Coincidências existem e é um fato. No mesmo momento em que a plataforma digital Globoplay lançou a série “O mistério de Varginha” sobre as visitas feitas por seres extraterrestres à cidade mineira durante a década de 90, chegou aos cinemas o filme “Bugonia”, do diretor grego Yorgos Lanthimos.

A película também resvala no assunto, mas de uma maneira distinta da série nacional, pois acompanha os devaneios de dois primos, interpretados na obra pelos atores Jesse Plemons (Teddy Gatz) e Aidan Delbis (Don), que acreditam em teorias conspiratórias compartilhadas na internet sobre alienígenas e a intenção deles em destruir o planeta Terra.

Depois de meses de planejamento, a dupla sequestra Michelle Fuller (Emma Stone), CEO de uma multinacional do setor fármaco, e a sujeita a sessões de tortura que englobam desde raspar os seus cabelos, algemá-la em cadeiras e camas até aplicar choques elétricos e realizar outros episódios humilhantes.

O intuito da dupla é que durante o eclipse lunar, programado para acontecer em quatro dias, Michelle os leve em sua nave espacial para que os dois negociem junto a outros seres extraterrestres a permanência da humanidade no planeta Terra. Teddy e Don creem que os seres humanos serão extintos em um piscar de olhos, assim como aconteceu com os dinossauros e outras espécies de animais e plantas existentes no passado.

“Bugonia” é um filme de suspense, contendo sátiras políticas e salpiques de paranoias nos seus 1h59 minutos de duração. Ele foi inspirado na comédia sul-coreana chamada “Salve o planeta verde”, de 2003, e faz uma crítica ácida sobre a veiculação de notícias falsas, a respeito do uso indiscriminado das redes, sobre a manipulação feita na atualidade pelas Bigtechs e empresas de grande porte, entre outras temáticas que envolvem a contemporaneidade.

A atriz Emma Stone entrega uma atuação magnética com a construção de uma personagem fria, determinada, com poder persuasivo e língua afiada. A artista despe-se de qualquer vaidade, pois surge com a cabeça raspada, besuntada por cremes, mancando, estrupiada até e bem longe do estereótipo de mulher glamurosa ostentado nas premiações e tapetes vermelhos.

O ator Jesse Plemons também está bem no papel de lunático que divide o seu tempo entre criar abelhas em sua fazenda, trabalhar como empacotador, visitar a sua mãe doente no hospital e fazer experiências científicas. O poder de convencimento do personagem é grande e ele envolve facilmente Don em sua loucura e em teorias conspiratórias.

A trilha sonora de “Bugonia”, criada por Jerskin Fendrix, colabora para que o filme não se torne cansativo aos espectadores, conta com 15 canções diferentes e participações especiais, inclusive da cantora Marlene Dietrich. Jerskin Fendrix também colaborou na concepção das trilhas das películas “Pobres Criaturas” e “Tipos de gentileza”; dois outros longas dirigidos por Yorgos Lanthimos.

A graça da obra reside exatamente nesse lugar do absurdo, da fantasia que extrapola as telas e desenvolve o imaginário de quem a assiste, tanto que no dia 15 de março, data da realização da cerimônia do Oscar, “Bugonia” estará concorrendo em quatro categorias distintas. São elas: melhor filme, melhor atriz (Emma Stone), melhor roteiro adaptado e melhor trilha sonora.

Até a próxima aventura,

Maria Oxigenada.

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