Há vários paralelos que podem ser feitos entre São Paulo (Brasil) e Nova Iorque (USA) e dentre as similaridades encontradas nas duas metrópoles além da quantidade de moradores existentes em cada uma delas, é a presença de grafites espalhados pelas ruas de ambas.

Coloridos, feitos em branco e preto e contendo traços distintos, os desenhos têm como objetivo espelhar a dinâmica e o cotidiano encontrado em grandes cidades, além de serem ferramentas de crítica e inclusão social através de uma linguagem visual que conversa e interage com a cultura local.

A representação de quebradas sempre marcaram presença nesses desenhos, assim como as releituras de artistas renomados, além de retratos de cenas de filmes e eventos esportivos. Homenagens às personalidades, cientistas e atletas também ganharam espaço dentro da estética urbana e que agora pode ser encontrada em lugares fechados, como museus, galerias de arte, decorando estúdios de TV, centros culturais ou integrando bienais de arte.

A exposição “Grafite: a arte que grita cultura” é um exemplo disso, pois está em cartaz no Solar Fábio Prado até o início de março e conta com dezenas de trabalhos de artistas, tais como: Thiago Goms, Os Gêmeos, Eduardo Kobra, Nina Pandolfo, Katia Suzue, Simone Siss, Chivitz, Cranio, Rui Amaral, Mag Magrela, entre outros. A exposição também abriu uma fissura para homenagear Binho Ribeiro e Juneca Jr., referências dentro do grafite nacional.

Muitas das obras expostas no local fazem parte do acervo privado da Fundação Padre Anchieta e decoraram os estúdios de programas, tais como: “Manos e Minas”, “Metrópolis” e “Musikaos”, todos da TV Cultura, aliás o logotipo da emissora também ganhou cores e vida através da criação de alguns dos artistas presentes.

Espalhados por várias salas do casarão centenário, o interessante do passeio é observar como os trabalhos expostos interagem com os elementos arquitetônicos, como o piso de madeira, as portas enormes com sistema de abertura dupla e que dão acesso ao gramado externo, a luminosidade natural que adentra e invade os cômodos, bem como os ruídos oriundos do restaurante próximo.

O grafite surgiu na década de 70, em Nova Iorque, e é um tipo de arte urbana que é mais elaborada do que a pichação. Normalmente, apropria-se de espaços públicos, das faces de prédios, de viadutos, muros e está alinhavada com vertentes musicais e de dança, como o hip-hop, o rap, o trap e o breakdance.

Nomes de Oxigenadas pertencentes à América Latina que trabalham com grafite são muitos e dentre eles estão a equatoriana Lady Pink (Sandra Fabara) e as brasileiras Evelyn Queiróz (Negahamburguer), Criola, Aline Bispo, Hanna Lucatelli, Pri Barbosa, Daiara Tukano, Bianca Foratori, Stephanie Fabian Torelli, Fatyma Regina, Angelica de Sena Correa, Thainá Soares (ìndia), Bruna Muniz, entre tantas outras manas que estão ganhando as ruas, riscando muros e expressando-se através de seus desenhos.

Para quem curte o assunto, a minha sugestão é além de conferir a exposição “Grafite: a arte que grita cultura”, assistir também a série “The Get Down”, disponível na plataforma digital Netflix.

Até a próxima aventura,

Maria Oxigenada.

Serviço:

Onde: Solar Fábio Prado, localizado na Avenida Faria Lima, 2705 – Jd. América.

Temporada: até 29 de março de 2026.

Quando: terça a domingo, das 10h às 18h.

Preço: grátis.

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