A expectativa estava enorme para conferir o novo trabalho desenvolvido pelo ator Wagner Moura depois de protagonizar a película nacional “O agente secreto”, dirigido por Kleber Mendonça. O que sabemos até o momento é que o artista está a todo vapor lá na gringa e com vários projetos agendados para os próximos meses.
O filme “A última casa”, dirigido por Louis Leterrier, é o primeiro a ser lançado nesta esteira de novidades programadas e a obra já está disponível aos assinantes da Netflix desde o dia 7 de agosto. Trata-se de um suspense sci-fi, ou seja, mescla dois gêneros distintos de filmes: suspense e ficção científica.
O protagonista masculino da obra é o engenheiro Jason, papel de Wagner Moura, e ele está desempregado, preenchendo o seu tempo diário com a pescaria. No entanto, outras habilidades pessoais e manuais serão requeridas ao longo da aventura, pois o personagem acaba preso dentro de casa na companhia de sua esposa Ann (Greta Lee) e dos filhos Graham (Noah Alexander/Gabriel Chung) e Ruth (Riley Chung/Emma Ho) depois que uma chuva torrencial desaba sobre a cidade de Seattle.
A busca por ajuda torna-se impossível porque os telefones mutam, assim como os sinais de internet desaparecem e a vizinhança encontra-se em situação semelhante à deles. A única esperança é uma das vizinhas que saiu para correr minutos antes da chuva começar a cair, porém quando ela regressa ao bairro é somente para avisar a todos de que não há ajuda disponível, pois o restante da população está morta e há criaturas estranhas circulando pelo local, especialmente em momentos chuvosos.
A casa torna-se uma prisão involuntária para a família de Jason e o cárcere privado dura cinco anos e durante este período, ele, Ann, Graham e Ruth precisam administrar os recursos disponíveis, encontrar soluções para os problemas surgidos na manutenção da casa, além de aprender a trabalhar em equipe para sobreviver e ainda enfrentar os ataques das criaturas oriundas dos oceanos.
O interessante do filme é que ele descarta a ideia da chegada e intervenção de alienígenas, trabalhado no recente longa-metragem “Dia D” e joga luz em habitantes milenares e que são depósitos de águas salgadas. A tensão na obra aumenta depois dos personagens descobrirem que as criaturas atacam quando percebem movimentações e deslocamentos.
Outra percepção é de que as tubulações de esgoto que conectam as casas da vizinhança talvez seja a solução encontrada pela família para fugir dali e das criaturas. Agora, o ponto alto da obra é a sua mensagem final de que os seres humanos precisarão dividir os recursos disponíveis no planeta Terra com outros seres para a perpetuação de sua espécie, da vida.
“A última casa” conta com uma cenografia bem trabalhada, concentrada nos cômodos da casa e nas mudanças sugeridas pela passagem do tempo, pela intervenção humana e escassez de recursos disponíveis. O problema do filme é que ele tem uma barriga narrativa concentrada no meio da história e um final acelerado com resoluções fáceis e demasiadamente explicativas.
Apesar disso, os atores estão azeitados em cena, entregam boas interpretações, espelham bem os danos físicos e as consequências psíquicas causadas pelo isolamento social que nós também vivenciamos há seis anos durante a pandemia de Covid-19. Os seus respingos resultaram em episódios de stress, crises de ansiedade e a formação de quadros depressivos em muitas de nós.
Eu indico “A última casa” às Oxigenadas que curtem filmes do gênero, àquelas que gostam de acompanhar aventuras criativas, que recalculam rotas ficcionais, desenvolvendo enredos que, nas palavras do Nobel de Medicina Eric Kandel, nos lembram de que são as memórias que nos dão o sentido de continuidade, pois transformam fragmentos de nossa experiência em uma história com significados.
Beijos,
Maria Oxigenada.