O que nós conhecemos a respeito de William Shakespeare? Que ele era inglês, que foi um dramaturgo e pessoa responsável por peças como “Hamlet”, “Romeu e Julieta”, “Rei Lear”, “A Tempestade”, “Macbeth”, “A Megera Domada”, “Ricardo III”, entre outras, além de dar nome ao teatro de arena, localizado à beira do rio Tâmisa, em Londres, e que é chamado Shakespeare Globe. Nós também temos conhecimento de que, oficialmente, a sua residência era na cidade de Stratford, interior da Inglaterra, mas fora isso pouco se sabe a respeito de sua vida pessoal.

O filme “Hamnet: a vida antes de Hamlet” joga luz na vida privada do artista, desenhando o caminho feito por ele para a formação de sua família. Antes de ser dramaturgo e diretor de teatro, William Shakespeare (Paul Mescal) ensinava latim às crianças, além de ajudar o seu pai em trabalhos artesanais.

O personagem conhece Agnes (Jessie Buckley), sua esposa, junto à natureza e enquanto ela adestrava um falcão. Na época, Agnes tinha 26 anos e era reconhecida pela comunidade local como sendo uma bruxa, pois sabia pressentir o futuro, manusear ervas, cascas e plantas e, a partir delas, produzir poções e remédios naturais.

Na película, a paixão entre os dois é arrebatadora e dela nasce Susanna (Bodhi Rae Breathnach), a primogênita do casal. Três anos depois chegam os gêmeos Hamnet (Jacobi Jupe) e Judith (Olivia Lynes) através de um parto difícil e surpreendente.

Neste interim, William Shakespeare dá os seus primeiros passos como escritor e dramaturgo e muda-se sozinho para a capital inglesa com o propósito de criar uma companhia teatral que carregue o seu nome, porém a sua família permanece no interior da Inglaterra.

O problema é que a peste bubônica circula naqueles tempos e por aquelas bandas, acometendo e levando Hamnet, de 11 anos, e jogando toda a família em um luto e sujeitando-os a dores profundas e solitárias.       

A diretora Chloé Zhao empurra o espectador para dentro da tragédia familiar e o coloca no papel de observador da chegada e instalação da morte através de cenas de desespero, da incompreensão da perda e da transformação das dores através da arte, pois quatro anos depois do ocorrido William Shakespeare lança a peça “Hamlet”, uma homenagem ao filho e que serviu para ressignificar a sua partida precoce.

“Hamnet: a vida antes de Hamlet” é um filme com uma fotografia excepcional criada por Lukasz Zal e que ressalta a força da natureza, a ancestralidade, as cores, as texturas e a conexão com os que vieram antes dos personagens principais.

Outro ponto positivo da obra é que ela conta com um elenco que entrega interpretações emocionantes, viscerais até. Destaque para a atriz Jessie Buckley que amplifica os nossos olhares perante a dor da perda, o processo de luto, o poder do amor e a força implícita das artes como terapia.

A artista abocanhou o Globo de Ouro de melhor atriz em drama e, durante a cerimônia de premiação, a película também ganhou outra estatueta e a de melhor filme dramático. O longa-metragem é a adaptação do livro homônimo de autoria de Maggie O´ Farrell e conta com as participações de outros atores, tais como: Emily Watson, Joe Alwyn, Noah Jupe, Freya Hannan-Milis, David Wilmot, Faith Delaney, Sam Woolf, Jack Shalloo.

Importante esclarecer que este é um filme ficcional, entretanto a escritora e roteirista Maggie O´ Farrel realizou pesquisas, entrevistou historiadores e pesquisadores de William Shakespeare para criar a narrativa literária e, posteriormente, o roteiro de “Hamnet: a vida antes de Hamlet”.

Para quem curte acompanhar as novas facetas apresentadas da peça do dramaturgo, então a dica cultural é assistir ao musical “Hip Hop Hamlet”, em cartaz no teatro YouTube, na capital paulista, até o dia 8 de fevereiro de 2026.

Até a próxima aventura,

Beijos.

Maria Oxigenada.

Obs: A película “Hamnet: a vida antes de Hamlet” recebeu oito indicações distintas para o Oscar 2026. São elas: melhor filme, melhor direção (Chloé Zhao), melhor atriz (Jessie Buckley), melhor ator coadjuvante (Paul Mescal), melhor roteiro adaptado, melhor direção de arte, melhor figurino, melhor trilha sonora original.

 

  

 

           

      

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