A música de Gilberto Gil foi adaptada aos palcos e virou musical. “Domingo no parque” foi apresentada pela primeira vez ao público durante o Festival da Música Popular, realizado pela TV Record, em 1967. No entanto, o espetáculo teatral conta com outras 20 canções que ajudam a construir o fio condutor da narrativa, sendo que seis delas foram compostas especialmente para o show. Dentre as conhecidas do público estão: “Roda”, “Preciso aprender a só ser”, “Pessoa nefasta” e “Cálice”.

A ambientação da obra acontece na cidade de Salvador, na década de 70, e ressalta a cultura afro através da religiosidade, das comidas locais, das rodas de capoeira, das giras, além do figurino usado na época e de outras temáticas trabalhadas como as amizades, a política, as traições e até o feminicídio.

A trinca de personagens que carrega a história nas costas é formada pelo feirante José (Alan Rocha), pelo auxiliar de obras João (Guilherme Silva) e pela cantora Juliana (Rebeca Jamir). Certo dia, José é convidado por Juliana para assistir a sua apresentação em um barzinho e ele encara a aventura na companhia de João, seu amigo.

O problema é que João e Juliana foram namorados na juventude e os sentimentos existentes entre os dois voltam à tona após o reencontro e alguns segredos guardados por anos são revelados diante do público.  

A posição de José não é nada confortável, pois além de estar apaixonado por Juliana, ele precisa ajuda-la em uma fuga, pois a personagem feminina está sendo perseguida pelas autoridades por estar envolvida em algumas atividades do partido comunista. O regime militar era uma realidade naquela época e não poupava quem o confrontasse.

O interessante do espetáculo é que ele apresenta ao vivo a dinâmica existente nas rodas de capoeira e os atores, inclusive as crianças, jogam a modalidade diante do público. O berimbau imprime o ritmo na ocasião com a ajuda de outros instrumentos tocados pelos integrantes da banda posicionada dentro da caixa cênica.

“Domingo no parque” é um musical composto majoritariamente por atores negros e afrodescendentes e é um espetáculo vibrante, que oscila entre o drama e o suspense, mas que também possui momentos para a plateia respirar e se divertir. Ele conta com atuações enérgicas, assim como com a presença de guitarras elétricas embalando algumas das canções presentes.

Dirigido musicalmente por Bem Gil, filho do cantor Gilberto Gil, “Domingo no parque” é a adaptação para os palcos de uma das músicas mais conhecidas do baiano e um dos marcos da Tropicália por mesclar o uso de violão, berimbau, guitarra elétrica e outros instrumentos musicais.

A peça fica completa com a participação de outros atores, tais como: Badu Morais, Adriana Lessa, Ananza Macedo, Gui Giannetto, Jean Amorim, Jack Mandinga, Júlia Perré, Júlia Sanches, Mestre Tyson, Farini, Renée Natan, Rio Delgado, Sangela Nunes, Thiago Mota, Wesley Guimarães, Caio Santos, Mateus Vicente, Vitor Tomé, além dos músicos Bruno Di Lullo, Daniel Conceição, Gabe Fabbri e Mano Jotta.

Eu indico “Domingo no parque” às Oxigenadas que curtem assistir a espetáculos onde há a valorização da cultura popular brasileira.

Beijos,

Maria Oxigenada.

Serviço:

Onde: teatro Claro SP, localizado na rua das Olimpíadas, 360 – Vila Olímpia.

Temporada: até 8 de fevereiro de 2026.

Quando: quinta e sexta, às 20h; sábado, às 17h e 20h30; domingo, às 18h.

Preço: a partir de 25,00 (meia) e R$ 50,00 (inteira).

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