Os comentários a respeito do filme “A hora do mal” veem acompanhado pelas ultimas noticias sobre a indústria do entretenimento. Todas vocês que acompanharam a cerimônia do Oscar deste ano sabem muito bem que a atriz Amy Madigan abocanhou a estatueta dourada como melhor atriz coadjuvante pelo papel de tia Gladys, entretanto a notícia que acaba de sair do forno e que foi dada recentemente pelo diretor da obra Zach Cregger é que ele fará uma prequela (narrativa ambientada cronologicamente antes da película original) sobre a personagem.

A intenção é evidenciar ao público como a tia Gladys se transformou no eixo de terror e poder sombrio visto em “A hora do mal”. A personagem secundária é a responsável pela virada final da história contada e pessoa que está por trás de alguns dos mistérios que rondam a pequena cidade Maybrook.

No entanto, ela é apresentada ao público somente no segundo ato da película de 129 minutos de duração. Antes disso, o espectador acompanha o desaparecimento de 17 crianças da mesma turma de uma escola primaria. O desespero é instalado na comunidade e pais e parentes acusam e ameaçam a professora Justine Gandy (Julia Garner) de envolvimento no crime.

O curioso é que as crianças saíram espontaneamente de suas casas de madrugada e pontualmente às 2h17 minutos. Câmeras residenciais e do bairro mostram que elas não foram sequestradas e correram em direção à escuridão até desaparecer por completo no breu noturno.

No entanto, o ponto de interrogação para os investigadores e para polícia local é que Alex Lilly (Carry Christopher), aluno da turma, não recebeu o misterioso chamado da madrugada, não sumiu dos olhos de parentes e continuou frequentando as aulas nos dias sequenciais ao ocorrido. Em depoimento, o garoto afirmou nada saber sobre o assunto.

Paralelamente à investigação oficial, alguns pais como Archer (Josh Brolin) resolveram averiguar por conta própria o episódio, tentando montar o quebra-cabeça deixado pelos pequenos. As pontas soltas são amarradas aos poucos e somente no final do longa-metragem, mas antes disso o espectador conhece um pouco mais a respeito dos personagens presentes no filme, pois a película é dividida em capítulos intitulados com os seus nomes.

E é no conjunto de circunstâncias e informações envolvendo o evento que há a compreensão dos subtextos trabalhados pelo diretor da obra. “A hora do mal” não é somente um filme de terror psicológico contendo pitadas de mistério e drama. A obra evidencia o desfacelamento da sociedade americana, pautada por fissuras sociais, pelo crescimento da violência cotidiana e de líderes amorais que incentivam o uso de armas de fogo e os conflitos, além da construção de uma bricolagem perigosa para todos.

O destaque da obra recai sobre a atuação da atriz Amy Madigan que cria uma personagem que ostenta várias máscaras inicialmente, surgindo inofensiva, fragilizada física e psicologicamente, mas que não demora muito para revelar a sua real natureza e protagonizar um final impactante na película. Parte da construção da personagem deve-se a sua caracterização com o uso de uma maquiagem carregada, peruca exótica, maxi óculos solares, boca borrada com batom vermelho e figurino contendo ora peças coloridas, chamativas, ora peças sóbrias.

Outro artista que chama a atenção é Josh Brolin com a interpretação de um pai desesperado por respostas e pelo resgate do filho, porém “A hora do mal” conta ainda com a participação de outros artistas, tais como: Alden Ehreich (policial Paul), Benedict Wong (diretor Marcus), Austin Abrams (James Anthony), Justin Long (Gary), Sara Paxton (Erica), June Diane Raphael (Donna Morgan), Callie Schuttera (mãe de Alex), Toby Huss (delegado Ed. Locke), Whitmer Thomas (pai de Alex) e Clayton Farris (Terry Miller).

Referências pipocam no transcorrer da narrativa e a principal delas é a imagem tirada pelo fotógrafo Nick Ult, em 1972, onde o artista capturou o desespero de Phan Thy Kim Phúc, criança que corre nua na companhia de outras e na frente de homens armados durante os embates da guerra do Vietnã. No filme também há piscadelas referenciais a outros longas-metragens, tais como: “It: a coisa”, “Pânico”, “Corra”, ao documentário “Tiros em Columbine”, além de “Precisamos falar sobre Kevin”, “Um dia de fúria”, “Marcas da violência” e obras escritas por Stephen King.

Eu indico “A hora do mal” às Oxigenadas que curtem filmes do gênero e àquelas que gostam de observar como as instituições (escola, família, igreja, órgãos regulatórios e o Estado) estão perdendo a relevância na sociedade atual, além do poder persuasivo, de convencimento e de influência perante às pessoas com o fortalecimento de ideias neoliberais e a importância em ouvir as demandas do mercado, das big-techs e de conglomerados empresariais.

Até a próxima aventura,

Beijos,

Maria Oxigenada.

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