Somente desta vez, eu irei inverter a ordem costumeira de um texto de moda e começarei a nossa conversa com as grifes nacionais que desfilaram durante a Semana de Moda de Milão (MFW), assim como citarei as modelos brasileiras que estrearam nas passarelas italianas durante a última temporada de desfiles.
As marcas que circularam pelo evento foram: Natural Cotton Color, Alina Amaral, Villa Dharma, Patú, Fio a Fio, Boah, Gabriela Fiuza e Sage e elas apresentaram ao público a essência do artesanal feito no Brasil através de peças em crochê, rendas, bordados com linhas, a exploração de tecidos naturais, patchwork, bem como a criação de tramas e roupas feitas a partir de rebarbas de tecidos. A cartela de cores explorada na ocasião privilegiou o uso do branco, bege e marrom e as silhuetas vistas estavam enxutas.
Quanto à nova geração de modelos brasileiras presentes, o grupo foi formado por Mavi Garcez que desfilou para a marca Gucci, Kaia Ferreira para a grife Prada e Lulu Yu para a label Dolce & Gabbana. E pegando o gancho do que foi visto nas apresentações das três marcas citadas acima, vocês irão perceber um movimento contrário ao feito pelas grifes brasileiras, pois a Gucci, por exemplo, desenvolveu peças com ombros pontiagudos e grandiosos, golas imponentes, vestidos com fendas generosas, sobretudos, rendas bordadas, óculos grandiosos, cintos largos, laços e botas de montaria pinçadas do universo do hipismo.
Já a grife Prada apostou as suas fichas nas saias, especialmente as bordadas com cristais, além das lacradas por fitas de velcro, as feitas de nylon ou a partir de algodões que imitavam couros, bem como tops ostentando bolsinhas laterais, enquanto que a label Dolce & Gabbana primou pelo desfile de mix de estampas, animal print, casacos de tweeds unidos às rendas, denins lavados com aplicações de botões decorados, camadas de transparências florais, além de camisas de seda e o casamento de tops lingerie com saias de couro.
Quanto à marca Moschino, ela levou para as passarelas pessoas comuns desfilando a sua nova coleção criada a partir de balonês curtas, saias rodadas e com volumes nos quadris, saias retas com suas barras franjadas, além de casacos com transpasses frontais ostentando botões e golas de cores contrastantes, enquanto que a Diesel ateou fogo na despedida do diretor criativo Glenn Martens após seis anos de atuação junto à grife e que está rumando para a label Martin Margiela. A performance criada para a ocasião perpassou pela pegação entre os convidados e a presença de peças feitas com couro destroyed, jeans recortados, patchworks, xadrezes, saltos agulhas e saias camisolas.
A Fendi não ficou atrás e também apostou na estética presente em peças íntimas e em vestidos de dormir, entretanto a grife Max Mara desenvolveu a sensualidade feminina através da silhueta seca, do uso de capas transparentes, de frentes únicas com decotes, cintos enlaçados, vestidos retos que delimitavam as fronteiras do corpo feminino, os ombros solitários e pantalonas com pregas, enquanto que a label The Attico investiu nos amassados e amarrotados e a marca Ferragamo nos paetês, nos vinis, nas assimetrias e peças com caudas.
Todo o erotismo da grife Roberto Cavalli foi depositado na estética encontrada nos safaris, em denins com aplicações de sedas e bordados, enquanto que a label Mob Wife concentrou os seus esforços no desenvolvimento de estampas de animais e a marca Laura Biagiotti em desfilar com cetins floridos, mullets com babados e calças por baixo. Já a grife Marco Rambaldi preocupou-se em colocar sob os holofotes as rendas, as saias assimétricas em parceria com blusas de tricôs, as saias balonês, as calças com desgastes remendados com crochês e as bermudas jeans.
Por fim, a grife Grunge veio com a proposta do uso indiscriminado dos xadrezes e peças de couro com proporções grandiosas e a Empório Armani com a sugestão de desfilar nas próximas estações com jeans estonados com aplicações em pedrarias localizadas e a label Erdem com denins ostentando bordados pontuais feitos em máquinas.
Agora, o interessante foi observar as costuras feitas pela semana de moda italiana com a semana de moda inglesa, ocorrida nos dias anteriores, pois a London Fashion Week destacou as sobreposições de diferentes comprimentos e os volumes que movimentaram as parcerias fashion, além das mesclas de estampas, as releituras de jaquetas militares, assim como o despertar das cores primárias, das amarrações de malhas nas cinturas femininas e do uso de tecnologias têxteis em favor da moda.
Beijos,
Maria Oxigenada