Quantas lutas a gente trava ao longo de toda a nossa vida? Inúmeras. Desde que nascemos é perrengue atrás de perrengue, sendo que algumas vezes precisamos mostrar os dentes para pessoas e situações absurdas, como a de racismo, xenofobia, homo e transfobia, além de injustiças sociais que nos rodeiam.
O filme “Uma batalha após a outra” é ambientado no final da década de 90 e início dos anos 2000 e acompanha a rotina de um núcleo de resistência existente que se opõe ao governo autoritário e reacionário da época através de ataques às instituições, tais como: bancos privados, centros financeiros, sedes governamentais e prisões construídas para abrigar imigrantes.
Uma das líderes do movimento é Perfídia (Teyana Taylor). Logo no início da aventura, ela se envolve com o pirotécnico e criador de bombas caseiras Bob Ferguson (Leonardo DiCaprio) e com ele tem uma filha chamada Willa Ferguson (Chase Infiniti).
O problema é que o grupo é perseguido pelo Coronel Steven J. Lockjaw (Sean Penn) que não descansa até capturar Perfídia e outros integrantes do movimento, enviando-os para julgamentos e prisões permanentes. No entanto, a autoridade não resiste ao canto de sereia emitido pela guerrilheira e com ela tem uma noite tórrida que mudará definitivamente os destinos de ambos.
Um salto cronológico de 16 anos é feito na película e nós acompanhamos a fuga de Bob e Willa para uma cidade fronteiriça afastada da capital americana. Eles permanecem escondidos, vivendo no anonimato e pacatamente ao longo de mais de uma década e até que o Coronel Lockjam resolve travar uma caçada contra eles para saber se a adolescente é sua filha ou não e “apagar” por completo rastros do relacionamento ocorrido no passado.
O motivo de tal destempero é que Lockjam almeja integrar a alta cúpula constituída por autoridades governamentais que administra o país, enaltece a supremacia branca, rejeita a presença de mestiços e históricos de relacionamentos interraciais entre os seus integrantes.
“Uma batalha após a outra” foi dirigido pelo cineasta Paul Thomas Anderson, o mesmo diretor de “Licorice Piza”, “Trama Fantasma”, “Sangue Negro”, “Magnólia”, entre outros filmes. A obra conta com 2h50 minutos de duração, com um ritmo elevado, cenas de ação e ótimas atuações. Destaque para o humor impresso pelo ator Leonardo DiCaprio ao seu personagem, assim como a participação de Benício Del Toro como o professor de artes marciais Sérgio St. Carlos.
Outro ponto positivo do longa-metragem é a sua trilha sonora desenvolvida por Jonny Greenwood, além é claro das temáticas trabalhadas e, principalmente, os questionamentos levantados sobre a importância de uma paternidade participativa e amorosa para o desenvolvimento psíquico de crianças e adolescentes.
Sim. A película possui alguns excessos e passagens violentas que pouco acrescentam à narrativa, além da participação de coadjuvantes e histórias secundárias que deslocam o foco principal do enredo, como a presença de freiras produtoras de maconha em um convento localizado no meio do nada.
O filme “Uma batalha após a outra” provavelmente será um dos concorrentes ao Oscar de 2026, pois é uma obra que faz referências a alguns acontecimentos e personalidades do mundo atual, desenha um futuro cada vez mais polarizado, violento, desigual, neoliberal, que beira à insanidade e coloca à prova sociedades democráticas.
Eu gostei da abordagem feita e indico a aventura.
Beijos,
Maria Oxigenada.