Três ao todo. Este é o número de películas que tratam de esportes e que estão concorrendo ao Oscar deste ano. “Marty Supreme” acende os holofotes para o tênis de mesa, enquanto que “F1: o Filme” acompanha as corridas dos carros mais velozes da atualidade e “Coração de lutador” aborda o MMA e os primeiros lutadores da modalidade, surgidos no início dos anos 2000.
Baseado em uma história real e na trajetória percorrida por Mark Kerr (Dwayne Johnson), o filme é um drama esportivo, onde revela os altos e baixos vividos pelo atleta dentro e fora do octógono. No início da obra, o protagonista ainda desfruta de glórias públicas, porém com o avançar da narrativa o espectador vai tomando ciência sobre as lesões físicas, a respeito dos vícios do personagem e sobre a dinâmica do relacionamento tóxico vivido com Dawn Staples (Emily Blunt), sua namorada.
Nem mesmo a adoção de um estilo de vida saudável, baseado em uma alimentação feita com alimentos naturais e suplementação, além da prática de exercícios físicos e treinos diários realizados em parceria com o seu treinador (Bas Rutten) e com o amigo Mark Coleman (Ryan Bader) o poupou de ser vítima de oscilações emocionais e de episódios de violência psíquica praticados pela sua própria companheira.
Para anestesiar as dores físicas e continuar exteriorizando a imagem de atleta funcional, Kerr abusava de analgésicos e outros remédios. Tal atitude fez com que ele sofresse duas overdoses, obrigando-o a distanciar-se de competições e passar meses em clínicas de reabilitação.
Dirigido por Benny Safdie, “Coração de lutador” evidencia os perrengues enfrentados pelos atletas, inclusive os financeiros, pois naquela época eles não ganhavam milhões como hoje em dia e nem gozavam de estabilidade proporcionada por patrocinadores e ações publicitárias.
Outro ponto interessante da película é que ela faz questão de desconstruir a imagem de brucutus que os lutadores possuem, mostrando a educação, a ética e a sensibilidade de Kerr no trato com terceiros, assim como o perfil amoroso de Coleman em relação aos filhos e com Elizabeth (Lindsey Gavin), sua esposa.
As saias justas também acontecem durante o transcorrer do longa-metragem de 123 minutos de duração, pois durante o campeonato japonês do ano 2000 há o desenho de um possível confronto entre os dois parças na disputa pelo cinturão dourado.
O ator Dwayne Johnson, também conhecido como The Rock, entrega uma atuação internalizada e diferente da que estamos acostumadas a ver em filmes de aventura e ação em que ele protagonizou ao longo das últimas décadas. Já Emily Blunt faz um contraponto interessante, pois constrói um cabo de guerra invisível com o protagonista da obra através da adoção de atitudes perversas, ambiciosas e na intenção clara de nocautear o personagem fora do ringue.
Nos minutos finais da película, o espectador conhece o verdadeiro Mark Kerr através de imagens triviais colhidas de seu cotidiano e toma ciência de sua aposentadoria nove anos após o que foi retratado no filme, além de saber que o atleta se casou com Dawn Staples e com ela teve uma filha. Hoje, ele leva uma vida pacata, sóbria, dedicando-se ao desenvolvimento de sua própria empresa, voltada para saúde e bem-estar.
No dia 15 de março, data da realização da cerimônia do Oscar, “Coração de lutador” estará na disputa pela estatueta dourada na categoria de melhor maquiagem e penteado ao lado dos filmes “Frankenstein”, “Kokuho”, “Pecadores” e “A meia-irmã feia”.
Eu indico a obra às Oxigenadas que curtem acompanhar histórias de superação, aventuras baseadas em dramas pessoais ou narrativas que contenham personagens que são verdadeiros heróis reais e que persistem com seus sonhos apesar de adversidades.
Beijos,
Maria Oxigenada.