O live-action da animação chegou aos cinemas durante as férias de julho, mas a pergunta que ficou reverberando em minha mente depois de conferi-lo foi: será que era necessário o seu feitio? Talvez a graça da aventura recaia exatamente em visualizar a heroína destemida que encantou gerações em 2016 agora em carne e osso, assim como os demais personagens presentes.
Na narrativa, Moana é interpretada pela atriz Catherine Laga`aia e ela segue a trilha traçada pelo desenho anteriormente, atendendo ao chamado dos oceanos, ou seja, a protagonista parte em uma aventura através dos mares, enfrentando perigos e desafios marítimos, além da fúria de deuses para salvar o seu povo da escassez alimentar.
Filha do líder da tribo e descendente de uma longa linhagem de navegadores, Moana descobre que o semideus Maui (Dwayne Johnson) foi o responsável por desencadear o desequilíbrio que afeta a natureza, por isso deseja encontra-lo para restaurar o coração da deusa Te Fiti.
O ponto alto do longa-metragem é a réplica da história conhecida e o cenário mágico, pois as paisagens do Havaí presentes são de cair o queixo e contribuem para a construção da personalidade, dos valores e estilo de vida da protagonista, assim como para acrescentar uma camada emocional e de liberdade aos personagens.
No entanto, “Moana” não é um live-action raiz, pois não conseguiu fugir do uso de CGI para o desenvolvimento de algumas cenas e a concepção do frango Hei Hei, do porco Pua, dos “piratas” kakamora, do caranguejo Tamatoa, além dos poderes exalados por Maui. Destaque para as cenas finais de embate de Te Fiti com Moana e a transformação da divindade em montanha.
O escape cômico da obra recai sobre o frango que poderia gozar de mais tempo de tela e participar de novas aventuras. Agora, o acerto da produção foi a escolha da atriz Catherine Laga´aia, pois a artista exala empatia, carrega consigo o estereotipo e características físicas parecidas com as vistas na animação, além de transpirar química cênica com o ator Dwayne Johnson.
Quanto ao artista, ele reproduz o charme visto nos dois desenhos anteriores, pois Dwayne Johnson dublou o personagem Maui nas animações feitas. A graça do momento foi vê-lo portando peruca longa porque vocês sabem que o ator desfila com uma careca de amolar machado, há, há, há…
Outro personagem que merece comentários é a avó de Moana, interpretada pela atriz Rena Owen, que é detentora e transmissora de saberes, lendas, práticas artesanais, refletindo os hábitos e costumes da população, além da cultura local.
O ponto alto da película são as músicas presentes na aventura, especialmente a canção ancestral intitulada de “Eu sou Moana”, bem como “Saber quem eu sou”, “De nada”, “Tulou Tagaloa” e a canção inédita “Along the way”.
O live-action da Moana continua sendo uma opção de programa cultural para ser feito durante o mês de agosto, entretanto a verdade é que ele navega em águas já conhecidas e não entrega nada novo aos fãs. Além disso, o filme conta com uma barriga narrativa que desencoraja quem está esperando por uma história fluida, que contenha altas vibrações e ritmo frenético.
A esperança é de que o live-action de “Enrolados”, programado para estrear em 2028, consiga superar as expectativas depositadas em “Moana”, pois esta última aventura vale somente a pipoca.
Beijos,
Maria Oxigenada.