Artista visionário e com uma carreira grandiosa e de tirar o fôlego de qualquer pessoa. Isto é o breve resumo do que vimos durante o filme “Michael”, lançado no último mês. A película acompanha desde a infância do pop star até culminar na turnê Bad World, ocorrida entre os anos de 1987 e 1989.

Na obra, Michael Jackson é interpretado pelo ator e bailarino Jaafar Jackson, sobrinho verdadeiro do protagonista e filho de seu irmão Jermaine. Já na infância retratada ficcionalmente, quem assume o papel principal é o ator mirim Juliano Krue Valdi.

O filme segue uma ordem cronológica dos fatos ocorridos na vida de Michael Jackson, ou seja, desde a criação dos Jackson 5, grupo entre irmãos idealizado por Joseph Jackson (Colman Domingo), pai de Michael, e que lançou ao estrelato o rei do pop, possibilitando ao astro ganhar visibilidade e ser conhecido não somente no meio artístico como também na mídia.

Logo de cara, é possível observar a interferência de um pai tóxico, abusivo e controlador sobre todos, especialmente sobre o caçula do grupo, e o reflexo dessa rigidez comportamental na psiquê e nas atitudes adotadas posteriormente pelo artista. Desde a infância, Michael foi vítima de abusos, de um excesso de trabalho, cobranças, resultando na perda da infância, no desenvolvimento de inseguranças pessoais, em traumas e na construção de uma vida solitária.

Apesar disso, em cima do palco e diante dos fãs a história era outra, pois o personagem explodia cenicamente, com total domínio de palco e com capacidade de reunir multidões em estádios e apresentações feitas. Michael Jackson hipnotizava a plateia com a sua voz, os seus passos de dança e a presença marcante construída com a colaboração de um figurino que privilegiava peças de couro, camisetas brancas, o uso de acessórios como chapéus, luvas, gravatas, meias brancas, além de roupas feitas com paetês e bordados.

“Michael” não faz questão de esconder alguns episódios e passagens difíceis vivenciados pelo artista como o acidente sofrido por ele durante a gravação de um clipe musical patrocinado pela Pepsi, onde ele sofreu queimaduras graves na cabeça e couro cabeludo, obrigando-o a permanecer por dias dentro de uma UTI de um hospital voltado aos queimados e ficar meses ausente dos palcos. O vitiligo sofrido também é abordado no longa-metragem, assim como algumas das cirurgias estéticas feitas pelo artista para afinar o nariz.

O ponto alto da narrativa acontece com a reprodução de shows históricos e de filmagens de clipes musicais bem sucedidos como “Beat it” e “Thriller”. O processo criativo de Michael é desenhado diante do espectador, inclusive sinalizando para quem está assistindo a película onde o artista buscou referências e inspirações para a concepção deles.

O fato é que Michael Jackson acreditava no poder da música e da dança e de como elas carregam consigo mensagens poderosas, de alegria, paz, união, tanto que ele nunca titubeou em desenvolver parcerias com diferentes artistas e nem aprender com pessoas de universos distintos do seu.

Em “Michael” também observamos a chegada e atuação de figuras que impactaram a vida do pop star como o advogado e conselheiro John Branca (Miles Teller), o executivo Walter Yetnikoff (Mike Myers), responsável por forçar o canal MTV a exibir clipes de artistas negros, além do segurança Bill Bray (Keilyn Durrel Jones), do empresário e produtor Quincy Jones (Kendrick Sampson) e de sua mãe Katherine Jackson (Nia Long), pois a matriarca da família foi uma das que incentivou o filho a seguir carreira solo, ser independente dos irmãos e brilhar publicamente.

A atuação de Jaafar Jackson é o ponto alto do filme porque o ator personifica o tio através de gestos, posturas, olhares e a tonalidade vocal. O espectador parece adentrar um túnel do tempo durante 127 minutos de duração da obra, percebendo os motivos pelos quais Michael Jackson dominou o mercado fonográfico mundial como artista solo mais vendido e performático da história, assim como notando nuances das quebras de barreiras raciais feitas na mídia.

O filme ainda conta com a participação de outros atores, tais como Jayden Harville/Jamal Henderson (Jermaine Jackson), Jaylen L. Hunter/Ter Horton (Marlon), Judah Edwards/Rhyan Hill (Tito), Nathaniel L. Mchntyre/Joseph David-Jones (Jackie), Amaya Mendonza (La Toya), Laura Harrier (Suzanne), Teresa Palmer (Debbie Rowe), Larenz Tate (Berry Godoy), Derek Luke (Johnnie Cochran), Liv Symone (Gladys Knight), Don Miroradoff (Robert Mapplet), Emily Zapotocny (Sheryl Crow), Jaylen Lyndon (Hunter), Kevin Shinick (Dick Clark) e Katie Kay (produtora musical).

Até o momento, o filme arrecadou quase US$ 800 milhões em todo o mundo e ocupa a segunda posição entre as maiores bilheterias globais do ano. Os executivos e produtores do longa-metragem já confirmaram a continuação da aventura. Resta saber como as polêmicas em que Michael Jackson esteve envolvido serão retratadas ou se elas simplesmente serão colocadas para escanteio em detrimento do feitio de um produto sem conflitos como foi a primeira parte e que de fato foi a concretização de uma celebração visual muito aquém de que Michael Jackson merecia.

Beijos, Maria Oxigenada.

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