Esta é a segunda vez no ano em que as luzes foram acesas sobre as passarelas da cidade, pois a semana de moda francesa agitou Paris nos últimos dias, revelando as tendências destinadas as próximas estações do ano. Na ocasião, muitos modismos foram replicados por diferentes marcas, convergindo inspirações e criações de estilistas, entretanto neste texto eu irei destacar as diferenças percebidas entre uma grife e outra.
A Chanel, por exemplo, inovou apostando em produções com cores inusitadas e que fugiram de sua paleta tradicional, além de apresentar taillers desconstruídos e no formato de croppeds, conjuntos de tweeds com suas tramas desfiadas, assim como looks criados com fraques, tutus, vestidos de cintura baixa que exalavam aromas oriundos dos anos 20, bem como transparências bordadas, meias rendadas e barrigas à mostra. O estilista Matthieu Blazy bebeu nas artes e em pinturas feitas por Edouard Vuillard e em esculturas de Edgar Degas para desenvolver a coleção atual da Chanel.
Já a label Valentino apostou as suas fichas nos detalhes e em apresentar bordados em lugares inusitados como nos punhos de camisas xadrezadas, plissados formando leques, no casamento de blazers grandiosos com bermudas rendadas, além de camadas construídas a partir de paetês, blusas com decotes cruzados protegendo os seios, calças com silhuetas arredondadas e saias lápis.
A proposta da marca Miu Miu foi a de unir blazers com shorts curtos, saias pregueadas com tênis, além de endossar o uso de camisetas esportivas, vestidos amassados, micro shorts, bodies com decotes nadador, saias envelopes, calças com listras laterais e mullets baixos, enquanto que a grife Hermès investiu nos zíperes frontais, nos sobretudos com lapelas enormes, nas saias de fitas, em sandálias de dedo, nos vestidos retos, em gargantilhas, além das tonalidades solares.
A cartela de cores trabalhada pela Lacoste também vibrou nas mesmas ondas, mas a label investiu em produções terrosas criadas a partir de marrons, de conjuntos feitos de materiais impermeáveis e nas saias com paetês grandiosos. Já Stella McCartney casou tops volumosos com calças secas, ressuscitou as jaquetas bombers, os ombros armados, as mangas bufantes, os volumes nas cinturas e as malhas ostentando desenhos de animais.
A grife Givenchy assoprou as boas novas através de blazers abotoados de maneira desconexa, em camisas com punhos enormes, em looks assimétricos, em ombros únicos, nas regatas, em botas ostentando zíperes frontais, tops com cortes arredondados, tomara-que-caia de couro e sapatos com frufrus. Já a marca Celine acreditou nas calças com barras grandiosas, nas bombachas, nos casacos brocados, nos cintos com maxi fivelas, em suéteres oversized, nas jaquetas amarradas nas cinturas e em estampas diversas.
Agora, a label Ellie Saab mergulhou no universo dos cetins naturais e das sedas para desenvolver a maioria de suas peças, além de respirar através das transparências bordadas, das saias assimétricas contendo caudas, nas fendas profundas, em vestidos de alcinhas, na junção de saias metalizadas com corseletes rendados ou nas combinatórias de jaquetas de couro com saias esvoaçantes, nos babados e em ombros solitários.
Enquanto isso, o mundo dos sonhos foi desenhado por Chloé através da pulverização do branco, de vestidos rendados, na leveza das transparências, das mangas japonesas replicadas em camadas, das franjas posicionadas nas barras e ocupando os lugares de babadores, nos vestidos trapézio bordados, nas calças capri com babados nas barras, nas capas de chuva, nas mullets vistas de mãos dadas com croppeds rendados.
A marca Louis Vuitton movimentou a semana de moda com a apresentação de produções fluidas, leves, portando janelas e respiros fashion em pontos estratégicos de suas peças, tanto que criou camadas com chiffon, vestidos e capas soltas, sleep dresses, tubinhos com alcinhas, saias evasês ou posicionadas por cima de calças escorregadias, além de uma série de jaquetas de couro, agasalhos com bolsos frontais e o desfile de scarpins e botas de cano mediano.
E a grife Loewe? Ah! Esta inovou com a presença de golas monográficas removíveis, com saias feitas a partir de miçangas e cinturas enroladas, sapatos tramados com fitas de cetim ou bordados com pedrarias, além de enlaces feitos em crochês e zíperes nas mangas compridas.
Independentemente de quais labels sejam as suas favoritas, o fato é que estilo nasce através do repertório construído, das curiosidades surgidas, das experiências trocadas e em mergulhos feitos nas artes porque pessoas autênticas vestem roupas e peças que transpiram os repertórios adquiridos com o passar do tempo.
Até a próxima aventura,
Beijos,
Maria Oxigenada.
Obs: Os comentários sobre moda continuam em outro post…