O título da exposição de Nélson Félix é um convite à imaginação, ao fantasiar, mas ela não detém um caráter erótico como o seu nome sugere, mas sim propicia o feitio de reflexões sobre o campo relacional desenvolvido entre línguas distintas e sistemas de pensamento. Ao todo, o visitante tem a oportunidade de ficar diante de 90 obras grafitadas, oito esculturas de grande porte, seis fotografias e um vídeo produzido a partir de 2023.

Os materiais usados para a confecção dessas obras variam desde blocos de mármore, placas de metais, mobiliários, papéis, tintas, canetas, barbantes e até exemplares de cactos. A ideia primeva do artista em relação à exposição surgiu há 48 anos e consistia em transformar o idioma Aimara em esculturas, em arte, tanto que a escrita perpassa boa parte das obras presentes, representando visualmente textos de Homero, Santa Teresa D´Avila e Bertrand Russell.

A exposição “Beijo de língua” é o terceiro capítulo de uma sinfonia escrita pelo artista para São Paulo e que vem na sequência da ativação “Nó a Nó” e “Pedra de Rumo”. Seu objetivo é fazer com que o visitante repense o encontro de línguas, reflita sobre a oralidade e veja possibilidades em realizar trocas frutíferas, criativas, culturais entre continentes tão distintos como é o caso do americano e o europeu.

A exposição “Beijo de língua” ocupa o anexo existente no mezanino do Museu de Arte Contemporânea, mas em outro andar do MAC-USP vocês ainda podem visitar a exposição “Di Cavalcanti: militante, boêmio, brasileiro”, em cartaz até o dia 19 de outubro, e que já foi comentada anteriormente neste espaço.

Agora, quem deseja observar outro depósito cultural administrado pela Universidade de São Paulo, então a minha sugestão é para que vocês se desloquem até o campus do Butantã e junto às dependências do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) para conferir a exposição “John Graz: intérprete do moderno”, em cartaz até 30 de junho.

Por lá, é possível observar as conversas travadas entre arte e design através de instalações visuais e painéis gráficos criados a partir das obras originais do artista que desenvolveu ao longo de sua trajetória profissional vários projetos que articulam os ambientes em uma unidade formal, integrando mobiliário, elementos decorativos e que estão afinados com uma arte maior, total.

Para quem desconhece o nome de John Graz, ele é um pintor, ilustrador, escultor, artista gráfico suíço que também participou da Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo, e foi um dos pioneiros na arquitetura de interiores, desenvolvendo desde portas, fechaduras, luminárias, tapetes e afrescos, como também vitrais, móveis e paisagismo que transpiravam as belezas latinas, as cores e curvas vistas nos trópicos e encontradas na natureza e que estão sob a influência de uma maior incidência solar, das altas temperaturas e de uma cultura mestiça.

Para as Oxigenadas que desejam fazer passeios culturais gratuitos e enriquecedores ou aquelas que curtem sair do circuito tradicional de mostras e exposições, então eu indico “Beijo de língua” e “John Graz: a arte do moderno”.

Até a próxima aventura,

Maria Oxigenada.

*Serviço da exposição “Beijo de língua”:

Onde: MAC-USP, localizado na avenida Pedro Álvares Cabral, 1301.

Temporada: até 29 de novembro de 2026.

Quando: terça a domingo, das 10h às 21h.

*Serviço da exposição “John Graz: a arte do moderno”.

Onde: Edifício Brasiliana (IEB), localizado na avenida professor Luciano Gualberto, 78 – Cidade Universitária.

Temporada: até 30 de junho de 2026.

Quando: segunda as sextas, das 9h às 21h.

Preço: programa gratuito.

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