As férias escolares e universitárias já estão batendo à porta e o período de descanso que antecede as festas de final de ano é a oportunidade ideal para que os programas culturais entrem na ordem do dia. No momento, há várias exposições de arte que transpiram brasilidades e que enaltecem o trabalho de artistas nacionais. Dentre elas estão:

“Sonia Gomes – Barroco, mesmo”, em cartaz no Instituto Tomie Ohtake. A exposição trabalha o repertório barroco de curvaturas, expansões, movimentos, repetições, hibridismos, sobreposições e sinuosidades através de peças feitas com tecidos, linhas, rendas, cordas e objetos.

A imersão do visitante acontece através do cumprimento de um trajeto espiralado, contendo projeções de sombras e cortinas recortadas, numa referência à trama longa e complexa da História nacional que não foge da multiplicidade de elementos existentes na América Latina.

A artista incentiva os visitantes a repensar as suas origens, além de aprofundar os traumas e vontades da população brasileira, assim como visualizar expectativas e frustrações de hoje. Com agulha e linha em punho e através de um trabalho manual feito, Sonia Gomes ata tecidos e ideias, costura experiências e memórias e expõe o processo histórico da constituição da mestiçagem cultural.

Já a exposição “Di Cavalcanti: militante, boêmio, brasileiro”, em cartaz no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), apresenta 115 desenhos, além de pinturas, objetos pessoais, fotografias e documentos do artista.

Quem flana pela exposição observa as diferentes facetas de Di Cavalcanti, pois o artista foi militante político e esteve engajado na luta por justiça social, mas também é perceptível a sua presença e atuação na vida noturna, assim como a sua importância como um dos representantes da cultura brasileira. Isso sem dizer nas ambiguidades no que tange à sua religiosidade, a sua luta contra o abstracionismo e o seu endosso na criação imagética da figura da mulata.

Outra curiosidade a respeito de Di Cavalcanti é que ele foi casado várias vezes e ao longo de sua vida teve várias musas e companheiras que o inspiraram. Dentre elas, está a pintora Noêmia Mourão, sua segunda esposa, que desenhou e pintou a figura humana, o feminino, suavizando a sua participação artística com sensibilidade cromática e delicadeza nos traços. É claro que isso respingou de alguma maneira em como o artista também trabalhava.

E aproveitando que vocês estão passeando pelo MAC-USP, não deixem de conferir outra exposição em cartaz no local. Trata-se de “José Antônio da Silva: pintar o Brasil” com 119 obras, sendo autorretratos, natureza morta, belezas naturais, além de nanquins.

Um panorama provocativo sobre a trajetória do artista foi montado e isso inclui desde temáticas como a vivência no campo, bem como perdas ambientais trazidas junto com a presença da tecnologia e atuação do agronegócio, além de levantar discussões sobre as relações dos humanos com os não humanos e os embates simbólicos existentes dentro do universo das artes.

Por fim, eu gostaria de sugerir a visita à exposição “Olhar negro, negro olhar – Antologia da fotografia negra da Bahia”, em cartaz no Centro Cultural Fiesp, e que reúne 90 imagens de 23 artistas diferentes ligadas às tradições afro-brasileiras. Cenas cotidianas clicadas na Bahia, além de outras que evidenciam a importância das mesclas feitas em países latinos, como o Brasil, são de primeira ordem para a constituição do que é hoje a cultura brasileira.

Oxigenadas, a minha dica é para que vocês troquem as telas dos celulares, tablets e computadores por outras orgânicas, pintadas à mão ou por ficar diante de fotografias, esculturas e na realização de programas culturais que aprofundem as camadas e os conhecimentos de vocês a respeito de nossa formação, de nossa identidade e do que melhor nós possuímos que é a nossa cultura mestiça.

Até a próxima aventura.

Beijos,

Maria Oxigenada.

Serviço:

Onde:

1.Instituto Tomie Ohtake, localizado na rua Coropé, 88 – Pinheiros.

Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 11h às 19h. Grátis.

2. MAC-USP, localizado na Av. Pedro Álvares Cabral, 1301 – Ibirapuera.

Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 10h às 21h. Grátis.

3. Centro Cultural Fiesp, localizado na Avenida Paulista, 1313.

Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 10h às 20h. Grátis.

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