Brincadeira de criança? Só que não. O tênis de mesa é papo sério para Marty Mauser (Thimothée Chalamet), protagonista do filme “Marty Supreme”, e tantos outros atletas que o jogam, tanto que a modalidade virou olímpica e as disputas no entorno da mesa retangular propiciam emoções fortes aos seus fãs.

No entanto, durante a década de 50, época em que a película é ambientada, o tênis de mesa (ping-pong) ainda estava conquistando os corações dos americanos e do mundo, mas os atletas japoneses já despontavam como sendo adversários ossos duros de roer.

O longa-metragem de 2h29 minutos de duração começa apresentando o personagem principal no seu ambiente de trabalho, pois Marty Mauser é vendedor de calçados na loja de seu tio, entretanto o seu habitat natural é outro e restringe-se aos espaços de treinamento com mesas de ping-pong espalhadas e a presença de dezenas de atletas realizando os seus treinos diários.

O objetivo de Marty é transformar-se em atleta de alta performance, mas para isso acontecer ele precisa competir e vencer o torneio de Londres (Inglaterra) para depois rumar para o Japão. O problema é que Marty é quebradeira e não tem condições financeiras para fazer as viagens e perseguir o seu sonho.

Ele veste a máscara de artista da trapaça, não se importando de emprestar dinheiro, praticar pequenos delitos, extrair dinheiro de jogadores amadores e nem implorar por patrocínio para magnatas dispostos a financiar as suas viagens, como é o caso de Milton Rockwell (Kevin O´Leary).

Paralelamente, a vida pessoal de Marty está um verdadeiro caos, pois ele vive às turras com a sua família e, ainda por cima, engravidou a sua vizinha Rachel (Odessa A´zion), além de se envolver com a atriz Kay Stone (Gwyneth Paltrow), artista fracassada e esposa do ricaço Milton Rockwell, ou seja, só B.O. para o espectador acompanhar.

O problema é que o personagem é aquela figura arrogante, egocêntrica, azarada que todos nós esbarramos vez ou outra e que não tem noção alguma de quando é a hora de parar e silenciar, pois é insistente ao extremo e não deixa de afirma-se diante de poderosos e também de outros atletas, como do japonês Koto Endo (Koto Kawaguchi), o número 1 do momento.

“Marty Supreme” é um filme que mescla cenas dramáticas com outras de comédia, além de passagens absurdas. Ele também possui um ritmo frenético, imposto pelo diretor Josh Safdie, e que representa o caráter de urgência que ciranda o personagem e que é potencializado através da trilha sonora criada por Daniel Lopatin, privilegiando músicas dos anos 80.

O destaque da película recai sobre a atuação do ator Timothée Chalamet que precisou treinar tênis de mesa durante anos para vestir a fantasia de Marty Mauser com sucesso. O curioso da história é que o artista praticou a modalidade esportiva durante os intervalos das filmagens da franquia “Duna”, onde interpreta o personagem Paul Atreides. 

Outro fato interessante de saber é que o diretor Josh Safdie não deu moleza para o bonito e alguns takes vistos na obra, especialmente os que ele divide a cena com o atleta e ator Koto Kawaguchi foram gravados mais de vinte vezes na intenção de captar não só a exaustão física de ambos, mas também as gotas de suor escorrendo por seus rostos e os olhares obstinados dos adversários fictícios.

O ator Timothée Chalamet será uma das pedras posicionadas no caminho do ator Wagner Moura durante a cerimônia do Oscar, pois ele já abocanhou a estatueta de melhor ator de comédia durante a celebração do Globo de Ouro e durante a festa do Critics Choice Awards deste ano e acaba de ser indicado ao Bafta de 2026.

O longa-metragem “Marty Supreme” está concorrendo em nove categorias distintas no Oscar deste ano. São elas: melhor filme, melhor direção (Josh Safdie), melhor ator coadjuvante (Jacob Elordi), melhor ator (Timothée Chalamet), melhor roteiro original, melhor fotografia, melhor montagem, melhor trilha sonora e melhor canção original. Os vencedores serão anunciados no dia 15 de março.

Eu indico “Marty Supreme” às Oxigenadas que curtem acompanhar histórias de superação, que vibram na tensão e com aventuras que degringolam diante do espectador.

Beijos,

Maria Oxigenada.

 

   

       

  

   

         

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