Os desdobramentos fashion não param de acontecer. Depois de Nova Iorque, Milão e Paris, agora chegou a vez de São Paulo ficar sob os holofotes; tudo porque nos últimos dias aconteceu a semana de moda paulistana e alguns comentários sobre as marcas desfiladas e a respeito de tendências que irão dominar as próximas estações estão disponíveis a partir de agora e abaixo.
Logo de cara, eu digo que os dias de evento foram surpreendentes! Os convidados foram presenteados com apresentações como a da grife Alexandre Hercovitch que desenvolveu uma coleção fetichista, contendo peças com pegada boho e com a presença de transparências (vóil e rendas), lingeries sensuais, tules bordados à máquina, ancas marcadas e o refresh de crinolinas. Os destaques do show visto ficaram a cargo dos corselets de pescoço, dos jacquard de shearling floral, das roupas de festa feitas a partir de tecidos naturais (algodão e linho), dos bordados em ponto cruz, do casamento de shorts com sobretudos e sapatos estilo Oxford, além de casacos de peles e as bolsas transparentes.
Já a label Forca Studio vibrou em ondas punk, trabalhando com peças feitas de couro, especialmente calças barrel, as jaquetas com gola de padre e transpasses frontais, além de calças de cintura baixa e olhos tingidos de preto. Destaque para as botas contendo solados geométricos e para os acessórios desenvolvidos pelo designer Ugo Nicoletti que conversava ao pé do ouvido com a proposta do espetáculo de moda.
A rebeldia vista na apresentação anterior reverberou na exibição criada pela marca Martins, pois esta última trabalhou com as sobreposições, especialmente dos vestidos sobre calças ou das saias sobre saias, além da presença de xadrezes, particularmente o pied de poule, dos vestidos e casacos com pegada oriental, além de bijus e bordados grandiosos.
Enquanto que a grife Marina Bitu fez insinuações sobre o universo marítimo através da escolha de uma cartela de cores que contemplava o azul, o branco, o preto, além do vermelho queimado. Faixas largas de cetins roubaram o espaço ocupado pelos cintos nas cinturas femininas, assim como as túnicas de paetês grandiosos ocuparam o lugar das produções minimalistas e foram vistas de mãos dadas com saias esvoaçantes, transparências delicadas. Mesclas de peças esportivas com festivas também foram feitas, além do uso de palhas nos acabamentos das roupas, enquanto que os volumes surgiram através de sobreposições de tecidos cortados no formato de escamas de peixes.
À La Garçonne foi outra que catapultou as suas produções para o alto, desfilando maxi florais, parkas com brilhos, lamês e brocados, camuflados, militarismo com brilho, além de conjuntos xadrezados ou florais de paetês, regatas transparentes, peças intimas e make quente, entretanto a marca Mercado Livre Moda aprofundou os alinhavos feitos entre alfaiataria e artesanal, assim como reforçou a importância do macramê, de saias vazadas, das franjas, de looks tramados e combinações feitas entre florais com peças de couro. Destaque para as calças cargo com detalhes românticos.
Já a label Artemisi fez questão de performar a sua passagem pela SPFW através do desfile de estampas florais acetinadas, pepluns, tops ostentando efeito armadura, bem como saias volumosas, vestidos feitos a partir de impressões 3D, além da presença de uma profusão de brilhos, bordados, pedrarias e tênis casual.
Trilhando o mesmo caminho da teatralidade e da irreverência, a grife Walério Araújo buscou por inspirações na natureza e no ambiente rural para conceber a sua última coleção, por isso a presença de estampas de animais, camisaria, da abundância do verde esmeralda, de peças feitas de crochê ostentando bordados de aves, além de botas com contas metalizadas, peças e macacões jeans, vestidos tramados com fitas ou feitos de plumas e conjuntos de cetins.
Outro estilista que também olhou para a riqueza encontrada no campo foi Weider Silveiro, tanto que intitulou a sua coleção de “Aboio”, ou seja, no canto emitido por vaqueiros para acalmar, reunir e guiar a boiada. Ao todo, 25 looks diferentes foram desfilados, dentre eles peças de malhas com referências à alfaiataria. As calças fuseau foram ressuscitadas, assim como os broches no formato de flor do mandacaru, mas foram as calças-sapato quem conquistaram as fashionistas de plantão, além das ombreiras grandiosas, dos vestidos estruturados e das cores sóbrias (off-white, vermelho e caramelo).
Agora, antes da finalização dos primeiros comentários feitos a respeito da semana de moda paulistana, eu gostaria de sugerir a visita à exposição intitulada “Moda entre olhares”, em cartaz no Instituto Via Foto (Largo da Batata), que reúne memórias, peças de roupas e imagens fashion. Esta ficará em cartaz no local até o dia 10 de dezembro e é a oportunidade para que vocês conheçam um pouco mais sobre as criações apresentadas na SPFW ao longo de mais de 30 anos de sua existência.
Beijos,
Maria Oxigenada.
