A agitação tomou conta do Parque Ibirapuera, pois além de acolher atletas e praticantes de atividades físicas, o local também está abrigando simultaneamente duas Bienais, sendo uma de artes no Pavilhão Ciccillo Matarazzo e outra de arquitetura, na Oca.

Esta é a 14 edição da Bienal Internacional de Arquitetura e ela lança olhares para os problemas climáticos, como o aquecimento global, a poluição dos rios e mares, a emissão de gases de efeito estufa, a extinção de espécies, a circularidade de alimentos nas cidades, as biotecnologias e propõe soluções extraídas dos conhecimentos, da história e da cultura acumulada de povos indígenas ou oriundas das periferias de grandes centros urbanos.

A exposição está dividida em cinco eixos distintos, sendo eles: a) preservar as florestas e reflorestar as cidades, b) conviver com as águas, c) reformar mais e construir verde, d) circular e acessar juntos com energias renováveis e, por fim, e) garantir a justiça climática e habitação social.

Ao todo, são 200 projetos, planos, instalações, construções experimentais em escala real, além de fotos, desenhos, vídeos e maquetes que estão dispostos nos quatro andares do Pavilhão da Oca. Arquitetos e escritórios de arquitetura de todo o mundo participam da aventura, tais como: Liu Jiakun, Shigeru Ban, Gabriela de Matos, Mistura (Itália), La Cuadrita (Paraguai), Design4Desaster (Espanha), Gustavo Utrabo (Brasil), Urbz (Índia), Messina Riva, entre outros nomes.

O trabalho do arquiteto e paisagista chinês Kongjan Yu, vítima de um acidente aéreo ocorrido no Mato Grosso do Sul recentemente, também é uma das atrações da Bienal de Arquitetura, pois ele foi o idealizador das “cidades esponjas”, ou seja, da ideia de reter as águas das chuvas no próprio espaço urbano, reduzindo enchentes e assegurando reservas para os períodos de estiagens.

Para Kongian Yu, o confinamento em concreto das águas não deveria existir, pois elas precisam se espalhar, ajudar a filtrar poluentes e trazer saúde à população. As águas são as soluções para grande parte dos problemas existentes hoje. Dias antes de falecer, ele esteve na capital paulista e fez uma palestra aos visitantes da Bienal. Em seguida, o arquiteto rumou para o Pantanal com o intuito de conhecer a maior planície alagável de água doce do mundo e um importante bioma sul-americano.

E pegando gancho no assunto, eu gostaria de sugerir para vocês a leitura dos livros “O sentido das águas – histórias do Rio Negro”, de Drauzio Varella, “O espírito da floresta”, de Bruce Albert e Davi Kopenawa, “Degola”, de Monique Malcher, “Arrabalde”, de João Moreira Salles, além da exposição “Ocupação Ailton Krenak”, em cartaz no Itaú Cultural, localizado na Avenida Paulista, 149, até 23 de novembro de 2025.

Por fim, debates, oficinas de reaproveitamento e utilização de biomateriais, além de atividades, rodas de conversas e palestras sobre arquiteturas urbanas, meios de produção, políticas públicas de moradia, design circular são algumas das que completam a programação criada pelos organizadores da Bienal Internacional de Arquitetura para atender às curiosidades e aos anseios dos visitantes.

Eu indico a visita às duas bienais, especialmente porque artistas, arquitetos e urbanistas estão preocupados com o futuro não só da humanidade, como também da preservação de riquezas naturais, além da manutenção das culturas, de heranças ancestrais e dos modos de fazer e pensar de povos indígenas e das quebradas espalhadas por todo o mundo.

Até a próxima aventura,

Maria Oxigenada.

Serviço:

Onde: Pavilhão da Oca, localizada dentro do Parque Ibirapuera – próximo do portão 2.

Temporada: até 19 de outubro de 2025.

Quando: de terça a domingo, das 10h às 20h.

Preço: grátis.

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