Não há chances de eu fazer vista grossa para a realização do desfile da marca de lingeries Victoria´s Secret no domingo retrasado (18 de outubro). Intitulado de “Fandemonium”, o evento reuniu beldades, tais como Gigi Hadid, Bela Hadid, Candice Swanepoel, Kylie Jenner, Anok Yai, Rosie H. Whiteley, Elsa Hosk, Jasmine Tookes, Imaan Hammam, Devyn Garcia, Paloma Elsesser, Abby Champion, Alex Consani, além do time de brasileiras formado por Adriana Lima, Alessandra Ambrósio, Carol Trentini, Gabi Moura e Luiza Perote. Já a trilha sonora do espetáculo ficou a cargo de Megan Thee Stallion, Tate McRae, Mega Moroney e do grupo Katseye.
Nas passarelas espelhadas circularam peças íntimas e sensuais feitas com rendas, sedas, cetins naturais, transparências, além de produções bordadas com cristais, pedrarias, paetês ou ostentando franjas, bem como saias diminutas feitas a partir de vóil. Alguns dos looks vistos foram completados por meias 7/8, por ligas feitas de rendas ou elásticos, cintas-ligas ou correntes de coxas, entretanto o charme dos acessórios recaiu sobre as asas angelicais criadas a partir de penas, plumas, tecidos e estruturas metálicas.
Sutiãs estruturados, bordados com canutilhos, cristais, paetês, além de corseletes contendo amarrações, calcinhas cavadas ou com suas tiras laterais altíssimas, além de hot pants, saias assimétricas e peças tramadas e que simulavam a estética de redes de pesca também circularam durante o show fashion.
Quanto a cartela de cores trabalhada na ocasião, ela foi construída a partir de produções feitas com preto, branco, prata, vermelho, nudes, rosa adocicado, além de salpiques de marrom e bronze. Destaque para o bodie engana-mamãe rendado na cor verde grilo e desfilado pela modelo Adriana Lima, para a produção colorida ostentada Jasmine Tookes, para a saia balonê mullet em que a modelo Alessandra Ambrósio riscou a passarela, para o Fantasy Bra (sutiã jóia), avaliado em US$50 milhões, e desfilado pela empresária Kylie Jenner e para o recado virtual dado pela modelo Gisele Bündchen.
Modelos plus size, corpos curvilíneos e positivos também marcaram presença na apresentação de moda através da passagem da modelo Ashley Graham, de Gabi Moura e de Barbara Palvin que, aliás, vestiu a pele de mãe recentemente e apenas há sete semanas. O fato é que a label tem feito esforços desde 2022 para o seu reposicionamento no mercado de moda através de uma maior diversificação de corpos mostrados durante o desfile-celebração, inclusive com a inclusão e colaboração de modelos transgênero como Valentina Sampaio e Emira D´Spain.
Apesar disso, os holofotes têm refletido outra realidade nas passarelas pelo mundo afora e corpos extremamente magros, resultado do uso de canetas emagrecedoras e de medicamentos voltados para a perda de peso, o que tem alertado médicos, profissionais da área da saúde e autoridades a respeito da valorização da magreza excessiva e de modelos de corpos aceitos pela sociedade atual.
Esta não é a primeira vez que isso acontece, pois sombras desse cenário podem ser resgatadas do início dos anos 90 com o surgimento da expressão heroin chic, termo usado para definir modelos demasiadamente magras, pálidas, com olheiras escuras e que remetiam ao uso recorrente e indiscriminado de drogas como estilo de vida da época.
Vale ressaltar que todos os corpos deveriam continuar sendo representados nas passarelas, em desfiles e shows de moda, refletindo as presenças diversas que flanam pelas ruas tanto de grandes centros urbanos como de cidades pequenas, incentivando as marcas de roupas e lingeries na produção e no atendimento de expectativas e necessidades de consumo de diferentes tipos de clientes.
Até o nosso próximo encontro,
Maria Oxigenada.