A história da prima do Super-Homem chegou as telonas da melhor maneira possível, pois ela aterrissou nos cinemas nacionais no início das férias de julho e as migalhas que foram espalhadas durante o filme “Superman”, de 2025, agora ganharam cores, interpretações e uma narrativa para chamar de sua.

A obra é uma adaptação da HQ “Supergirl – Woman of Tomorrow” e a aventura começa com a protagonista Kara Zor-El (Milly Alcock) iniciando as comemorações do seu aniversário de 23 anos na companhia de seu cão Krypton e fugindo do planeta vermelho.

O destino da heroína cruza com o de Ruthye Marie Knoll (Eve Ridley) em um bar. A garota está com sangue nos olhos e buscando por vingança depois que Krem (Matthias Schoenaerts) assassinou seus pais e irmão. Na ocasião, Kara faz várias tentativas para dissuadir Ruthye, mas todas elas são em vão.

O ranço contra Krem aumenta depois que o vilão imobiliza propositalmente Krypton, obrigando Kara a correr atrás de um antídoto que desfaça tamanha maldade. Assim como acontece em “John Wick: de volta ao jogo”, o pet é o motivo pelo qual a personagem principal vai em busca de justiça e vingança e para isso ela acaba unindo forças com Ruthye.

O interessante da narrativa é que ela resgata a história de Kara, desde o seu nascimento até a sua saída repentina do planeta Krypton em direção à Terra para encontrar com o seu primo, além de ressaltar como ela conheceu e estreitou os laços com o seu pet de estimação. Outro ponto positivo da aventura é que diferente de Clark/Superman, a visão defendida pela heroína na ocasião é realista e nada romantizada.

No meio deste balaio de gato, surge outro vilão na história e ele atende pelo nome de Lobo (Jason Momoa), o impiedoso caçador de recompensas. O caos visto brota a partir de suas interferências no plano de vingança das duas garotas super poderosas, entretanto o bonito também tem pendências com Krem e deseja acertar as contas com o vilão.

Dirigido por Craig Gillespie, “Supergirl” acerta em apresentar uma estética “suja” com a presença de uma paleta de cores marrom, cenários áridos e figurinos urbanos, parecidos com os explorados em “Furiosa” e “Mad Max”, além de contar com personagens coadjuvantes e espécies de outros planetas para ilustrar a aventura intergaláctica.

No entanto, o maior acerto foi a escolha da atriz Milly Alcock para interpretar a personagem título, pois a artista consegue reunir e exteriorizar os traumas vividos de Kara, assim como imprimir toda a humanidade existente na protagonista. É perceptível aos olhos do espectador a jornada de autoconhecimento, amadurecimento e escolhas feitas pela heroína.

Jason Momoa também encarna o seu Lobo com desenvoltura e está bem no papel, inclusive servindo de respiro cômico para a narrativa. O artista tem se firmado como uma das opções da indústria cinematográfica para integrar adaptações de HQs e ele flana com fluidez tanto interpretando mocinhos (Aquaman) como assumindo as peles de vilões como o sádico Dante Reyes em “Velozes e Furiosos 10” ou o próprio Lobo.

E quem disse que o Super-Homem (David Corenswet) não dá uma palhinha durante o longa-metragem de quase duas horas de duração? Suas aparições são pontuais, servindo para lembrar a protagonista dos seus vínculos familiares e de que ela não está só nesta empreitada de salvar o mundo.

Eu indico “Supergirl” às Oxigenadas que curtem acompanhar adaptações de HQs e àquelas que gostam de saber a história pregressa de heroínas presentes em películas produzidas na atualidade e que não seguem o script de boa moça, pois Kara é bagaceira no último grau e a sua graça recai exatamente neste lugar de desencaixe do esperado às heroínas.

Beijos,

Maria Oxigenada.

Compartilhe esse artigo!