugacidade dos relacionamentos afetivos de hoje em dia.
E é claro que os clichês fazem parte da narrativa, assim como o final nada surpreendente e a presença de um roteiro batido, mas quem se importa com isso? As vésperas das férias de julho e depois da eliminação da Alemanha da Copa do Mundo, o que mais a gente deseja é rir despretensiosamente assistindo a um conto de fadas moderno, né!
Já a grande sacada de “Sexy por acidente” é contar com uma atriz carismática, feminina, com timing para a comédia e que em nenhum momento transparece estar intimidada ou insegura diante das lentes curiosas que insistem em evidenciar algumas partes de seu corpo.
O elenco da película também conta com outros atores, tais como: Michelle Williams (Avery LeClaire), Rory Scovel (Ethan), Emily Ratajkowski (Mallory), Busy Philipps (Jane), Aidy Bryant (Vivian), Adrian Martinez (Mason), Lauren Hutton (Lilly LeClaire), Tom Hopper (Grant LeClaire) e ainda, a participação da modelo Naomi Campbell (Helen).
A presença desses personagens tem o intuito de ora contrapor ao estereotipo criado pela protagonista como é o caso de Michelle Williams, ora reforçar a importância da beleza natural, ou ainda, a mensagem de que todo ser humano é passível de episódios de insegurança e oscilações diante de mulheres fortes e independentes, como acontece com o personagem Ethan, interpretado pelo ator Rory Scovel.
Vocês até podem ficar atraídas pelo cartaz de “Sexy por acidente” porque ele materializa através da imagem construída parte da temática trabalhada na obra, mas depois das luzes apagadas, aí sim vocês poderão observar que o filme é mais abrangente e engloba desde o trabalho árduo de aceitação do próprio biótipo e natureza, como também dos seus próprios desejos, inclusive os sexuais e por fim, da relevância da presença do amor próprio para criar condições para amar o próximo e o que faz.  
Portanto, para quem está atrás de momentos de escapismos, de risos despudorados no escurinho do cinema, eu indico a película.
Maria Oxigenada
Foto: reprodução
 
 
DANÇA DAS CADEIRAS
Que nada! Eu não irei falar com vocês sobre as substituições polêmicas ocorridas durante os jogos da Copa do Mundo e nem fazer referências àquela brincadeira infantil que todas nós já participamos e que na maioria dos casos a gente terminava mais tonta do que barata envenenada, mas sim sobre outra modalidade de dança que descobri recentemente. 
E vocês sabem quem foi o responsável por me apresenta-la? O Nicolau, é claro! Lembram-se dele? Não. Aquele cara que fez uma aula especial de stiletto comigo na academia e que fincou seus saltos bem no peito dos preconceituosos de plantão. É! Ele mesmo! 
Eu cruzei com Nicolau nos corredores do templo de malhação e ele me convidou para acompanha-lo em uma aula de chair dance, ou seja, em uma aula que utiliza cadeiras para dançar e sensualizar. Ela foi criada nos cabarés dos anos 30, mas hoje é vista fazendo parte de musicais ou integrando o roteiro de filmes como “Flashdance” ou “Striptease”.
A modalidade trabalha força, flexibilidade, equilíbrio, expressão corporal, alongamento, mas principalmente a autoestima de quem a pratica, pois é um tal de bater os cabelos no chão e na inimiga que está do lado, de cruzar e descruzar as pernas, de rolar no chão como bichano, de escorregar cadeira abaixo e de provocar quem está assistindo a apresentação que não é mole, não!
Minutos antes da gente se jogar na aventura, o Nicolau me confidenciou que continua fazendo personal de stiletto e que até comprou um novo scarpin para fazê-las mais confortavelmente e para amaciar os sapatos, ele os calçou e saiu desfilando pela rua Augusta em plena luz do dia. Sempre surpreendendo, né! 
Já a minha confissão para vocês será outra: descobri que é muito difícil dominar a cadeia enquanto se dança, pois em alguns momentos ela parece ter vida própria ou ser uma verdadeira centopeia com tantas pernas e pés, mas o pior mesmo é ter que redobrar os cuidados para não acertá-la nas canelas alheias e das (os) coleguinhas (os) que estão se matando ao lado, há, há, há...
A aula de chair dance fechou com duplas desenvolvendo toda a coreografia repassada pelo professor em frente ao espelho. É claro que fiz par com o Nicolau e nós dois recebemos a companhia de outra professora presente para potencializar a sedução de quem passava do outro lado da sala envidraçada, há, há, há.. 
Gosto de dançar com o Nicolau porque ele abafa aquela ansiedade típica da juventude de não respeitar os próprios limites físicos ou de ter a necessidade de sensualizar até para a maçaneta da porta. É claro que sempre há um  pequeno atraso na execução de nossos passos, mas quem se importa com isso? Eu não! Nesse caso, o importante é desafiar o próprio corpo, a própria mente com atividades que te tiram de sua zona de conforto. 
Depois da aula, eu descobri vários vídeos na internet sobre chair dance e estou treinando em casa sozinha para uma futura apresentação privê para o Fê. Ele que me aguarde! Vou hipnotiza-lo igual tenho feito com o Almôndega que nem pisca os olhos embaixo das cobertas, permanecendo com as suas orelhas em pé todo o tempo que tento riscar o chão com minhas agulhas e executar o balé com a cadeira.  
Tenho certeza de que o Fê pensou que eu ia diminuir o ritmo e a criatividade depois do Dia dos Namorados. Coitado! A lona será seu destino final. O único problema é que ele também pode sofrer algum episodio de arritmia cardíaca e cair, literalmente, da cadeira enquanto me assiste, há, há, há....     
Se conselho fosse bom, a gente não daria de graça, mas se eu fosse vocês seguiria esta oxigenada dica: se joga na dança, mulherada!
Maria Oxigenada
Foto: reprodução 
 
O MORNO REINA
Vocês já fizeram pães com fermentos naturais? Não? Pois, deveriam. Pães feitos com fermentos naturais são mais preguiçosos do que os demais feitos a partir de fermentos biológicos e por este motivo, eles demoram um pouco mais para crescer e para ir ao forno tomar um bronze, mas o resultado final é um produto crocante, saboroso e fresco.
Como os pães, os brasileiros também estão bem preguiçosos em relação à Copa do Mundo de 2018. A empolgação, as altas temperaturas e frequências vistas em 2014 já não desenham o momento atual. A impressão é de que ainda estamos digerindo o vexame do 7 X 1 de quatro anos atrás contra a Alemanha. 
Outro ponto que mantém a temperatura morna dos torcedores é à distância do país sede, assim como os valores elevados das passagens aéreas e dos ingressos para ver de perto a seleção canarinho. Somente os torcedores de bolsos profundos foram até lá.
O fuso horário existente entre Brasil e Rússia também depõe contra a subida galopante do calor por aqui, pois alguns dos jogos da seleção brasileira aconteceram ou irão se realizar pela manhã, como o da última sexta-feira, e a verdade é que esses horários não favorecem a reunião entre amigos e nem a ida a bares e restaurantes para torcer, né!
As pessoas estão se reunindo em casa, na companhia de familiares, em padarias e no entorno de uma mesa de café da manhã farta e composta de sucos, cerais matinais e bebidas quentes, pois o inverno começou e os termômetros caíram.
Desta vez, nem mesmo as grandes marcas estão investindo no tema e criando jingles ou realizando promoções e lançamentos de produtos especiais para o período. Para falar a verdade, eu senti até um desinteresse por parte das crianças e dos colecionadores de figurinhas porque aquela gana em completar o álbum da Copa já não é o objetivo de muitos hoje.
Agora, o forno apagou, ou melhor, o balde de água gelada caiu sobre nossas cabeças depois que nós visualizamos aquele vídeo desrespeitoso e sexista que foi veiculado nas redes sociais na última semana e onde um grupo de torcedores brasileiros assediou uma cidadã russa, incentivando-a a repetir palavras de baixo calão sem que ela ao menos soubesse o que estava dizendo diante das câmeras.
Pegou mal! Pegou muito mal! E mais uma vez o Brasil se queimou diante do mundo, especialmente perante os anfitriões da festa, pois a imprensa internacional repercutiu sim o caso e o vídeo ofensivo foi visto por milhões de pessoas, causando indignações e protestos isolados na Rússia.
A brincadeira pode custar caro aos envolvidos e nem adianta eles brincarem de esconde-esconde porque já estão sendo identificados um a um e, provavelmente, sofrerão as consequências de seus atos. Periga até eles se envolverem em outro tipo de brincadeira, bem ao estilo polícia e ladrão. Lembram-se dela?
Por aqui, a massa cresceu demasiadamente, ou melhor, o episódio caiu na boca do povo e ganhou comentários públicos de artistas e personalidades e o assunto ocupou espaço em veículos de comunicação.
Para nossa surpresa, ficamos sabendo que um dos homens que lá estava é um oficial brasileiro e ele deverá ser exonerado de seu cargo, bem como ser obrigado a responder a processos como o de assédio e racismo após o seu retorno ao Brasil.
Lembrando que isso tudo não é mimimi, nem chilique feminino, não! Saibam que é assédio e todo assédio é um tipo de violência que pode deixar marcas físicas ou psicológicas em sua vítima, aumentando com isso os riscos de surgimento de patologias, tais como: depressão, ansiedade e um quadro de baixa autoestima.
Falando nela, a russa ainda não se manifestou publicamente e nem fez queixa contra os assediadores. Por enquanto, permanece na dela, quieta e talvez só observando se o caso irá fermentar internamente e transbordar oficialmente para além dos limites territoriais russos porque pelas redes sociais ele já se espalhou.
A conclusão tirada disso tudo é uma só: nós estamos levando outra goleada e desta vez não são dos alemães e sim, dos russos e não nos gramados, mas no quesito educação, pois desde a cerimônia de abertura da Copa do Mundo temos visto um povo disposto a receber seus convidados e visitantes que ali estão para acompanhar a disputa esportiva da melhor maneira possível.
Outro pensamento é que o morno preocupa! A temperatura intermediária além de ser propícia para a proliferação de bactérias em alimentos, também reflete certa indiferença, apatia do povo brasileiro diante da disputa e de questões que extrapolam os campos, tais como: crimes de colarinho branco, os cortes nas verbas destinadas à educação, segurança, saúde pública, pesquisa e as artes, bem como a falta de vontade de nossos governantes em apostar no desenvolvimento social, econômico e cultural do país. Isso sim é um episódio vexatório para uma nação!
Meu desejo continua sendo de que a Copa do Mundo na Rússia seja uma festa semelhante à de São João: quente, ardida, animada e repleta de sentimentos e bons momentos!
Maria Oxigenada       
Foto: reprodução     
 
OS PRODUTORES
A ideia de levar vantagens produzindo filmes e peças teatrais não é de hoje e nem coisa de brasileiro, não! Tanto é verdade que Thomas Melhan e Mel Brooks pensaram no tema na década de 60 e levaram aos palcos americanos o musical “Os Produtores”.
A obra tornou-se um grande sucesso não só no circuito Broadway como em todo o mundo, pois países distintos já o montaram no decorrer de todos esses anos. Aqui no Brasil, o musical foi levado aos palcos duas vezes pelo ator e diretor Miguel Falabella, uma no ano de 2007 e outra, agora.
Produzir uma peça ruim como “Primavera para Hitler” é o passaporte para o produtor Max Bialystock (Miguel Falabella) e seu contador Leo Bloom (Marco Luque) sair da pindaíba em que se encontram financeiramente. Para isso, eles precisam desviar parte das doações feitas por algumas fãs fervorosas e idosas apaixonadas por Max para seus próprios bolsos, assim como camuflar o livro caixa e optar pelos piores profissionais atuantes no mercado.
O fracasso de público faria com que a peça não permanecesse em cartaz além do primeiro final de semana e com isso, eles seriam obrigados a desocupar o teatro, dispensar o elenco, diretor, figurinista e equipe técnica, bem como desfrutar do restante do dinheiro em uma viagem para o Rio de Janeiro.
Para desgosto da dupla, a peça começa a ser comentada entre as pessoas e lotar as suas sessões. A explicação para tal feito é que ela se transformou em uma obra cômica, apesar do tema sério que ela tem a pretensão de tocar e que são os horrores da Segunda Guerra Mundial. E o mérito disso são as participações sob os holofotes da dançarina sueca Ulla (Danielle Winits) e o afetado diretor Roger de Bries (Sandro Christopher).
O tiro sai pela culatra e Max e Leo acabam sendo presos, precisando explicar suas movimentações financeiras às autoridades locais e desfrutando de tempo de sobra na cadeia para pensar sobre suas atitudes e a próxima produção feita por eles. Trata-se de “Prisioneiros do Amor”. Título mais conveniente, impossível!
Para quem não sabe, os números do musical “Os Produtores” são elevados e conta com 16 cenários diferentes, 350 peças de figurino, 60 perucas, 25 atores em cena, além de uma orquestra composta por 11 músicos. Entretanto, um de seus destaques é o sapateado clássico presente entre os números de dança presentes. Lindíssimo!
Quanto à atuação da trinca de atores principais, o realce recai sobre a interpretação da atriz Danielle Winits. Ela parece ter nascido para o papel, pois está desenvolta em cena, afinada, em forma fisicamente e incorporando o sex appeal exigido pela personagem.
Fica perceptível também o domínio de palco de Miguel Falabella, assim como o seu tempo para comédia e sua evolução vocal desde a sua participação no musical “O Beijo da Mulher Aranha”, em 2001. Cabe a ele fazer algumas pausas para respiro durante o espetáculo através da interação com o público presente e a realização de piadinhas com pegada atual.
Agora, a decepção ficou a cargo do comediante Marco Luque. Apesar de ser veterano em espetáculos de stand-up comedy, transparece sua inexperiência em musicais, assim como sua falta de técnica vocal e expressão corporal. O ator surge travado diante da plateia e assim permanece até sua última cena. Acredito que ele esteja ali como isca para atrair internautas, ouvintes de rádio e simpatizantes de espetáculos de humor ao teatro.
A boa notícia é que atores coadjuvantes transformam as cenas em que fazem parte, jogando para cima a vibe do musical, tais como: Mauricio Xavier (Carmen Ghia) e Edgar Bustamante, como o nazista Franz Liebking. Aliás, a imitação deste último de uma pomba é hilária!
E para encerrar meus comentários, eu não poderia deixar de tecer mais uma crítica a ele. Esta diz respeito à duração do musical, pois “Os Produtores” conta com quase três horas ao todo e acaba cansando o espectador desacostumado com o gênero, apesar de contar com um intervalo de 15 minutos entre o primeiro e segundo ato.
Então, para quem deseja assistir a remontagem de um musical clássico, ganhador de vários prêmios Tony Awards, além de rir descaradamente, eu indico a ida ao teatro Procópio Ferreira. No meio de julho, a peça aterrissa no teatro Viva Rio, na capital fluminense, para uma curta temporada.
Beijocas,
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: teatro Procópio Ferreira, localizado na rua Augusta, 2823.
Quando: quinta e sexta, às 21h; sábado, às 17h e 21h; e domingo, às 15h30. 
Preço: a partir de R$ 75,00. 
Fotos: reproduções    


GATOS DA COPA
Abana, abana! Tô sem fôlego! O desfile de beldades na telinha começa hoje e dali suco de maracujá para gente abaixar a bola e conseguir prestar atenção nos jogos, né! 
A impressão que tenho é que a cada Copa do Mundo uma nova leva de bonitões surge para nos hipnotizar e encantar com dribles, corridas explosivas, goles e, é claro, suas pernas pra lá de torneadas.
Meu coraçãozinho está palpitando desde o dia em que folheei o álbum de figurinhas do Paulinho, então imaginem quando estiver de frente à televisão e acompanhando cada jogada das 32 seleções participantes.
A disputa pelo título de jogador mais gato será ferrenha, pois pelo que pude observar é que o termômetro delícia já disparou antes mesmo da cerimônia de abertura do evento e nós vamos pirar na tentativa de escolher somente um.
Por mim, eu distribuía medalhas de ouro para uns dez e a mesma quantidade de prata e bronze para tantos outros. E para não ser injusta com nenhum dos jogadores e dar aquele incentivo aos ogros ou piratas presentes, presentearia os filhotes de felinos com alguns botons, há, há, há...
O pódio na ocasião está reservado para alguns novatos e outros veteranos dos gramados, mas sem dúvida alguma o lugar mais alto deste vai para Alisson Becker (Brasil) ou para o islandês Rúrik Gíslason. Lindos!
Cristiano Ronaldo, de Portugal, manterá o título de jogador mais vaidoso das últimas copas e o nigeriano Alex Iwobi ganhará o troféu do sorriso que provavelmente incendiará os campos russos.
Enquanto isso, o espanhol Gerard Piqué e o francês Antonie Griezmann disputarão sobrancelha a sobrancelha para definir quem tem o olhar mais expressivo da disputa mundial. Aliás, a dobradinha com Griezmann também será feita com Leonel Messi pela manutenção do olhar tristonho do momento.
Entretanto, a barba que todas nós sonhamos que arranhe nossos corpichos é sem dúvida alguma a sustentada pelo jogador francês Olivier Giroud. Agora, a faixa de topetudo da vez vai para o jogador italiano Daniele Rugani.
O fato é que ninguém tira a medalha de ouro de boca mais carnuda e boa de beijar do alemão Manuel Neuer. Já o nariz pontiagudo de Denis Suárez e as orelhinhas de Dumbo do jogador francês Lucas Hernandez estarão lá para quebrar a perfeição estética da competição, né!
A taça de jogador que tem o corpo mais riscado da competição foi retirada das mãos de Neymar Jr. e entregue a outro jogador da seleção canarinho: Philippe Coutinho. Junto com ele, James Rodriguez irá ostentar o troféu de coxas grossas mais interessantes vistas durante todo o mês de junho na Rússia.
Enquanto isso, o título de careca mais brilhante do mundial vai para o jogador da seleção inglesa Ashley Young e o título de Sr. Simpatia vai para Marco Asensio, da Espanha.
Uma coisa é fato: o sangue vai ferver de agora até o final da Copa do Mundo, pois já no amistoso realizado no último domingo do Brasil contra a Áustria, eu percebi que haverá vários felinos com pedigree em campo e que nem mesmo ar-condicionado, leques ou bebidas geladas irão dar conta das brasas já acesas, há, há, há.. 
Beijocas,  
Maria Oxigenada       
Fotos: reproduções


DIA D
“Hoje, é hoje, é hoje!
Hoje eu tenho uma proposta
A gente se embola
E perde a linha a noite toda

Hoje eu sei que você gosta
Então vem cá encosta
Que assim você me deixa louco...”
(Ludmilla)

O dia promete! Antes das 7 h da manhã, meu celular apitou anunciando a chegada de um novo whatsapp e quando abri meus olhos e peguei o celular, vi que era uma mensagem do Fê. Para a minha surpresa, ele me enviou uma sequência de fotos sensuais e até nudes com legendas provocativas e contendo parte da música “Hoje”, da cantora Ludmilla.
Confesso que achei que estava sonhando e precisei de alguns segundos para absorver aquela visão do paraíso, há, há, há. Na realidade, a ousadia foi mais que um bom dia e sim, um convite malicioso para mais tarde, ou melhor, para o pós jantar, pois hoje é dia dos namorados! Ueba!
A minha resposta não seguiu a mesma linha, não! Primeiro porque estava toda amassada, descabelada, com ramelas nos olhos como gatinha e precisando retomar meu fôlego. Segundo porque uma foto com teor semelhante exigiria uma pequena produção minha e terceiro porque achei melhor eu ligar imediatamente e atear fogo no queridão antes de partir para a ação mais tarde.
Ele atendeu ao celular rindo e todo empolgadão! Disse-me que ficou o final de semana inteiro maquinando sobre o assunto e testando algumas poses, como em cima do skate, em frente ao espelho, abraçando o travesseiro numa réplica tosca da histórica foto de John Lennon e Yoko Ono, mas decidiu-se por tirá-las saindo do banho, com cabelos ainda molhados e pingando. Mais fresh, impossível!
O álbum começou com ele enrolado na toalha. Na sequencia, ele aparece soltando a bendita e as demais fotografias é a visão do céu com o Fê nuzinho da Silva, com cara de sacana e fazendo graça com o queridão, há, há, há...
Amei!
Eu não tinha pensando em nada especial para o dia dos namorados e nos últimos tempos ando bem acomodada e oferecendo somente o arroz com feijão mesmo, mas depois dessa surpresa terei que me esforçar em dobro para criar uma refeição completa, com entrada, prato principal e sobremesa; tudo para não decepcioná-lo, né!
E para não cair na mesmice, eliminei por completo investir em uma lingerie nova e sexy. Também descartei a compra de calcinhas comestíveis ou brinquedinhos eróticos e surfei na onda das heroínas de HQ e corri atrás de uma fantasia da Viúva Negra.
Preso na minha teia o Fê está há muitos anos, mas não tenho coragem de envenená-lo ou exterminá-lo da minha vida, não. Pelo contrário, eu tô pensando em como mantê-lo o maior tempo possível interessado no acasalamento, no meu oxigenado corpicho e em mim...
Talvez se eu usasse a mesma técnica de lavagem cerebral que foi aplicada por agentes soviéticos na personagem de HQ, eu conseguiria o resultado esperado ou quem sabe, investisse em algumas ferramentas de sedução aprendidas no meu passado negro, ou melhor, se eu desse aquele beijo de viúva ou um choque elétrico emitido pelo bracelete da heroína, hein?
É isso! Achei o caminho. Não posso me esquecer de investir nos acessórios, especialmente em uma peruca ruiva porque o Fê vai achar que está flertando e indo para cama com uma estranha, há, há, há. Fantasia melhor que essa não há, né!
Eu ainda não coloquei ponto final no roteiro que será encenado hoje à noite, mas uma coisa é fato: eu farei jus ao presente que ganhei pela manhã! A boa nova é que uma aventura solo da personagem está em andamento e sendo produzida pelos estúdios americanos e com certeza, ela servirá de inspiração para eu continuar golpeando o Fê por anos a fio.
A mudança de faixa dessa luta é hoje! Senta que lá vem outras oxigenadas histórias por aí porque o que não nos falta é uma trilha sonora propicia para ilustrar nossas aventuras a dois.
O refrão perfeito para o agora é:
“Hoje, é hoje, é hoje!
Eu tô querendo te pegar gostoso
Hoje, é hoje, é hoje!
Tô querendo te pegar de novo!” (Ludmila)
Maria Oxigenada     
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OITO MULHERES E UM SEGREDO
No ano em que a série “Sex and the City” completa 20 anos e o filme “O diabo veste Prada” doze, foi lançado no último final de semana outra película fashionista. “Oito mulheres e um segredo” chegou para a alegria geral de quem curte moda, comportamento e o estilo de vida de grandes centros urbanos.
Só pelo título da obra vocês já podem imaginar o seu enredo, pois remete a outro sucesso de bilheterias “Onze homens e um segredo” e até por isso, fica evidente que tem um roubo milionário envolvido, porém este não acontece dentro de cassinos de Vegas ou cofres bancários e sim, durante o Met Gala, baile promovido pela revista Vogue no Metropolitan Museum, em Nova Iorque, e que reúne artistas, celebridades, modelos e estilistas renomados anualmente.
O objeto de desejo da vez é o colar Jeanne Toussaint, lançado pela marca Cartier, em 1931. Avaliado em US$ 150 milhões, a joia será ostentada na ocasião no pescoço da anfitriã Starlet Daphne (Anne Hathaway) e é dele que um grupo de sete outras mulheres tentará retirá-lo discretamente.
Para isso, um plano elaborado por Debbie Ocean (Sandra Bullock) durante o período em que esteve presa entrará em ação com a ajuda de Lou (Cate Blanchet), da estilista Rose (Helena Boham Carter), da racker Nine Ball (Rihana), da dona de casa Tammy (Sara Paulson), da mão leve Constance (Awkwafina) e da joalheira Amila (Mindy Kaling).
O que nós podemos esperar da película é um desfile na telona de peças de cair o queixo, criadas pela figurinista Sarah Edwards, além de outras de marcas como Stella McCartney, Alaia, Prada, Burberry, Yves Saint Laurent, Tony Burch, Jenna Lyons, etc.
É claro que algumas figurinhas do mundo da moda e artístico serviram de inspiração para a profissional construir os looks vistos na obra, tais como: Vivienne Westwood, o músico Keith Richards, a ex-modelo e ex-diretora de revista Grace Coddington, o cantor Bob Marley, a atriz Elizabeth Taylor, assim como o movimento rastafári, a street art e a pegada skatista.
Houve também o endosso de tendências vistas nas últimas semanas internacionais como peças em couro colorido, ternos de veludo, animal print, plumas e peles falsas, babados, sereismo, além de muitas peças de alfaiataria, oversized, calças pesadas e com bolsos laterais enormes, sobretudos, camisetas estampadas, óculos de gatinho, botas de cano médio e alto, maxi colares, entre outras.
Para completar as produções, o uso de franjas, cortes desfiados ou cabelos escovados, assim como a presença de tranças rastafári, o uso de acessórios na cabeça, de olhos marcados, peles fresh, boca nada ou colorida com batom rosa.
Outro ponto positivo é que o filme possui um ritmo acelerado e coerente com a velocidade vista em grandes metrópoles, redes sociais ou ainda, por ter sido costurado por uma edição eficaz e que tem a presença de uma trilha sonora que colabora para potencializar essa sensação de urgência.
Agora, não há como ignorar ao fato de que a película faz questão de evidenciar o “empoderamento” feminino, de reforçar a mensagem de igualdade entre gêneros, nas vantagens de se trabalhar somente com mulheres e no posicionamento coadjuvante masculino. 
Pela sua pegada fashionista, por ser divertido, leve e principalmente por contar com um elenco de peso, eu indico a obra.
Maria Oxigenada        
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ACERTANDO O PASSO

A verdade é que eu já perdi as contas de quantas vezes eu comentei com vocês sobre o poder transformador da dança e no filme “Acertando o passo” a atividade ganha destaque através de um grupo da terceira idade.
Entretanto, os passos de valsa ou de mambo surgem para melhor costurar o drama vivido pela dona-de-casa Sandra Abbott (Imelda Staunton), pois no dia em que recebeu o título de Lady e durante a festa de aposentadoria de Mike (John Session), seu marido, a protagonista descobre que ele está tendo um caso com sua melhor amiga.
O chão se abre sob os pés de Sandra e ela corre para a casa e para os braços de sua irmã mais velha Bif (Celia Imrie). As duas não se viam há anos, pois são pessoas muito diferentes e com poucas afinidades porque a personagem principal é esnobe, preconceituosa e carregada. Já a segunda leva uma vida simplória ao lado de amigos, desfruta de pequenos prazeres e surfa pela vida de maneira leve e de maneira despretensiosa.
Mas elas comungam da paixão pela dança e é Bif quem leva Sandra às aulas de dança de salão que frequenta semanalmente, incentivando-a a sair de casa, a redescobrir os benefícios de riscar o chão da quadra sozinha ou na companhia de um parceiro. O resgate da autoestima da personagem acontece aos poucos, bem como os seus sonhos juvenis e desejos femininos.
Paulatinamente, Sandra vai afrouxando as amarras que a prendia a uma vida apática e a uma relação falida e começa a abrir espaço em seu coração para novas pessoas e amizades, tais como: Charlie (Timothy Spall), Jackie (Joanna Lumley) e Ted (David Hayman), amigos de longa data de Bif.
A película acerta em também abordar alguns problemas da velhice, como doenças, a solidão vivida por muitos, além das tristezas que acompanham a faixa etária como a despedida de pessoas queridas, mas peca no excesso de clichês existentes, no ritmo adotado e em sua duração, pois bem que poderia ser mais enxuta e mais veloz.
E por que assistir ao filme? Primeiro pelo fato de lançar o olhar para pessoas acima de 65 anos. Segundo por contar com personagens interessantes e terceiro por ser protagonizada por ótimos atores. Destaque para Celia Imrie e para Timothy Spall que roubam as cenas em que aparecem.
Despretensioso e emocionante, o filme é um bom exemplar de como devemos gozar a vida e como nós devemos nos comportar diante de problemas surgidos ao longo de nossos caminhos, pois a conclusão tirada é sempre a mesma e a de que a nossa passagem por aqui é muito curta para ficarmos presas aos detalhes, ao que nos faz infelizes e ao que nos impossibilita de bailarmos pela vida com a destreza somente vista em dançarinos profissionais.
Eu gostei. 
Maria Oxigenada

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TULLY
Um trem desgovernado. Bem isso! Até parece ironia eu fazer comparações com meios de transporte, justo agora que acompanhamos e sofremos as consequências da paralisação dos caminhoneiros de todo o país, mas o filme “Tully” retrata o caos na vida de Marlo (Charlize Theron) depois da chegada do seu terceiro filho.
A dinâmica familiar parece sugar não só as energias da protagonista, como também sua sanidade, pois todo o tempo parece arrastar correntes, tamanho o seu cansaço físico e mental dela, mas não se engane porque a película não fica presa, não! Ela tem ritmo, conta com diálogos afiados, com situações cômicas, bem como com passagens dramáticas mostradas e vividas pela personagem principal.
Não vou dizer que o filme é como uma fralda cheia, mas ele traz sim algumas surpresinhas! Também pudera, né! Maternidade é um tema abundante, que rende horas e horas de conversas e que até por esse motivo, pode ser explorado por prismas distintos.
O caminho seguido por “Tully” é o sinuoso, que expõe a realidade sem filtros, tornando-se de fácil identificação porque a protagonista não só precisa se desdobrar para cuidar de um recém-nascido, como também fazer as tarefas domésticas, dar atenção aos outros dois filhos, sendo que o do meio necessita de cuidados especiais, pois apresenta um grau leve de autismo.
E como se não bastasse este cenário com vários tons cinzentos, Marlo ainda precisa aceitar a passividade e imaturidade de seu marido, pois ele não colabora com nada em casa, aproveitando seus momentos de folga em frente à televisão e jogando videogame.
Sensível ao drama de Marlo, seu irmão Craig (Mark Duplass) sugere a contratação de uma babá noturna para cuidar de Mia, o bebê, amenizando com isso as suas noites mal dormidas e sua sobrecarga diária.
Em um primeiro momento, a protagonista recusa o presente, mas com o passar dos dias ela percebe que não irá dar conta de tudo e liga para Tully (Mackenzie Davis) para que a moça comece em sua casa imediatamente.
Um voto de confiança é dado à babá de 26 anos, mas a verdade é que Marlo desconfia das boas intenções da garota, sentindo-se insegura de deixar sua filha pequena aos cuidados de uma pessoa jovem, solteira e que ainda não desempenhou o papel de mãe.
Devagarzinho, uma amizade surge entre as duas e elas começam a trocar confidências e intimidades e com isso, o filme vai ganhando cores, outras camadas e aprofundando sua temática e mostrando a realidade vivida pelas mulheres contemporâneas.
O fato é que “Tully” é uma película com vários pontos de virada em sua narrativa. O primeiro acontece com a chegada do bebê, o segundo com a chegada da babá na vida da personagem principal e o terceiro com o desfecho surpreendente criado por Diablo Cody, roteirista do longa metragem. Aliás, depois de “Juno”, esta é a obra de maior sensibilidade desenvolvida pela profissional nos últimos anos e tenho certeza de que não irá passar despercebida pelos festivais de cinema mundo afora.
Agora, não há como não comentar os esforços feitos por Charlize Theron. A atriz engordou 23 quilos para compor seu personagem, além de assumir semblantes que ora transparecem ansiedade, ora ternura e ora preocupações e desconfortos como qualquer pessoa que mergulha no papel de mãe sem rede protetora.
Por colocar em foco as dores que envolvem o processo de amadurecimento pessoal e de um casal, por fazer um retrato fidedigno sobre as agruras maternas e sobre o esgotamento enfrentado pela maioria de nós diante de tantos papéis que escolhemos desempenhar ao longo de nossas vidas, eu indico a obra.
Dilacerante, lindo e necessário!
Maria Oxigenada 
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EU SÓ POSSO IMAGINAR

Taí um nicho que é pouco explorado pelos estúdios americanos e por produtores cinematográficos: o gospel. E o lançamento do filme coincidiu com o feriado de Corpus Christi e com a realização da Marcha para Jesus, evento que reuniu milhares de evangélicos não só na capital paulista, como também em outras cidades de todo o mundo e onde artistas atuantes no segmento se apresentaram ao ar livre e para uma grande plateia.
E por ser um tema pouco observado nas telonas é que eu resolvi comentar sobre a película. Baseada em fatos reais e na vida de Bart Millard (J. Michael Finley), vocalista da banda MercyMe e autor da música “I can only imagine”,  canção ganhadora de vários prêmios e carro chefe do CD de lançamento da banda americana.
O espectador acompanha o crescimento de Bart e todos os dramas que envolvem sua vida, pois ele foi abandonado pela mãe ainda criança e foi obrigado a conviver com um pai violento, que o desprezava e o maltratava frequentemente. Apesar disso, Bart não se tornou um “revoltadinho” ou bad boy. Pelo contrário, ele sempre foi um filho gentil e um amigo e namorado amoroso e disponível. 
A música foi sua arma contra a violência doméstica e sua companheira inseparável depois que ele sofreu um acidente enquanto jogava futebol. Depois disso, ela ganhou outro patamar em sua vida, pois sem poder praticar esportes Bart entrou para o coral da escola e cursou aulas de artes cênicas e com isso, descobriu os palcos e seu real talento.
Após a formatura do segundo grau, o protagonista da obra parte para desenhar a jornada do herói, correndo atrás de seus sonhos e da chance de se tornar um artista reconhecido. Neste ponto, o filme torna-se um road movie, pois o personagem  assume os vocais da banda MercyMe e com ela começa fazer pequenas apresentações em bares de cidades do interior do Texas.
O grupo é visto pelo produtor musical Scott Brickell (Trace Adkins) e a partir de então ele começa a representa-lo no meio artístico, mas a verdade é que eles não contam com um hit de peso e muito menos, com composições autorais que valeriam a aposta e o investimento de uma grande gravadora.
Um balde de água fria é jogado nas cabeças dos integrantes da banda e Bart resolve retornar para sua casa para tentar desatar os nós que ainda o aprisionam e quando lá chega depara-se com seu pai completamente mudado, frágil e doente.
As dores de Bart são gatilhos para o desenvolvimento de seu processo criativo e para a composição de canções bem sucedidas, tais como “I can only imagine”, música lançada em 2001 e ganhadora de dois “Dove Awards” e que se tornou um hino de esperança para muitas pessoas. Além disso, ela já foi gravada por vários artistas, inclusive cantores brasileiros.
“Eu só posso imaginar” conta com boa química entre os dois personagens principais, mas o destaque da obra recai sobre a atuação de Dennis Quaid, no papel de Arthur. Já o ator J. Michael Finley faz bem sua lição de casa, convencendo o espectador com a construção do seu Brad, porém as cenas do ator não exigem tamanha entrega como no caso de Dennis Quaid, né!
Outro ponto positivo da película é que ela não demandou grandes investimentos para ser rodada porque possui poucas locações, boa trilha sonora e nenhum efeito especial, se comparado às aventuras de heróis de HQ.
Entretanto, ela peca em alguns aspectos, tais como: em não apresentar aos espectadores leigos alguns dos artistas presentes na obra como a cantora gospel Amy Grant ou em querer nos entubar passagens bíblicas e mensagens de cunho religioso.
Tá, tá, eu sei que é esse o foco da obra, mas ela poderia fazer isso de maneira mais sutil, paulatinamente e com a construção de diálogos comoventes ou com a presença reinante de momentos silenciosos ou ainda, a existência de sequencias que tivessem a condição de transmitir recados implícitos aos espectadores.
“Eu só posso imaginar” vale sim ser visto, pois conta uma historia verídica de amor entre um pai e um filho, a difícil tarefa humana de perdoar quem mais nos machuca e por colocar sob os holofotes uma fatia do mercado fonográfico  desconhecida por muitas de nós.
Beijocas,
Maria Oxigenada          

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DEADPOOL 2 Uma tirada atrás da outra! É assim que o roteiro do filme “Deadpool 2” é construído. Além disso, ele ainda conta com várias referências da cultura pop, assim como piadas de cunho sexual, a presença de metalinguagem e de quebra, uma história que tem uma pitada de romance, ação, um vilão horroroso e um protagonista “bagaceira”, interpretado novamente pelo ator Ryan Reynolds.
Desta vez, o personagem principal precisa ajudar uma criança, ou melhor, um mutante abusado sexualmente a controlar seus poderes e esquecer a vingança planejada contra os funcionários do orfanato onde cresceu, além de fazer aquele acerto de contas com Cable (Josh Brolin), um combatente do futuro, e ainda dar um chega para lá no vilão Colossus (Stefan Kapicic).
E apesar do Deadpool contar com o poder de cura, não estar nem aí com o seu futuro como herói e se jogar de corpo e alma em aventuras, ele necessita da ajuda de novos amigos, ou melhor, de alguns mutantes para dar conta de tudo e todos, por isso ele forma a X-Force, uma força extra de ação.
O destaque entre os coadjuvantes da obra recai sobre Domino (Zazie Beetz), mutante pra lá de sortuda que dá um up-grade na película com tiradas cômicas e cenas de ação e que até por esse motivo deve retornar em um próximo filme do herói ou em outros onde a X-Force apareça.
Já o ator Josh Brolin é figurinha repetida em filmes de super-heróis, muito provavelmente porque conta com uma fisionomia marcante, especialmente uma mandíbula quadrada que funciona bem para a caracterização de personagens de HQ.
Agora, não há como tirar o brilho de Ryan Reynolds, pois o ator está soltinho, soltinho na fantasia vermelha e na pele do herói boca suja, tagarela e apaixonado por Vanessa (Morena Baccarin), sua namorada no filme.
Outro fator interessante é que o personagem principal também “tira onda” de si e de outros heróis na cara dura. Sem amarras morais, ele não hesita em fazer comentários diretamente aos espectadores e com isso, quebra a quarta parede e faz tentativas de aproximação com o público.
As sequencias cinematográficas costumam decepcionar os espectadores e enfraquecer a imagem do herói perante seus amantes, entretanto isso não acontece com “Deadpool 2”, pois ele mantém os pontos fortes vistos no primeiro longa metragem e ainda, extrapola a zoação original.
Até por esse motivo, a censura do filme aqui no Brasil foi fixada em 16 anos e no exterior nos 18 anos. A boa notícia é que há cenas pós-créditos e elas são a pá de cal que faltava para que nós deixemos a sala de exibição satisfeitas com o valor pago do ingresso.
Confesso que tive crises de risos durante toda a película e jamais imaginei que os americanos pudessem fazer um filme tão despudorado como este, pois essa é uma característica típica dos brasileiros, né!
Para quem procura por diversão, riso fácil e por um programa leve e politicamente incorreto, eu indico a obra.
Maria Oxigenada 
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MATERNIDADE A maternidade é mais um capítulo na vida de muitas mulheres e fêmeas de outras espécies, mas a realidade é que algumas não nasceram para desempenhar tal papel. No reino animal isso não é algo raro e muitas fêmeas também rejeitam seus filhotes logo que nascem ou que percebem que não irão sobreviver.
Em contrapartida, há outras que adotam filhotes alheios e há até aquelas que amamentam crias que não são as próprias, pois o instinto materno fala mais alto nessas horas e elas o seguem sem hesitação.
Acredito que esse não seja o caso de Baby, a calopsita da Rita, minha vizinha. Eu já comentei sobre ela com vocês tempos atrás e volto ao personagem para contar as novidades envolvendo a ave branca de topete amarelo.
Desta vez, não irei falar sobre seus showzinhos privês, nem sobre sua desenvoltura em fazer moonwalker para chamar a atenção de seus donos ou ainda, sobre suas aventuras domésticas em seu playground particular e muito menos, discorrer sobre as caronas que ela pega no cangote do Almôndega vez ou outra. Nada disso!
Eu vou falar sobre o comportamento atípico adotado pela Baby depois que ela botou quatro ovinhos. Não é de hoje que a Rita espera por uma cria da ave, pois para acabar com sua solidão ela arrumou um companheiro tão topetudo quanto ela para lhe fazer companhia.
Depois de muitas desavenças e bicadas de Baby no macho, ela cedeu aos seus encantos. O problema é que ela é imatura e mesmo depois que botou seus primeiros ovinhos tocou a vida como se não tivesse responsabilidade alguma em relação aos eles e simplesmente não chocou os dito cujos. Atitude típica da juventude, né!
Eu sei, eu sei que esta tarefa não é das mais fáceis e que requer paciência e disposição física para realiza-la. Perguntem para as galinhas do sítio do meu avô e elas irão dizer, ou melhor, cacarejar todas as agruras dos primeiros dias como mães.
Algumas se acabam e ficam realmente abatidas após botarem seus ovos, pois precisam passar dias em cima das esferas, aquecendo seus filhotes para que eles cresçam e consigam romper as cascas de suas estufas particulares.
As saídas do galinheiro são bem esporádicas e muitas vezes, as galinhas não tem tempo hábil para serem discretas e saem atirando para todos os lados de tão apertadas que estão, há, há, há. Haja compreensão por parte dos demais moradores do poleiro de não reclamarem do odor forte, nem do excesso de sujeita no ambiente domestico.
É claro que esse rigor nunca fez parte da vida da Baby porque a verdade é que ela vive com sua gaiola aberta, circulando pelos cômodos da casa, subindo e descendo nos móveis e participando da vida familiar dos humanos que a adotaram.
E a ave é descolada, hiperativa e ao perceber alguma movimentação ou a presença de visitas na casa grande, abandona sem hesitar seu posto na maternidade e sai correndo para dar as boas vindas às pessoas, como se fosse a própria dona da casa. Só falta mesmo oferecer uma xícara de café fresquinho com petit fours, há, há, há..
A Rita me confidenciou que precisou dar uma mão para Baby; tudo por causa do frio que atingiu São Paulo na última semana. Ela comprou um ninho para os seus filhotes, acoplando-o na gaiola oficial do casal e recheando-o com gravetos e palha. E vez ou outra, ela precisa fechar a grade da gaiola para que Baby aquiete sua periquita e entre na estufinha para chocar seus filhotes.
A dúvida que paira no ar é se desta vez os filhotes irão vingar, se a família topetuda ira crescer e se Baby finalmente tomará jeito. Não sei, não! O que sei é que sua vida não está nada fácil, pois peguei o macho repreendendo-a e obrigando-a a diminuir suas escapadelas e suas andanças pelo local.
Nos poucos minutos que estive na casa da Rita também observei ela partindo para o ataque e para cima do queridão, distribuindo bicadas por todo o seu corpo, além de levantar a voz em sua direção. Justo ela que sempre foi de piar pouco, cantarolar menos ainda e falar nada!
Sinto cheiro de tragédia no ar. Eu no lugar da Rita não pensava duas vezes em separar o casal por uns dias, mantendo-os em gaiolas distintas para que a paz volte a reinar no ambiente e Baby não desconte sua raiva em seus próprios filhotes porque todo mundo sabe que há casos de fêmeas que matam suas próprias crias...
Rita está receosa também com o macho e com a possibilidade dele cair em depressão por ficar longe de seus filhotes, por isso continua monitorando a dupla, fazendo vista grossa em relação aos episódios de violência domestica e se esforçando para que os dois se entendam, amadureçam e aprendam a ser pai e mãe na marra.
Vamos aguardar cenas do próximo capitulo deste folhetim que mais parece um exemplar mexicano com pitadas de romance, ódio, interferências externas e muitas aventuras topetudas que nos faz concluir sobre as semelhanças existentes entre animais e os humanos.
Se não fosse o Almôndega, eu até cogitaria adotar um topetudo, mas ele já me dá muita dor de cabeça e trabalho. Para não ficar com o ninho vazio da espécie, eu vou comprar um canarinho Pistola de pelúcia, lançado pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para ser o mascote enfezado da Copa da Rússia, há, há, há...
Até a nossa próxima bicada,
Maria Oxigenada
Segue dica de filme que aborda as angústias, estafa e alegrias de uma mãe: “Tully” é o seu título.
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NA PONTA DA AGULHA O salto agulha foi alçado a outro patamar durante a última semana. Seguindo as comemorações do abril na dança, a academia que frequento estendeu sua programação especial até a metade do mês de maio e continua promovendo aulas diversas com o objetivo de fazer os alunos mexerem seus esqueletos e dar aquele up nas suas estimas.
Dentre elas, a hells class ou stiletto. Para quem desconhece esse estilo de dança, ele é realizado em cima do salto alto, forçando seus adeptos a treinar o equilíbrio, se jogar em passos de jazz, bem como melhorar sua postura corporal, a coordenação motora, a concentração e divar, é claro! Like Beyoncé, Britney Spears or Madonna.
Confesso que minhas expectativas em relação à aula estavam altíssimas e eu saí convidando e intimando todo mundo que encontrava pelos corredores do templo de malhação para participar do encontro nas alturas.
Dito e feito! No dia marcado, a sala de aula estava transbordando de gente e no meio da mulherada eu avistei lá no fundo do ambiente o Nicolau ostentando shorts jeans minúsculo, meias tipo arrastão e altivo em cima de um scarpin com salto agulha.
Na hora, eu pensei: ele veio! E chegou, chegando e na intenção de quebrar preconceitos, tabus e dar aquela sambada na cara dos ogros, homofóbicos e machistas de plantão.
Amei!
O melhor de tudo é que o Nicolau não se intimidou diante da concentração de tanto estrógeno e desfilou pela sala de aula de maneira desenvolta, além de fazer carão, rolar no chão igual a uma gatinha manhosa e dar pivôs melhores do que os realizados por profissionais durante os desfiles desta ultima edição do SPFW.
Não preciso nem dizer que ele foi à sensação da aula, transformando-a em sonho de igualdade e empoderamento, né! Confesso que nunca estive diante de tanta alegria, de tantos sorrisos largos e brilho no olhar, pois os olhos de Nicolau reluziam mais do que qualquer desfile de escola de samba ou os shows construídos por estilistas em semanas de moda.
E vocês sabem o melhor de tudo? Depois do término do encontro e enquanto eu calçava meus tênis, ele se aproximou do professor e disse que tinha realizado um sonho de criança e que precisou esperar por 68 anos para fazê-lo. Não é demais isso?
De quebra, eu ganhei um beijo estalado em cada uma das minhas bochechas como forma de agradecimento ao convite feito. Aprendi outra lição valiosa nessa vida: de que não devemos impor limites aos nossos sonhos e, muito menos, engaveta-los ou abandoná-los ao longo de nossa caminhada porque por mais simples que eles sejam, nós devemos fazer de tudo para coloca-los em prática, afinal de contas eles são importantes para nós e com isso, vamos afrouxando as amarras que insistem em nos prender dentro de armaduras adultas, né!
Obrigada, Nicolau!
Maria Oxigenada
Bafo do dia: Nicolau começou a fazer personal da modalidade a partir de hoje. Uhu! 
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SPFW
O cabo de guerra foi daqueles durante o SPFW. De um lado, alguns estilistas apostaram em uma moda sustentável, optando por usar tecidos tingidos naturalmente com cebola, espinafre, cúrcuma, feijão preto, carvão e sementes de avocado (Osklen, Fernanda Yamamoto e Fabiana Milazzo), além de couros, ou melhor, de peles extraídas do salmão e pirarucu.
Em contrapartida, outras marcas escolheram olhar para o lúdico e criaram narrativas fantasiosas sob os holofotes. O estilista Reinaldo Lourenço, por exemplo, foi fundo no universo cinematográfico, criando peças estampadas com rolos de filmes fotográficos em P&B. Já Samuel Cirnansck preferiu a fofurice da Hello Kitty e levou para as passarelas camisetas, bolsas e jaquetas com a estampa da personagem.
Enquanto isso, Fernanda Yamamoto estreitou seu olhar para a comunidade rural e autossustentável Yuba, amarrando sua participação no evento com um mix de cores, sobreposições, plissados e moulage. E Ronaldo Fraga resolveu transformar a tragédia ecológica de Fundão, região de Mariana, em arte e nos lembrar sobre os desdobramentos do trágico episódio.
O nomadismo e a miscigenação brasileira foi tema explorado pela UMA desta vez, por isso a presença de silhuetas soltas, looks ideais para viagens longas e peças que facilitam o armazenamento de pertences e documentos pessoais junto ao corpo, tais como as calças com maxi bolsos, macacões soltos, jaquetas de couro, coturnos, botas, bolsas grandes e echarpes.
As franjas, as plumas e os fios soltos foram detalhes que varreram para o álbum de memórias modismos de outrora e ajudaram na limpeza do que será visto durante as próximas estações. A saia de couro com franjas da Modem é um bom exemplo, assim como as bolsas com franjas enormes vistas na marca Lilly Sarti, os cintos bordados feitos com fios de Fabiana Milazzo, além dos fios  soltos do Apartamento 03.
Entretanto, a moda agênero, os maxi shapes, os looks confortáveis estiveram presentes durante todo o desfile de João Pimenta e Osklen. As formas geométricas como os triângulos, círculos e retângulos também bateram ponto em mais de uma entrada das modelos no show montado pela Fernanda Yamamoto. Aliás, a Modem trabalhou o assunto criativamente e colocou sua modelo vestindo um espartilho de metal esférico em cima de um vestido azul.
Agora, quem imprimiu um ritmo dançante, descontraído a sua apresentação foi mesmo a marca Memo e Isolda que trouxe dançarinas misturadas aos modelos em cima do palco. Destaque aos meiões, pochetes, capuzes e tênis de couro mostrados pela label.
Já a vibe caliente que está presente em coreografias de aulas de zumba, zouk, lambada e flamenco foi confirmada através da presença de babados assimétricos ou babados oversized (Modem e Água de Coco), no jogo de mostra e esconde realizado por Reinaldo Lourenço e Fabiana Milazzo, nos bordados manuais e delicados visto no desfile da Pat Bo, entre outros.
E surfando em uma onda contrária a sexy, Lino Villaventura recriou um clima misterioso e dramático através de uma coleção escura e com pontilhados, inclusive no make dos modelos. 
Nesta edição, os acessórios foram os queridinhos da mulherada e eles se resumem em: bolsas enormes, echarpes, pashiminas e lenços, bolsas feitas em tricô, bolsas nécessaire, sapatos peludos, presilhas com pedrarias, tiaras de dentinhos, piranhas, faixas grossas de couro, brincos marcantes e colares feitos de pedras brasileiras.
Confesso que eu gostei de vários shows, especialmente o criado por Ronaldo Fraga e Lino Villaventura. Destaque para a entrada e participação da apresentadora Marília Gabriela no do Ronaldo Fraga. Achei incrível também a ideia desenvolvida por Glória Coelho de usar tecidos high tech anticelulite para a confecção de suas peças e deixar isso claro através da escolha de tonalidades acesas.
A pegada esportiva desenvolvida por Juliana Jabour também faz um casamento duradouro com a estação que está só começando, assim como a presença de peças invernais e feitas a partir de veludo vistas no desfile de Handred. 
Só digo uma coisa: a lista das peças que gostei é enorme! Segue abaixo algumas delas: calça de couro com zíperes nas pernas (Reinaldo Lourenço), os sapatos com fitas amarradas e inspirados nas sapatilhas de bailarinas (Modem), o vestido P&B com saia de tule e detalhes em xadrez (UMA), o quimono rosa queimado (Fernanda Yamamoto), a parka verde abacate (Glória Coelho), o macacão marrom de veludo molhado (Handred), etc.
Como diz a música “O que é? O que é?”, de Gonzaguinha e cantada por Anitta no desfile da Água de Coco: A vida é um divino, mistério profundo e o sopro do criador, numa atitude repleta de amor. E foi exatamente isso que senti ao término da semana de moda, pois muitos artistas transpareceram um sentimento profundo em relação à vida, as riquezas naturais, ao futuro do planeta e dos seres humanos, além do lamento em relação à escassez de algumas matérias-primas hoje exploradas massivamente e algumas tragédias recentes.
A conclusão final é que não houve vencedor ou vencido na tração feita entre os participantes da programação fashion, pois quem saiu ganhando com o teste de força feito de maneira imaginária foram as pessoas que ali estavam assistindo aos desfiles ou que estavam acompanhando-os através da mídia e redes sociais.
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada      
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LOVE, LOVE, LOVE

O amor de um casal é retratado em três momentos: no final da década de 60, durante os anos 90 e em 2011. Na primeira parte da obra, Sandra (Debora Falabella) e Kenneth (Alexandre Cioletti) são jovens estudantes da Universidade de Oxford (Inglaterra), curtem a vida sem se preocupar com o amanhã e sonham em mudar o mundo com suas ideias revolucionárias e com seus espíritos libertos.
Entretanto, a aproximação dos dois acontece longe da esfera universitária e no ambiente doméstico, pois Henry (Mateus Monteiro), irmão de Kenneth, convida  sua “ficante” para conhecer seu apartamento em uma noite qualquer. Lá, Sandra fica encantada com seu “cunhado” que comunga do mesmo estilo de vida que ela e que está absorto na transmissão ao vivo, via satélite, da apresentação do grupo “The Beatles”. O conjunto inglês canta para o mundo um de seus maiores hits “All you need is love”.
Corta para a segunda parte do relacionamento da dupla. Agora, eles estão casados e com dois filhos adolescentes. Além disso, eles enfrentam problemas de comunicação e no relacionamento. Sandra, vivida nesse trecho da peça pela atriz Yara de Novaes, e Kenneth pelo ator Augusto Madeira já não comungam mais da sintonia de outrora, nem exalam aquela química de antes. O tempo foi cruel com eles e é perceptível a mudança no comportamento e nos sonhos dos dois. 
Já o terceiro e último retrato desse amor é feito quando a dupla já está aposentada e com os filhos crescidos. Gozando de boas condições financeiras, teoricamente os dois não teriam grandes problemas para administrar nessa fase da vida, mas eles se veem diante de filhos fracassados, dependentes financeiramente e emocionalmente e o pior de tudo, revoltados com suas realidades.
É claro que há uma lavagem de roupa suja em cena e cobranças, mágoas e ânsias veem à tona e são vomitadas diante da plateia. Outra percepção obtida por quem assiste a “Love, Love, Love” são os reflexos e as consequências da presença de pais egocêntricos, que passaram a vida inteira sem compartilhar de seu tempo livre com seus próprios filhos, bem como preocupados em ganhar dinheiro.
O melhor da montagem atual de Mike Barlett é sem dúvida alguma a construção dessa família disfuncional, onde o desequilíbrio existente entre seus membros é uma dura realidade em cena. Muitas vezes, os papéis dentro do núcleo familiar ficam comprometidos e corroboram para moldar personalidades nada saudáveis, tóxicas até, assim como para instalar um ciclo pernicioso de padrão comportamental pouco esperado.
Outro fator de relevância para que a peça “Love, Love, Love” seja considerada boa é que ela mescla momentos dramáticos com cômicos durante seus 110 minutos de duração, suavizando com isso os temas tratados sob os holofotes.
Destaque para a atuação da atriz Yara de Novaes que é a personificação da mãe/megera, através da adoção de uma postura altiva, de gestos arrogantes e de um comportamento distante e “bagaceira”. Debora Falabella também está bem nos dois papéis em que assume no palco, especialmente da filha revoltada Rose.
Confesso que me surpreendi com a presença cênica do ator Alexandre Cioletti e com sua capacidade de memorização, pois coube a ele falar a maior parte do texto escrito para a primeira parte da peça e este é enorme!
E é exatamente na abertura da obra que recai as minhas criticas, pois os diálogos que a compõe são fracos, rasos, chegando a entediar o espectador com o passar dos minutos. Agora, a boa notícia é que a peça melhora vertiginosamente a partir da retratação da década de 90 e dos anos 2000 com falas fluidas, discussões ácidas sobre os erros e acertos dos pais, bem como os embates entre as gerações ali presentes.
Quanto à cenografia vista, eu a achei pobre de início, mas com o passar do tempo fui compreendendo-a e achando-a coerente. Gostei da participação dos próprios atores nas mudanças feitas dos objetos presentes na caixa cênica e de acompanha-los nas suas trocas de roupas e na consequente incorporação de seus personagens.
Agora, o entrelace de questões políticas e intimidade é feito com a ajuda das canções ouvidas no palco. Não só o hino de amor criado pelo conjunto de Liverpool, como também outras feitas por Caetano Veloso, pela boy-band americana New Kids On The Block (“Step by Step”) e outros artistas.
Em resumo, “Love, Love, Love” é a representação nada sutil de três rounds do amor e suas várias facetas através de 40 anos. Então, para quem deseja fazer um programa cultural bacana neste feriado prolongado, esta é a minha sugestão.
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: teatro Vivo, localizado na avenida Dr. Chucri Zaidan, 2460 – Morumbi.
Quando: sexta, às 20h; sábado, às 21h e domingo, às 18h.
Temporada: até 27 de maio de 2018.
Preço: entre R$ 50,00 (inteira) e R$ 60,00 (inteira). 
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MINAS TREND


O excesso de bordados, de pedrarias, de detalhes com fios e o uso de rendas continua expressando o DNA dramático do Minas Trend, evento de moda que agitou a capital mineira na última semana, mas o barroco que sempre deu o tom da ocasião e que permeou todo o desfile de abertura desta edição perdeu força com o avançar da programação de moda e o que foi constatado foram coleções mais limpas, fluidas, leves e coloridas. 
Prova disso é que o shape solto esteve presente nas apresentações de algumas marcas, tais como: “Lucas Magalhães”, “Not Equal”, “Molett” e “Nammos”, assim como a estética minimalista e elegante destinada às mulheres que preferem circular discretamente pelos ambientes sociais.
Já as que preferem desfilar com peças lisas, recortadas e com decotes generosos, essas tenho certeza de que se encantaram com o desfile da marca “Skazi” que contou com a apresentação ao vivo da cantora Ludmilla e a participação da atriz Juliana Paes sob os holofotes.
A grande surpresa de 2018 foi que cortes e padronagens de outrora ganharam novas oportunidades para serem vistos e usados, como as mangas presunto, as cinturas altas, os mom jeans, as parkas e os maxi bolsos quadrados frontais. As marcas “Fátima Scofield” e “Manzan” foram as que embarcaram nessa viagem no túnel do tempo e trouxeram para as passarelas peças com pegada setentista e dos anos 80.
Entretanto, a tentativa de suavizar o tom adotado pelas estampas típicas do outono e inverno foi à ideia seguida pela marca “Virgílio Couture”, pois a label montou várias produções a partir do casamento do xadrez colorido com animal print e seu deu bem!
Agora, sem dúvida alguma o mix de padronagens, assim como a presença massiva de cores quentes como o vermelho e laranja nas produções, além do fato de alguns looks serem vitimas do resfriamento pontuais proposto por alguns estilistas através da presença do azul e verde chamou a minha atenção.
O outro destaque da edição foram os acessórios. “Mara”! E nessa caixa de bijus teve espaço para as flatform retas, coloridas e texturizadas (“Vicenza”, “Paula Bahia”, “Ferrucci”, “Julia Gomes”, “Tatiana Marques”, entre outras), para os brincos e colares feitos com pérolas enormes, além das bolsas redondas de cetim de “Fabiana Scofield”, os cadarços vibrantes de tênis de “Lucas Magalhães”, as armações retas dos óculos de sol da “Manzan”, os chapéus de tricô e as maxi bolsas da “Molett”.
Se eu tivesse que pinçar duas peças vistas durante o Minas Trend, sem dúvida alguma seria o vestido todo drapeado apresentado pela “Manzan” e os kaftans coloridos da “Nammos”. Lindíssimos!
No momento, eu estou recuperando meu fôlego para poder soltar o verbo em relação aos primeiros desfiles da SPFW que já começaram e que prometem ser um mergulho profundo na fluidez, na moda praia e sustentável. Já sei que o primeiro dia do evento foi costurado com a participação do estilista Gustavo Silvestre, responsável pelo projeto Ponto Firme, que levou às passarelas uma coleção e peças de crochê; resultado do trabalho de detentos da penitenciária “Desembargador Adriano Marrey” (Guarulhos).
Eu volto já, já com outras novidades fashion!
Beijocas,
Maria Oxigenada     
Fotos: reproduções


 



FAROL ACESO

Ai, ai, ai, não é nada disso que vocês estão pensando! Credo! Que mentes poluídas! Na verdade, eu estou me referindo ao Veste Rio, evento de moda que agitou a capital fluminense na última semana.
O que foi percebido é que a conversa travada no Pier Mauá esteve envolta na eletricidade existente nas tonalidades acesas como visto nos desfiles da “Maria Filó”, “Wasabi”, “UV Line” e “Luisa Farani” e em propostas sustentáveis como observado na marca “Augustana”. Já as marcas “Keymono Project” permeou sua apresentação através da temática do empoderamento feminino e seu deu bem!
A estética oriental também esteve presente durante as apresentações, ajudando na construção de produções feitas a partir de peças com amarrações, golas de padre, quimonos, sandálias baixas ou slides de couro e acessórios feitos a partir de bambus. Ideias exploradas pelas marcas “Esc Brand”, “Neriage” e “Keymono Project”.
Os looks minimalistas não poderiam faltar na ocasião, já que o evento foi feito para apresentar aos convidados e à imprensa propostas do que será usado durante o verão 2019. Um bom exemplo foi a label “Haight” que balanceou suas produções com peças minimal em conjunto com outras mais volumosas ou a marca “Von Trapp” que trouxe uma estética longilínea e seca, perfeita para os dias mais quentes do ano.
Em contrapartida, a marca “Lina Delic” explorou a assimetria e a “Canal Concept” casou peças de estações distintas como blazers usados em parceria com shorts. Outras que andaram na contramão do que é visto desfilando para lá e para cá durante o verão foram a “Maria Pavan” com seu tricô e “Cholet” com sua proposta de saturar o maxi vichy e as estampas invernais.
Já as transparências voltaram com tudo! O desfile de “Luisa Farani” é prova disso, assim como o uso de vestidos por cima de calças (“Neriage”) e outros com a carinha de saídas de praia (“Augustana”).
Para completar seus looks para a estação, nada como investir em acessórios e dessa vez, os recorrentes nas passarelas foram os chapéus (“Wymann”), bem como os óculos de gatinho da “Von Trapp” e as bolsas diminutas usadas a tiracolo da “Augustana”.
Os convidados que ali estiveram ainda puderam desfrutar de momentos singulares como a contemplação de entardeceres que continham a mesma cartela de cores trabalhada por alguns dos estilistas, a presença de sabores típicos dos dias quentes através da presença de food trucks espalhados pelo local, assim como um salão de negócios com grifes expositoras e um outlet cheio de opções de compra para quem estava a fim de investir antecipadamente em roupas e acessórios.
É! Pelo visto já está aceso o farol verde para os principais eventos fashion que acontecem no primeiro semestre de 2018 no Brasil. Depois do Veste Rio, a próxima parada será na SPFW, mas antes disso farei um pit stop rápido pelo Minas Trend para ver quais são as novidades que os mineiros estão dispendendo tempo e esforços.
O que já adianto para vocês é que a cultura do sertão mineiro veio à tona no desfile de abertura, por isso a presença de tons terrosos que sintonizaram os desfiles em uma vibe menos excitante do que a carioca. Apesar disso, foi possível observar que as tonalidades alegres que sempre marcaram as festas populares e religiosas típicas do Estado, assim como os bordados e o uso de palha de buril já mostraram suas carinhas na passarela inaugural.
Em breve, mais comentários sobre as tendências e os modismos para o próximo ano.
Beijocas,
Maria Oxigenada
FotoS: reproduções


MADAME Volta e meia um conto de fadas serve de inspiração para um filme. “Cinderela” é um dos mais usados com este propósito. O desenho foi a sugestão para a elaboração da película “Uma linda mulher” ou a influência para o feitio do roteiro de “A dama e o vagabundo”, “Um lugar chamado Notting Hill”, “Ela é demais”, “Diário de uma paixão” e agora, o filme “Madame”.
A gata borralheira da vez chama-se Maria (Rossy de Palma) e não é nenhuma mocinha indefesa e sim, a governanta da casa dos americanos Anne (Toni Collette) e Bob (Harvey Keitel) e mãe de uma adolescente.
A dupla está passando uma temporada em Paris e decide oferecer um jantar para 12 convidados, sendo alguns deles ilustres, tais como: o prefeito de Londres e seu namorado psicólogo, um musicista infantil e seu tutor caladão, um marchand, uma ricaça recém-divorciada, uma jovem professora de francês, entre outros presentes.
O problema é que Steven (Tom Hughes), o filho primogênito de Bob, chega de surpresa ao local e para não haver desequilíbrio à mesa e nenhum convidado ficar sem ter com quem conversar e interagir durante a refeição, Anne resolve acrescentar Maria como a comensal espanhola.
É claro que a noite promete emoções fortes, pois a governanta abusa um pouco do vinho e começa a soltar algumas pérolas durante suas intervenções à mesa. Além disso, ela desperta o interesse do marchand David (Michael Smiley), mas precisa manter segredo sobre sua identidade aos convidados, pois não quer constranger os patrões, nem prejudicar as negociações no entorno do quadro de Caravaggio. A pintura está sendo avaliada, autenticada para ser, futuramente, vendida com o intuito de quitar algumas dívidas familiares.
Na verdade, “Madame” é uma película que faz uma sátira social, que tem a pretensão de mostrar a violação de algumas normas de conduta, bem como os preconceitos em relação a ascensão social através da união de pessoas de classes distintas e, é claro, de trabalhar a ideia de amor impossível e da fragilidade feminina.
Aliás, ela também tenta construir uma rixa entre Anne e Maria, pois a primeira quer sempre ser o objeto de desejo dos presentes no jantar, mas seu brilho acaba sendo turvado pela espontaneidade, charme e atitude da segunda.
E como bom observador, Steven resolve colocar no papel os últimos acontecimentos domésticos através da escrita de um novo livro abordando a historia da governanta da família e de seu mais recente caso de amor.
O fato é que o filme conta com bons diálogos, situações inusitadas, poucas locações e bons atores em cena. Destaque para a dupla feminina formada pelas atrizes Toni Collette e Rossy de Palma, a sempre musa do diretor espanhol Pedro Almodóvar que transpira sua veia cômica também em “Madame”.
A fotografia da obra feita com cores frias também funciona para reforçar as distâncias entre os personagens e amantes. Já a sua trilha sonora não corrobora para potencializar os conflitos ou os momentos românticos existentes nela.
Agora, não há como negar que a película começa bem, ágil e com passagens inesperadas, entretanto vai perdendo fôlego e sua força com o passar dos minutos e com a presença de um desfecho previsível, porém nada compatível com os encontrados em contos infantis.
E por tudo isso, “Madame” é um filme para quem procura diversão, boas risadas e aquela aventura despretensiosa nos dias de folga e ao sentar-se diante da telona.
Eu gostei.
Maria Oxigenada 
Foto: reprodução
 
SP-ARTE
Uma incongruência total! Essa é a verdade. Na semana em que foi divulgada pela imprensa uma pesquisa que mostra que um entre quatro paulistanos não frequenta nenhuma atividade cultural na cidade, A SP – Arte parecia um formigueiro humano nos quatro dias de sua realização.
O zum zum zum em torno das artes só tem aumentado nos últimos anos e esta edição do evento reuniu 164 galerias, sendo 34 estrangeiras. Outra novidade é que o terceiro andar do pavilhão da Bienal foi dedicado aos trabalhos de 33 designers brasileiros e estrangeiros que o preencheram com mobiliários e peças com suas próprias assinaturas. Além disso, instalações, palestras e conversas foram montadas com o intuito de aproximar ainda mais colecionadores, artistas e visitantes.
Eu sei, eu sei. A maioria das pessoas que resolve investir em programas culturais opta por atividades mais baratas e de fácil acesso, como ir ao cinema ou aos centros culturais próximos de suas casas. Somente alguns se dispõem a conferir shows e se deslocarem até teatros ou museus para dar uma olhada nas novidades e menos ainda, mergulharem nas bibliotecas. Uma pena!
O impulso de ir até feiras como a SP – Arte é válido porque você não precisa sair do local com um quadro, uma escultura ou peça embaixo dos braços para  se sentir plena. Nada disso! Há felicidade sim de estar em contato com as belezas e propostas distintas de cada um dos expositores e saber o real valor de suas obras, bem como observar as técnicas usadas e de que maneira o mercado das artes funciona e cresce.
O cheque mate desta edição foi mesmo a presença de um núcleo dedicado a performances artísticas. Diferente de anos anteriores, elas não aconteceram nos corredores, entre uma galeria e outra e com dia e hora marcada e sim, em um espaço próprio de 220 metros quadrados, com acesso de 1,40 m e com duração estendida. A ideia era manter a vibe alta e a interação do público com quem ali estava.
Como sempre, um núcleo dedicado aos livros de artistas também foi montado e ele foi recheado com mais de 30 títulos inéditos. Além disso, museus da capital paulista ocuparam pequenos espaços logo na rampa de entrada, colocando a disposição funcionários, assim como parte de suas historias registradas.
O universo criado pela feira é uma misturinha boa, repleta de cores, texturas, materiais e técnicas diferentes usadas pelos artistas, mas principalmente pela criatividade de cada um. A verdade é que não dá para passar despercebido pelos trabalhos de Di Cavalcanti, Victor Brecheret, Tarsila do Amaral, Alfredo Volpi, Ai Weiwei, OsGêmeos, entre outros.
Eu sei, eu sei. É injusto apontar uma ou outra obra, mas tenho que destacar “Destino” (Albano Afonso), “Negra” (Tarsila do Amaral), “Forever e Foda” (Ai Weiwei), “Vetoriais” (Tulio Pinto), “Banhistas” (Brecheret), “Muitos em mim habitam” (Adrianna Eu), além da instalação sobre o universo futebolístico criado por Nelson Leirner, as obras de Léon Ferrari, especialmente as provocativas como o corpo nu construído em braile para ser tocado por cegos ou outras que fazem uma critica aos dogmas religiosos.
Já a participação feminina na SP – Arte ganhou corpo e nós fomos representadas no local através dos trabalhos de Juliana Stein, Cláudia Jaguaribe, Anna Maria Maiolino, Sandra Cinto, Marina Abromovic, Barbara Wagner, Cinthia Marcelle, Tomie Ohtake, Silvia Mecozzi, Anita Malfatti, Tracey Emin, Leda Catunda, Adriana Varejão, Laura Lima, Ana Elisa Egreja, Gisela Motta, Andrea Rocco, Janaina Mello Landini, Yayoi Kusama, Marina Saleme, Alessandra Rehder, Marcia Gronstein, Thalita Rossi, Beatriz Milhases, Lisa Yuskavage, Debora Bolsoni, Marieta Chirulescu, Claudia Mello, Lygia Pape, Maria Freire, Marina Weffort, Monica Piloni, Simone Cupello, Sonia Gomes, entre outras.
A feira é sim um estimulo visual e sonoro e tanto, por isso é indicado que você faça uma parada para respirar e para que tudo o que foi visto seja absorvido e se encaixe dentro de sua mente, por isso antes de reiniciar a andança entre as galerias recomenda-se tomar um café, almoçar ou mesmo tomar um sorvetinho despretensioso.
O mais legal de tudo é que o evento continua reverberando pela cidade mesmo depois de seu término, através de mostras paralelas realizadas em galerias de arte espalhadas por toda a cidade e também a exibição de filmes e fotografias com o intuito de fechar o ciclo aberto pela SP – Arte no primeiro semestre de 2018, ganhando folego para chegar à Bienal das Artes prometida para acontecer em setembro deste ano imbuída de conhecimento, manifestações e expressões artísticas.
A minha crítica em relação à feira é sempre a mesma: não há um tema que permeia toda a exposição e que dá um norte a quem está flanando pelo local. As galerias participantes simplesmente expõem o que tem disponível naquele momento, impossibilitando a construção de uma unidade e uma conversa harmônica entre obras e artistas.
Entretanto, a minha dica para você é continuar batendo ponto nela, assim como se jogando em aventuras culturais que saiam do trivial e expandam sua cultura geral e seu conhecimento a respeito das manifestações de ordem estética e comunicativa realizadas por diferentes linguagens, tais como: arquitetura, desenho, pintura, poesia e escrita, música, dança, cinema, teatro, circo e todas as combinações possíveis destas.
Até a próxima,
Maria Oxigenada 
Fotos: reproduções
        
 
 


COM AMOR, SIMON Baseado no livro “Simon vs. a agenda Homo Sapiens”, de Becky Albertalli, a rotina de um grupo de adolescentes entra no foco da película, especialmente a de Simon (Nick Robinson), de 17 anos. Ir à escola, às festas, aos parques de diversão, assim como aos jogos de beisebol do colégio em que estudam são algumas delas, mas não todas porque o grupo ainda precisa encenar um musical amador e fechar o ano escolar com a apresentação da peça.
E como bons adolescentes do século XXI, as redes sociais são suas ferramentas para conversarem e interagirem entre si. Entretanto, um post particular feito por um anônimo chama a atenção de Simon porque nele há um desabafo sincero sobre os receios de assumir perante seus amigos e familiares sua opção sexual.
Tanto Simon como Blue (o anônimo) não tem dúvidas de que são homossexuais e que se sentem atraídos por meninos, mas ambos nunca tiveram um relacionamento homoafetivo, nem compartilharam este segredo guardado a sete chaves pelos dois. Então, Simon cria uma conta falsa e ambos começam a trocar e-mails e confidencias diariamente.
O problema é que por um descuido do protagonista, suas correspondências caem nas mãos da pessoa errada, ou seja, no conhecimento de Martin (Logan Miller) e ele começa a chantageá-lo. Em troca de seu silêncio, Martin pede para Simon ajuda-lo a conquistar Abby (Alexandra Shipp), garota novata do colégio.
Com isso, o personagem principal se vê obrigado a armar encontros entre os dois, a fazer elogios a Martin, a desviar o interesse de Abby por Nick (Jorge Lendeborg Jr) e jogar sua melhor amiga Leah (Katherine Langford) nos braços de Nick.
E como não poderia ser diferente, sempre há um espirito de porco que acaba jogando m... no ventilador, né! No filme, o segredo de Simon é revelado abruptamente para todo o colégio e a partir desse momento da obra, o protagonista se desespera com a possibilidade do sumiço permanente de Blue de sua vida e com a necessidade de contar a verdade para seus pais antes que outra pessoa dê com a língua nos dentes.
Uma das melhores cenas vista no filme é a conversa entre ele e sua mãe Emily (Jennifer Garner), pois nela não há cobranças, acusações ou melodramas por parte materna e sim, um diálogo transparente, sincero, além da troca de carinho entre os dois e a compreensão dos motivos pelos quais Simon se fechou nos últimos anos. Já o encontro entre ele e o pai acontece mais superficialmente e é uma pena porque a cena merecia contar com falas profundas ou com momentos de silencio que tivessem o poder de dizer não dizendo...
“Com amor, Simon!” é um misto de drama, romance e comédia e parte dos sorrisos subtraídos dos espectadores se dá através da presença do Mr. Worth (Tony Hale), diretor do colégio que vive confidenciando a Simon os seus desastrosos encontros amorosos marcados pelo Tinder. Outro personagem que suaviza a narrativa é Miss Albright (Natasha Rothwell), professora de artes cênicas que solta o verbo aos alunos em relação as suas performances durante os ensaios.
O acerto da obra foi à escalação do elenco juvenil, especialmente a de Nick Robinson no papel principal. O ator se mostra disponível e sensível às aflições e alegrias de seu personagem, além de transparecer certa timidez necessária para que o público caia de amores pelo drama vivido por ele em cena. A leveza do roteiro também colabora para que haja uma identificação imediata dos adolescentes com as várias situações vistas nela.      
Agora, vocês sabem o que eu tô achando incrível? Que nos últimos anos, nós tivemos a chance de conferir alguns filmes com a mesma temática, exposta de maneira distinta na telona. São eles: “Moonlight”, “Me chame pelo seu nome”, além de “Azul é a cor mais quente”, “O segredo de Brokeback Mountain”, “Hoje eu quero voltar sozinho”, etc.
Outro que merece ser citado é o ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2018: “Mulher Fantástica” é seu nome e ele conta com uma transexual como protagonista da obra, assim como “A garota dinamarquesa” que aborda os perrengues enfrentados por uma das primeiras pessoas a se submeter a uma cirurgia de mudança de sexo no inicio do século XX. Ainda temos “Meninos não choram”, “Transamérica” e “Tomboy” para completar as sugestões de filmes sobre descobertas, experiências e impedimentos para se viver uma grande história de amor.
Eu indico “Com amor, Simon!”.
Maria Oxigenada
Foto: reprodução
 
MEXIDÃO De tudo um pouco! Essa é a ideia de mexidão feito com sobras de comida que estão na geladeira. Normalmente, ele leva arroz, legumes cozidos, cebola, carnes, ovos crus batidos e queijo ralado para dar aquela liga e sabor ao prato.
Alternativa para os baladeiros nas madrugadas, para quem não domina as panelas e para quem deseja fazer aquele rapa vez ou outra no refrigerador antes de reabastecê-lo, o mexidão é um prato que não segue receita pronta, nem fica igual sempre, pois os ingredientes que o compõe são variáveis e dependem do há disponível no momento.
E é com essa comparação que quero introduzir o meu ponto de vista sobre o cenário político nacional. Muitos assuntos e matérias que rechearam jornais, sites, revistas semanais e telejornais nos últimos dias pareciam requentados, pois já foram vistos anteriormente e surgiram novamente com outra roupagem.
Mas a verdade é que a reincidência anda alta e para quem está de fora o que se observa é o caldeirão de corruptos e episódios envolvendo desvio de verba publica, do uso da maquina indevidamente e a obtenção de privilégios e ganhos extras espessando não só os bolsos, como também as contas privadas de nossos representantes.
E vocês sabem o que é pior? Não há a intenção de servir um cardápio diferente do atual ao povo brasileiro, pois os candidatos que já fizeram o anúncio oficial para disputar as próximas eleições são velhos conhecidos nossos e que, volta e meia, ressurgem no cenário como se fossem aqueles potes de comida esquecidos no fundo das prateleiras.
Ao que tudo indica, o próximo mexidão tem odor e gosto de fácil identificação, pois seus ingredientes são recorrentes, como o bom e velho chuchu, os bodes velhos, além da presença de carnes de pescoço, das verdes e sustentáveis, de galos de briga, mas vocês sabem o que eu estou sentindo falta? Dos condimentos, da picância e de sabores novos, desconhecidos da maioria de nós e que poderiam nos surpreender a cada nova bocada ou ano.
Em qualquer mesa ou país, o trivial agradaria a maioria e seria a base para o feitio de delicias que ativariam memorias de pratos familiares carregados de sentimentos, mas o fato é que a cozinha politica brasileira é um repeteco sem fim, especialmente porque esta recheada de discursos sedutores e técnicas apuradas de ludibriação.
Já a vanguarda politica anda passando bem longe porque estamos diante mais uma vez de palavras e candidatos rançosos e que ostentam retrogostos antiquados, pouco duradouros e que nada tem a ver com as sensações agradáveis obtidas por ações politicas praticadas em países desenvolvidos e que estão na fronteira do experimentalismo e que tenham suas raízes plantadas na boa educação, saúde, segurança e bem estar de sua população.
Se esse quadro se confirmar, então nós teremos que encarar a presença dessa gororoba em nossas vidas pelos próximos anos, onde ninguém tem condições de prever qual será seu aspecto, forma ou gosto.
O que sinto falta? De profissionais qualificados que tenham condições de nos entregar respostas para nossas necessidades e direitos como cidadãos e que não marchem e soltem pratos, ou melhor, decisões construídas com sobras financeiras oriundas de empreiteiras, doleiros, construtoras ou ainda, mexidões feitos com misturas de ações de espertalhões sempre prontos a cozinhar além do tempo o povo brasileiro.
Pensem nisso!
Maria Oxigenada 
Foto: reprodução
 
 
BUMERANGUE “Tudo o que você faz, um dia volta para você!”. É! A lei do retorno existe e ninguém está imune a ela. Nem mesmo autoridades e políticos do alto escalão brasileiro. A última quinta-feira foi um bom exemplo disso, pois pela primeira vez em nossa história política foi decretada a prisão de um ex-presidente da república.
Antes disso, alguns capítulos especiais marcaram a trajetória de nosso país como o suicídio do presidente Getúlio Vargas, a renúncia de Jânio Quadros, os impeachment sofridos por Fernando Collor de Mello e Dilma Rousseff, mas a verdade é que o cenário político conta com muitas páginas dedicadas a corrupção nacional e ao envolvimento em crimes de colarinho branco de representantes do povo porque não há dúvidas de que somos um dos países mais corruptos do globo.
E quebrar as vértebras da corrupção interna não tem sido tarefa das mais fáceis aos atores da operação Lava Jato, nem da justiça brasileira e até por esse motivo, eles precisam estar protegidos, especialmente os principais para que possam continuar desenvolvendo suas atividades e o trabalho de descortinar essa nevoa corruptiva que até então desconhecíamos.
Na verdade, ninguém tinha a real consciência do tamanho, profundidade e espessura dela e após o inicio do processo de lavagem de roupa suja é que veio à tona outro tipo de lavagem, ou seja, a lavagem de dinheiro existente e comum em nosso território, além da distribuição de propinas, a criação de caixas 2 por empresas e partidos políticos e o desvio e uso indevido de dinheiro público.
A sacanagem do momento é tão grande que a gente se perde entre os episódios e quase não consegue acompanhar os pormenores existentes em cada um deles e o pior é que está instalada uma descrença sobre o nosso futuro, sobre a validade do que está escrito em nossa constituição federal, bem como nas pessoas de bem que também fazem parte da população brasileira. E cada vez mais nós ficamos apreensivos, com medo de sabermos mais e nos depararmos com o fundo do poço de toda essa lambança.
É claro que não cabe a mim ou a vocês malharmos desnecessariamente todos, mas o fato é que não dá para “fazer a Kátia” em relação ao número elevado de condenados nas diversas fases dessa limpeza geral, assim como a realidade de que Brasília cheira mal e que já é possível generalizar negativamente a classe política brasileira.
O odor forte está sendo sentido também em outros países e isso é motivo de vergonha para todos nós, pois a boa imagem veiculada anos atrás já não é mais a vendida pela imprensa internacional e a ideia de país com potencial econômico, detentor de riquezas naturais e pessoas criativas foi transformado em um representante de onde tudo pode, tudo vale.
É a famosa terra de ninguém, onde as incertezas, o medo e outras realidades e verdades estão presentes. Um bom exemplo é o Rio de Janeiro que, diariamente, sofre com a violência urbana e é vítima de ações de traficantes e criminosos, pois o cabo de guerra entre militares, sociedade e a bandidagem é constante e nessa brincadeira não há vencedores porque todo mundo perde.
Eu só lamento não termos um herói mascarado como no universo de HQ para nos salvar e melhorar nossa situação perante outras nações, mas nós estamos nos esquecendo de que temos uma arma poderosa em mãos e não é de fogo. É a arma do voto.
Nas próximas eleições, nós poderemos escolher quem será o nosso próximo presidente da república, nosso próximo governador, os senadores e deputados que irão nos representar durante quatro anos.
A hora chegou! Então, façamos a lição de casa e percamos alguns minutos analisando as propostas de cada candidato, além de pesquisar sua conduta política, seu histórico criminal, bem como observar o que eles falam e fazem para tentar nos persuadir e abocanhar mais votos para si. E nada de trocar seus votos por dinheiro, privilégios, empregos ou benefícios. Isso, não!
A lei do retorno está engatilhada e pronta para entrar em ação, então vamos dar uma forcinha ao universo, ajudando-o na estabilização das energias, na amenização dos conflitos e na abertura das vias respiratórios do destino.
Quanto ao desenrolar do novelo em que o ex-presidente está envolvido no momento, este será feito por autoridades competentes e com o cumprimento de leis federais. A nós, cabe à preocupação de afrouxar os nossos próprios laços com atitudes éticas, responsáveis, profissionais e humanas.
A minha aposta final é de que ainda estamos longe do capitulo final, mas alguns pontos de viradas dessa narrativa já se apresentaram diante de nós, então pensemos positivamente com os corações abertos para oxigenarmos o nosso congresso, nosso judiciário, nossas câmaras e a mentalidade de nosso povo.
Eu acredito no Brasil! Eu acredito em correntes do bem, na força da união das pessoas e em momentos de respiro para redirecionarmos o velho bumerangue rumo ao nosso próprio desenvolvimento.
Inté!
Maria Oxigenada
Foto: reprodução
   
 
PRAZER EM CONTA GOTAS
De tequinho em tequinho. É desta forma que eu estou desfrutando do meu ovo de Páscoa, pois já não dá mais para cair de boca de uma única vez na delícia, né! Além disso, fui chantageada pela minha professora de balé para não mergulhar no chocolate durante o feriado se quiser manter o corpicho em forma e não ser punida com a execução de series de agachamentos na meia ponta, jetes, pliés e abdominais.
Haja controle emocional! O melhor é que comigo não tem essa de criar aversão aos produtos usados no trabalho, pois eu continuo tentada todas as vezes que derreto o chocolate em banho-maria ou faço a sua temperagem na pedra antes de usa-lo em sobremesas, bombons e ovos.
Vocês estão cansadas de saber que a data é a minha preferida do ano e que me rendo às tradições do período, assim como no Natal. E logo após o término do carnaval, eu fico maquinando sobre o feriado mais doce do nosso calendário e em como transforma-lo em uma ocasião festiva e única.
Para vocês terem uma ideia da minha animação, eu já organizei junto com a Clarice caça aos ovos para a molecada do bairro, bem como amigos secretos de ovos de Páscoa e brunch no sábado de aleluia para a galera do mal.
Esse é o único feriado prolongado que eu nem cogito viajar porque sou, literalmente, sugada para dentro da cozinha e praticamente moro no local durante alguns dias para conseguir dar conta de todas as minhas encomendas. É nessa época do ano que eu também ganho um dinheirinho extra para viajar com o Fê, para pagar meus cursos livres e comprar alguma coisa que esteja precisando ou querendo.
A novidade de 2018 foi que eu resolvi oferecer algo a mais aos meus clientes e apostei nas massas caseiras feitas com cacau. A saída foi grande porque o final de semana foi de tempo instável na capital paulista e muita gente resolveu cozinhar para a família, adiando o churrasco a beira da piscina para outro dia.
A mamãe e a vovó também embarcaram na aventura e fizeram um almoço tipicamente italiano para nós com a presença de raviolli de cacau recheado com queijo mussarela e tagiatelle de cacau coberto com molho branco. Para completar a refeição, uma salada colorida, canelones de abobrinha recheados de palmito e um pedaço de cordeiro assado no forno; tudo acompanhado por um vinho tinto com sabor de frutas vermelhas para que os sabores não entrassem em atritos ou um sobrepusesse ao outro.
Depois do banquete, vovô e a vovó foram descansar. Já eu, a mamãe e o Fê encaramos uma montanha de louças e taças sujas que estavam sobre a pia da cozinha e o sr. Osvaldo ficou responsável por entregar os ovos e as sobremesas às pessoas que batiam na porta de casa.
Agora, a tarefa do papai foi bem mais amarga, pois durante a tarde ele resolveu fazer as nossas declarações de imposto de renda e acho que ele esquentou a jaca porque o peguei várias vezes agarrado em seu próprio ovo de Páscoa, devorando o presente que lhe dei sem nem cogitar os dissabores de tal atitude para sua saúde física, há, há, há!
Eu, hein! Como não quero ficar com a mesma silhueta dessa delícia, preferi que as calorias extras fossem pingadas aos poucos e com o passar dos dias para ter tempo e coragem de derretê-las sem dificuldades e sem a sentença de morte prometida pela carrasca que ostenta um tutu branco feito de tule, há, há, há!
Vamos que vamos que a semana está só começando e a agitação de abril também.
Beijocas,
Maria Oxigenada    
Foto: reprodução
 
MARIA MADALENA Figura controversa, Maria Madalena já foi retratada como prostituta, mulher diabólica, esposa de Jesus Cristo e irmã de Lázaro e Marta, mas no longa-metragem de Garth Davis, ela é mostrada como uma jovem tímida que rejeita o casamento e os pretendentes escolhidos pelo pai e irmãos em prol de sua liberdade e de seguir Nazareno e os apóstolos em suas andanças pela região.
Depois que ela é batizada por Jesus (Joaquin Phoenix), Maria Madalena (Rooney Mara) não só o ajuda na catequização de pessoas, como também na realização de cerimônias de batismo e especialmente, na conscientização das mulheres em relação ao seu papel social na época, além da divulgação de ideias humanistas.
E apesar da personagem ser construída como sendo retraída, observadora e detentora de muita fé, Maria Madalena também é vista na telona como uma mulher revolucionária, muito a frente de seu tempo, pois trabalhava na pesca, frequentava ambientes tipicamente masculinos e não se importava em ser chamada de mulher de vida fácil.
Aliás, essa atitude afrontou até mesmo os apóstolos, pois Pedro (Chiwetel Ejiofor) deixou bem claro que não gostava de sua companhia e que Maria Madalena provavelmente seria a responsável pelas desavenças surgidas no grupo, bem como o motivo da desgraça futura de Jesus.
Tanto ela como Nazareno encontraram no silêncio e nas orações as respostas para tanto desamor, ganância, mercantilização da fé, machismo e preconceitos, assim como para tantas injustiças e outras atrocidades que faziam parte da vida de quem os cercavam, pois apedrejamentos, crucificações e execuções em público eram realidades colocadas em pratica como forma de demonstração de força e poder de imperadores e governantes.
E apesar do filme focar no percurso pessoal de Maria Madalena, a via crúcis do filho de Deus está na película, reafirmando que a personagem esteve presente e aos pés da cruz, juntamente com Maria, em seus últimos suspiros. Nos dias posteriores à morte de Jesus, Maria Madalena também foi a primeira pessoa a vê-lo ressuscitado e ostentando um semblante relaxado e pacífico.
O interessante é que somente nos últimos anos a igreja católica reconheceu esse fato e o de que Maria Madalena foi sim um dos apóstolos de Cristo. Também há esforços para que a imagem de prostituta criada pelo Papa Gregório Magno, no século VI, com o intuito de difamá-la em público esteja sendo desconstruída e redesenhada pela História.
Ninguém sabe ao certo qual foi o fim de Maria Madalena, mas no filme ela continuou sua missão ao lado de Maria, mãe de Jesus, depois de ter perdoado Judas (Tahar Rahim), de ter iluminado Pedro e de ter dado várias demonstrações de conciliação, amor e amizade não só aos apóstolos como também aos seus seguidores.
Tanto Rooney Mara como Joaquin Phoenix entregam atuações contidas e com gestos minimalistas e muito coerentes com o que é esperado para seus personagens. Já o ator Tahar Rahim constrói seu Judas com características sutis de bipolaridade e que podem ser facilmente identificadas através de seus olhares e falas trocados por ele com os demais em cena.
O ponto problemático da obra recai sobre a escolha do elenco, pois os atores que contracenam na película têm fisionomias incompatíveis com as dos moradores de Jerusalém e região da época. Seus semblantes são ocidentalizados demais! 
Entretanto, o filme conta com belas imagens feitas no litoral da Sicília (Itália) e com cenas que retratam toda a aridez em que as pessoas estavam mergulhadas e viviam. É perceptível o uso de close-up nos protagonistas com o intuito de evidenciar através de suas expressões faciais e físicas, suas vulnerabilidades, seus momentos de sofrimento e contemplação, bem como a cumplicidade vivida pela dupla de protagonistas.
A construção de um figurino feito com peças de tecidos naturais, especialmente de algodão e linho em cores neutras ajudou a suavizar o drama religioso e as passagens trágicas dessa historia milenar.
E por que o filme vale a pena? Por colocar sob os holofotes essa mulher forte, corajosa, misteriosa e que ainda sucinta interesses não somente aos religiosos e estudiosos, mas também em todos os que acreditam que ela seja um exemplo de feminista de outrora.
“Maria Madalena” é uma boa maneira de vocês entrarem no clima de Páscoa!
Maria Oxigenada        
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MORTE ACIDENTAL DE UM ANARQUISTA É muito bom chegar aos lugares e ser recebida com sorrisos, alegria e músicas animadas. As boas vindas da peça “Morte acidental de um anarquista” são feitas pelo próprio elenco na entrada do teatro, através da entoação do hit de Jorge Ben “Os alquimistas estão chegando”, mas com uma pequena alteração no seu refrão que passou a ser: “os anarquistas estão chegando, estão chegando os anarquistas”...
E depois da acomodação da plateia nas cadeiras, os atores começam a conversar com ela, explicando a história da peça, os personagens envolvidos, assim como o desfecho de cada um deles. A aproximação com o público não é à toa, não! Muito menos as interrupções feitas durante a obra e sim, para sanar as dúvidas, aumentar a cumplicidade existente entre as partes, bem como para promover instantes de escapismos e humor no drama vivido no palco.
Aos poucos, a cortina de mistério que a envolve começa a cair e nós ficamos sabendo quem a escreveu. Foi Dario Fo, ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 1997, mas lá por volta dos anos 69. Já a peça aborda a detenção e morte de Giuseppe Pinelle, ferroviário ligado ao movimento anarquista italiano, que foi acusado de ter planejado e participado de um atentado à bomba em um banco de Milão. 
A polícia local afirmou durante meses que foi suicídio e que Giuseppe Pinelle se jogou do quarto andar do prédio da secretaria de segurança pública depois de prestar um longo depoimento. Já a imprensa e a população acreditavam em execução do jovem.
E como na época a Itália não contava com uma figura fictícia como a do investigador inglês Sherlock Holmes, então Dario Fo teve a ideia de criar um personagem enlouquecido (Dan Stulbach) para amarrar as pontas soltas e desvendar o crime nos palcos, trazendo à baila não só a violência policial presente no episódio como também o assunto de repressão política. Qualquer semelhança com a realidade atual no Brasil é mera coincidência, viu!
É ele quem desconstrói o poder presente em cena, através do confronto com  algumas autoridades, tais como: o delegado de polícia (Henrique Strocter), o secretário de segurança (Riba Carlovich) e o comissário (Marcelo Castro). O louco estava detido no local por falsa identidade e por assumir personas inventadas em sua mente perante a sociedade, como um juiz, um arcebispo, um psiquiatra, um professor universitário e um engenheiro naval, mas ninguém sabe disso em cena.
Apesar de ter dezenas de passagens por manicômios e ter em seu currículo pessoal várias internações psiquiátricas, é ele o personagem detentor de bom senso sob os holofotes e que faz tentativas de esclarecer o crime do “anarquista”, recriando os momentos que antecedem sua morte com lucidez e a precisão só vista por quem realmente “bate no bumbo” ou por quem tem subterfúgios parecidos com os usados pela perícia técnica ou pelo serviço de  inteligência.
Com humor, os fatos verídicos são apresentados em público, pois Dario Fo escreveu os diálogos baseados nas matérias publicadas pela imprensa na época e nos depoimentos das demais vitimas porque a verdade é que Giuseppe não estava só e sim, foi preso na companhia de outros dois jovens.
Confesso que me surpreendi com o domínio cênico e a atuação do ator Dan Stulbach. Já o tinha visto em cena outras vezes, mas não da forma irônica, solta e irreverente de agora. Os demais atores do elenco também não deixam a peteca cair durante o espetáculo, ora ajudando Stulbach no alinhavo do mistério policial, ora na promoção de momentos de risos.
Acompanhando todas as loucuras de quem está no palco e imprimindo efeitos sonoros à história, o musicista e maestro Rodrigo Geribello. Já a iluminação fixa e constante da obra colabora para evidenciar ainda mais os fatos e os artistas, assim como a cenografia simplista e feita com poucos objetos posicionados ao fundo da caixa cênica ou em suas laterais.
“Morte acidental de um anarquista” já foi montada em vários países e vista por mais de 80 mil pessoas. Ela continua atual e sua temática de entendimento universal, pois atitudes vistas no passado, como em períodos de ditaduras militares, são reconhecidas e continuam presentes em pleno século XXI não só no Brasil como em outros países do mundo.
Loucura minha? Nada disso! Fato. Basta vocês abrirem as revistas semanais ou jornais diários ou ainda, entrarem em sites de notícias para tomarem ciência do comportamento de alguns “poderosos” que deveriam nos proteger da violência, de tragédias, confrontos e episódios caóticos, primando pela democracia, pela igualdade de direitos dos cidadãos, pela justiça social e pela solidariedade ao invés de ficarem distribuindo “cala bocas” a torto e a direita e abandonando os vulneráveis ou deixando a sociedade à mercê de reacionários e verdadeiros insanos. 
Por tudo isso, eu indico a ida ao teatro.
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde: teatro Gazeta, localizado na Avenida Paulista, 900.
Quando: sábado, às 22h. Domingo, às 18h.
Preço: sábado: R$ 80,00 (inteira) e domingo: R$ 70,00 (inteira).
Foto: reprodução
 
PANTERA NEGRA Eu me rendo ao fato de que “Pantera Negra” é um filme de super-heróis que aglutina tudo o que esperamos de uma obra do gênero, tais como a presença de conflitos, de um protagonista forte, ágil e justo, assim como a existência de efeitos especiais, vilões trágicos e personagens secundários interessantes.
Wakanda é a casa do bichano que atende pelo nome de T’Challa (Chadwick Boseman) e o local nada mais é do que um país desenvolvido, pacífico, com belezas e riquezas naturais disponíveis para serem exploradas pelas tribos distintas que o habita.
O contraditório é que apesar de desfrutarem de tecnologia de ponta, eles ainda estão presos e valorizam suas tradições e os ritos que fazem parte delas, recorrendo às plantas e a medicina alternativa para realizar tratamentos de saúde, visitar o mundo dos mortos ou ainda, para conferir poderes especiais a quem está no seu comando.
 O trono de Wakanda está vago depois do falecimento do rei T’Chaka (John Kani) e seu sucessor natural é T’Challa, seu filho legítimo, mas antes que ele possa ostentar definitivamente as presas da pantera negra no pescoço, precisará enfrentar e vencer o líder da tribo dos gorilas, seu oponente.
Os desafios para T’Challa não param por aí e ele ainda precisa ir para os Estados Unidos para deter os planos de Ulisses Klaw, conhecido no universo dos quadrinhos como Garra Sônica (Andy Serkis), de dominar o mundo através da posse do vibranium, metal raro que confere força sobrenatural.
É claro que sua jornada não é solitária e ele pode contar com a ajuda de sua irmã Shuri (Letitia Wright) que é uma cientista e especialista em tecnologia e no desenvolvimento não só de armas, como também de gadgets. Além dela, sua ex-namorada e espiã Nakia (Lupita Nyong’o) o acompanha na missão, assim como a general de seu exército Okoye (Danai Gurira).
O interessante do personagem principal é que ele também questiona as ações tomadas pelo seu pai para proteger Wakanda, bem como seus esforços para manter segredos familiares guardados a sete chaves ou para não ter suas atitudes questionadas pelos membros do conselho administrativo do país.
Outro ponto positivo é que “Pantera Negra” é fiel aos quadrinhos, contando com vários pontos de virada em sua narrativa, especialmente aquelas atreladas às revelações feitas por Erik Killmonger (Michael B. Jordan). Além disso, a película moderniza os conceitos de herói, manda recados sobre políticas mundiais e toca em temas, tais como: racismo, a questão dos imigrantes e sobre a importância da diversidade no momento atual. Aliás, seu elenco é formado por 95% de atores negros, sendo eles americanos, africanos e britânicos.
Os contrastes percebidos na obra também merecem ser comentados, pois seja através dos cenários explorados (Coréia do Sul, USA e Wakanda) ou através de sua trilha sonora é possível detectar elementos de formação da identidade cultural de cada um dos povos e lugares ali citados com suas cores, formas e até musicalidade, pois Ludwig Goransson, profissional responsável pelas canções da película, fez questão de mesclar músicas convencionais com outras africanas na tentativa de retratar uma sociedade plural.
A única observação negativa recai sobre a escolha do ator Michael B. Jordan para viver o papel de Erik Killmonger. Apesar de seu bom desempenho interpretativo, sua fisionomia é doce demais e não a esperada para a de um típico vilão. A verdade é que o ator poderia até assumir o papel de protagonista da obra no lugar de Chadwick Boseman. Já as mulheres formam uma parede de força feminina com potencial para se destacar ainda mais no próximo filme, pois “Pantera Negra 2” já foi confirmado pelos estúdios americanos. 
Não é a toa que “Pantera Negra” já arrecadou mais de US$ 1 bilhão em todo o mundo e sua bilheteria já superou filmes como “Os Vingadores: a Era de Ultron”, “Jurassic Park”, “Homem de Ferro 3”, “Capitão América: a Guerra Civil”, entre outros.
Eu gostei.
Maria Oxigenada   
Foto: reprodução
 
SUSTO ARTÍSTICO

Domingo não foi dia de feira, nem de bobeira e sim, de trabalho. É! Trabalho. Mas não qualquer um, mas aquele tipo de job feito esporadicamente, a pedido de amigos e que envolve uma pitada de doação de tempo e amor.
A Lígia, irmã da Fernanda, tinha a missão de fotografar uma corrida de 10 km promovida por uma agência de modelos paulistana e me convidou para fazer alguns cliques com meu próprio celular. Sua ideia era oferecer para o cliente fotos com outro olhar, feitas de ângulos distintos e tendo como foco não os participantes, mas sim o cenário no seu entorno.
Acordei animada, vesti meu uniforme de rata de academia e fiquei esperando ela passar para irmos juntas ao parque, local onde seria o ponto de encontro e de partida da aventura. Observei que desde as primeiras horas do dia já havia pessoas andando de bike pela ciclovia, correndo nas ruas e fazendo aulas de funcional ou ioga no gramado do parque e especialmente, se esforçando para que o dia de descanso rendesse horas a mais de bem-estar.
Depois da realização de exercícios de alongamento, os primeiros minutos do evento foram marcados pela marcha dos amadores que, aos poucos, começaram a trotar e somente depois saíram desembestados pelo trajeto.
E justamente nesse instante, eu fui surpreendida por um bailarino que fazia uma performance artística solitariamente. O interessante é que seu show criou um diálogo e um contraponto à cena, pois enquanto os corredores passavam apressados, ele dançava em modo slow motion, escondido atrás de uma máscara feita com meia-calça preta plantada em seu rosto e que tinham suas raízes, ou melhor, suas extremidades amarradas em um poste de luz pelo caminho.
A arte tem esse poder de soltar ramificações em qualquer lugar, basta que vocês abram seus olhos para o que acontece ao seu lado e percebam que suas fronteiras são imaginarias e inexistentes.
Percebi que aquilo era o que deveria ser congelado do evento e reconheci o valor do artista de rua, pois sua intervenção era algo efêmero e impossível de ser replicado ou admirado por outras pessoas no futuro.    
Depois que o último participante passou já caminhando por nós, o bailarino se conscientizou de que seu tempo de voo criativo também estava chegando ao fim e ele foi diminuindo o bater de suas asas e se aninhando na base do poste como se estivesse abraçando sua cabeça contra o próprio peito.
Esperei alguns segundos até que pudesse me aproximar e conversar com ele sobre toda aquela teatralidade e plasticidade vista. E ele me disse que sua intenção primária era de ocupar um espaço público, de fazer uma tentativa de construir uma cena secundaria que exaltasse o seu direito de existir e que também refletisse sobre a arte urbana e sobre os momentos de escapismos necessários por quem vive em uma metrópole.
Ele ainda emendou que nós todos somos reféns e vulneráveis não só a um estilo de vida moderno, presos dentro de muros e na dependência de brinquedinhos que fazem parte desse universo ágil e virtual.
Seu discurso e medos são validos, especialmente porque todos nós sabemos que esses fatores insistem em sugar as delicadezas humanas, as belezas diminutas, a nossa empatia e sensibilidade em relação à natureza e às pessoas reais, muitas vezes nos obrigando a assistir shows diários de desamor, com capítulos inteiros pautados na violência, na ganancia, no ódio e no retrocesso humano.
Então, qual é a solução? Uma só. Correr na contramão e não trocar fagulhas de liberdade, de esperança e de força por instantes “entabuleirados” dentro de visões pré-concebidas ou mesmo, de manifestações artísticas que já não mais incluem as sutilezas do dia-a-dia, nem discutem a importância da existência de momentos de respiros poéticos e políticos em nossas vidas. 
Que a arte seja ferramenta de protestos, sim! E que ela seja usada como um verdadeiro megafone de nossas insatisfações, desejos e também como forma de amplificar nossas esperanças!
Beijocas,
Maria Oxigenada
Foto: reprodução 
    

 
GIVENCHY

O falecimento do estilista Hubert Givenchy, aos 91 anos, marcou o início da semana. Ele vestiu personalidades e artistas como Audrey Hepburn, Jacqueline Kennedy Onassis, Wallis (duquesa de Windsor), Carolina de Mônaco, a princesa Grace Kelly, Elizabeth Taylor, Susy Parker, Liz Benn, Capucine, Joan Collins, além da cantora Madonna, da atriz Kate Winslet e tantas outras mulheres que desfilaram pelos tapetes vermelhos ou que fotografaram capas de publicações femininas usando suas produções.
Para quem desconhece sua trajetória profissional, Hubert Givenchy estudou moda na École Nationale Supèrieure des Beaux-Arts (Paris) e aos 25 anos fundou sua própria marca. Além disso, criou peças icônicas como a blusa Bettina com babados nas mangas, casacos balão, looks arquitetônicos. golas rulês, calças curtas, além de bordados em plásticos e peles, bem como imprimiu sua assinatura de elegância, sofisticação e requinte em tantas outras peças.
Givenchy também foi o primeiro estilista a levar para as passarelas modelos negras. Na década de 80, a label foi vendida para o conglomerado LVMH (Louis Vuitton Moet Hennessy) e em 1995, Hubert Givenchy aposentou suas tesouras. A partir daí, nomes como John Galliano, Alexander McQueen e Ricardo Tisci ocuparam o cargo de diretor criativo da marca que leva seu sobrenome e que hoje tem Claire Waight Keller como cabeça criativa da brand.
Na última semana de moda francesa, a estilista se inspirou no filme “Fome de Viver” e no documentário “B Movie: Lust & Sound in West Berlin 1979 - 1989)” para construir uma coleção com ar gótico e repleta de peças em couro, animal print, ombro marcado, alfaiataria, franjas, peles falsas e muito preto e branco. Destaque para os laços enormes acrescidos e para as botas de canos medianos e molengas vistas em diversas tonalidades.
O mais interessante é que no último domingo a marca brasileira À la Garçonne apresentou sua nova coleção na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, alinhavando-a com inspirações extraídas também de películas, tais como:  “Tubarão”, “De volta para o futuro”, “ET.- o extraterrestre”, “Jurrassic Park” e “Brinquedos Assassinos” e mostrou formas arredondadas, looks casulos, peças oversized, franjas pretas, muita alfaiataria; tudo já presente em outros desfiles da marca francesa.
Mais uma vez, À la Garçonne construiu uma coleção com peças agêneros e que podem ser usadas por qualquer pessoa. Além disso, algumas transparências esverdeadas, produções montadas com rendas, com tecidos camuflados, com vermelho ou rosa, assim como as bolsas lancheiras também marcaram presença na ocasião, mas o destaque de sua apresentação foi mesmo à ausência de uma trilha sonora acompanhando o vai e vem das modelos e a quietude daquele momento parecia prever o luto sofrido no mundinho fashion.
Outro fato interessante é que a dupla formada por Alexandre Herchcovitch e Fábio Sousa optou em mostrar sua coleção para a imprensa e para seus players antecipadamente e fora da semana de moda paulista programada para acontecer em abril e que terá como temática principal o impacto e a liberdade de criação na moda; preocupações e posturas assumidas desde sempre por Hubert Givenchy.
Com carinho e simplicidade, a equipe da Oxigenada deixa sua homenagem a este talento que tanto fez pelas mulheres e pelo mundo da moda, nos ensinando que o luxo está em cada detalhe e que cada vestido deve acompanhar o corpo feminino e não o contrario. Além disso, ele elevou o vestido preto básico ao patamar de peça desejo e indispensável ao guarda-roupa feminino.
Obrigada!
Equipe Maria Oxigenada       
Fotos: reproduções    
     
 


 



DIA INTERNACIONAL DA MULHER É hoje! Antes de iniciarmos a nossa conversa diária, eu gostaria de parabelizá-las pela ocasião! A data é um lembrete para nós a respeito de todas as conquistas obtidas e realizações feitas pelas mulheres ao longo dos últimos anos, especialmente o direito de votar, de gozar de licença maternidade e de usufruir melhores condições no ambiente de trabalho.
O Dia Internacional da Mulher também é a oportunidade para nós conversarmos e refletirmos sobre as desigualdades ainda existentes entre os gêneros, sobre as discrepâncias salariais entre homens e mulheres, sobre os episódios de assédios e os casos de violência doméstica sofridos por muitas ainda hoje, bem como sobre nossa percepção sobre o nosso real papel na sociedade atual.
Diante disso, o sexteto de garotas superpoderosas, ou melhor, de oxigenadas recebeu um convite vindo da minha professora de ioga da academia para nos reunirmos durante três dias em uma fazenda no interior paulista com o objetivo de trocarmos experiências, meditar, praticar ioga, dançar e ainda, receber orientações sobre como alimentar adequadamente o nosso corpo e alma.
De cara, achei a aventura uma “cabeçagem” sem fim e muito distante da minha natureza pragmática, mas a Ju e a Marina me convenceram de que seria uma experiência interessante e que esta reforçaria nossos vínculos de amizade, além de nos empoderar diante das pessoas e nos ajudar na conexão com a nossa essência feminina.
As minhas dúvidas foram por terra depois que vi algumas fotos da fazenda e conversei com os organizadores do evento sobre as atividades desenvolvidas por lá. Para minha alegria, o local contava com estrutura semelhante à de um hotel fazenda e durante toda a nossa estada nós desfrutaríamos de camas, chuveiro elétricos e refeições completas.
Meu receio era de embarcar em uma furada, ficar sem comunicação e ser obrigada a seguir dieta restritiva, dormir em sacos de acampar ou ainda, ter que tomar banhos em rios e cachoeiras. Isso, não! Vocês bem sabem que sou gata e odeio água fria, mesmo em pleno verão. Nada contra quem é adepta ao estilo de vida simplista e natureba, mas a verdade é que eu não cheguei a esse patamar de evolução pessoal e ainda preciso gozar de alguns confortos e pequenos luxos para me sentir feliz e acarinhada pela vida, há, há, há...
A boa notícia é que continuo com meus pés plantados no aqui e agora, entretanto não podo mais minhas raízes, nem minha imaginação ou vontades como antigamente e permito-me aventurar por caminhos não trilhados até então. Acho que isso é amadurecer e perder o medo do desconhecido, né!
Quando chegou o momento retornar para São Paulo, eu estava admirada com a velocidade das mudanças que tinham ocorrido comigo em tão pouco tempo, pois estava serena, equilibrada e bem disposta. Dormi tranquilamente durante as duas noites que estive no local e percebi que minha mente não estava mais pulando como Saci de um assunto para outro como de costume.
Eu também consegui realizar as tarefas que me foram designadas com maior rapidez e concentração e tenho a intenção de levar os exercícios respiratórios e posturais aprendidos para meu dia-a-dia, especialmente para os momentos em que cozinho e estou imersa entre panelas, fues e muito açúcar.