Passada as eleições presidenciais no Brasil, cabe a nós fazermos uma reflexão sobre os meandros da política e por que não realizarmos isso através de comentários sobre um filme recém lançado em plataformas digitais? O escolhido foi “Sobrevivência”, dirigido e estrelado pelo ator e diretor Ben Affleck.
Na película, o artista veste a pele de Mark Kimball, candidato à prefeitura de Los Angeles (USA), que busca por alcançar poder político, visibilidade, adotando um discurso construído sobre pilares éticos e morais, entretanto logo no início da narrativa o seu filho único Denny Kimball (Christopher Woodley) é sequestrado enquanto arrecadava doces durante as celebrações do Dia das Bruxas (Halloween).
Decisões difíceis são tomadas a partir da instalação deste cenário com o intuito de recuperar a criança, pois Mark e a esposa Abigail (Kerry Washington) não tem disponível o dinheiro para pagar o resgate pedido. Este foi usado durante a campanha eleitoral, por isso precisam recorrer a ajuda financeira fornecida por Dayle Burton (Gillian Anderson), mediadora de crises.
O longa-metragem resvala em outras temáticas, tais como política imigratória, xenofobia, injustiças sociais através da presença de Cecília (Adriana Paz), babá mexicana da família, de Ramón (Luís Geraldo Méndez), jardineiro e namorado da personagem feminina, e de Héctor (Jacob Estrada), filho de Ramón. Em determinado momento da obra, há o levantamento de questões sobre o destino e o futuro de crianças nascidas nos Estados Unidos, filhas de imigrantes, que têm as suas vidas e destinos entregues nas mãos de políticos americanos que desconhecem a complexidade e as mesclas da cultura latina, bem como a realidade vivida por cada uma delas.
A relação entre Mark e Abigail também é colocada à prova depois que segredos do casal vem à tona e há o desmoronamento da imagem vendida à população de exemplar de família margarina. O assessor político Sam Alisson (Steven Yeun) é quem faz tentativas de colocar panos quentes em cima das crises surgidas ao longo do desenvolvimento da história fictícia, modificando discursos, ampliando cenários e posturas vistos anteriormente.
O elenco de “Sobrevivência” fica completo com a participação de artistas, tais como Ray Fisher, Matt Gerald, Chris Gann e Mark Kassen, mas o suspense impresso pela película é construído através do trabalho desenvolvido pelo diretor de fotografia Robert Elswit, pela diretora de arte Erika Toth e pela trilha sonora composta por dez canções feitas por Harry Gregson-Williams.
Como todo bom filme de suspense, “Sobrevivência” também tem uma reviravolta narrativa para chamar de sua e a jornada do herói é cumprida à risca com o protagonista da obra alcançando a redenção pelos os seus atos após passar por uma série de perrengues, entretanto quem risca a memória dos espectadores que estão conferindo ao filme é o ator Luís Geraldo Méndez com a sua interpretação determinada e lúcida.
Eu indico “Sobrevivência” às Oxigenadas que curtem filmes do gênero, àquelas que desejam refletir sobre preconceitos, a respeito de desigualdades e injustiças sociais, sobre direitos humanos e a respeito de sacrifícios feitos por pais para a manutenção de suas famílias e filhos, bem como a importância da realização de trocas e diálogos entre lideranças políticas para alcançar um consenso de que os interesses coletivos devem se sobrepor aos particulares quando o assunto é administração pública.
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada.