A terceira temporada da série “Ninguém quer” foi confirmada pelos seus produtores e a previsão é de que ela esteja disponível aos assinantes da Netflix no final de 2026, entretanto quem está em busca de uma aventura leve, divertida e com salpiques de comédia romântica, então a minha sugestão é para vocês caírem de boca nos 20 episódios de 30 minutos cada que compõem as duas temporadas anteriores.

Ambientada em Los Angeles, “Ninguém quer” acompanha os perrengues enfrentados pelo rabino Noah Roklov (Adam Brody) e pela podcaster agnóstica Joanne Williams (Kristen Bell) para manter um relacionamento amoroso. À primeira vista, eles não comungam de um estilo de vida semelhante e nem de gostos pessoais, mas desde que foram apresentados em um jantar promovido por amigos em comum sentem uma atração irresistível um pelo outro.

A graça da série recai exatamente na tentativa dos dois compreenderem o universo alheio, pois Noah vem de uma família tradicional judaica que preza pelos ritos religiosos, pelos encontros familiares à mesa, enquanto que a família de Joanne não segue os modelos convencionais e nem possui uma religião para chamar de sua. 

A verdade é que alguns encontros promovidos entre elas saem faíscas e o espectador consegue observar os choques culturais e comportamentais existentes entre os personagens. Bina (Tovah Feldshun), mãe de Noah, não aceita o fato de o filho gostar de uma shiksa, ou seja, de uma mulher não judia, atraente e que está flertando com o judaísmo. Ela faz de tudo para que o filho permaneça sob as suas asas e mantenha relacionamentos amorosos com mulheres da comunidade. 

Outro ponto interessante da série é que ela traduz diante das câmeras algumas das celebrações religiosas, como o Bar ou Bat Mitzvá (festa que marca a transição da pré-adolescência à fase adulta) e o Shabat (período de descanso semanal, onde o trabalho é deixado de lado em detrimento do contato com a espiritualidade, a família e os amigos).

Bonitão e ocupando uma posição de destaque perante a comunidade judaica, o rabino Noah chama a atenção das Oxigenadas que almejam casar-se com uma autoridade local e desfrutar do conforto, da estabilidade financeira e do status que tal posição ostenta. Este é o caso de Rebecca (Emily Arlook), ex-namorada do rabino, que foi substituída rapidamente pela protagonista da história e que a partir de então começou a desfiar todo o fel depositado em sua língua.

No entanto, os respiros cômicos da obra acontecem principalmente nas trocas feitas entre Joanne e a sua irmã Morgan (Justine Lupe), pois nenhuma das duas possui travas em suas bocas e falam abertamente sobre sexualidade, a respeito da dinâmica dos relacionamentos atuais e outros temas referentes ao cotidiano diante dos microfones, pois o podcast da dupla cresce em audiência ao longo das temporadas com a ajuda de Lynn (Stephanie Faracy), produtora deste.

Os risos também correm soltos todas as vezes que o espectador acompanha a solidificação improvável da amizade entre Morgan e Sasha (Timothy Simons), irmão de Noah, pois os dois personagens parecem terem saído da mesma forma de tão parecidos que são. O problema é que Sasha é casado com Esther (Jackie Tohn) e ela é aquele tipo de mulher que não dá moleza ao mozão.

É claro que a conversão de Joanne ao judaísmo é assunto recorrente na série e motivo de discussões entre o casal protagonista e seus familiares, mas outros temas também emergem como a concretização de sonhos pessoais, a realização profissional, a independência entre pares, além das dificuldades e frustrações existentes em relações longas e as agruras da maternidade. 

A autoria do roteiro da série recai sobre Erin Foster que não titubeia em criar diálogos afiados, situações hilárias ou que servem de gatilhos para reflexões posteriores, assim como personagens que respondam a carga dramática ou cômica existentes nas cenas. 

“Ninguém quer” conta com uma trilha sonora que costura bem a narrativa, privilegiando artistas como Rihanna, Anna Graves, Shaw Mendes, Olivia Rodrigo, Mac Miller, HAIM, Selena Gomez, Taylor Swift, Ariana Grande, entre outros, além de participações especiais como de Seth Rogen, Alex Karpovsky, Leighton Meester, Michael Hitchcok, Sherry Cola, etc.

Agora, o maior atrevimento deste produto voltado ao audiovisual é trazer de volta às telas as comédias românticas que estavam esquecidas nos anos 90 e fazer com que muitas de nós suspiremos diante de amores românticos.

Até a próxima aventura,

Maria Oxigenada.   

 

 

          

  

 

   

   

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