Baseado no livro homônimo escrito por Emma Hamberg, o filme acompanha a reviravolta feita pela protagonista da história chamada Agneta (Eva Melander) em sua própria vida, pois depois de décadas integrando um casamento fracassado com Magnus (Björn Kjellman), além de trabalhar em um emprego entediante e cumprir as obrigações de dona-de-casa e mãe, ela resolve aceitar uma proposta de emprego em Provença, na França, para trabalhar como au pair, ou seja, babá.

A descrição feita no jornal impresso é para cuidar de Einar (Claes Manson), além de limpar, cozinhar e acompanha-lo em confraternizações semanais. O problema é que quando ela chega ao vilarejo, a personagem descobre que será cuidadora de um idoso e não de uma criança como o imaginado.

O interessante é que ela rapidamente percebe que Einar é um homem excêntrico, portador de uma história de vida curiosa, com uma bagagem pessoal e um estilo de vida solto, criativo, desfrutado ao lado de amigos de longa data e com uma natureza muito diferente da sua.

Aos poucos, Agneta vai abrindo-se às novidades, ao feitio de novas amizades e a descoberta de uma vida colorida, alegre, saborosa e pautada nos afetos, nos vínculos emocionais criados, na realização de sonhos distantes, no encontro com amores compatíveis e no desfrute de prazeres e fantasias sexuais.

A narrativa de “Meu nome é Agneta” é fluida e trata da autodescoberta, assim como os filmes “Sob o sol de Toscana” e “Comer, Rezar, Amar”. A diferença entre eles é que o primeiro longa-metragem conta com uma protagonista carismática, divertida e que fisga o espectador logo nos seus primeiros minutos, mérito do trabalho interpretativo feito pela atriz Eva Melander.

“Meu nome é Agneta” também conta com a participação de personagens coadjuvantes, tais como Fabien (Jérémie Covillault), Paul (Richard Forsgren), Bonibelle (Anne-Marie Ponsot), Henri (Alain Doutey), Einar jovem (Mans Molin), jovem Armand (Maxwell Cunningham), Linda (Sarah Rothman), entre outros que de uma maneira ou de outra interagem com a personagem principal, ajudando-a a sair da estagnação de outrora em prol de uma vida completa e satisfatória em várias esferas.

O espectador ainda desfruta de uma aventura com uma fotografia construída com cenas rodadas entre as plantações de lavanda, estradas e pores do sol vistos na região de Provença, além de ter a possibilidade de observar a arquitetura local, a dinâmica das feiras de produtos naturais e de escambo presentes, a flora e a fauna e, principalmente, o estilo de vida dos franceses que levam à risca a arte de viver uma vida plena, valorizando os encontros à mesa, os passeios ao ar livre, as artes e os enlaces.

“Meu nome é Agneta” ensina quem está assistindo de que devemos nos entregar ao fluxo da vida, à convivência, as trocas feitas e ao aprendizado conjunto, evitando amarras, imposições e resistências, pois a vida é como um rio que passa, nunca para, porém que a todo momento entra em confluência com o tempo, com inúmeros cursos tão diferentes e transubstanciados.

Eu indico “Meu nome é Agneta” às Oxigenadas que estão em busca de um programa leve, divertido, despretensioso, mas que também carrega consigo uma profundidade de assuntos relevantes que propiciam reflexões posteriores e podem servir de possíveis gatilhos na concretização de mudanças pessoais.

Eu gostei.

Maria Oxigenada.

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