Polêmico é o seu apelido, pois a nova versão do filme “O morro dos ventos uivantes”, dirigido por Emerald Fennell, está inundada de questões que o diferenciam da obra literária, escrita por Emily Brontë, e das películas feitas anteriormente.

Esta é a terceira vez que o romance obsessivo entre Catherine (Margot Robbie/Charlotte Mellington) e Heathcliff (Jacob Elordi/Owen Cooper) ganha as telonas. A abertura do longa-metragem atual já o coloca em outra posição em relação aos demais, pois ele começa evidenciando a violência urbana existente no final do século XVIII e com um enforcamento ocorrido em praça pública.

Outra diferença da versão de 2026 é que o personagem Heathcliff é interpretado por um ator branco e não por um mestiço com origens ciganas como descrito no livro. Além disso, o clima gótico é o que permeia toda a narrativa e a história é construída em parceria com uma trilha sonora contendo sucessos do gênero pop e salpiques de práticas BDSM, ou seja, situações sexuais que utilizam a dor, a humilhação erótica, a coerção e a submissão, bem ao estilo sugerido em “Cinquenta tons de cinza”.   

Importante que vocês saibam que a história acompanha o crescimento e a amizade do casal protagonista, pois Heathcliff foi adotado ainda criança pelo sr. Earnshaw (Martin Clunes), pai de Catherine, após a perda de seu filho biológico, entretanto o garoto era tratado como mais um empregado da residência, ajudando desde cedo nas atividades braçais do local.

O desenvolvimento de sentimentos entre Catherine e Heathcliff foi algo natural de acontecer, assim como a atração e pulsão sexual entre os dois, mas o romance foi interrompido depois que Catherine resolveu aceitar o pedido de casamento de Edgar Linton (Shazad Latif), homem rico e que surgiu em sua vida como uma tábua de salvação para a falência familiar.

Na época, Heathcliff cai no mundo e só retorna à Haworth, vilarejo de West Yorkshire, após anos afastado da região e depois de se tornar um homem abastado, mas as mágoas pela troca feita ainda pulsam entre a dupla e o herói volta em busca de vingança contra Catherine. É! A loucura não demora muito para mostrar a sua faceta, assim como os joguinhos de poder, as provocações e até episódios de selvageria.

Eu não preciso nem dizer que há o degringolar da história já próximo ao seu desfecho. Apesar disso, o interessante é acompanhar a crescente de violência desenhada pela narrativa, além da destruição mútua. A relação entre os dois também está sujeita a interferência de outros personagens existentes na trama, como é o caso de Nelly Dean (Hong Chau), dama de companhia de Catherine, e Isabella Linton (Alison Oliver), irmã de Edgar Linton.

Agora, o que chama a atenção de quem assiste “O morro dos ventos uivantes” é a estética moderna transpirada pelo filme, além da mescla com cenários imponentes e uma fotografia que prima por tonalidades acinzentadas e por explorar o inverno rigoroso inglês. 

Quanto ao figurino, ele está exuberante! Ao todo, a personagem principal desfila com 45 produções distintas criadas por Jacqueline Durran e que conta com vestidos volumosos, capas dramáticas, véus, corseletes, peças de veludo, transparências e looks de vinil ou feitos a partir de tecidos sintéticos com o objetivo de criar efeitos plastificados diante das câmeras. As produções são complementadas por acessórios como coroas, óculos solares e chapéus grandiosos. 

Destaque para o vestido usado pela personagem Catherine durante a sua lua-de-mel e que parece ter sido feito com folhas de papel celofone furta-cor, numa alusão às embalagens de presentes. Já o figurino ostentado pela personagem Isabella remete aos contos de fadas com tons adocicados, rendas, tules, laços e a presença de flores bordadas.  

Enquanto que o figurino desfilado por Heathcliff foi construído com peças sobrepostas, mangas dramáticas, lenços no pescoço, coletes, suspensórios e botas de montaria. As roupas usadas pelo ator Jacob Elordi colaboram para a versão fria, cruel e intimidadora de seu personagem. A verdade é que o artista parece mais monstruoso nesta película do que em “Frankenstein”, outro filme que ele protagonizou recentemente.        

Quanto à Margot Robbie, a artista não precisa provar a sua versatilidade cênica e as suas capacidades interpretativas para mais ninguém depois de ter assumido papéis tão distintos, como o de Barbie ou Arlequina (Esquadrão Suicida e Aves de Rapina) ou Tonya Harding (Eu, Tonya), tanto que a química cênica entre ela e Jacob Elordi explode em “O morro dos ventos uivantes” e ambos desenvolvem bem as camadas dramáticas de seus personagens. 

Eu indico o filme às Oxigenadas que curtem acompanhar adaptações de histórias de época para o cinema.

Beijos,

Maria Oxigenada.   

 

      

          

          

 

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