A linha de chegada está próxima e há a aproximação do encerramento dos comentários sobre os filmes concorrentes ao Oscar deste ano. Como sempre, a jornada foi boa, conteve altos e baixos e produtos que abarcavam todos os gêneros.

E eu não poderia colocar ponto final na aventura sem antes deixar as minhas impressões a respeito da animação “Zootopia 2”, pois ela chega forte ao evento, especialmente depois de abocanhar uma estatueta durante a realização do Bafta, ocorrido no último dia 22 de fevereiro, e após arrecadar US$ 1,7 bilhão nas bilheterias em todo o mundo.

“Zootopia 2” foi lançado dez anos após a veiculação do primeiro filme e trouxe de volta aos holofotes a coelha Judy Hopps (Ginnifer Goodwin) e a raposa Nick Wilde (Jason Bateman). Neste segundo momento, a dupla de policiais é obrigada pelo chefe Bogo (Idris Elba) a participar de sessões de aconselhamento de parceiros em crise na companhia de um terapeuta e outros colegas de profissão.

Há uma resistência inicial dos dois, mas durante os encontros ambos vão compreendendo as diferenças existentes entre eles através da exposição de suas vulnerabilidades, traumas infantis, além de cenas de puro humor. O saldo é benéfico e resulta em crescimento emocional de ambos.

Paralelamente, Juddy e Nick precisam enfrentar algumas ameaças oriundas de répteis venenosos e imprevisíveis, como Gary De´Snake, bem como revelar as falcatruas de políticos locais sobre as origens da cidade. O interessante da aventura é que é feito novos recortes socias, evidenciando a cultura do subúrbio, da região central de Zootopia, assim como a inserção de novos personagens à trama.

Outro ponto positivo da película é que ela está carregada de referências da cultura pop, sobre o cinema e a respeito de questões geopolíticas, além de trabalhar com o fator lúdico, reforçando o caráter fantasioso existente na obra.

O mistério acompanha toda a narrativa, prendendo a atenção do espectador do início ao fim da obra, porém assuntos tratados no primeiro filme como o racismo estrutural ganha outra roupagem neste e há a discussão do apagamento histórico de comunidades e figuras existentes no passado, evidenciando que algumas injustiças continuam presentes ainda hoje e precisam ser reparadas o quanto antes. 

Na versão dublada de “Zootopia 2”, os protagonistas são interpretados pela atriz Monica Iozzi (Judy) e Rodrigo Lombardi (Nick) que mostram química vocal, cumplicidade, tensão e humor, tudo junto e misturado e que favorece a conexão imediata de quem assiste a película através de gestuais e diálogos dos personagens. 

A estética do filme, especialmente as cores trabalhadas nele aumentam as suas vibrações e seu ciclo de vida perante o público. Tons quentes transpiram alegria e aconchego, enquanto que as nuances frias reforçam as tensões e a áurea de mistério existentes em algumas cenas. A história é embalada por uma trilha sonora contendo 24 músicas distintas. A canção “Zoo”, interpreta pela cantora Shakira, é um exemplo de boa escolha musical e intérprete, catapultando as expectativas e fazendo com que o espectador termine a aventura cantarolando a canção por dias sequenciais.

A sensação deixada pelo filme é de que a franquia ainda tem fôlego para agradar uma nova geração de crianças, assim como aconteceu com “Toy Story” que chega este ano ao seu quinto filme. O leque aberto em “Zootopia 2” propicia a escrita de novos roteiros, novas aventuras não somente para Juddy e Nick, como também para os personagens introduzidos nesse segundo encontro.

A torcida pela animação “Guerreiras do K-Pop” é declarada, pois é uma obra divertida, alegre e que apresenta nuances da cultura oriental, mas eu indico “Zootopia 2” às Oxigenadas que curtem acompanhar histórias envolvendo animais carismáticos e que ostentam características demasiadamente humanas.

Eu gostei.

Maria Oxigenada.

         

 

  

         

 

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