Ver para crer, assim como São Tomé. No último final de semana, eu fui assistir ao musical “Tim Maia – Vale Tudo” para relembrar a trajetória de vida do artista e detectar as diferenças existentes entre a montagem atual e a feita em 2012 que, aliás, também foi comentada neste espaço.

Com uma linguagem dinâmica, clima de celebração, figurino colorido e a presença de um trio de artistas narradores, a história de Tim Maia é contada através da presença de um protagonista, interpretado na obra pelo ator/cantor Thór Júnior, além de participações especiais, como a de Vinícius Loyola (Roberto Carlos), Elá Marinho (Elis Regina), Vanessa Mello (Gal Costa), Aline Cunha (Sandra de Sá), Dennis Pinheiro (Jorge Ben), Moira Osório (Marisa Monte), Cezar Rocafi (Fabio), entre outros artistas.

A banda posicionada ao fundo da caixa cênica tem a missão de executar 20 músicas escolhidas do repertório de Tim Maia e dentre as canções estão: “Não quero dinheiro (Só quero amar)”, “Azul da cor do mar”, “Vale Tudo”, “Acenda o farol”, “Gostava tanto de você”, “Você”, “Um dia de domingo”, “Me dê motivo”, entre outros clássicos de sua discografia. 

O problema desta montagem é que ela subtrai passagens importantes da vida de Tim Maia, como a sua infância vivida no bairro da Tijuca e o seu debut como cantor no coro da igreja, além da vida tumultuada do personagem principal em relação ao consumo de drogas, aos relacionamentos amorosos e no que tange ao seu fanatismo religioso, pois ele integrou durante um ano a Cultura Racional. 

Passagens como a participação do artista no conjunto musical The Sputniks ao lado de Roberto Carlos, Arlênio Lívio, Edson Trindade, Wellington Oliveira e José Roberto “China”, assim como a sua prisão por porte de drogas nos Estados Unidos, além de sua deportação e outros episódios de impaciência, de rebeldia foram tratados superficialmente no enredo em prol da construção de uma narrativa redonda, limpa e digerível.

O ator/cantor Thór Júnior encarna a missão de cantar as músicas, transferindo as falas cantadas para o trio de narradores (Jow Black, Davi Fields, Fernando Rubro) e o que impressiona aos espectadores é a semelhança no tom de voz do artista, assim como a caracterização feita pela produção do musical. A unidade cênica é criada com a presença dos demais integrantes da equipe de artistas sob os holofotes que transpiram maneirismos de fácil identificação e que diverte o público.   

O musical é a adaptação do livro “Vale Tudo: o som e a fúria de Tim Maia”, escrito pelo jornalista e produtor musical Nélson Motta. O espetáculo é dirigido por Carlos Bauzys e Diego Salles e conta com a curadoria de Carmelo Maia (filho de Tim Maia).

A festa promovida na ocasião é de primeira e evidencia a grandiosidade que foi Tim Maia, pois ao longo de sua carreira artística ele construiu uma obra musical de peso com 205 canções, 698 gravações, além de desenvolver estilos musicais como samba soul, funk samba, xaxado soul e forró soul. Sua voz forte fez estremecer estádios inteiros e ecoou através de gerações. 

O musical “Tim Maia – Vale Tudo” é a oportunidade para as Oxigenadas conhecerem fragmentos da vida do artista, bem como para aquelas que curtem ouvir as suas músicas e dançar seus hits, pois em determinados momentos o teatro virou pista de dança aos presentes.

A solução para os seus finais de semana entediantes é aumentar as ondas vibracionais, realizando programas culturais que celebram as trajetórias de grandes nomes de artistas brasileiros como é o caso de Tim Maia.     

Até a próxima aventura.

Beijos,

Maria Oxigenada.

Serviço:

Onde: teatro Claro, localizado na rua das Olimpíadas, 360.

Temporada: até 21 de dezembro de 2025.

Quando: quinta e sexta, às 20h; sábado, às 16h e 20h; domingo, às 15h e 19h.

Preço: entre R$ 22,50 (meia) e R$ 350,00 (inteira). 

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