Bem curioso isso! Este é o terceiro programa cultural que faço nas duas últimas semanas que aborda o trancafiar doméstico. Depois dos filmes “A última casa” e “O fim da rua”, o musical “Sete mulheres e um mistério” também é ambientado dentro de uma mansão às vésperas de Natal.
A nevasca externa impossibilita que as sete personagens vistas em cena possam sair do local, mesmo diante da ocorrência de um crime bárbaro e do assassinato do patriarca da família. Sim. Elas fazem parte da mesma família ou quase isso, pois são esposa (Verónica Valentino), irmã rejeitada (Letícia Soares), sogra (Stella Miranda), cunhada (Paula Capovilla), filhas (Malu Rodrigues e Laura Castro) e a empregada (Bruna Guerin/Carla Masumoto).
Logo de cara, as peças são distribuídas no tabuleiro e é possível observar não somente a dinâmica familiar imposta, como também o jogo de poder existente entre as partes, bem como as rivalidades e até a formação de alianças improváveis no decorrer da obra ficcional.
O musical “Sete mulheres e um mistério” também resvala em outras temáticas, tais como os desejos femininos, questões de gênero, etarismo, mas são as confissões absurdas, as farpas trocadas e as revelações existentes que catapultam o espetáculo para a diversão e para a distribuição de risos soltos.
No entanto, não há como ignorar ao fato de que a peça mescla momentos de suspense, dramáticos e policial, pois uma investigação interna é feita no intuito de provar que todas as personagens em cena possuem motivos suficientes para acabar com a vida do bonito.
Escrito por Robert Thomas, em 1961, o musical é um clássico do suspense policial e a sua narrativa está ancorada em diálogos afiados e em detalhes que aguçam a curiosidade de quem está assistindo-o, por isso resiste ao tempo e continua despertando o interesse de produtores. Em 2002, o diretor François Ozon adaptou à peça para o cinema e o filme abocanhou 31 prêmios ao todo. No Brasil, a primeira montagem do musical aconteceu em 1962 com a participação das atrizes Nathalia Timberg, Suely Franco, Dulcina de Moraes, Margarida Rey, Maria Fernanda, Maria Sampaio, Iracema de Alencar e Sônia de Moraes.
A cenografia da obra reproduz o interior de uma mansão com poucos objetos cênicos, enquanto que o figurino usado pelas atrizes espelha a estética da época e o nível socioeconômico das integrantes da família e é construído com vestidos de cetins naturais com mangas bufantes, sobretudos, peças contendo pepluns, pelerines de pele, ternos de veludo molhado, mix de estampas, malhas bordadas, calças jeans, meias coloridas e uniforme em preto e branco.
O time de atrizes está azeitado em cena e não deixa a vibração do espetáculo cair durante os 120 minutos de duração deste, abrindo espaços para que todas soltem as suas vozes em números musicais individuais e brilhem conjuntamente sob os holofotes. Destaque para a atriz Carla Masumoto como intérprete da empregada Suzette, pois na sessão vista ela substituiu a atriz Bruna Guerin e estava simplesmente hilária no papel!
Eu indico “Sete mulheres e um mistério” às Oxigenadas que curtem acompanhar musicais de fácil digestão e àquelas que gostam de assistir ao desenrolar de histórias de suspense policial que foram bem escritas e que continuam divertindo gerações e rasgando o tempo cronológico.
Eu gostei.
Beijos,
Maria Oxigenada.
Serviço:
Onde: Rooftop 033, localizado na avenida Juscelino Kubitscheck, 2041. Complexo JK Iguatemi.
Temporada: até 04 de outubro de 2026.
Quando: sexta, às 20h; sábado, às 16h e 20h; domingo, às 15h e 19h.
Preço: entre R$ 25,00 e R$ 300,00.