Uma vida que não merece ser examinada não merece ser vivida. O pensamento do filósofo Sócrates faz com que reflitamos a respeito de questões éticas, morais, de justiça e em relação ao futuro. Nada mais propício ao momento atual do Brasil, onde diariamente a população é inundada por notícias sobre o envolvimento de integrantes não só do poder judiciário como também de alguns políticos e empresários em esquemas fraudulentos, de corrupção e má conduta profissional.
Na peça “O julgamento de Sócrates”, o espectador acompanha a condenação à morte do pensador por incitar a juventude a questionar sobre as regras sociais vigentes, além de profanar contra os deuses da cidade. Durante o julgamento em que é submetido, Sócrates escolhe fazer a sua própria defesa diante das autoridades locais e sai do tribunal direto para a prisão.
Por lá, permanece durante 30 dias até que a sua sentença seja finalmente executada, entretanto no período de espera o personagem continua divagando, ironizando sobre o seu destino perante os seus seguidores e familiares e evidenciando a sua lógica implacável.
Baseado em três livros de Platão (A apologia de Sócrates, Críton e Fédon), o espetáculo é construído em cima de diálogos afiados, possui ritmo intenso, atuações enérgicas, além da execução de músicas gregas ao vivo e apelo popular. Quanto à cenografia da obra, ela propicia um mergulho à estética grega, reforçada pelo uso de figurinos que remetem às vestes usadas na época e que foram criados a partir de túnicas, faixas, vestidos soltos amarrados na cintura, xales, além de peças feitas com tecidos naturais (algodão e lã) e o uso de sandálias de couro ou o desfile de pés no chão.
A dramaturgia da peça ficou a cargo de Régis de Oliveira e o seu elenco é formado pelos atores Luiz Amorim, Carlos De Niggro, Breno Ganz, Magnus Odilon, Marcus Veríssimo, Nalini Menezes, Priscila Camargo, Priscilla Dieminger e Roberto Borenstein.
“O julgamento de Sócrates” é um programa cultural indicado às Oxigenadas que gostam de imergir em aventuras de outrora, àquelas que curtem tragédias gregas e outras que querem ficar diante de personagens corajosos, que transpiram integridade e são conscientes de seus papéis sociais.
Eu gostaria de terminar esta conversa com vocês com outro pensamento agora do filósofo Sêneca, pinçado de Cartas a Lucílio, e que diz: “Enquanto adiamos a vida, ela passa”, então a sugestão é para que todas nós paremos de postergar oportunidades de realização de programas culturais que propiciem a reflexão, o aprendizado e as trocas humanas.
Eu gostei.
Beijos,
Maria Oxigenada.
Serviço:
Onde: teatro B32, localizado na Avenida Faria Lima, 3732 – Itaim Bibi.
Temporada: até dia 27 de setembro de 2026.
Próximas sessões: dias 13, 20 e 27 de setembro, às 19h.
Preço: a partir de R$ 40,00.
Duração: 80 minutos.