O desfecho do musical já está disponível nos cinemas espalhados por todo o mundo. Depois do sucesso alcançado pelo filme “Wicked” no ano passado, as expectativas estavam altas em relação à segunda parte da história. 

Sim. A película surpreende novamente os espectadores, pois conta com um desfecho distinto do visto na peça teatral, assim como ata os fios soltos deixados no primeiro momento e costura duas obras conhecidas do grande público: “O mágico de Oz” e “Wicked”. 

A aventura também explica a origem de alguns personagens presentes em ambas, como o Leão Covarde (Colman Domingo), o Homem de Lata/Boq (Ethan Slater) e o Espantalho/Fiyero (Jonathan Bailey), além de revelar quem é o personagem responsável pela formação do tufão que assolou Kansas, destruiu a casa da família de Dorothy e esmagou a Bruxa Má do Leste/Nessarose (Marissa Bode).      

O longa-metragem começa mostrando as estratégias usadas pelo Mágico (Jeff Goldblum) e por Madame Morrible (Michelle Yeoh) para denegrir a imagem de Elphaba (Cynthia Erivo) perante os moradores de Oz e as tentativas feitas por ambos para fortalecer o carisma e a popularidade de Glinda (Ariana Grande) diante da comunidade. 

As duas protagonistas são alçadas aos céus logo de cara, uma em cima de uma vassoura de bruxa e a outra dentro de uma bolha móvel transparente com o intuito de reforçar os seus poderes mágicos, entretanto os verdadeiros embates acontecem em solo firme e através de diálogos afiados trocados entre os personagens da película. 

Na primeira parte da narrativa, Fiyero é surpreendido por Glinda com o anúncio público do noivado dos dois. Na sequência, o espectador acompanha os preparativos para a realização da união do casal, assim como observa a caçada feita pelas autoridades para capturar Elphaba, pois ela assume a faceta de defensora dos animais, posicionando-se contra o regime autoritário vigente. O problema é que o príncipe não esqueceu os bons momentos passados na companhia da maga e o reencontro entre eles promete emoções fortes aos fãs da dupla.

O diretor Jon M. Chu confessou em entrevista recente de que ficou temoroso em acrescentar a cena íntima e de conexão romântica entre os dois personagens, pois não sabia como o público reagiria a ela. Apesar disso, a construção feita pela cenografia da obra facilitou o acolhimento do encontro entre Elphaba e Fyiero, acompanhado pela execução da música “As long as you´re mine”.

Novamente, os figurinos das bruxas ganham destaque na obra. O amadurecimento e os dilemas morais enfrentados pelas duas personagens são refletidos através das peças que elas desfilam através das cenas. Glinda continua vestindo produções rosa, porém nesta segunda parte da história ela também adota alguns looks azulados e lilás contendo lantejoulas e pedrarias, assim como camadas feitas de tule e organza no intuito de suavizar a sua presença e reforçar as suas boas intenções.

Já o figurino ostentado por Elphaba é predominantemente construído por tonalidades fechadas e conta com calças, botas, casacos estruturados, jaquetas de couro, caudas longas e pesadas, golas volumosas e recortes geométricos com o objetivo de proteger a pessoa que está em baixo das roupas.

O figurino de Nessarose também merece comentários. Composto por casacos contendo mangas compridas, pontudas, além de looks que transpiram o autoritarismo e a inflexibilidade da personagem em relação à população de Oz, pois ela assume o status de governadora local e uma das vilãs da segunda parte da história.

“Wicked: Parte 2” conta com uma trilha sonora que potencializa as jornadas das protagonistas e é composta pelas canções: “No place like home”, “The girl in the bubble”, “Every day more wicked”, “Thank goodness”, “The wicked witch the east”, “Wonderful”, “I´m not that girl”, “As long as you´re mine”, “No good deep”, “Marcho f the witch Hunter”, “For good”, mas nenhuma delas impacta tanto quanto “Defying gravity” ou “Popular”. Confesso que até hoje estou digerindo a cena final da primeira parte com Cynthia Evore dando rasantes com a vassoura sobre Oz enquanto entoava a canção “Defying gravity”. Simplesmente estonteante!

O segundo capitulo da narrativa com certeza irá agradar aos seus fãs pelas inúmeras novidades presentes, mas esclareço que ele não vibra na mesma frequência que o primeiro longa-metragem. Apesar disso, entrega ótimas atuações, especialmente das atrizes protagonistas, e coloca ponto final na jornada enfrentada por ambas.

A boa notícia que anda circulando pela boca pequena é de que há possibilidades do desenvolvimento de um spin-off literário destacando a vida pregressa de Glinda. Intitulado de “Galinda: A charmed childhood”, ele seria ambientado antes da personagem chegar a Shiz University e criar o triângulo amoroso visto na telona. 

Parte do elenco original do filme veio até São Paulo no início de novembro para divulgar a segunda parte da aventura, mas durante a CCXP25 (festival de cultura pop), programada para acontecer na capital paulista entre os dias 4 e 7 de dezembro, terá um painel, no palco Omelete, onde a obra estará no foco das conversas. As atrizes Myra Ruiz, intérprete de Elphaba, e Fabi Bang, intérprete de Glinda, no musical homônimo já confirmaram suas presenças.

Eu indico “Wicked: parte 2” às Oxigenadas que desejam saber como a história das bruxas terminou e para aquelas apaixonadas por películas lúdicas, recheadas de fantasias, possibilidades e que propiciam a imaginação, a diversão e a alegria imediata.

Eu gostei.

Maria Oxigenada.              

  

   

 

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