Os casos de feminicídio e os episódios de violência contra as mulheres parecem ter explodido nos últimos anos ou será que eles sempre existiram e somente agora extrapolaram o ambiente doméstico e estão ganhando projeção nacional e internacional? Eu não tenho as respostas para essas questões, mas o fato é que este tipo de violência atinge Oxigenadas de todas as idades, de todas as classes sociais e de todas as nacionalidades, inclusive artistas e celebridades.
A cantora e compositora Tina Turner (Analu Pimenta) que o diga, pois apesar da fama e do sucesso conquistado ao longo de décadas de atuação no mercado fonográfico e cultural, a artista foi vítima durante 17 anos de episódios de violência doméstica, violência patrimonial e humilhações praticados pelo seu próprio marido e empresário Ike Turner (César Mello).
Tal cenário é retratado no espetáculo musical “Tina Turner”, em cartaz na capital paulista, porém a peça começa um pouco antes e acompanhando o trabalho árduo de Anna Mae Bullock/Tina Turner nas plantações de algodão na região do Tennessee, além do fomento de seus sonhos juvenis e a sua vontade em cantar profissionalmente.
Ela começou como back vocal da banda de soul que acompanhava Ike Turner, mas a sua voz rapidamente ganhou destaque e projeção logo após ela assumir os microfones, pois era potente, afinada e cuspia labaredas. Ingênua e inexperiente, a artista delegou a administração de sua carreira e de seu dinheiro ao marido. Trabalhou por anos sem receber um único centavo por isso e ainda por cima teve que presenciar os casos extraconjugais do bonito, além de apanhar frequentemente.
No espetáculo, fica claro de que Ike Turner era viciado em cocaína e que curtia misturar drogas, mas isso não é justificativa e nem reduz tamanha atrocidade praticada contra Tina e os filhos do casal. Ao todo, a artista teve quatro filhos, sendo dois biológicos e dois filhos adotivos.
O show musical visto é dividido em dois atos distintos com duração de 180 minutos ao todo e conta com a apresentação de canções que marcaram a trajetória artística da cantora, tais como: “The Best”, “What´s love got to do with it”, “Private Dancer”, “Pround Mary”, “River Deep – Mountain High”, entre outras. A peça teatral termina retratando o show ocorrido no estádio do Maracanã, em 1988, e que reuniu 180 mil pessoas. Se nós compararmos ao show feito por Madonna, em 2024, nas areias de Copacabana e que contou com 1,6 milhão de brasileiros e estrangeiros, o feito da Rainha do Rock até parece pequeno, mas não é, não!
A atriz Analu Pimenta traça uma crescente interpretativa até explodir artisticamente na apresentação da última música, levantando e entregando para a plateia o esperado para um musical. Confesso que achei que o teatro viria abaixo, tamanha a empolgação e euforia da plateia nos momentos finais do espetáculo.
“Tina Turner, o Musical” conta com a presença de outros atores/cantores em cena, tais como: Carol Roberto, Renata Vilela, Aline Cunha, Rodrigo Garcia, Bruno Sigrist, Vanessa Mello, Lia Canineu, Samuel Conze, Abrahão Costa, Dante Paccola, Leonardo Miggiorin, Gabi Germano, Nayara Venancio, Bhener, Douglas Motta, Moira Osorio, Letícia Nascimento, Tiago Dias, Mari Saraiva, André Luiz Odin, Ágata Matos, Pedro Navarro, Mariana Gomes, entre outros artistas, pois há uma banda posicionada aos fundos da caixa cênica.
As homenagens feitas à artista e as revisões de sua trajetória heroica foram iniciadas com a exposição “Tina Turner: uma viagem para o futuro”, ocorrida no MIS, em 2023, e que agora culmina neste show musical, entretanto quem deseja conhecer um pouco mais a respeito dos feitos e realizações da artista, eu indico a visualização de alguns filmes que contam com a sua participação. São eles: “Mad Max 3 – além da cúpula do trovão”, “Procura Insaciável”, “Tommy”, “A verdadeira história de vida de Tina Turner”, “The Tina Turner Musical” e “Tina”.
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada.
Serviço:
Onde: teatro Santander, localizado na avenida Juscelino Kubistchek, 2041 – dentro do complexo JK Iguatemi.
Temporada: até 12 de julho de 2026.
Quando: sexta, às 20h; sábado, às 16h e 20h; domingo, às 15h e 19h.
Preço: a partir de R$ 50,00 (inteira).