Brincadeira de criança

como é bom, como é bom

Guardo ainda na lembrança

como é bom, como é bom…

 

O refrão da música “Brincadeira de criança”, do grupo Molejo, vibrou em minha mente ao término da visualização do filme “Toy Story 5”, apesar da trilha sonora que embala esta nova aventura protagonizada por Jessie, Woody, Buzz Lightyear, Rex, Betty, Duke Caboom, Porquinho, sr. Batata, Garfinho, entre outros brinquedos contar com a contribuição da artista Taylor Swift para a criação da canção “I knew it, I knew you” como a principal da película.

O grande tema desenvolvido neste quinto encontro com os personagens já conhecidos de todos nós são as mudanças comportamentais das crianças na era digital com a substituição das brincadeiras tradicionais por outras realizadas com o auxílio de ferramentas tecnológicas.

Outra pauta levantada pela obra é a sedução exercida pelos gadgets e as perdas acarretadas ao desenvolvimento infantil com a ausência do caráter lúdico, criativo e fantasioso reunidos em brincadeiras de outrora. Além disso, episódios de bullying digital e o isolamento infantil também costuram a narrativa.

A personagem que trás tudo isso para a cena é a Bonnie (Scarlett Spears). A garota de oito anos está com dificuldades de interação social, sem amigos e os pais decidem presenteá-la com um tablet inteligente chamado Lilypad (Greta Lee). O problema é que ela abandona o contato com os seus velhos amigos e os brinquedos se unem e traçam um plano, liderado pela vaqueira Jessie (Joan Cusak), para que Bonnie encontre outra criança para se divertir.

Agora, o mais interessante de “Toy Story 5” é que ele tira o protagonismo da aventura das mãos do caubói Woody (Tom Hanks) e do astronauta Buzz Lightyear (Tim Allen) e repassa o bastão para Jessie, tanto que a história de abandono da vaqueira por Emily, sua primeira dona, é revisitada.

No decorrer da película, o encerramento da participação de Woody na franquia também começa a ser desenhado a partir do momento em que ele ocupa o papel de coadjuvante nesta e aparenta traços de envelhecimento pessoal como o surgimento de calvície e desgaste estético.

No entanto, outros brinquedos são introduzidos na animação a fim de alinhavar a ideia de que a evolução tecnológica acontece rapidamente. O trio formado por Rolinho (Conan O´Brien), o GPS Atlas (Craig Robinson) e a câmera fotográfica Snappy (Shelby Rabara) é prova disso. Eles são os respiros cômicos da obra e divertem o espectador com as dificuldades enfrentadas para o envio de mensagens. Além do trio, há o exército de Buzz que também distrai quem está diante da telona com as movimentações feitas conjuntamente, o raciocínio limitado do modelo e a necessidade de encontrar novas crianças, novos donos.

Ah! Eu quase ia me esquecendo de comentar que há a introdução de outro personagem na narrativa e ele é um pedaço de pizza, interpretado pelo cantor e rapper Bad Bunny, além do ressuscitamento do imperador Zurg, versão futura de Buzz Lightyear, que taca o terror no astronauta com a frase “Eu sou o seu pai”, numa paródia ao Darth Vader, personagem da franquia Star Wars.

Eu gostei da história desenvolvida em “Toy Story 5” porque é necessária a reflexão sobre o tema principal desenvolvido, porém a película está aquém das anteriores e não seduz tanto como as animações lançadas recentemente, como “Guerreiras do K-Pop, “Elio”, Divertida Mente 2” ou “Zootopia 2”.

Para os fãs da franquia Toy Story e da cultura pop, eu sugiro visitar a exposição interativa “Toy Story ao infinito e além”, em cartaz no shopping Cidade São Paulo, e ter a oportunidade de visualizar esboços conceituais, storyboards e testes iniciais da animação que revelam como nasceram os personagens e os cenários vistos.

Beijos,

Maria Oxigenada.

Serviço da exposição:

Onde: shopping Cidade São Paulo, localizado na avenida Paulista, 1230.

Temporada: até 31 de julho de 2026.

Quando: terça a quinta, das 12h às 21h; sexta e sábado, das 11h às 21h; domingo e feriado, das 12h às 20h.

Preço: a partir de R$ 25,00.

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