A exposição “Damián Ortega: matéria e energia”, em cartaz no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), reúne três décadas de trabalho do artista mexicano Damián Ortega e conta com fotografias, vídeos, esculturas e instalações grandiosas, tais como “Fusca – coisa cósmica”, “Alma Mater”, “Controlador do Universo”, “Siembra”, entre outras na intenção de criar diálogos entre a arte e a arquitetura ou fazer com que o visitante reflita sobre o seu papel dentro da sociedade civil e como integrante da natureza.
“Fusca – coisa cósmica” é a instalação mais impactante presente no local, pela sua grandiosidade e proposta, pois ela conta com 7,20 metros por 7,80 metros e consiste em evidenciar todas as partes do automóvel. O fusca foi o carro mais vendido no Brasil por 23 anos, ganhando a simpatia de muitos brasileiros e tornando-se o queridinho entre os países da América Latina. Com isso, a ideia do artista foi abrir o veículo, expandir o olhar sobre o objeto de desejo através da visualização das peças que o recheiam e possibilitar o feitio de reflexões sobre o papel do indivíduo dentro de uma engrenagem maior.
Outra instalação de grande porte que também integra a exposição é “Controlador do Universo” que revisita um conhecido mural do pintor Diego Rivera e que foi criada com ferramentas, serrotes, pás e machados desgastados. Assim como a primeira obra comentada, ela também está suspensa no ar e remete ao congelamento do tempo, abrindo questionamentos de quem ali está sobre o controle do homem em relação ao meio ambiente e à sociedade. O interessante é que as ferramentas presentes parecem avançar de forma ameaçadora sobre o público, assumindo um tom de exagero e absurdo, revelando uma dose de humor presente em Ortega que reverbera em toda a sua trajetória profissional.
A terceira instalação que gostaria de destacar é “Alma Mater” e esta consiste em uma escultura feita de pedras, argilas, rochas vulcânicas coloridas e pedaços de tijolos formando uma espiral disposta no ar e que explora a relação entre matéria, energia e desconstrução. Já a quarta instalação que impacta o visitante é “Siembra”, estrutura de aço retorcido que forma através de um jogo de luz e sombra refletido no piso do museu as vogais do alfabeto latino, na letra cursiva da mãe de Damián Ortega.
Nas salas expositivas, há ainda uma série de fotografias tiradas na casa do arquiteto mexicano Luís Barragán, outras em Brasília, além de vários registros feitos de casas brasileiras com pilhas de tijolos acumulados em seus quintais ou calçadas, numa alusão aos sonhos de consumo, anseio por melhores moradias e futuras ampliações de estilo de vida e nível socioeconômico.
O fato é que a todo momento, Ortega propõe o feitio de trocas e alinhavos entre arte, arquitetura, objetos, chuleando as relações criadas com o espaço, o humano e o entorno. O público tem a permissão de tirar fotos das obras expostas e até adentrar algumas delas para se sentir como parte integrante de um todo criativo e, com isso, ter a permissão de pensar sobre como viver o amanhã nas paisagens e em espaços livres do mundo.
Eu gostei.
Maria Oxigenada.
Serviço:
Onde: Edifício Lina Bo Bardi, 1 e 2 subsolos do Masp, localizado na avenida Paulista, 1578 – Bela Vista.
Temporada: até 13 de setembro de 2026.
Quando: terça, das 10h às 20h; quarta e quinta, das 10h às 18h; sexta, das 10h às 21h; sábado e domingo, das 10h às 18h.
Preço: R$ 85,00 (inteira), R$ 42,00 (meia). Gratuidade às terças e sextas depois das 18h.