Os jogos da Copa do Mundo é o assunto reinante nas rodas de conversas e nos encontros interpessoais ocorridos no momento, tanto que eu gostaria de conversar com vocês sobre o documentário “Tan cerca de las nubes”, dirigido por Manuel Cañibe, que fala de futebol, mas sobre o futebol feminino praticado pelas mexicanas na década de 70.

Naquela época, não existia um time de mulheres que representasse o México em campeonatos mundiais da modalidade esportiva e o espectador acompanha através do resgate de imagens de arquivos a formação do primeiro grupo feminino que encarou a empreitada de jogar futebol, desafiando os costumes e as regras sociais.

As personagens que recheiam a obra ainda estão vivas e em contato umas com as outras, mas o interessante da narrativa é perceber como elas encaravam tal tarefa como forma de diversão e com leveza, mas também com disciplina e enfrentando algumas adversidades como treinar em campos de terra batida, com pedras e pedregulhos presentes, além da ausência de uniformes e de uma infraestrutura mínima necessária para atender as demandas das meninas.

Há várias passagens interessantes na película, inclusive as imagens da primeira viagem de avião feita pelo grupo para a Itália com a intenção de jogar. É daí que é retirado o nome do documentário, pois a sensação descrita por algumas era de que estavam próximas às nuvens e sonhando.

O sucesso do time foi acachapante, tanto que despertou o interesse não só de empresários, cartolas do futebol e jogadores da seleção masculina mexicana que queriam embarcar nas conquistas e nos feitos das Oxigenadas, evidenciando o oportunismo dos bonitos.

Os feitos do time feminino mexicano foram muitos e rapidamente elas estavam disputando a final do Campeonato Mundial Feminino de Futebol, na Cidade do México. Na ocasião, o Estádio Azteca estava lotado e com 110 mil pessoas acompanhando a disputa que valeria o título, entretanto as mexicanas perderam a partida para a Dinamarca e conquistaram o vice-campeonato.

A partir de então, os sonhos acalentados por todas começaram a se esfacelar diante dos seus próprios olhos, pois desde a derrota e a interferência direta da Federação elas tiveram dificuldades em conquistar patrocínios, salários dignos e o apoio necessário para continuar jogando bola. Em pouco tempo, as disputas foram minguando, as dificuldades foram se instalando e elas regressaram ao início de suas trajetórias pessoais.

A percepção de que o esporte não traria o futuro almejado chegou logo e rapidamente cada uma delas seguiu o seu próprio destino, constituindo famílias e atuando em outras profissões. Agora, o interessante é ouvir os relatas e as lembranças de cada uma delas sobre o período retratado no documentário, inclusive de algumas adversárias italianas, percebendo a qualidade das jogadas entregues pela primeira seleção feminina mexicana e quantos talentos foram desperdiçados naquela época.

Hoje, as seleções femininas de futebol gozam de estrutura para treinar e competir, porém não há equidade de gênero e os salários recebidos continuam inferiores aos dos craques masculinos. O pior é que eles chegam a ganhar centenas de vezes mais que uma atleta de ponta feminina.

Apesar disso, as Oxigenadas continuam marcando presença nos gramados, competindo profissionalmente e oferecendo shows ao público. A próxima Copa do Mundo feminina acontecerá em 2027 e o Brasil será o país sede do evento com jogos programados para acontecer no Rio de Janeiro, em São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Porto Alegre, Recife e Fortaleza.

Confesso que sou uma entusiasta do futebol feminino e é claro que a minha torcida recairá sobre as brasileiras em campo, mas o meu coração solar também baterá em favor das latinas e em prol de uma competição sadia, na entrega de um espetáculo bonito e na realização de partidas estimulantes e que motivem novas gerações de Oxigenadas.

Até a próxima aventura,

Beijos,

Maria Oxigenada

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