Vocês estão sem ideia do que fazer no próximo final de semana? A sugestão é visitar a edição atual da Bienal de São Paulo. A novidade é que ela ficará em cartaz durante quatro meses e até janeiro de 2026 e é a oportunidade perfeita para mergulhar nas artes plásticas, na estética, nas cores e nas criações de 120 artistas distintos, sendo que a maioria deles são oriundos do continente africano ou de países sul-americanos.

Nomes como Adama Delphine Fawundu, Adjani Okpu-Egbe, Aislan Pankararu, Akinbode Akinbiyi, Alain Padeau, Alberto Pitta, Aline Baiana, Amina Agueznay, Ana Raylander Mártis dos Anjos, Andrew Roberts, Antonio Társis, Behjat Sadr, Berenice Olmedo, Bertina Lopes, Camille Turner, Carla Gueye, Cevdet Erek, Christopher Cozier, Cici Wu com Yuan Yuan, Precious Okoyomon, Pol Taburet, Marlene Almeida, Frank Bowling, Isa Grenzken, Moisés Patrício, Rebeca Carapiá, Zózimo Bulbul são alguns dos que marcam presença no local.

Intitulada de “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática”, verso extraído de um poema escrito por Conceição Evaristo, a edição ocupa todos os andares do prédio projetado por Oscar Niemeyer e está dividida em seis capítulos distintos, sendo eles: a) frequência de chegadas e pertencimentos, b) gramáticas de insurgências, c) sobre ritmos e narrações, d) fluxos de cuidado e cosmologias plurais, e) cadências de transformação, e) a intratável beleza do mundo.

Os efeitos sinestésicos provocados pelas obras começam logo após o visitante cruzar a porta de entrada do pavilhão e ficar diante de pinturas, esculturas, painéis coloridos, vídeos, obras sonoras e aéreas, além de fotografias, desenhos e instalações feitas a partir dos mais diversos materiais, como os recicláveis, o barro, a argila preta, tecidos, bordados feitos com miçangas, canutilhos e linhas, além de esculturas de ferro ou utilizando madeira, arames, caixas e amplificadores de som e luzes.

Destaque para o jardim criado por Precious Okoyomon contendo musgos, pedras, mudas de plantas, lascas de árvores, gramas, pequenas árvores e uma trilha de terra por onde o visitante pode caminhar, observando as belezas naturais do micro ambiente construído especialmente para o evento.

Outra obra que merece cinco minutos da atenção de vocês é a criada com várias luminárias, lâmpadas e espelhos distribuídos em uma caixa envidraçada. Isso sem dizer em uma âncora colorida disposta entre os vãos das rampas e que cruza os andares. No local, há outra instalação que marca presença em três pavimentos diferentes e é intitulada de “A casa de vovô Bené”, da artista Ana Raylander.

Agora, sem sombra de dúvida de que as instalações feitas com teclas e peças de computadores antigos, além de metros de fios e tampas de embalagens plásticas formando desenhos geométricos atiçam a curiosidade do visitante pela criatividade e mensagem sustentável implícita, assim como a obra fixa no teto feita com tecidos transparentes simulando uma flor que abre e fecha ininterruptamente como se fosse um exemplar de onze-horas ou dama da noite.

As esculturas da artista plástica Nádia Taquary encontradas no térreo é outra que dá as boas-vindas aos visitantes e é formada por estátuas de anjos/águias dispostas ao entorno de uma árvore feita a partir de fios laranja.

As tapeçarias da nigeriana Otobong Nkanga, da série Unearthed (Desenterrado), sobre a sua investigação a respeito da relação da humanidade com o meio ambiente também são de uma beleza ímpar, enquanto que as instalações de Emeka Ogboh permitem reflexões a respeito de migrações, globalização e pós-colonialismo.

Já os fluxos das águas encontrados em várias das obras presentes no local remetem a ideia de travessia e em carregar lembranças através da passagem do tempo, enquanto que as obras de Hao Jingban nos fazem pensar a respeito dos efeitos psicológicos da covid-19, da guerra da Ucrânia e do movimento Black Lives Matter.

A intenção da Bienal de São Paulo não é só jogar luz em algumas questões negligenciadas ou esquecidas ao longo do tempo, como também apontar caminhos, soluções ou mesmo tentar ressignificar feridas históricas, acontecimentos e preocupações recentes, como o surgimento de novas pandemias ou a respeito do aquecimento global. Sobre isso, eu gostaria de sugerir a leitura do livro “Revolução das plantas”, do escritor italiano Stefano Mancuso.

Até o nosso próximo encontro.

Beijos,

Maria Oxigenada.

Serviço:

Onde: Pavilhão Ciccillo Matarazzo – Parque Ibirapuera.

Temporada: até 11 de janeiro de 2026.

Quando: de terça a sexta, das 10h às 18h; sábado, das 10h às 19h; domingo e feriado, das 10h às 18h.

Preço: programa gratuito.

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