O filme “O Drama” chega fantasiado de comédia romântica, pois o espectador toma ciência logo nos primeiros minutos da obra de como foi a aproximação amorosa ocorrida entre Charlie (Robert Pattinson) e Emma (Zendaya) em um café nova iorquino. Na sequência, quem está assistindo à película descobre que a dupla está envolvida com os preparativos para o seu casamento, programado para acontecer em poucos dias.

No entanto, durante a escolha do cardápio que será servido na ocasião festiva acontece uma reviravolta na narrativa e a história toma rumos inesperados e o espectador acompanha a implosão do relacionamento diante das câmeras; tudo devido a uma brincadeira feita entre os casais de amigos Emma e Charlie e Rachel (Alana Haim) e Mike (Mamoudou Athie) sob os efeitos do álcool. 

O jogo proposto consiste em cada um deles confessar aos demais qual foi a pior coisa que fizeram na vida? Não darei spoiler para vocês, mas adianto que a fala de Emma choca o trio, obrigando Charlie a fazer questionamentos sobre a manutenção ou não da cerimônia, a respeito do amor sentido pela noiva e de como atitudes tomadas no passado podem respingar no presente.

A partir da revelação, o personagem masculino torna-se temporariamente um homem inseguro, adotando atitudes reativas perante a sua amada e sendo obrigado a dar explicações ao seu círculo de amigos sobre ações pregressas da amada. Tal cenário colabora para que haja o questionamento sobre o tamanho da tolerância emocional e elasticidade psíquica individual dos seres humanos diante de pressões externas. 

Agora, o interessante do longa-metragem é que ele desenvolve subtextos e discute a cultura da fofoca através de ironias, contradições e pausas feitas nos diálogos presentes, além de trazer para os holofotes a toxidade existente nos espaços virtuais através da discussão das consequências de episódios de cyberbullying e bullying ocorridos na infância e adolescência.

O diretor Kristoffer Borgli não aliviou a vida de quem parou diante da telona para acompanhar a sua história e fez questão de colocar o dedo na ferida dos americanos através do levantamento de questões relevantes a respeito da cultura de venda de armas de fogo, o fascínio por embates bélicos, os ataques ocorridos em escolas e universidades e que vitimaram dezenas de estudantes, crianças, professores e funcionários.

Os documentários “Tiros em Columbine”, “Cartas de Dunblane: sua escola, seu massacre, nossas lições” e “Massacre na escola – a tragédia das meninas de Realengo”; todos tratam do assunto e levantam questionamentos sobre o acesso facilitado às armas, a respeito do ódio online, sobre a misoginia e violência atual. As obras ficcionais “Elefante”, “A Classe”, “Precisamos falar sobre Kevin”, “Zero Day”, “A vida depois”, “Bang, Bang! Você morreu” e a série “Adolescência” também trabalham as mesmas temáticas.

Apesar disso, “O Drama” vale por acompanhar a interpretação entregue por Zendaya e Robert Pattinson. Não é de hoje que a atriz vem mostrando uma faceta dramática e mais complexa dos papéis assumidos. Sugiro que vocês confiram o filme “Malcom e Marie” e a série “Elphoria” com a artista integrando os seus elencos, entretanto quem brilha em “O Drama” é Robert Pattinson, pois o ator consegue evidenciar a vulnerabilidade física e psíquica de seu personagem diante dos desencontros entre os protagonistas.

A película é provocativa, espinhosa até e é indicada para quem curte acompanhar histórias construídas com diálogos inflamados ou narrativas que contam com reviravoltas e enredos contendo estopins voltados ao drama. Mais uma vez, o diretor Kristoffer Borgli provou a sua fluência na linguagem de internet com “O Drama”.  

Até a próxima aventura,

Maria Oxigenada.      

 

     

 

        

          

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