A verdade é que por mais que eu finja não gostar de filmes de heróis, eu acabo me entregando às aventuras fantasiosas e me divertindo horrores. O último do gênero visto foi o longa-metragem “Supergirl” até entrar em cartaz nas últimas semanas o longa-metragem “Homem-Aranha: Um novo dia”. As saudades do teioso bateram forte, pois a película “Homem-Aranha: Sem retorno para casa” foi lançada há cinco anos, então eu corri para os cinemas para conferir a novidade.
A aventura começa com Peter Parker/Homem Aranha (Tom Holland) vivendo solitário depois da partida da tia May (Marisa Tomei), provocada pelo Duende Verde (Willem Defoe), e sofrendo com todos os reflexos deste isolamento social, pois no final de “Homem Aranha: Sem retorno para casa”, o herói pediu para que o Doutor Destino apagasse a sua identidade da memória de todos e assim foi feito.
O herói começa a aventura em contato e colaborando com a detetive Jean De Wolff (Liza Colón-Zayas), porém no restante do seu tempo livre ele segue com uma vida pacata, melancólica e stalkeando os amigos Ned (Jacob Batalon) e MJ (Zendaya) nas redes sociais no intuito de acompanhar a rotina da dupla e protege-los das investidas de malvadões.
Logo de cara é possível observar que o Aranha tem feito a limpa em Nova Iorque e encaminhado vilões do calibre de Escorpião (Michel Mando), Lápide (Marvin Jones III) e os Ninjas Samurais para presídios de segurança máxima, entretanto uma nova ameaça misteriosa apresenta-se para ele e as autoridades locais, fazendo com que os moradores da Big Apple estejam em perigo, inclusive os seus melhores amigos.
Paralelamente, Peter Parker precisa lidar com o fato de que MJ está namorando com outro bonito e a partir da descoberta há o desencadeamento de uma explosão de reações físicas, tais como episódios de raiva, de falta de controle físico, além de dificuldades em soltar teias orgânicas. Tudo isso obriga o herói a buscar por ajuda com o dr. Bruce Banner/Hulk (Mark Ruffalo) na universidade em que ele leciona na tentativa de compreender as mudanças ocorridas, a sua necessidade em controlar os seus próprios poderes e impulsos.
O curioso do filme é que ele também coloca para jogo a Yelena Belova/Viúva Negra (Florence Pugh) como mentora do Homem-Aranha e reaproxima o herói de o Justiceiro (Jon Bernthal), endossando uma possível amizade entre os dois e o desenvolvimento de novos trabalhos conjuntamente. Os momentos de escapismos da obra acontecem exatamente em cenas onde o personagem principal divide os holofotes com os dois citados acima.
Surpresas envolvem a narrativa dirigida por Destin Daniel Cretton e escrita por Erik Sommers e Chris McKenna, mas diferente da película anterior protagonizada pelo herói, esta obra não trata do multiverso, entretanto traz referências visuais nos figurinos usados pelo personagem principal de suas outras versões existentes.
O melhor de “Homem-Aranha: Um novo dia” são as cenas iniciais dos voos feitos pelo protagonista entre os prédios e as ruas de Nova Iorque, os embates físicos do personagem principal com os adversários, a atuação de Tom Holland que, finalmente, encontrou o tom para o Aranha, desenvolvendo nuances, camadas psíquicas, momentos de sensibilidade e a natureza real do personagem de HQ.
Já a afinação do filme acontece com a presença de uma trilha sonora composta por músicas de Bad Bunny, Tame Impala, Steve Lacy, Brian Eno, Cannons, Rob Harris e Paul Francis Webster, Monetochka, Chaka Klan, Dominique Patrick Noel, Hector Luis Pagan, Eduardo Padua e Eddie Montalvo, além de TV on the Radio e pela presença de uma virada final (plot twist) que cria ganchos para o desenvolvimento de novas aventuras do teioso.
A mágica acontece com a apresentação da jornada inicial do vilão em questão e a sua transformação em quem é dentro do universo dos quadrinhos. Não darei spolers para vocês para não estragar a surpresa, mas confesso que fiquei espantada com a escolha dos estúdios DC. No entanto, a falha desta película recai sobre a falta de espaço concedido aos personagens queridos da galera como Ned e MJ, as participações pontuais de outros heróis como Viúva Negra e Hulk e a passada de verniz feita no Justiceiro para facilitar a sua digestão e presença.
Eu indico o filme “Homem-Aranha: Um novo dia” às Oxigenadas que curtem histórias adaptadas de HQ, aquelas que acompanham o desenrolar de narrativas criativas, bem trabalhadas cenicamente, contendo personagens cativantes e heróis que povoam o nosso imaginário desde a nossa infância.
Beijos,
Maria Oxigenada.