Novas experiências, novas memórias construídas e novas aventuras para compartilhar com vocês. As artes têm disso, né!? Elas possibilitam que sejamos tocados por sensações, sentimentos através do acionamento dos sentidos, de memórias ancestrais e do desenvolvimento criativo.

Na última semana, eu fui conferir ao espetáculo “Terreno”, da Companhia Percussiva de Dança, que mescla improvisações, dança percussiva, sapateado e percussão corporal. Sim. Há similaridades com os shows feitos pelo extinto grupo “Stomp” que utilizava o corpo e objetos comuns para criar performances.

Em “Terreno”, os corpos viram instrumentos para os artistas e as batidas fortes imprimem os ritmos ouvidos durante todo o espetáculo que engloba desde os festejos do massapê encontrados no Nordeste, perpassando pela ancestralidade da terra preta vista na região norte até os pormenores culturais existentes e levantados pela terra vermelha da região sudeste.

O espetáculo mistura mímica, dança, ritmos em essência, canções e conta com a participação da plateia para construir um produto de entretenimento que transpira bom humor e que vibra alto na alegria. Ao todo, dez artistas integram a companhia, protagonizando diferentes cenas sob os holofotes e exercendo funções simultâneas na execução musical e coreográfica da obra.

A mensagem repassada ao público é clara e de que devemos silenciar os ruídos externos na intenção de ouvir os recados transmitidos pelos nossos corpos, pelas nossas histórias pessoais e pela abertura ao diálogo entre a arte e a vida.

Já a riqueza do espetáculo encontra-se nos detalhes, nas performances vistas e nas expressões corporais trabalhadas pelo corpo de baile formado por Duda Novais, Fernanda Barbeiro, Gabriela Mendes, Giovanna Cruz, Júlia Camargo, Kézia Bavaroti, Marina Carrijo, Tiago Fernandes, Victória Carvalho e Vinícius Gonzada. A direção artística e coreográfica do show é de Marina Corrijo.

Quanto ao figurino usado pelos artistas, este foi construído por peças confortáveis, vestidos soltos, bermudas, camisetas e camisas de manga curta, coletes, lenços, além de sapatos pretos de sapateado que são amarrados por cadarços. A paleta de cores trabalhada é terrosa, remetendo às temáticas desenvolvidas na ocasião.

Para quem curte os trabalhos de artistas inquietos, inovadores e que utilizam de materiais diversos para construir as suas obras como fazem os integrantes da Companhia Percussiva de Dança, então eu sugiro que vocês também confiram ao documentário “Amélia Toledo – lembrar de não esquecer”, dirigido por Helio Goldsztein, sobre a trajetória de uma criadora que transformou a sua própria casa em ateliê e desenvolveu ao longo de seu percurso profissional e artístico desde joias até esculturas através da manipulação com acrílico, pedras, chapas de metal e conchas.

Até o nosso próximo encontro.

Beijos,

Maria Oxigenada.

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