Pela terceira vez, a franquia Avatar lança um filme às vésperas do Natal com o intuito de ser a película das férias e já é uma tradição minha rumar para o cinema no intervalo entre as festas de final de ano para conferir outra aventura ambientada em Pandora.
Intitulado de “Fogo e Cinzas”, a narrativa começa retomando o desfecho de “Avatar: O caminho das águas”, de 2022, com a família Sully amargando o luto pela partida precoce de Neteyam (Jamie Flatters), filho primogênito de Jack (Sam Worthington) e Neytiri (Zoe Saldaña), além de sobreviver junto ao clã Metkayina.
No entanto, a ameaça da vez é o Povo das Cinzas, grupo vulcânico, agressivo e liderado por Varang (Oona Chaplin), figura carismática, sedutora e que domina o fogo. A aliança firmada entre a vilã e coronel Miles Quaritch (Stephen Lang) rende momentos de tensão, dinamismo e embates na obra e com os Sully.
Varang é a representação da ambição humana em relação à exploração dos recursos naturais disponíveis, bem como é a materialização das consequências sentidas por todas as espécies em relação às queimadas, a destruição das matas, da flora e fauna, além da força da natureza quando provocada.
Outras temáticas e personagens secundários ganham espaço na narrativa, como Spider (Jack Champion), Kiri (Sigourney Weaver) e até o tulkum Payakan e a sua relação com Lo´ak (Britain Dalton). O primeiro por gerar desconfianças em Neytiri, pois a matriarca reprova a convivência e a amizade de seus filhos com o humano e pretende entrega-lo aos seus na primeira oportunidade.
Em “Avatar: Fogo e Cinzas” também há o aprofundamento da relação de Kiri com Eywa, entretanto o diretor James Cameron deixa brechas para que os poderes concentrados da personagem sejam melhor desenvolvidos em futuras aventuras, enquanto que o arco narrativo de Payakan que começou no filme anterior parece que finalmente é resolvido neste.
A caçada aos tulkuns, aliás, é um dos pontos altos do terceiro filme da franquia, assim como os voos em ikrans que hipnotizam quem está diante da telona, tamanha a beleza estética encontrada e o cuidado com a produção das cenas. Não há como negar de que os efeitos especiais do longa-metragem é um dos destaques da obra, tanto que é uma das categorias indicada ao Oscar 2026. A outra é de melhor figurino.
Agora, quem reina absoluta na película é mesmo Varang. A personagem feminina além de seduzir quem está em seu entorno e diante de si, também apresenta características de feiticeira, carregando a sabedoria milenar, a herança cultural de antepassados com o cultivo de ritos e a realização de cerimônias típicas, além de ostentar poderes como o domínio do fogo. É uma demônia que desfila como se estivesse em cima de uma passarela, deslizando entre as cenas como se fosse uma serpente disposta a persuadir e dar o bote.
“Avatar: Fogo e Cinzas” é um filme que conta 195 minutos de duração e, sim, ele cansa quem está assistindo-o, apesar de trabalhar com a questão de encantamento estético e de introduzir novos personagens à trama. A história contada neste terceiro capítulo é repetitiva e dá a sensação de já ter sido vista nos dois encontros anteriores.
Há outras duas películas programadas para fechar o ciclo da franquia e o diretor James Cameron já deu pistas recentemente de que a quarta aventura, provavelmente, será lançada em dezembro de 2029, entretanto “Avatar: Fogo e Cinzas” está cumprindo uma trajetória bem sucedida, pois continua em cartaz nos cinemas de todo o mundo e já arrecadou US$ 1,3 bilhão em bilheteria.
Confesso que cada um dos filmes da franquia me despertou sensações distintas. O primeiro foi a percepção da criatividade do roteirista e diretor e, consequentemente, o deslumbramento diante de um produto do audiovisual tão inédito para a época (2009) com o uso de tecnologia. Já o segundo é o que mais me agrada, especialmente pelas imagens subaquáticas presentes, pela sensibilidade reinante e pelo despertar de emoções genuínas, enquanto que o terceiro eu curti pela mensagem deixada pelos seus realizadores a respeito das consequências do aquecimento global, sobre a manutenção da espécie humana e outras no planeta Terra em decorrência das altas temperaturas e escassez de recursos naturais.
Por tudo o que foi dito, eu indico todos os filmes da franquia e estou na torcida para que eles influenciem e inspirem novas gerações de cineastas, produtores, atores e montadores no feitio de obras arrojadas e vanguardistas.
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada.