A Rainha da Sofrência acaba de ganhar uma exposição na capital paulista após cinco anos do acidente aéreo que a vitimou em 2021 e aos 26 anos. Marília Mendonça revolucionou o mercado fonográfico, especialmente o sertanejo, oferecendo o protagonismo de suas canções às mulheres reais, pois cantou episódios de abandono, de traições e sobre questões do universo feminino, ou seja, construiu todo um trabalho de identificação feminina voltado ao que as Oxigenadas gostariam de ouvir em seus fones de ouvidos e plataformas musicais.
Na exposição organizada pelo Museu da Imagem e do Som é possível conhecer fragmentos da vida pessoal e profissional de Marília Mendonça e saber que a artista nasceu em Cristianópolis (GO), em 22 de julho de 1995, além de ficar diante de imagens aéreas de sua casa da infância, de objetos pessoais como violões, piano, diários pessoais, documentos (passaportes, certidão de nascimento), assim como de algumas peças de roupas que integraram os seus figurinos de shows, acessórios como sapatos, bolsas, colares, maxi bijus, óculos de grau, entre tantos outros.
A exposição ocupa dois andares do MIS, está dividida em salas temáticas, intituladas de “Quintal de Criação”, “Sentimento Louco”, “A Flor e o Beija-flor”, “Esqueça-me se for capaz”, entre outras que favorecem a imersão do visitante às músicas, em memórias pessoais e na criatividade pulsante da artista. Destaque para a réplica fiel do seu quarto contendo uma cama, edredons, livros, perfumes, óculos e estojo de maquiagem depositados em cima de uma penteadeira, além da sala de 360 graus, onde é possível acompanhar os shows feitos, bem como o painel construído com os LPs com seus maiores sucessos.
No entanto, é a sua trajetória artística o que mais chama atenção de quem está flanando pelo local, pois Marília Mendonça começou muito cedo no ofício e depois que o seu avô a presenteou com um violão aos 11 anos. Aos poucos, ela foi incentivada a tocar em igrejas e fazer pequenas apresentações públicas. Antes de se jogar em carreira solo ou unir forças com a dupla Maiara e Maraísa no projeto “As Patroas”, Marília Mendonça compôs para outros artistas, tais como Cristiano Araújo, Wesley Safadão, Henrique e Juliano.
Agora, os números envolvendo Marília Mendonça são grandiosos e para vocês terem ideia deles, ela foi a primeira artista brasileira a superar a barreira de R$ 15 bilhões de streams e a atingir 40 milhões de seguidores no Spotify, além de abocanhar dois Grammys Latinos e manter-se no topo do sertanejo. A sua voz forte também quebrou recordes na internet, tanto que durante a pandemia, em 2020, a live transmitida da sala de sua casa reuniu 3,3 milhões de visualizações simultâneas e, na época, foi a maior transmissão ao vivo feita através da plataforma digital YouTube.
Não há como não sair emocionada do programa cultural, pois é possível fazer a leitura de seus diários pessoais, de esboços de músicas, de anotações estudantis, além de ficar diante de imagens da artista com o seu filho Léo, fruto do seu relacionamento com o cantor e compositor Murilo Huff, e que hoje está com seis anos de idade. Na época da partida de Marília, a criança tinha apenas um ano e meio.
Agora, aproveitem que vocês estão no local para também visitar a mostra de fotografias “Círio de Nazaré, do sagrado ao profano: uma extensão do Brasil”, de Fabrício Augusto, que ocupa uma das salas do térreo do MIS e que acompanha o cortejo, ocorrido na praça do Carmo, na cidade Velha. A celebração marcada pela festa, pela fé, pelo rito, pelo calor dos corpos, pelo fluxo intenso de devoção à Nossa Senhora de Nazaré foi capturada pelas lentes do artista e é possível perceber através das imagens feitas em preto e branco a euforia e o desgaste físico dos participantes.
Eu indico as duas exposições citadas acima.
Maria Oxigenada.
Serviço:
Onde: MIS, localizado na Avenida Europa, 158 – Jd. Europa.
Temporada: até 29 de novembro de 2026.
Quando: terça a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 20h; Domingo e feriado, das 10h às 18h.
Preço: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia). Grátis às terças-feiras.
