Eu começo este texto perguntando a vocês qual é a relevância da música para a cultura brasileira? Enorme. Ela compõe junto com a comida, a dança, a literatura, o teatro, os produtos desenvolvidos pelo audiovisual, além da moda, do design, da arquitetura, do esporte – o amálgama cultural nacional.

A música popular é semente de encontro, festa e ritual. Ela faz parte de nossa identidade, história, imaginário coletivo, tanto que foi construída com a contribuição de saberes ancestrais, com heranças de povos originários e mestiços e dentre os instrumentos usados na sua concepção estão a rabeca, o atabaque, a viola caipira e o pífano.

Os quatro instrumentos citados acima, assim como o modo de fazer, os seus usos e as singularidades de cada um deles é o mote da exposição “Música Artesanal”, em cartaz no museu A Casa do Objeto Brasileiro. No local, o destaque recai não só sobre os instrumentos, como também sobre os luthiers, ou seja, sobre os artesãos que são representados na ocasião pelos artistas Adam Bahrami (rabeca), Luiz Poeira (atabaque), Alexandre Rodrigues (pífano) e Regis Bonilha (viola caipira).

O visitante que estiver flanando pelo local ficará diante de instrumentos desmembrados, além de entrevistas, imagens, documentos e vídeos explicativos produzidos por Kabé Pinheiro e Laís Branco que evidenciam o trabalho manual, artesanal e de entalhe feitos pelo quarteto de artistas. Imagens de seus ateliês, assim como as ferramentas usadas por cada um deles para a confecção dos instrumentos também ilustram os vídeos. Já algumas fotografias de personalidades que cantaram e encantaram o Brasil tem a finalidade de rechear a exposição como as imagens da violeira pantaneira Helena Meirelles.

A partir do olhar lançado sobre os objetos, não há como ignorar a sua presença durante as práticas religiosas, em tentativas de aproximação com o sagrado, como também na marcação rítmica de danças como a capoeira, no incremento de sambas e no entrelaçamento de tradições como o folclore, fandango, cavalo marinho, folia de reis, mamulengo, marujada e forró.

A exposição “Música Artesanal” é uma imersão neste universo de saberes musicais, tanto que uma programação paralela foi montada para responder aos questionamentos dos visitantes e apaixonados pela música raiz. No dia 11 de julho, o museu irá realizar um bate-papo entre o curador da exposição Benjamin Taubklin com os luthiers Adam Bahrami, Alexandre Rodrigues, Luiz Poeira e Regis Bonilha. As trocas culturais começarão a partir das 11 horas da manhã.

No entanto, outros encontros estão programados para acontecer no intuito de aproximar o público dos artistas e instrumentos desenvolvidos por eles. A vivência de rabeca com Adam Bahrami, por exemplo, está programada para rolar no dia 25 de julho, das 14h às 17h. Já a vivência com pífaro com Alexandre Rodrigues acontecerá no dia 15 de agosto, enquanto que a vivência de viola caipira com Regis Bonilha será no dia 29 de agosto e, por fim, a vivência de atabaque com Luiz Poeira está programada para acontecer no dia 19 de setembro.

Quem tiver interesse em participar das atividades citadas acima é necessário o feitio de inscrições prévias através do site www.acasa.org.br ou do link disponibilizado nas redes sociais do museu (@acasa).

Eu indico a exposição aos amantes de canções populares, aos curiosos e aqueles que desejam observar os pormenores existentes no feitio de instrumentos musicais criados a partir de troncos de madeira ou pedaços de bambu.

Até a próxima aventura,

Maria Oxigenada.

Serviço:

Onde: Museu A Casa do Objeto Brasileira, localizado na Avenida Pedroso de Morais, 1216 – Pinheiros.

Temporada: até 18 de outubro de 2026.

Quando: quarta a domingo, das 10H às 18h.

Preço: programa gratuito

Compartilhe esse artigo!