Se você é do time que nunca ouviu a música “Blue Moon”, então chegou o momento de salpicar um pouco de romantismo à sua vida e conhecer não só a vida e obra de Lorenz Hart (Ethan Hawke), letrista da canção, como também os respingos de uma era bem sucedida dentro do teatro musical e da Broadway.

A canção é somente uma das dezenas feitas em parceria com o compositor Richard Rodgers (Andrew Scott). Os dois fizeram história no mercado fonográfico americano e ainda hoje são lembrados por isso, entretanto a película evidencia um momento frágil da amizade da dupla e quando Richard Rodgers estreou o musical “Oklahoma”, obra com forte apelo popular e que foi desenvolvida em parceria com Oscar Hammerstein (Simon Delaney).

O longa-metragem é ambientado dentro do restaurante Sardi´s, localizado em Nova Iorque, e acompanha a chegada antecipada de Lorenz Hart na festa preparada pelos produtores para celebrar as críticas positivas que a peça recebeu logo na sua pré-estreia e a temporada em que ficará em cartaz.

O protagonista é um homem criativo, inteligente, excêntrico, egocêntrico, portador de humor ácido, mas também uma pessoa solitária, alcóolatra, frustrada, com problemas de relacionamento e em assumir publicamente a sua própria sexualidade. No recorte feito, o artista está desempregado e sem perspectivas de retorno dentro da indústria, por isso “vomita” todas as suas frustrações em cima do barman Eddie (Bobbie Cannavale) e do pianista Morty (Jonah Lees).

A narrativa de “Blue Moon” é construída com diálogos afiados, pitadas de ironia, além de monólogos que mais parece um exercício de fluxo de consciência do personagem principal de tão verborrágicos que são. A fotografia da obra é criada com cenas contendo ângulos que evidenciam a baixa estatura do protagonista e ressalta a sua posição de inferioridade e irrelevância naquela ocasião.

Pelos motivos citados acima, “Blue Moon” é uma película que transpira melancolia e que não irá agradar a todas as Oxigenadas, porém ela vale a pena ser vista especialmente pela atuação do ator Ethan Hawke que adota posturas corporais e um figurino composto por peças grandiosas que destacam o encolhimento público do artista perante os seus colegas de trabalho, isso sem dizer no timming perfeito do ator para a comédia com a distribuição de falas venenosas, pausas e olhares carregados de sentimentos.

Como boa brasileira que sou, durante a cerimônia do Oscar estarei de dedos cruzados e torcendo para o ator Wagner Moura e para a produção nacional “O Agente Secreto”, mas não ficarei triste se por ventura o ator Ethan Hawke abocanhar a estatueta dourada, pois ele está incrível em “Blue Moon” e a sua performance está superior aos demais candidatos. Pronto. Falei.

“Blue Moon” ainda conta com as participações da atriz Margaret Qualley desempenhando o papel de Elizabeth, musa inspiradora do protagonista, além dos atores Cillian Sullivan, Patrick Kennedy, Giles Surridge, Jonah Lees, George Roy, David Rawle, Michael James Ford, Aisling O´Mara, Caitriona Ennis, John Doran e Anne Brogan.

O desfecho da película segue o roteiro imaginado de obra indicada para cortar os pulsos (rsrs), pois mostra como foi o fim da vida de Lorenz Hart. O artista passou mal durante uma noite chuvosa e enquanto caminhava pelas ruas da Big Apple, falecendo quatro dias após ser socorrido e encaminhado para um hospital em decorrência de uma forte pneumonia.

Eu indico “Blue Moon” às Oxigenadas que curtem acompanhar cinebiografias e àquelas que gostam de conhecer personagens que fizeram a diferença na indústria do entretenimento e abriram as portas para uma galera mais jovem brilhar posteriormente com a pulverização de musicais em todo o mundo. Além disso, a mensagem deixada pela película recai sobre a importância de possuir uma rede de apoio em momentos de vulnerabilidade de saúde física e psíquica, bem como a relevância em procurar ajuda especializada, caso você esteja passando por momentos difíceis ou com problemas que fogem ao seu controle e conhecimento.

Beijos,

Maria Oxigenada.

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